The Ghost of You
6 Capítulo 6: Natasha e Sigyn
Loki caminhava pelo Central Park ao lado de Natasha, as mãos estavam no bolso e observava o ambiente ao seu redor, caminhava de forma elegante e majestosa.
– Pode andar como uma pessoa normal?
– Lamento, não sei ser vulgar como um mortal – disse continuando a andar.
Ela revirou os olhos, já estava se acostumando com o jeito dele e sabia que não adiantaria discutir. Eles caminharam até a beira do lado onde se sentaram observando o parque.
O príncipe de Asgard olhou perdido para a água, havia algumas pessoas ali conversando, turistas tirando fotos, famílias passeando com os filhos enfim, todos os tipos de pessoa.
Natasha olhou para seu companheiro silencioso estava novamente sentindo-se culpada por ter falado sobre Sigyn na noite anterior. Ela não sabia o que ele sentia, na verdade, não conhecia o sentimento que ele tinha pela falecida esposa, aquele sentimento era o brilho nos olhos dele, que até então ela não havia compreendido “E como eu podia compreender?”. Ela baixou o olhar, invejava Loki, ele conhecia o amor, havia o sentido e recebido em troca.
– Sigyn tinha sorte – ela pensou alto, o que fez Loki olhar para ela de forma curiosa, só então ela notou que havia falado em voz alta – Por favor, não entenda mal, esqueça isso, eu...
Loki riu, porém sua risada não era irônica.
– Ela era uma serva em Valhalla, era de Midgard, havia sido dada pelos humanos em agradecimento a uma boa colheita – ele olhou para Natasha – Na época em que vocês achavam que nós éramos os culpados por todas as desgraças ou bens que aconteciam por aqui. Ela era ruiva, assim como você... E os olhos... Acho que quando a vi pela primeira vez, ela estava correndo pelos corredores, atrapalhada servindo nossa ceia... Então perguntei um dia sobre ela para Odin, ele disse que Sigyn fora prometida a um gigante de gelo, e que em poucos dias deixaria Asgard... Eu pensei em esquecer tudo, tira-la da minha cabeça e seguir a vida, mas não consegui então eu arrumei uma forma de matar o noivo dela e tomei a forma dele, ninguém desconfiou, e no dia do casamento, após a cerimônia, eu me mostrei na forma real e... Todos ficaram abismados, Odin estava furioso, mas Sigyn nunca fora a favor de casar-se com um gigante, por isso me viu de certa forma como seu salvador. Odin então, vendo que apesar da mentira a jovem serva continuava leal a mim e a todos em Asgard, fez dela a deusa da fidelidade... Ela era... Incrível, e tinha um espírito livre e me via como um herói, nada a satisfazia mais do que correr a cavalo por horas na floresta... E na noite em que ela morreu, ela me convidou para ir com ela, eu recusei... Seu eu tivesse ido eu a protegeria – ele sorriu ainda contendo as lágrimas – Já que estamos esquecendo... Pode esquecer que eu contei isso.
– Tudo bem... Esqueceremos.
Ambos se olharam nos olhos e ambos e sorriram de forma educada, porém não poderiam ser amigos, não poderiam ser próximos, ela não podia perder o foco, precisava voltar para seu emprego, precisava ter sua vida de volta.
– Vamos para casa, estou sendo muito legal com você, não merece isso, é um criminoso... Deveria estar pagando por seus crimes, e não sentado no Central Park sendo sentimental.
– Ah... A maluca controladora voltou – disse irônico.
– Sim, e você vai voltar ara seu sofá, até que Clint volte... Então vai voltar para cela, sendo mais direta... Essa é a ultima vez que vê a luz do dia – sorriu maldosa.
Loki manteve-se em silencio, porém já havia decidido, naquela noite, ele fugiria da casa de Natasha – O que não seria muito difícil – e depois, se distanciaria daquela cidade, e se manteria distante da mira da S.H.I.E.L.D. e dos Asgardianos...
Natasha levantou-se e ele a seguiu, ambos voltaram para o apartamento e novamente aquele tédio inicial se estabeleceu, Loki voltou para os livros e Natasha para o computador e ambos ficaram distantes novamente, era melhor daquela maneira.
Quando a noite chegara, Loki havia acabado de ler o livro, e já havia devolvido-o a seu devido lugar na prateleira.
Natasha pegou a garrafa de Whisky e serviu dois copos. Loki bebeu o conteúdo do seu de uma única vez e ambos começaram a beber, em uma espécie de competição não declarada... Depois de alguns copos, ambos já estavam tontos.
– Já ouviu musica de Midgard Loki? – ela disse caminhando até uma caixa de som e conectando seu Ipod.
– Apenas a musica que seu Amiguinho Stark usou para sua “entrada triunfal” – fez aspas com os dedos – na Alemanha.
Ela riu e deu Play na musica:
– Isso é Bob Dylan, é um clássico, Visions of Johanna – ela disse – Ele é um gênio.
– É diferente do que ouvimos em Asgard – ele comentou.
– Ain't it just like the night to play tricks when you're tryin' to be so quiet? We sit here stranded, though we're all doin our best to deny it And Louise holds a handfull of rain, tempting you to defy it Lights flicker from the opposite loft In this room the heat pipes just cough The country music station plays soft But there's nothing really nothing to turn of Just Louise and her lover so entwined And these visions of Johanna that conquer my mind. – ela cantou um tanto desafinada, o que fez rir.
Loki ficou em silencio observando ela, que direcionou o olhar para seu hospede, ele parecia um homem comum, na verdade os dois possuíam muita coisa em comum.
– Olha só, eu sei que você não vai ficar aqui esperando Clint chegar, então... Se quiser, pode ir embora... Se descobrirem algo eu digo que fugiu.
Ele olhou para ela surpreso.
– Achei que queria voltar para o trabalho.
– Quero, mas...
– Mas?
– Acabo de me dar conta que somos parecidos... A diferença é que você converteu a tristeza em raiva, e eu a transformei em frieza, e em eficiência... Por isso que enlouqueço quando estou longe da S.H.I.E.L.D. eu não tenho em que descontar.
Ele ficou algum tempo em silencio e levantou-se do sofá.
– Vou esperar o efeito do whisky passar. – ele olhou para o teto.
– Conte-me mais sobre Sigyn...
– Eu... Não gosto de falar muito nela, mexer com o passado não é uma boa idéia.
– Compreendo.
Ficaram em silencio por mais alguns segundos, a musica já havia trocado quando Natasha riu e olhou para Loki.
– É melhor dormirmos. – ela se levantou.
– Se amanhã, eu não estiver aqui, quero que saiba que você não é uma vadia imunda... E daquele grupinho... Os vingadores... Você é minha favorita – ele riu.
– E você não é o monstro que eu pensava Loki.
Natasha seguiu para seu quarto, e fechou à porta que voltou a se abrir, ela então pode vê-lo na sala, tirando o casaco e logo se deitando no sofá, com os braços atrás da cabeça, ela despiu-se e colocou uma camisola, ainda não conseguia tirar os olhos dele. Ainda afetada pelo Álcool ela saiu do quarto e foi até a sala.
– Se for embora... Leve o livro com você, um pequeno Suvenir de Nova York – sorriu.
– Veio aqui apenas para dizer isso – disse ele olhando para ela e sorrindo, seu olhar foi descendo pelo corpo de Natasha, ele mordeu os lábios, novamente as pernas dela estavam à mostra.
– É sim – ela respondeu notando o olhar dele- Então... Boa Noite.
– É... Boa noite
Ela voltou para o quarto, enquanto ele ficou ali pensativo, a porta estava aberta, mas por algum motivo, ele não queria ir embora.
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