The Ghost of You
5 Capítulo 5: Primeira Noite
Notas iniciais
Quando a noite caiu Natasha tratou de arrumar o sofá para que Loki pudesse dormir, preparou alguma coisa para ela comer, porém não cozinharia para ele, então disse que se ele quisesse algo teria que preparar Loki orgulhoso, não fez nada e preferiu ficar com fome. Mais tarde, Natasha apareceu na sala, já havia se recolhido a mais ou menos uma hora, porém apenas ficara em seu quarto lendo.
– Bom, tem água na geladeira, não beba meu whisky, tem alguns livros naquela estante se não conseguir dormir e quiser se distrair e tem a TV, mas acho que não sabe usar, o banheiro fica na segunda porta a direita, toda bagunça que fizer, você limpa.
– Quanta hospitalidade... – deitou-se no sofá – Todos os agentes da S.H.I.E.L. D são anfitriões tão amáveis? – disse irônico.
Revirou os olhos e suspirou.
– Loki, juro que se usar novamente esse tom irônico eu juro que corto suas cordas vocais com a sua faca.
Ele riu baixo e se levantou, indo até a prateleira onde ela havia dito que havia livros, ficou olhando os títulos, todos os autores eram desconhecidos a ele.
– Qual o seu favorito? – ele perguntou
Ela riu e caminhou até a estante e pegou um exemplar de “O Retrato de Dorian Gray”
– Leia isso... Vai gostar.
– Obrigado
Aquela foi a primeira vez que ele não havia a tratado com ironia, o que para Natasha era estranho, primeiramente achou que fosse um truque, por isso achou melhor não dar muito credito aquele momento.
Ela sorriu fraco e pegou o computador sobre a mesa e voltou para o quarto, Loki deitou-se no sofá e abriu o livro começando a ler, já Natasha deitou-se em sua cama e abriu a internet, antes, ela nunca havia se interessado por mitologia, ela sabia apenas o básico ou o que Thor havia contado, então abriu o Google e pesquisou “Loki” o primeiro item que apareceu foi o de um site de mitologia nórdica, ela acessou o link e leu o artigo por completo, e foi abrindo alguns links até que sentiu sua pálpebra pesar e desligou o Notebook o colocando na mesa da cabeceira.
Loki também havia adormecido, porém seus sonhos não eram tranqüilos, eram lotados de memórias e de coisas que ele havia perdido, parecia que seu subconsciente gostava de torturá-lo, ele revirava-se no sofá e algumas lágrimas caiam de seus olhos, e quando ele acordou, sentia seu peito se apertar, a tristeza reprimida nele tentava se libertar através das lágrimas, estas que ele conteve rapidamente, ele então caminhou até a geladeira e serviu um copo d’água e bebeu-o de uma só vez, olhou para a janela e notou que o dia já começava a amanhecer, deixou o copo sobre a mesa e caminhou em direção ao banheiro, mas antes de chegar ao cômodo de destino passou pelo quarto de Natasha, que tinha a porta entreaberta, pois a fechadura da porta já não funcionava como deveria isso nunca havia sido um problema até aquele momento. Ela dormia, seu corpo estava parcialmente coberto por um edredom, porém boa parte de suas pernas estavam à mostra, ele mordeu os lábios... Não havia como não notar ou ignorar a beleza de Natasha, ela atraia qualquer homem, e Loki não era diferente... Depois de alguns segundos parado ali observando, sentiu-se um tanto envergonhado e seguiu sua ida até o banheiro.
Natasha acordou e caminhou até a cozinha, Loki estava sentado no sofá, olhando pensativo para o chão, ela abriu a geladeira.
– Quer café? Venha me ajudar...
– Ah... — ele ergueu os olhos para ela – Como ousa? Eu sou um príncipe, você deve me servir.
– Primeiro, aqui você não é um príncipe, segundo, está na minha casa, aqui eu faço as regras, então vai se levantar e vai me ajudar, se não vai morrer de fome, ou vai morar na rua... Escolha.
Loki suspirou pesadamente e se levantou, caminhando até a cozinha.
– O que quer que eu faça?
– Quero que pegue as coisas na geladeira e faça seu sanduíche, só isso.
Loki obedeceu, estava com fome, logo os dois estavam sentados a mesa tomando café, então um silencio constrangedor se estabeleceu entre eles.
– Já notou que quando não está sendo irônico, está quieto? – disse Natasha, com um tom de voz formal e sério.
– Não tenho nada para falar com mortais – disse ele de forma fria – Ainda mais com você...
– Nossa... Trata sua mulher assim?
Loki parou de comer instantaneamente e olhou para Natasha.
– O que? Ela te deixou? Nem mesmo a deusa da fidelidade conseguiu suportar seu mau humor?
Loki engoliu a seco e olhou de forma inconscientemente triste para Natasha, ele sentiu seu peito se apertar novamente e suspirou tentando aliviar o peso em seu coração.
– Andou estudando sobre mim? – ele tentou dizer de forma irônica, porém a voz dele saiu triste e baixa – Ela não me deixou... Não do jeito que você disse Sigyn... Ela morreu.
Natasha sentiu-se mal, nunca havia pensado em ver Loki daquela forma, o olhar dele era perdido novamente, Romanov engoliu a seco e pensou em pedir desculpas “Está maluca? Pedir desculpas ao Loki?”
– Senhorita Romanov... – Loki olhou para ela – Eu...
– Toquei em seu ponto fraco?
Loki ficou em silencio
– Estamos quites Asgardiano- ela bebeu café e para disfarçar deu uma risada.
– Sim, estamos. – ele conseguiu sorrir controlando-se novamente e voltou para sua leitura.
A viúva negra terminou de tomar café e olhou para Loki de canto de olho, ele sabia mascarar muito bem a tristeza... Aquilo era admirável “Quem poderia imaginar que Loki... O homem que tentou destruir Nova York, o homem que matou e feriu centenas de pessoas... O homem que me expôs... Teria ele um coração?” Natasha tinha suas duvidas, porém ela sabia muito bem como era esconder-se atrás da frieza para enganar a dor.
Embora sentisse pena, ao mesmo tempo ela sentia-se bem... Havia descoberto o ponto fraco dele, tal como ele havia descoberto o dela, e agora sabia exatamente como machucá-lo.
As horas foram passando e o tédio começou a dominar o local, Loki não parava de ler, e a senhorita Romanov o observava como um carcereiro.
– Estou ficando cansada disso – disse ela.
– Pois eu não... – ele deu de ombros
– Coloque o casaco, vamos sair, esse lugar está ficando deprimente.
– E para onde supostamente nós vamos? – ainda sem tirar os olhos do livro.
– Vai conhecer o Central Park.
Ele olhou para ela e rio de forma debochado:
– Será minha guia turística agora? Incrível... Próxima vez que vir a Midgard lembre-me de comprar um guia de viagens.
– Não finja que não está entediado.
Ele revirou os olhos e levantou-se pegando o casaco e seguindo ela que descia as escadas de forma ágil.
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