The Game of Death

10 S1EP10 - I Know What You Did Last Summer


Notas iniciais
Lauren recebe mais de uma visita indesejável no dia, abalando seu emocional já afetado. Em uma referência clássica, Brian recebe uma ameaça que poderia arruinar a sua vida. Tyler descobre algo importante sobre o pai e agora precisará lidar com o verdadeiro dono da máscara na sua cola. Henry é poupado das acusações de Carter, mas nada pode livra-lo das mãos do assassino. Título: Eu sei o que você fez no verão passado

Carter deslizou o copo descartável de café pela mesa, entregando-o para o loiro de cabelos curtos e traços faciais bem detalhados logo a sua frente. Henry esbouçou um meio sorriso forçado e logo segurou o copo com ambas as mãos trêmulas, levando-o até os lábios. Ele esteve tão nervoso daquela maneira, talvez fosse o ambiente policial. A sala abafada sem janelas, uma única porta, uma pequena mesa com apenas duas cadeiras e o espelho fosco que sem dúvidas escondia outras pessoas observando-o do outro lado.

— Tudo bem Chesterfield, quer me contar exatamente o que te levou a usar uma máscara de plástico, uma capa de chuva e assustar pessoas no parque hoje usando um machado logo após a explosão ? — Carter manteve os cotovelos sobre a mesa, apoiando o queixo nos punhos enquanto o encarava.

— Bem, aquela na verdade era uma machadinha — Carter fitou-o com olhar severo, não era hora de brincadeiras — Minha mãe é uma viciada e meu pai me abandonou na infância, eu precisava de dinheiro pra ajudar a minha avó...sabe, ela quem me criou e que sempre se importou comigo — Henry fechou brevemente os olhos e respirou fundo — Ela precisa de remédios bem caros pra continuar vivendo e eu precisava ajudá-la...

— Então você achou que o convite para se passar por um assassino era uma boa idéia ? — Carter o interrompeu. Ele nunca foi conhecido pela paciência nos interrogatórios.

— Eu não seria o único a fazer em troca do dinheiro que a pessoa me ofereceu — Henry abaixou a cabeça, envergonhado — Eu errei, assumo e não deveria ter aceitado, me prenda se quiser — O garoto não era uma má pessoa, suas intenções sempre foram as melhores — Vocês já estão com o meu computador e vão ler todas as nossas conversas, saberão que eu não sou o verdadeiro assassino!

— Ou talvez seja! Quem me garante que as conversas não foram todas montadas por você mesmo ? — Carter assentiu — Rastrearemos o IP, caso aja um...mas se é tão inocente quanto diz, não tem com o que se preocupar — O oficial piscou um olho e se levantou, tornando a deixá-lo sozinho na sala abafada da delegacia.

***

Apesar da mãe insistir que não andasse mais desacompanhada pelas ruas da cidade Lauren continuava a ir e voltar do colégio sozinha. Distraída em seus próprios pensamentos e chutando pedrinhas pelo caminho, não percebeu a pequena movimentação a frente de sua residência. Van's dos principais canais locais estavam estacionados por todos lados na rua que costumava ser deserta enquanto câmeras ligadas captavam a transmissão de seus repórteres que falavam ao vivo à espera de alguém da família Hardley.

— Lá! Lá está ela! — Apontou um dos homens em trajes sociais e segurando um microfone — Lauren Hardley, poderia falar conosco sobre o assassino de Houston ? — Os repórteres atacaram-na como se fossem leões famintos por um pequeno pedaço de carne. Os microfones brigavam para conquistar um espaço próximo de sua boca, prontos para registrar qualquer palavra.

Lauren esbugalhou os olhos, assustada com a quantidade de pessoas ao seu redor. Sentia-se extremamente sufocada, chegando a respirar com dificuldade em meio ao alvoroço. Em determinado momento teve que cobrir o rosto com as palmas das mãos, tentando se esquivar e preservar seus olhos esverdeados dos fortes flashs luminosos que vinham das máquinas fotográficas modernas dos meios de comunicação impressos da cidade.

— Eu não tenha nada a declarar, me deixem em paz! — Lauren abaixou a cabeça, fugindo dos holofotes. Sua casa estava tão próxima porém a corrente humana formada em seu caminho a impedia de passar — Saiam da minha frente! — Lauren gritou, nervosa.

— Diga, por que deveríamos acreditar que você é uma vítima já que foi uma das únicas de seu grupo de colegas que não foi atacada ? — O atrevimento daqueles repórteres era mesmo algo de se admirar...ou odiar.

— O que ? Está insinuando que eu sou a assassina ? — Lauren estava furiosa após aquela pergunta em especial — Vai se ferrar! — No calor do momento Lauren acabou empurrando o homem, usara tanta força que o mesmo tropeçou nos próprios pés e caiu sobre uma das câmeras de outra emissora — Me perdoe! — Lauren ficara boquiaberta com a própria atitude.

— Agressora, suspeita e dissimulada...assim podemos definir Lauren Hardley — Comentava uma mulher com traços asiáticos a frente da câmera de sua emissora após a cena de fúria protagonizada pela garota.

Lauren tapou os ouvidos com ambas as mãos e se espremeu por entre aquelas pessoas eufóricas e famintas pelo sofrimento alheio, conseguindo finalmente escapar e atravessar pelo caminho de pedras entre o largo jardim até a varanda de sua casa. Bateu a porta com força após adentrar a residência e a trancou, encostando as costas na mesma e deslizando até que estivesse completamente sentada no piso de madeira extremamente liso e reluzente. Lágrimas escorriam por suas bochechas, uma mistura de sentimentos se formara dentro de si naquele momento. Não era capaz de dizer o que estava exatamente sentindo, tudo veio a tona de uma forma muito intensa.
Seu coração palpitou ainda mais forte no peito após o susto que levara quando o celular começou a tocar. O aparelho foi rapidamente puxado do bolso da frente do jeans tipo skinny, causando-lhe uma reação inesperada.

— Desgraçado... — Lauren murmurou ao ver a chamada do ID desconhecido, não pensou duas vezes e atendeu a ligação — E-eu juro que se pudesse te mataria com as minhas próprias mãos...você não merece viver, seu monstro...

— Deixe-me adivinhar... — Houve uma breve pausa silenciosa, logo quebrada pela respiração ofegante de Lauren — Está assim por causa dos repórteres na frente da sua casa ? — Lauren logo se levantou com dificuldade, correndo aos tropeços até a espaçosa sala de estar ao lado. Abriu uma pequena brecha nas persianas da janela, procurando por entre a multidão alguém que estivesse a falar no telefone. Não obtendo sucesso — Não está feliz ? Eu te fiz famosa, você estará na Tv e estampará os jornais da cidade...de nada — Debochou a voz.

— Por que está fazendo isso ? Deveria procurar ajuda, seu doente! — Lauren soltou as persianas, suspirando. Com certeza exibiriam nos noticiários de hoje o seu pequeno ataque de fúria contra um dos repórteres, cortando a pergunta infame que a fez chegar naquele ponto.

— Se eu fosse você deixaria de me preocupar com o que está fora da casa e começaria a me preocupar com o que está dentro...

A ligação foi encerada, deixando-a aflita e com um leve frio na barriga. Os olhos arregalados percorreram a grande sala em tom predominantemente branco. Sofás, abajures, poltronas e outros detalhes, tudo em seu nobre tom branco. Lauren tirou ali mesmo os All Star encardidos, ficando de meias, e aproximou-se em passos silenciosos da lareira sem uso há alguns anos, já considerada parte da decoração, puxando um dos atiçadores de metal de entre os tijolos carbonizados que forravam o chão da estrutura. Segurou firme na ponta do atiçador e caminhou até a passagem que dava direto ao corredor do hall de entrada. Respirou fundo e deu mais alguns passos sorrateiros até parar a frente da escadaria que levava ao segundo andar da casa e em direção aos quartos. Lauren sentia a adrenalina e o medo se misturarem e pulsarem em cada parte de seu corpo naquele momento, não tinha outra saída além de subir até lá e conferir se tudo estava bem. Começou a subir lentamente degrau por degrau, mantendo a fina barra de ferro acima dos ombros em uma pose de ataque para que assim estivesse pronta para qualquer tipo de surpresa desagradável pelo caminho. O quarto da mãe era logo o primeiro do corredor extenso e decorado com alguns porta retratos familiares de ambos os lados das paredes brancas. Lauren segurou a maçaneta e girou vagarosamente, dando um impulso para que a porta terminasse de se abrir sozinha. Talvez um erro, já que o som do batente de madeira rangendo foi tão assombroso quanto toda a situação em si. Pelo menos o quarto estava vazio, permitindo que Lauren pudesse dar seu primeiro e breve suspiro de alívio. Resolveu continuar, atravessando o restante do corredor em passos curtos até a próxima porta, entreaberta, de seu próprio quarto. A garota tocou a porta e a empurrou, deixando que se abrisse sozinha. Um grito de desespero se ecoou de sua boca e logo fechou os olhos com força, o choque fora tão grande que Lauren havia soltado o atiçador no chão.

As paredes do quarto de Lauren estavam totalmente cobertas por uma tinta vermelha vívida, aparentemente pegajosa e grossa que se deslizava, pingando no rodapé e no carpete. O quarto havia sido todo revirado. Roupas, móveis e objetos de decoração, todos espalhados pelo chão. O cheiro de morte se impregnara no local. Lauren realmente chegou a pensar que havia alguém morto ali. Na verdade o fedor insuportável se exalava do sangue utilizado como tinta para manchar suas paredes. Diversas frases haviam sido escritas entre o líquido asqueroso.

"Eu te odeio...odeio assim como Sophie te odiaria"

Lauren lembrou-se imediatamente da frase em especial. O xeque mate dado em Riley após descobrir sobre seu romance proibido com Tyler por meio dos papéis no corredor do colégio. Aquela frase a afetou de uma forma tão intensa, o remorso e o arrependimento de ter usado palavras tão cruéis para a amiga batiam forte.

"Aconteceu com alguém que você conhece, agora você será o próximo..."

Lauren sentiu um arrepio subir por sua espinha. Conviver com o medo de que à qualquer momento você poderia ser realmente o próximo talvez fosse a pior parte de tudo o que estava acontecendo nas últimas semanas.

Entre a bagunça do quarto o porta retratos virado para baixo no chão chamara sua atenção. Lauren agachou-se e pegou o objeto com cuidado para não se cortar nos cacos de vidro ao redor. Encarou a foto por um tempo e foi impossível segurar as lágrimas junto de um sorriso bobo nos lábios. Uma bela foto do último verão ao lado das melhores amigas. Era um dia quente como qualquer outro no Texas e Sophie havia convidado as meninas para um dia de diversão na piscina. Pareciam tão felizes, quem poderia adivinhar que alguns meses depois estariam passando por algo assim ?

— Sinto falta de vocês — Lauren deslizou os dedos sobre Sophie e Riley na imagem, desviando o olhar em seguida. Aquilo era exatamente o que o leão branco queria, deixá-la fragilizada e mentalmente abalada. A tortura psicológica parecia seu objetivo principal.

Lauren decidiu ligar para polícia após alguns minutos chorando ajoelhada no carpete enquanto abraçava o porta retratos. Carter e seu pequeno grupo de outros policiais não demorou à chegar, prestando todo atendimento para a garota visivelmente abalada. Lauren ainda estava abraçada ao porta retratos, mantendo um olhar fixo e vazio no chão, quando a mãe chegou apressada após avisarem sobre a invasão e as ameaças no quarto da filha. Diana e Megan chegaram logo em seguida, custando para passar pelo aglomerado de curiosos e repórteres a frente da casa dos Hardley.

***

Brian tomou um rápido banho antes de servir o próprio jantar. Provavelmente um balde de frango frito empanado e algumas cervejas. Talvez a pior parte de se morar sozinho seja comer sozinho, tão deprimente. Brian perdera os pais de forma precoce e teve que amadurecer mais cedo do que qualquer outro garoto normal da sua idade. Conhecer Diana e se juntar ao seu grupo de amigos colegiais supriu uma parte de sua vida privada pelo excesso de responsabilidades adultas. Porém no verão passado decidiu que começaria uma família e se adequaria à sua idade, o que não incluía Diana já que os planos da garota após a formatura também não o incluíam. Brian deixou a pequena cidade no Texas para morar na agitada Nova York ao lado de uma grande "amiga" de infância. Os planos não saíram como o planejado por diversos motivos e um deles ainda tirava-lhe o sono todas as noites, decidindo por fim voltar para Houston e arrumar um jeito de reconquistar Diana.

Brian jogou a toalha molhada sobre os ombros após secar parcialmente o corpo atlético e vestir a calça jeans skinny. Desceu até o primeiro andar da casa apertada e de paredes mofadas, com toda a tintura praticamente descascada, em direção a cozinha enquanto secava os fios arrepiados do cabelo na toalha sobre o ombro para pegar seu jantar, voltando até a sala em seguida. Ligou a Tv e teve que arrumar uma posição favorável para que a antena improvisada captasse o melhor sinal antes de se jogar no sofá. Os noticiários locais ainda falavam sobre a invasão na residência dos Hardley que acontecera naquela tarde. "Diana provavelmente ainda deve estar lá" pensou Brian, ele sempre odiou quando as amigas mimadas da namorada tomassem seu tempo juntos.

Brian tomou um breve susto ao ouvir a campainha tocar, fazendo-o pular imediatamente do sofá para atende-lá. Não esperava por ninguém e era até estranho receber visitas tão tarde. Afastou com os dois dedos da mão esquerda as curtas cortinas que cobriam a porta e encarou a escuridão do lado de fora, aparentemente não havia ninguém. A iluminação ali sempre fora precária, os postes de luz quase nunca funcionavam e aquilo tornava o bairro um pouco mais perigoso do que qualquer outro na cidade. Brian sentiu algo gelado sob os pés descalçados e se agachou, pegando o envelope que provavelmente fora jogado para dentro por debaixo da porta. "Para Brian" leu mentalmente o aviso na parte frontal do envelope após vira-lo. Abrindo-o, Brian sentiu um suor frio se formar no topo da cabeça ao ler o segundo aviso. "Eu sei o que você fez no verão passado" engoliu em seco a referência ao clássico filme slasher do fim dos anos 90. Brian sabia o que havia feito no verão passado, além de logicamente ter se mudado para Nova York. Acompanhado do papel, alguns recortes de jornais e artigos de internet. Brian estampava um deles com um "Procurado" escrito abaixo da foto. Os outros falavam sobre um assassinato e um corpo encontrado no mar.

— Não, não, não... — Brian repetiu diversas vezes, incrédulo com o que tinha nas mãos.

Tinha nas mãos o que tirava-lhe o sono todas as noites. Um crime. Um crime cometido no calor de uma discussão de casal. Um pequeno desentendido e lá estava ela deitada no chão após ser atingida violentamente com um tapa no rosto. Seu próprio desequilíbrio a fez tropeçar nos pés e se lançar para trás, batendo com a cabeça na quina do primeiro degrau da escadaria. Uma morte instantânea e um corpo sendo arremessado de uma ponte no mar. Aquele era o filme que se passava diante os olhos de Brian. Ele não podia ser preso por algo tão cruel. Ele nunca quis machucar ninguém. Ele era um assassino.

***

Tyler tentava assistir Tv com a mãe e irmã mais nova após o jantar. Cansara de escutar as reclamações da mulher sobre o pouco tempo que passavam juntos e a forma que o filho havia se distanciado após o pai ter saído de casa. Porém a programação local estava interessada demais na invasão de domicílio dos Hardley, deixando-o entediado. Claro, Tyler se preocupava com amiga mas já estava ciente de que ela estava bem e fora de perigo. Não tinham mais com o que se preocupar, deixassem a polícia trabalhar e a família descansar.

— Vou jogar um pouco de video-game no meu quarto — Tyler avisou e logo se levantou, ameaçando se retirar quando a mãe o interrompeu.

— Não jogue aqueles jogos violentos, não acha que nossa vida já está desgraçada o bastante ? — A mulher o encarou com um ar de seriedade — Você já está rodeado de violência o suficiente, olhe pra isso — Ela se referia ao noticiário sobre Lauren — Ouviu ?

— Tudo bem, mãe — Tyler deu um meio sorriso e se retirou, revirando os olhos enquanto se segurava no corrimão e subia as escadas em direção ao seu quarto. As vezes sua mãe não passava de uma fanática religiosa que encontrava uma desculpa para os desastres familiares em seus jogos de violência. Motivo o suficiente para recusar assistir televisão ao seu lado.

Tyler adentrou o quarto lotado de pôsteres de esporte. Cada um representando os times para qual torcia em diferentes modalidades. Basquete, Rugby, Futebol, Futebol Americano, etc. Ligou a Tv e jogou-se na cama bagunçada, esticando-se para pegar o controle do video-game moderno que o pai havia lhe comprado antes de deixar a família. Tyler nunca soube os motivos do pai, mas achava que era algo extremamente sério já que nunca mais o viu ou falou com ele. Só sabia que ele estava viajando, aparentemente uma viagem ao redor do mundo, devido os presentes exóticos que mandava.

O jogo então se iniciou e Tyler logo controlava o militar fortemente armado tentando livrar a Alemanha de nazistas. Sam e Alex apareceram poucos minutos depois, jogar online com os amigos era o passatempo preferido do garoto.

— Por que o Alex precisa sempre agir dessa forma ? — Tyler gargalhava, tirando sarro da forma em que o personagem do amigo se comportava no jogo.

Uma distração fez com que o personagem de Tyler fosse facilmente abatido. Seu celular vibrava persistentemente no bolso. Tyler então se manteve fora do jogo para atende-lo enquanto Sam e Alex prosseguiam em suas missões. O número acabou deixando-o um pouco nervoso. Como Sophie poderia estar ligando pra ele ? "Impossível" ele pensou.

— Alô... — Tyler murmurou receoso após levar o aparelho até a orelha direita, esperando por uma resposta.

— Olá Tyler — Respondeu a voz do Leão Branco — Achou que era a sua namoradinha ? Bem, pelo menos uma delas — Gargalhou a voz, causando um ruído agudo na linha — Assistiu os noticiários hoje ?

— Na verdade eu assisti sim! — Tyler retrucou — O que faz com o celular da Sophie ? Você é totalmente doente, sabia ?

— Sophie me entregou seu celular um pouco antes de morrer, quem entende ? — Disse a voz de forma misteriosa.

— Vai se ferrar! — Tyler gritou e desligou o aparelho, bloqueando o número de Sophie de sua lista de contatos em seguida. Assim o leão não poderia mais liga-lo naquele número e fazê-lo sofrer daquela forma. Era difícil receber uma ligação de "Sophie" e ouvir a voz de seu assassino. Do que o psicopata poderia estar falando ? Mas logo seu celular tocou novamente, trazendo um número desconhecido na tela — Você não desiste, não é mesmo ? — Disse Tyler após atender o aparelho.

— Bem, talvez não...do que exatamente você está falando ? — Perguntou uma voz diferente. Bem, pelo menos não era mais o Leão Branco — Que seja, você deve ser o Tyler...conheço o seu pai...

— O que ? — Tyler franziu as sobrancelhas, ainda sem entender direito o intuito da ligação — Você conhece o meu pai, legal...quem se importa ?

— Você deveria se importar, Tyler — O tom da voz mudou para sarcástica — O que sua querida mamãe te disse ? Que seu pai, Mark, está viajando o mundo ?

— Minha mãe não me precisou dizer nada, meu pai manda algumas cartas e presentes do lugares que passa — Tyler começava a se entediar — Eu vou desligar, tenho uma Alemanha nazista pra massacrar...

— Espere! Está errado, eles te privaram da verdade — Disse o homem antes que o celular fosse desligado, prendendo novamente a atenção do garoto — Ele está preso. Seu pai, Tyler, não passa de um bandido. Ele me roubou diversas vezes e agora está finalmente pagando — Tyler se surpreendeu — Nunca reparou nos selos da carta que recebe ? São sempre os mesmos, achei que você fosse mais inteligente...

Tyler se levantou em um pulo, abrindo uma das gavetas da cômoda em busca das cartas que havia recebido do pai nos últimos meses. O homem tinha razão, os selos eram os mesmos. Significava que o pai não estava em diferentes lugares, ele sempre esteve em apenas um.

— Seu pai me roubou algo muito valioso. Algo extremamente valioso e imagino que agora esteja com você...o surpreende é que a família toda leva jeito para o crime, bem, pelo menos seu pai não é um assassino. Eu quero a minha máscara, devolva a minha máscara! — O homem parecia impaciente.

— Máscara ? Assassino ? — Tyler pensou por alguns instantes — Você quer a máscara do leão branco ? Eu não estou com ela, eu fui roubado...tiraram aquela máscara de mim. Não espero que acredite, mas eu não sou aquele assassino...

— Nada me garant... — A ligação foi cortada, Tyler havia se cansado de toda aquela ladainha do estranho. Além das ameaças do leão branco, agora tinha que agüentar o suposto real dono da máscara.

Atormentado sobre o que descobrira do pai, Tyler não voltou para continuar jogando com os amigos. Decidiu desligar tudo e se deitar. Mas sua mente não o deixou descansar, fervilhando em teorias e pensamentos sobre o que descobrira.

***

Henry foi liberado após a investigação envolvendo seus diálogos com o Leão Branco ser concluída. Mesmo que Carter tenha odiado deixá-lo ir, ainda o considerava o principal suspeito dos assassinatos e havia prometido estar na sua cola. A pequena investigação acabou levando os policiais até um notebook velho e abandonado no meio da floresta. Uma mata fechada e densa que cobria o leste da cidade, um belo cenário para gravações de um filme de terror. Nada que se pudesse aproveitar na caçada ao verdadeiro assassino.

— Vovó ? — Henry chamou após adentrar a residência dos avós. Uma das aconchegantes e antigas casas do subúrbio construídas uma ao lado da outra. Henry passara praticamente toda sua infância naquele bairro e conhecia todos, ou quase todos, os mais antigos moradores — Ei, vovó ? — Insistiu o garoto, estranhando o silêncio absoluto que pairava sobre o lugar.

Henry checou as correspondências sobre o criado-mudo, frustando-se ao perceber que eram apenas contas em atraso. O fim do ano letivo se aproximava, época de enviar e receber respostas de grandes universidades para aqueles que se formavam ainda aquele ano. Henry tirou os sapatos, deixando-os ao pé da escada. Deslizou a mão direita pelo corrimão enquanto subia os poucos degraus até o segundo andar da casa, dando de cara com a porta do quarto da avó escancarada. Decidiu adentrar silenciosamente, se aproximando da idosa aparentemente dormindo. Próximo o bastante, Henry pode encara-lá melhor sob a luz fraca do abajur ao lado da cama. A mulher estava deitada sobre uma grande poça do próprio sangue, manchando os lençóis e o cobertor. Um belo corte se estendia de ponta a ponta em sua jugular. A face estampava uma expressão de pavor.

— Não, vovó! Não! — Gritos se ecoaram dos lábios do garoto. Seu coração batia tão forte no peito que chegava a doer. Os olhos marejados não demoraram a transportar.

Não demorou até que um alto estralo no cômodo chamasse a sua atenção. Henry tentou se recompor, olhando assustado ao redor. Seja lá quem tivesse assassinado sua avó, ainda estava no lugar. Cerrou os punhos com força e começou a se afastar lentamente em passos curtos, ainda de costas, em direção a porta. Parou subitamente ao esbarrar em algo, algo aparentemente alto porém não tão forte. Girou os calcanhares, virando-se e fitando a verdadeira máscara do Leão Branco a sua frente. Bem mais sombria do que uma imitação barata de plástico que usara no parque. A faca do assassino subiu até a altura de sua cabeça e o bote parecia certeiro, porém no instinto de defesa Henry levantou o braço fazendo a lâmina atravessar-lhe o cotovelo, cravando em cheio em seu ombro direito. Um grito de dor se ecoou, logo interrompido pela mão livre e forte do assassino apertando-lhe o pescoço. Henry então foi golpeado diversas vezes no abdômen, sentindo os órgãos sendo perfurados e explodirem internamente. Os movimentos eram rápidos e brutos. O sangue quente que subia-lhe pela garganta jorrou em abundância da boca, sujando a máscara do psicopata. O leão branco então o soltou, deixando-o que cambaleasse sozinho para trás. A lâmina afiada deslizou rapidamente por sua jugular, esguichando sangue para todos os lados do cômodo enquanto seu corpo continuava pendendo para trás. Henry deitou-se sobre o corpo morto da avó, apertando o próprio pescoço com ambas as mãos em uma tentativa frustada de estancar o sangue. Os gemidos de dor perdiam seu protagonismo, dando espaço para as tossidas forçadas lotadas de sangue espesso e venoso que voavam pelo ar e respingavam ao seu redor. A agonia terminou quando a lâmina atravessou seu peito, perfurando-lhe em cheio no coração fraco e quase sem vida.

— Avisei...avisei que não deveria ter envolvido a polícia nisso — Disse o leão, puxando sua faca vagarosamente. A lâmina gotejava sangue no piso enquanto a máscara virava-se levemente para o lado, fitando ambos os corpos com admiração.

Notas finais
Comentem, preciso saber a opinião de todos que acompanham sobre o desenrolar da história. Estou agradando ? Aliás, decidi aumentar a temporada para mais 1 ou 2 episódios, fiquem atentos. Abraço....