Notas iniciais
Então, eu realmente me empolguei com a história e acabei escrevendo mais um capítulo. Espero que tenham gostado do primeiro capítulo e que aprovem esse também. O que está em itálico são os pensamento da Quinn, só para esclarecer se alguém achou que ficou confuso. Boa leitura.

Quinn sentiu a forte luz, que vinha da fresta da janela, bater contra seus olhos. Ela gemeu, se virou algumas vezes e quando percebeu que não conseguiria mais dormir, sentou-se bruscamente na cama.


“Puta merda.” Sussurrou quando sentiu a dor de cabeça a abater com força.


“Dá pra não gritar, mas que porra.” Monica disse do outro lado com uma bolsa de água quente em sua cabeça, os cabelos bagunçados, olhos cansados e rosto inchado.


“Mas eu...” Não adiantaria discutir com Monica nessa situação. “Você sabe que isso não vai funcionar, não é?” Quinn disse um tempo depois, se referindo a bolsa de água na cabeça da amiga.


“Cala boca.” Monica respirou fundo. “Deixei um comprimido pra você do lado da sua cama. Tome se não quiser morrer. Temos um dia longo pela frente.” Quinn murmurou um ‘obrigada’ e engoliu o comprimido. A cabeça latejando fez com que ela se jogasse de volta na cama.


“Eu sei que ontem era pra ser uma noite cheia de lembranças. Mas eu sequer lembro do que eu usei.” Então ela olhou para seu corpo. “Pera, lembrei.” Ambas ainda usavam os vestido que foram para a festa.


“Que parte do ‘cala boca’ você não entendeu?” Monica tinha a cabeça encostada na parede, a bolsa de água estava escorrengando e os olhos estavam fechados. Quinn bufou.


Ambas ficaram em silencio. Desfrutando da fantástica dor de cabeça. Quinn sentiu como se o latejar da sua cabeça fosse a batida da música da noite anterior. E então pequenos fleches começaram a percorrer sua mente.


“Ai meu Deus, eu beijei uma garota.” Ela se sentou bruscamente, de novo, de olhos arregalados. Então gemeu e se jogou de volta na cama.


“Nossa Fabray, que bom, quer um prêmio por isso?” Monica de ressaca era um saco.


“Eu gostaria de lembrar mais sobre isso.” Quinn disse depois de se recuperar da pontada que sentiu na cabeça.


“Você gostou.” Monica murmurou. No momento ela parecia estar meditando. Ainda com aquela maldita bolsa de água na cabeça.


“Como você sabe?” Quinn perguntou confusa.


“Você me contou. Sua última lembraça da faculdade, baby. Parabéns.” Quinn gemeu de novo. “Quinn, dá pra parar de gemer. Eu estou de olhos fechados, então não consigo ver o que você está fazendo e minha mente se aproveita da situação para pensar coisas inapropriadas.”


“Você é uma pervertida.” Quinn saiu da própria cama para deitar na da amiga, aconchegou a cabeça sobre as pernas de Monica e tornou a encarar a garota com os olhos fechados e a coisa ridícula na cabeça. Quinn esticou o braço para tocar na bolsa e-


“Não ouse, Fabray.” O braço caiu ao seu lado. Ela bufou.


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Elas terminaram de arrumar as coisas que faltavam. Bom, na verdade Monica terminou. As coisas de Quinn já estavam organizadas a dias.


Os pais de Monica estavam indo buscá-las em meia hora. Então elas teriam tempo suficiente de se despedir pela última vez dos amigos mais próximos. Quinn nunca entendeu do por quê de Monica dormir em Yale sendo que os pais moravam em New Heaven. A garota costumava dizer que não queria perder a chance de viver essa experiência. E Quinn não reclamava, afinal ela não sabia o que iria fazer sem Monica ao seu lado.


Com ajuda de alguns amigos elas levaram os pertences até a camionete de Robert Jackson. Quinn se jogou no banco de trás do carro. Cansada depois de tanto esforço. Em seguida, ela viu Yale sendo deixada para trás e uma lágrima tímida escorreu de seus olhos.


“Ei, Q.” Monica chamou sua atenção, olhado para ela do banco da frente. “Nós vamos ficar bem.” Ela sorriu e limpou a lágrima de Quinn.


“Eu sei que vamos.” Quinn sorriu e acariciou a mão da amiga.


“Então por que está chorando? Nós podemos voltar aqui quando quisermos.” Monica entrelaçou os dedos aos de Quinn.


“Eu sei, mas é o fim da era Quonica ou Moinn, whatever.” As duas riram.


“Você não vai se livrar de mim tão rápido, baby.” Monica piscou para Quinn, essa sorriu em resposta.


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Já passavam das oito horas da noite. As garotas já haviam jantado e agora diviam a cama king size de Monica. Ambas encaravam o teto e não diziam uma palavra. De repente o medo em relação ao futuro chocou contra a loira. Pensei que já tinha passado dessa fase... Quinn levou as mãos aos olhos e esfregou-os.


“O que foi, Q?” Monica se apoiou no cotovelo e se virou para encarar a loira.


“Nada, é que... Chegou, Mon. É o nosso futuro. Não tem mais volta.” Quinn suspirou, mas não tirou as mãos dos olhos.


“E qual é o problema? Já estava na hora. Estamos nos preparando a quatro anos para esse momento Q, vai dar tudo certo.” Monica tentava confortar a amiga.


“Como você sabe? Quer dizer, NYC? Sério? Eu? Em NYC? Quinn Fabray em NYC?” Monica soltou uma risada gostosa e voltou os olhos para Quinn. Que agora a olha indignada.


“Relaxa, Quinn. Sim, você vai para NYC. Vai pintar muitos quadros. E as galerias vão pagar muito pra você expo-los lá. E então você vai ficar muito rica, vai vender muitos quadros e vai montar sua própria galeria.” Quinn sorria com a imagem que se formava em sua cabeça. Esse seria o futuro perfeito. Mas ela custava em acreditar nele. Teria que enfrentar tudo sozinha. Sozinha... Mais uma vez...


“Vem comigo, Mon.” Quinn disse.


“O que?” Monica olhou para ela surpresa.


“Vem morar comigo em NYC.” Quinn olhou nos olhos dela dessa vez.


“Quinn, eu não... eu não posso. Minha família toda mora aqui. E eu não conseguiria abrir minha própria clínica pediátra lá. Não daria certo.” Quinn assentiu. Monica tinha razão. A chances de ela abrir uma clínica lá e ser bem sucedida eram uma em um milhão.


“Eu ainda não acredito que você vai ser médica. Vai assustar os pacientes.” Quinn riu e Monica socou seu braço.


“Q!”


“Eu to brincando! Tenho certeza de que vai ser uma ótima médica. Vem cá.” Quinn pediu para que Monica se aproximasse para que elas se abraçassem.


Elas ficaram assim por muito tempo. Quinn acariava as costas da amiga. Aproveitando a ultima noite que elas teriam juntas antes da loira fazer a viagem mais assutadora de sua vida. Aos olhos de uma pessoa normal, uma viagem de New Heaven até New York, não era nada demais. Mas para Quinn, era pior que Sue Sylvester mau humorada numa manhã de segunda feira. Ok, nada era pior do que isso, mas chegava perto. Monica se afastou de Quinn e a loira torceu o cenho quando percebeu.


“O que foi?” Ela perguntou encarando a amiga.


“Agora que você gostou de beijar uma garota, tenho medo que vá tentar abusar de mim durante a noite.” Monica disse acanhada.


“Monica!” Quinn gritou e socou a amiga.


“Eu to brincando! Relaxa!” Ela riu. “Agora fala baixo que meus pais estão dormindo.” Monica ia puxando Quinn para perto para abraçá-la.


“Você que é a pervertida aqui, não eu. Eu que deveria ter medo de você.” Quinn murmurava enquanto se deixava ser envolvida pelos braços de Monica.


“Eu sei, Quinn... eu sei... agora dorme. Shh...” Monica acariciava a cabeça de Quinn, enquanto a loira caia no sono.


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“Vamos garotas! Se não Quinn vai perder o trem!” Robert já estava dentro de sua camionete esperando as duas garotas que desciam correndo a escada da sala. Quinn se despediu de cada membro da família Jackson, menos Robert e Monica, que iriam acompanha-la até a estação.


Muitas lágrimas foram jorradas. Inclusive as crianças e isso cortou o coração de Quinn. Era horrível ter que deixá-los. Mas ela não demoria a voltar. Ela podia sentir isso.


“Então Q, nosso encontro fica para outro dia.” Alex arranhava a parte de trás do pescoço.


“Claro.” Quinn sorriu. “Eu não vou demorar para voltar.” Alex a abraçou fortemente e depositou um beijo molhado e demorado em sua bochecha.


“Vai na sombra Q. Se cuida.” Ela assentiu e acenou novamente para o resto da família. Monica colocou o braço direito em volta do pescoço de Quinn, guiando-a para o carro.


“As vezes acho que minha família gosta mais de você do que de mim.” Monica murmurou com o cenho franzido. Quinn riu. “Mas que Alex é apaixonada por você, isso ele é.” Quinn corou e Monica riu. “Vamos cunhada.”


A viagem até a estação foi feita em silêncio. Quinn olhava através da janela. Observando cada canto que podia daquela cidade que estava prestes a abondar. Ela não queria chorar. Mas ela sabia que iria. Tudo era tão bonito e calmo. Era a cidade perfeita para Quinn. Ela ainda se perguntava se seria capaz de se habituar com o movimento de NYC. Afinal, dizem que é a cidade que nunca dorme.


Mas ela tinha que ser capaz. Não era uma escolha. Não existia um “não”. E nem um “talvez”. Tudo era possível em NYC. E se ela fosse escolher qualquer lugar do mundo para tentar sua carreira de artista. Seria lá.


Antes que ela pudesse se dar conta, já havia chegado a estação. Ela saiu do carro e esperou Robert, que vinha até ela.


“Então Quinn, eu já mandei o meu amigo levar seus pertences para NYC.” Os Jacksons tinham uma empresa bem sucedida de mudança. “Está tudo certo com seu apartamento?” Quinn sorriu para ele.


“Sim, eu já liguei para o dono. O apartamento já está disponível e a minha cópia da chave foi entergue uma semana atrás em Yale.”


“Bom, e o aluguel, se você quiser ajuda com o alu-“


“Senhor Jackson, está tudo bem. Eu tenho minhas economias e uma grande quantia de dinheiro que meus pais felizmente depositaram na minha poupança antes de me expulsarem de suas vidas.” Robert tinha um olhar triste. Ele sabia o quanto Quinn havia sofrido e odiava os pais da garota sem nem ao menos tê-los conhecido.


Quinn era a garota mais gentil e educada que ele já conhecera. Ele sabia que ela havia passado por maus bocados, mas a sua admiração por ela era algo que nunca iria mudar. Uma lágrima escorreu de seu rosto.


“Adeus, Quinn.” Ele finalmente disse e abraçou a loira com força. “Eu te amo e vou sentir sua falta... filha.” A ultima palavra atingiu Quinn em cheio e ela chorou mais ainda, apertando o homem com mais força. A loira não consiguiu dizer nada depois de se separar do abraço. Ela só podia sorrir.


Quinn andou até Monica. Esperando que a amiga lhe desse um abraço, mas ela não o fez. Então a loira a abraçou com força, mas a morena não se moveu. Quinn encarou a garota e viu que ela tinha o olhar frio.


“Ahn... tchau Mon. Eu... te amo. Até um dia desses.” Ela se afastou confusa da amiga enquanto apanhava suas malas. Quinn se virou e começou a andar em direção ao seu vagão. Muito magoada. Então ela sentiu algo em suas pernas.


“QUINN POR FAVOR NÃO VÁ! NÃO ME DEIXEI! EU TE AMO TANTO POR FAVOR NÃO VÁ! POR FAVOR POR FAVOR POR FAVOR EU NÃO POSSO VIVER SEM VOCÊ!” Monica estava agarrada a perna de Quinn. Uma cachoeira escorria de seus olhos.


“Monica, levante e me dá um abraço decente, eu tenho que ir.” Quinn tentava tirar a amiga do chão, percebendo que algumas pessoas já estavam olhando.


“NÃO QUINN, VOCÊ NÃO PODE IR POR QUE... POR QUE... EU ESTOU TOTALMENTE APAIXONADA POR VOCÊ! É ISSO! EU TE AMO QUINN VAMOS NAMORAR, CASA COMIGO!” Agora a garota estava ajoelhada na frente de Quinn e as pessoas estavam realmente olhando. A loira estava extremamente nervosa.


Uma senhora que estava perto dela a cutucou e disse “Vamos, aceite.” Todos olhavam para elas e esperam a resposta da loira. Isso é rídiculo.


“Monica, levante-se daí agora.” Quinn disse entre dentes. A morena levantou-se de mau grado. “Desculpe pessoal, isso foi um grande mal entendido, minha amiga aqui tem problemas mentais, mas não se preocupem, ela está se tratando.” Ouviram-se algums vaias e sons decepcionados vindos da platéia que se formava ao redor dela e que agora estavam voltando para seus afazeres. “Qual é o seu problema? Você não podia ter simplesmente me dado um abraço quando eu te ofereci?” Quinn olhava irritada para uma Monica cabisbaixa.


“Desculpe.” Ela murmurou.



“Eu perguntei se você queria vir comigo.” Quinn suavizou seu tom.


“Eu sei, me desculpa.” Monica mordeu o lábio e em seguida pulou nos braços de Quinn. “Eu te amo tanto, Quinn. Você é a melhor amiga que eu já tive. Por favor, não esqueça de mim em NYC. Eu vou te visitar assim que der e quero você venha para cá de vez enquando.” Quinn permitiu que as lágrimas escorressem de seus olhos.


“Eu também te amo, Mon. E eu nunca vou esquecer de você. Quero que você me mande um e-mail todos os dias contando como vai você e sua família. E também quero que vá sempre que puder para NYC.” Monica assentiu ainda no abraço de Quinn.


Elas se afastaram e sorriram mais uma vez uma para outra. Robert observava a cena com o coração na mão. Quinn apanhou suas duas malas e seguiu para seu vagão. É agora ou nunca, Quinn.

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Quinn abriu os olhos rapidamente quando sentiu o trem parar. Ela olhou a sua volta, tentando reconhecer onde estava. Então ela olhou pela janela e se lembrou. Ah, NYC... Ela se levantou, apanhou suas bagagens e tentou achar um taxi.


Ela já estava a mais de quinze minutos tentando pegar a porra de um taxi. Ela se sentiu uma idiota. Por que ninguém a ajudava? Mas que inferno! Depois de mais três tentativas ela finalmente conseguiu que algum taxista parasse. O homem a ajudou com suas bagagens e perguntou qual era o destino. Ela retirou o papelzinho que guardara no bolso com o endereço de seu novo apartamento alugado. O taxista assentiu.


O homem era extremamente gordo, barba mal feita e tinha um dente de ouro. Então ele ligou o rádio numa estação de música clássica e começou a murmurar as notas das música. New York era mesmo bizarra.


Quinn olhava pela janela enquanto as luzes passavam por ela. Era uma cidade extremamente linda, ela tinha que admitir. Mas era uma beleza diferente. Não como New Heaven.


Ela estava curiosa para explorar aquela selva de pedra. Quinn sempre foi aventureira e isso não havia mudado.


O apartamento dela era próximo ao central park, mas era simples, porém não deixava de ser um pouco caro. Ela podia ter pegado algo mais em conta no Brooklin, mas se ela iria morar lá, que fosse em Manhattan. E além disso, a loira acreditava que seu dinheiro seria o suficiente para mantê-la. Principalmente se tudo ocorresse como o planejado.


Quando ela percebeu, já estava parada na frente do prédio. Ela pagou ao taxista o quanto lhe devia e deixou o taxi com suas duas malas. O prédio era de tijolinhos a vista. Típico de NYC. Ela entrou e logo percebeu que não tinha elevador. Ótimo... Suspirou e arrastou suas malas seis andares acima.


“Deus, eu vou morrer.” Ela respirava profundamente enquato se apoiava com uma de suas mãos em uma das malas e a outra levava ao peito. Quando sua respiração se estabilizou ela se virou para a porta verde escuro e o relevo em dourado escrito “6B”. Havia quatro apartamentos no andar, que por sinal, era o último.


Ela adentrou o apartamento e viu que não era tão ruim. O lugar era charmoso e grande o suficiente. Tinha uma grande janela de vidro que dava para o prédio do lado mas que de certa forma também não tirava sua vista. A varanda era ligeiramente grande e tinha uma vista ótima também. A cozinha era junto da sala. O apartamento tinha dois quartos e dois banheiros, um da suíte e outro do lavabo. Ela podia se acostumar com isso. Suspirou cansada, mas feliz. Só então percebeu que tinha esquecido as malas do lado fora.


Ela correu até lá e levou as duas malas para dentro. Mas antes de terminar de fechar a porta ela viu que seu vizinho, ou melhor, vizinha havia chegado. A loira ia cmprimentá-la quando-


“Não pode ser, não não não não não não.” Ela fechou a porta rapidamente. “Não pode ser.” Ela ainda sussurrava para si mesma. Quinn correu para o olho mágico para observar se sua vizinha ainda estava li. Por sorte, ela havia entrado. Quinn se reencostou a porta e deslizou até o chão. “Minha vizinha não pode ser Rachel Berry.”