The Girl Who Murdered Love

3 Sonhos são flashes do futuro


Notas iniciais
Yo! Ok, eu admito que estava sem inspiração para fazer esse capítulo. Espero que ele não tenha ficado muito "lixoso", hue.

"Não se atreva a olhar pela janela

Querido, tudo está em chamas

A guerra do lado de fora da nossa porta continua devastando

Agarre-se a essa canção de ninar

Mesmo quando a música tiver acabado"

–Safe and Sound, Taylor Swift

Estava escuro, silencioso e terrivelmente quente. Quente? Sim, ela morreu no verão. Sua estação favorita, aliás. O sol brilhava impiedoso e castigava toda aquela pacata cidadezinha naquele dia. Era quase insuportável, mas eu e Mizu brincávamos mesmo assim. Éramos crianças, o que eu podia dizer?

Seus cabelos extremamente lisos e escuros, os graciosos olhos puxados, como que uma imitação de seu pai japonês, mesmo que a maior parte de seu rosto estivesse vermelha e queimada. O meu também deveria estar, e isso importava? Mizu era com uma irmã depois de meus pais terem se separado e a guarda ter ficado para minha tia. Não éramos mais primas, e sim filhas da mesma mãe, a mesma vida. Inseparáveis.

Éramos.

Não fazia nem mesmo uma semana que eu havia descoberto que minha família não me queria e aquela que eu tinha dedicado toda a minha infância não era minha irmã, ou mesmo os adultos que eu mais amei não eram meus pais. Bem, é claro que eles não iriam contar isso á essa estúpida insignificante de 13 anos, não é? É, eu ouvi por trás da porta. Eu achei que ia ganhar um tipo de presente, ora! Não era sempre que uma imponente mulher rica visitava a nossa humilde morada. Não éramos pobres se é isso que está pensando, somente não tão bem providos como ela parecia abundar.

"Samantha! Você deveria ter vergonha! Ela é sua filha! Não importa se ela tem algum tipo maldição ou algo do tipo! Você sabia que isso podia acontecer!"

Mesmo sussurrando, eu podia perceber a acidez em suas palavras. A outra moça também não deixou por pouco.

"Você fala isso por que tem uma filha linda e saudável! Se estivesse no meu lugar-"

"Se estivesse no seu lugar iria amá-la como deve ser! Ela é só uma criança, Samantha! Não sabe de nada, inocente. Mas você sabe que o amor é o único modo de curá-la! É única coisa mais forte que o medo!"

Interrompeu a mulher que eu sempre chamei de mamãe. Eu estava confusa, meu coração batendo rápido, as lágrimas correndo quentes.

"Isso nunca funcionou! Todas as mãe tentaram, mas não funcionou! Inocente você diz? Ela matou nosso cão no terceiro mês de vida, Alice! Seus olhos ficaram negros e sua feição era de puro prazer ao ver o pobre animal ao seus pés, estrangulado. C-como eu poderia ama-la? A-amar um monstro?..."

Silêncio. Este era tanto que podia ouvir os soluços de Samantha, os suspiros de Alice, com os batimentos do meu coração desesperado por fundo musical. Sim, ali estavam as provas. Então era por isso que vez por outra eu tinha aqueles terríveis pesadelos.

Mesmo depois de uma semana, toda vez que olhava Alice, ou mesmo Mizu, algo me corroía por dentro. E não era o medo de feri-las.

Era o ódio da mentira.

Subitamente apareceu-me aquela fatídica noite em que fugi. Observava a decoração ingênua e infantil do quarto que causava-me repulsa. Esvaziei minha mochila escolar rosa e pus lá, desordenadamente, algumas roupas que julguei serem de suma importância. Desde aquilo sentia como se a qualquer momento pudessem se virar contra mim e fazerem coisas terríveis. Afinal, não é isso que se fazem com monstros? Eles são mortos e os bonzinhos vivem em paz, para todo o sempre. Sem nunca se importar com outra coisa.

A janela rangeu. O vento quente, quase sufocante da noite invadiu meu quarto, incentivando-me a pular. Com estes vorazes pensamentos, estava quase a concretizar minha fuga. Sem nenhum arrependimento, sem deixar nada para trás, nenhum rastro. Mas então sua fina voz sonolenta chegou aos meus ouvidos.

"Juli?" Chamou Mizu, preocupada ao ver toda aquela agitação. A casa se mostrava num silêncio que até mesmo os grilos eram mui bem ouvidos, por isso não me deveria admirar que ela estivesse ali. Deveria ter somente pulado e desaparecido na noite. Mas não. O desespero engoliu-me novamente.

"M-Mizu!... Mizu, fique longe. E-eu tenho que ir, fugir. Só fique longe, eu não quero lhe fazer mau." Quase não podia vê-la em minha ansiedade, somente ia ficando mais e mais escuro, como se todas as estrelas se apagassem.

"Fugir? Para onde? Por que? Não vá, vá!" As lágrimas lhe brotavam nos pequenos olhos castanhos, e com uma brisa de vento pude perceber que em mim não era diferente. Porém algo estranho acontecia em meu íntimo. Como um fogo crescendo e aumentando, a vontade de fazer algo, fugir, correr, me salvar.

Então tudo ficou escuro. Silencioso. Quente.

Quando vi, minhas roupas estavam exarcadas de sangue, e o corpo de suor. A tesoura de jardineiro que iria usar como defesa improvisada em minha mão, escorrendo a tragédia e o erro que cometera. Demorei um pouco para perceber o casal ali presente, de feições horrorosas, apavoradas, com medo da menina que haviam criado.

"Mãe...M-mãe..." Chamei, mas ela não se moveu. Somente fitou-me nos olhos. Olhos castanhos como chocolate, estalados. Horror. Era isso que diziam, e mesmo por trás da lentes do óculos, era a mesma coisa com papai.

Larguei a tesoura e corri janela á fora, pintando a alça da mochila de vermelho, pouco me importando com os joelho ralados ou mesmo o tremer de meu corpo. Não sabia do futuro, podia ver-me jogada pelos cantos e-

*Pirililin Pirilirin Pirililin*

O toque frenético de meu celular me trouxe de volta á realidade. A TV estava ligada, as cortinas puxadas e o frio penetrava-me até os ossos. "Ah, um flashback novamente. Tem sido cada vez mais frequentes..."

O monstro continuava a suar com seus pesadelos. Que ironia.

Notas finais
"Oxe! Que toda coisa foi essa?!" Devaneios... Não deixe de comentar, por favor!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.