The Girl Next Door
3 Radiohead x Barbra Streisand
Notas iniciais
Quinn acordara fazia quinze minutos e desde então, seus olhos permaneciam fielmente grudados ao olho mágico. Ela precisava ter certeza de que aquela era mesmo Rachel Berry.
A loira não tinha pensado muito no que poderia fazer. E se fosse mesmo Rachel? Ela continuaria a viver ali? Procuraria outro lugar? Ela queria evitar a garota. Não que ficar observando o movimento do corredor no olho mágico fosse a melhor forma de fazer isso, mas ela precisava ter certeza.
Rachel não era uma pessoa ruim. Na verdade, era uma das pessoas mais bondosas que já conhecera e isso contumava irritá-la profundamente até o terceiro ano, que foi quando as coisas realmente mudaram. Quinn nunca iria entender o por quê de Rachel prezar tanto a sua amizade. Ela fez a vida da garota um inferno durante tanto tempo. Mas apesar de tudo, a morena estava sempre lá, com aquele sorriso de 1000 watts, disposta a esquecer o passado e tentar de novo.
Quinn não deveria ter se afastado. Elas construíram uma boa amizade. No verão, antes de ambas irem para suas faculdades, elas se divertiram. A loira realmente aproveitara a companhia de Rachel. Ok, a loira era uma pessoa horrível. Mas Quinn tinha seus motivos. Rachel, assim como todos os outros, lembravam o passado, coisa que a loira lutava todos os dias para esquecer.
E agora ali estava ela. Todos os momentos, bons e ruins, vieram a tona. Ela sentia falta de todos. Até mesmo de Finn, apensar de achá-lo um idiota bobão. Mas eram muitas memórias que ela preferia esquecer, tornava tudo mais fácil. Ela odiava quando questionavam sua coragem, até agora, por que nesse momento ela percebeu não ter nenhuma. Você sempre foge, não é Fabray?
O barulho das chaves vindo de fora do apartamento, despertou Quinn de seus devaneios. É Rachel. Sua vizinha é mesmo Rachel Berry. A loira estava atônita. Ela ia abrir a porta. Juro que ia. Mas simplesmente travou.
A mão ainda estava firmemente agarrada a maçaneta, mesmo com a morena já dentro do apartamento. Ela não conseguia descrever o que estava sentindo. Ver Rachel depois de quatro anos inteiro sem nenhum contato era um tanto.. chocante. Quinn não tivera muita visão do rosto da morena. Mas ela reconhecia aquelas pernas em qualquer lugar. Não que ela reparasse muito. Oh, não! Era só que Racher costumava usar aquelas saias minúsculas e seus olhos simplesmente iam para a direção das pernas morenas, ela não conseguia controlar, e era uma droga. Santana amava fazer piadas com isso. Quinn costumava achar que era apenas inveja feminina e ela ainda pensava assim.
Finalmente soltou a maçaneta. Seus dedos já estavam brancos. Com passos hesitantes ela foi até o sofá e sem delongas se atirou nele. Rachel é minha vizinha... Rachel é minha vizinha... Rachel é minha vizinha... Ok, Fabray. Repetir isso várias vezes não vai tornar menos assutador. Quinn precisava se distrair. Organizar o apartamento era uma boa forma de fazer isso. As caixas ainda estavam amontoadas nos cantos, guardando todos os seus pertences. Mas se concentrar sabendo que Rachel Berry estava a dez metros dela seria uma tarefa árdua.
Ela se levantou destemina. Conectou seu iPod no iPanda. Ela amava pandas. Sua playlist do Radiohead começou a tocar. E como se do nada as enormes janelas do apartamento tivessem desaparecido, ela começou a dançar e desempacotar as caixas ao mesmo tempo. Isso era divertido. Muito divertido.
Os pertences do quarto já estavam todos em seus respectivos lugares. Ela transformou o segundo quarto em seu ateliê, mas também colocou uma tela em branco perto de uma das janelas da sala. As vezes a inspiração vinha e ela precisava pintar. Porém, por algum estranho motivo, o lugar em que ela estava influenciava na sua inspiração.
Agora só faltava os pertences da sala e da cozinha. E enquanto ela dançava até as caixas, algo a fez parar. Outra música tentava se sobressair ao som de Creep. E isso era inaceitável. Ela aumentou o som, fazendo com que sua música ganhasse os ares novamente.
Quinn tirou uma pilha de livros de receita que Megan Jackson achava necessário que ela tivesse. “Receita para inciantes”, “Cozinha para idiotas”, “Molhos e massas para tapados”. Muito bom... A loira pensou, irônica.
“Mas que merda.” Quinn proferiu ao detectar aquela maldita música desconhecida lutando contra Creep, novamente. Ela correu até seu iPanda e aumentou o som novamente. Sorriu maldosa. Ninguém superava Radiohead e seu iPanda.
Mas antes que ela pudesse voltar ao trabalho, o som estranho invadiu novamente o ambiente. Quinn aumentou ainda mais o seu som. Porém mais uma vez o ar foi tomado pela porra da música que não era a dela. Aumentou a sua. Música estranha. Sua música. Música estranha. Sua música. Ela estava muito irritada. O som no apartamente era ensurrecedor. Radiohead percorria não só o seu apartamento, mas provavelmente os dos seus vizinhos também. Tanto que ela quase não ouviu quando tocaram sua campainha. Ela correu até a porta e a abriu.
“Olha, eu sei que você quer aproveitar a sua música, mas todos nós temos gostos diferentes, e eu realmente gostaria de ouvir Barbra em paz sem ser interrompida por essa coisa que você está ouvindo...” A morena continuava a falar, mas Quinn não ouvia mais.
Rachel estava na frente dela. Olhando para o chão e falando algo sobre ouvir Barbra enquanto sua música atrapalhava. Ah, é claro. A música estranha era de Barbra Streisand e sua inimiga na guerra das músicas, como ela tinha acabado de apelidar, era Rachel Berry.
“... então eu agradeceria se você abaixasse o som. Eu posso fazer o mesmo. Assim ambos poderemos viver em paz.” Rachel terminou seu monólogo e levantou os olhos para olhar para seu vizinho. Foi ai que ela se deparou com Quinn e seus olhos cresceram vinte vezes de tamanho. O silêncio se fez presente. A loira queria falar algo, mas as palavras não saiam. Rachel Berry estava ali, na sua frente, a olhando com aqueles enormes olhos castanhos, quentes e profundos. “Q-Quinn?” O som saiu da boca da morena quase como um sussuro. Se as músicas de sua playlist já não tivessem acabado, ela mal teria ouvido.
A morena se afastou uns dois passos e levou a mão aos cabelos. Vamos Quinn, fale alguma coisa! Algo na garganta de Quinn impedia que ela proferisse qualquer tipo de som.
“O-oi Rachel.” Ela finalmente conseguiu fazer com que algo saísse, só não esperava que sua voz seria rouca e estranha. Aquele momento estava sendo muito entranho.
A loira foi pega de surpresa. Um calor repentino se fez presente, mas foi rapidamente embora. E só então Quinn percebeu que Rachel lhe dera um abraço.
“Me desculpe.” Ela tinha os braços cruzados timidamente e os olhos voltados para o chão. “E-eu... senti sua falta.” Ok, Quinn não esperava por isso. A loira apenas assentiu, ela queria dizer que também sentiu falta da morena, mas era tudo muito estranho.
O silêncio estava presente mais uma vez. O momento estava muito desconfortável. E tudo o que Quinn queria era sair correndo dali, mas ao invés disso, Rachel soltou uma pergunta. Uma pergunta que ela esperava, mas não queria responder.
“Quinn, por que você me ignorou todo esse tempo?” A morena ainda não olhava para ela. O pé batia rapidamente no chão, ela estava nervosa. Quinn sabia que Rachel precisava saber. E o pior é que ela provavelmente estava se culpando por isso. “Olha, se eu fiz algo errado eu-“
“Não, Rachel.” A voz de Quinn finalmente se fez presente. Pela primeira vez, firme e verdadeira. Ela não podia deixar Rachel se culpar. “Eu me afastei por que... por que... eu não quero falar sobre isso agora.” Quinn voltou seu olhar para a escada. Parecia bem interessante.
A morena finalmente levantou os olhos. Quinn podia sentir. Mas não tinha coragem de olhar. Segundo se passaram, ela estava com medo, medo de encontrar mágoa, desprezo, e como se não pudesse mais aguentar, os olhos verdes encontraram os castanhos e foi exatamente tudo isso que ela viu. Rachel estava magoada.
“Eu enviei mil e-mails pra você. Mensagens de texto. Ligações. Mas você ignorou tudo, Quinn. Eu fiquei muito preocupada. Você nunca atendia o celular, eu cheguei a ligar para a secretaria de Yale para saber sobre você. Sabe o que é isso Quinn? Sabe o que é você ter que ligar para a faculdade da sua melhor amiga para saber como ela está?” A voz de Rachel estava sombria e os olhos marejados.
“Rachel, eu-“ A voz de Quinn soou quase desesperada.
“Eu pensei que você tinha mudado. Mas não o fez. Também pensei que nós realmente tínhamos virados amigas, mas pelo jeito me enganei. Você não sabe dar valor as pessoas.” Rachel estava com raiva, Quinn percebeu. A voz da morena não tinha emoção, nem calor.
“Rachel, você é minha amiga, é só que...” Eu quis esquecer você por que me traz lembranças ruins? Não é a melhor resposta. “Eu tenho meus motivos, tudo bem?” Quinn queria chorar, ela realmente queria.
“E quais são esses motivos Quinn? Você tem vergonha de mim? É isso? Não só de mim, mas de todos os seus amigos?” Rachel tinhas as mãos em punho ao lado de seu corpo e a expressão dura.
“Não, Rachel! Claro que não!” Quinn gritou essa parte. Ela não tinha vergonha, era um absurdo pensar isso. “Eu... eu não quero falar sobre isso.”A loira cruzou os braços e olhou para o chão. Rachel bufou irritada.
“Você está morando aqui?” Ela perguntou aleatóriamente, mas a voz estava mais fria do que antes. Quinn se encolheu. Como se o tom que a morena usara fossem mil facas apontadas para ela.
“Sim.” Ela sussurou.
“Ótimo.” Rachel proferiu. O sarcasmo era evidente em sua voz. Ela deu as costas para Quinn e entrou em seu apartamento batendo a porta.
Quinn demorou algum tempo para assimilar o que tinha acontecido. Ela adentrou seu apartamento. Os passos arrastados. Os olhos voltados para o chão. Dirigiu-se até o sofá. Ela se sentia horrível.
Primeiro Rachel aparecera. Disse que sentia sua falta e até a abraçou. Então do nada, ela fica fria e com raiva. Mas essa era uma Rachel que Quinn não conhecia e preferia não ter conhecido. Ela realmente magoara a morena. E a loira odiava isso. Saber que Rachel estava brava com ela. Decepcionada com ela. Era uma sensação horrível.
No momento em que a morena bateu a porta ela sentiu que Rachel tinha desistido dela. Rachel nunca desistiu dela. Até agora. E a culpa era sua. As lágrimas começaram a escorrer por suas bochecas e Quinn sentiu o peso desses quatro anos que passaram. Ela lembrava dos e-mails de Rachel. Ela leu alguns, mas com o passar do tempo, decidiu ignorá-los e eles foram desaparecendo.
Quinn não esperava que ela fosse ficar desse jeito. Será que Rachel era tão importante assim? E pior, será que a loira era ainda mais importante para a morena? Isso não fazia sentido. No terceiro ano elas se acertaram. Elas construiram um principio de uma amizade. E no verão, elas realmente tinham uma amizade. Mas Quinn não esperava que fosse tão importante para Rachel. E não esperava que fosse tão importante para ela mesma.
Quinn sentia como se essa necessidade de Rachel fosse um sentimento mascarado. Porém no momento, a máscara acabara de cair. Necessidade de Rachel? É, necessidade de Rachel. Ela precisava que a morena estivesse em sua vida. Era estranho, mas era verdade. Essa descoberta era um tanto assustadora, no entando, Quinn teria que lidar com ela.
E agora, ela tinha um novo objetivo. Quinn precisava do perdão de Rachel. Não sabia o por quê isso era tão importante, mas era. E Quinn ia conseguir.
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