The Game of Death

11 S1EP11 - Massacre - Season Finale


Notas iniciais
Megan guarda mais segredos do que deveria e em um novo flashback continuamos a acompanhar o passado sujo de Sophie, dessa vez ao lado de Alex...quer dizer, Brian. Bem, talvez não seja um bom dia para ninguém em Houston, Sam não vê perigo em ficar sozinho em casa, Tyler acha que enfrentar um ex-presidiário é uma boa solução e Lauren anda bisbilhotando o que não deveria. Nessa nova fase do jogo, quem poderá sobreviver ao Massacre ? Título: Massacre - Final de Temporada

Atravessar os corredores do colégio havia se tornado um grande desafio para Lauren. Além dos olhares que recebia dos outros alunos, ainda tinha que enfrentar os pequenos e torturantes memoriais colados nos armários dos alunos que haviam sido mortos recentemente. Sophie, Riley, Faye e agora Henry. Jovens sonhadores que tiveram seus futuros arruinados por alguém que usava uma máscara ridícula e que mesmo que tivesse seus motivos, não tinha o direito de fazer aquelas atrocidades. As mais recentes mortes haviam deixado todos realmente muito abalados, não sabiam quem e se poderiam ser os próximos. O medo se instalara com ainda mais intensidade na pequena Houston. E apesar de Carter tentar manter a ordem e tudo sob controle, as coisas pareciam desandar e escorrerem pelas beiradas de suas próprias mãos.

Enquanto isso Alex observava Lauren de longe, admirando-a. Mesmo tão triste, Lauren ainda chamava-lhe a atenção. E ele sabia que se dependesse da garota infelizmente a relação entre os dois nunca mudaria. Alex também sabia que se não agisse, diante da situação atual, correria o risco de deixá-la sem antes receber seu amor e carinho. Criou coragem e decidiu se aproximar, se encostando no armário logo ao lado. Especificamente, o de Diana.

— Alex! — Lauren murmurou, sem ânimo ao vê-lo — Como você está ? Soube do Henry ?

— É, eu soube sim — Alex coçou a nuca — Aquilo foi tão cruel, não acha ? Matar uma idosa doente — Ambos suspiraram, melancólicos — Lauren...eu preciso te dizer algo.

— Acha que é o momento ? — Lauren franziu as sobrancelhas, o encarando com os olhos inchados. Ela sabia quando o assunto não seria de seu agrado, e pelo histórico poderia ter certeza disso.

— Na verdade, é sim! — Alex parecia confiante e decidido sobre o que falaria — Eu não deixaria isso pra outra hora, nem sei se temos outra hora...você sabe disso — Lauren concordou com a cabeça — Eu não posso e nem estou disposto a te deixar escapar das minhas mãos, Lauren. Eu te amo e não é de hoje. Talvez desde o primeiro momento que eu tenha te visto, naquele exato momento onde você estava no campo conversando com suas amigas e eu estava nas arquibancadas. Se lembra de como nossos olhares se cruzaram ? — Lauren sentiu-se nostálgica, esbouçando um breve sorriso ao se lembrar do dia — Eu não posso morrer antes de te-lá em meus braços, por favor...

— Alex, e-eu... — Lauren precisou de um tempo para encontrar as palavras certas — Eu gosto de você, talvez mais do que um amigo. Assumo. Mas eu tenho medo, medo de acabar com essa relação tão bonita que temos para embarcar em uma tão incerta quanto um relacionamento amoroso — Lauren colocou a mecha livre do cabelo atrás da orelha, tirando-a da frente do próprio rosto — Me entende ?

— É, eu te entendo — Alex abaixou a cabeça, sorrindo fraco. Sentia-se um pouco envergonhado — Poderíamos fazer isso valer a pena, temos esse poder...mas se acha que o seu medo vai atrapalhar, melhor continuarmos como estamos...eu acho — O garoto voltou a encara-lá, agora com os olhos marejados e prontos para transbordarem — Só não me abandone, tudo bem ? Eu preciso de você. Você sempre foi a mais forte do grupo. Preciso que esteja comigo e pegue a minha mão quando eu estiver com medo. Eu posso ser o próximo, quem sabe ? Mas não me importo se você estiver ao meu lado.

Lauren nunca havia visto Alex daquela forma, tão sentimental. Talvez seu maior erro tenha sido abandonar Riley e ela não faria aquilo com Alex. Não deixaria que a morte do garoto se tornasse um fantasma que voltaria todas as noites para assombra-lá. Talvez Alex estivesse certo. Ela tinha o poder de mudar certas coisas e assim faria.

— Alex, eu nunca te abandonaria! — Lauren o abraçou bem apertado, tentando trazer-lhe consolo — Eu estou aqui, Ok ? Vamos ficar todos juntos! — Disse enquanto acariciava suas costas.

Diana e Megan caminhavam juntas pelo mesmo corredor, atraindo olhares masculinos, e até mesmo alguns femininos, por onde passavam. Conversavam distraídas sobre a cor de esmalte que usavam, que por coincidência tinham quase o mesmo tom lilás. Aos poucos a relação entre elas voltava a ser como antes, o que deixava Lauren muito feliz.

— Olha aquilo! — Diana cutucou Megan na cintura, usando o cotovelo esquerdo. Ambas se surpreenderam com o abraço de Lauren e Alex no meio do corredor, em especial Megan que não soube controlar muito bem o seu ciúmes — Espera! — Diana tentou segura-lá porém foi facilmente driblada, sendo obrigada à também se aproximar do "casal".

— Ei, o que estão fazendo ? — Megan saltitou, parando a frente dos dois. Quase se enfiando entre o casal com um sorriso cínico preenchendo-lhe os lábios.

— Nada, não estamos fazendo nada! — Alex retrucou, virando o rosto para o outro lado enquanto se afastava e tentava limpar arduamente as lágrimas — Só estávamos conversando, apenas isso! — Lauren concordou com a cabeça.

— Ok, vamos deixá-los...vem, Megan! — Diana tentou empurra-lá porém a morena se manteve dura como uma pedra, parada no mesmo lugar.

— Não, eu já estava saindo... — Alex segurou as alças da mochila nas costas e sorriu fraco — Pense melhor no que eu te disse — Sussurrou para Lauren e logo deu-lhe uma piscadela, saindo em seguida e misturando-se ao restante de alunos no corredor.

— Qual é, vocês estão namorando ? Ficando ? — Megan perguntou, assumindo o lugar de Alex a frente de Lauren. Encarava-a seriamente.

— O que ? — Lauren fingiu estar surpresa com a pergunta, franzindo as sobrancelhas — Claro que não, somos amigos e Alex está...está com medo de tudo que vem acontecendo, ele só precisava de um abraço. Por que se importa ? — Megan suavizou suas expressões, não tinha a intenção de deixar o ciúmes muito aparente — Na verdade ele meio que se declarou pra mim. Disse que se interessou por mim desde a primeira vez que me viu, achei fofo — Lauren suspirou e voltou a atenção para o interior de seu armário.

— É, me parece fofo — Diana comentou, pensativa — Os garotos comentaram sobre isso no dia do festival, Alex realmente gosta de você — Megan revirou os olhos disfarçadamente.

— Sabe o que é engraçado ? Ele disse que sempre gostou de você e tal porém não perdeu tempo em se pegar com a Sophie pelos corredores já no primeiro ano que chegou! — Megan bufou. Tinha aquilo engasgado na garganta e finalmente achou o momento oportuno para soltá-lo...de uma forma diferente.

— Do que você está falando ? — Diana ficara boquiaberta, enquanto Lauren encarava-a incrédula — Sophie e Tyler já estavam juntos quando Tyler entrou no colégio, não se lembra ? — Diana passou a achar a história um pouco sem sentido.

— Qual é! A Sophie nunca foi quem vocês realmente achavam que ela era — Megan cruzou os braços — Sempre esteve choramingando sobre as traições de Tyler para nós mas já o traía bem antes, vadia hipócrita!

— Com que direito acha que tem para chamá-la assim ? — Diana retrucou de uma forma rude após o comentário de Megan.

— Com todo. Eu flagrei os dois no corredor naquele mesmo ano. Se encontraram depois do treino de basquete do Alex e se pegaram no fim do corredor...eu mesma vi! — Megan afirmou, convicta.

***

Houston High School, 2013...

A caloura, Megan, espalhou o brilho labial nos próprios lábios finos e pequeninos enquanto se encarava no espelho do banheiro feminino. Roçou ambos por alguns segundos e mandou um beijo para si no reflexo, rindo. Apesar de Megan odiar seus lábios, nunca gostou de demonstrar que aquilo a afetava. Estava sempre bem maquiada e pronta para se exibir ao lado das amigas pelos corredores do colégio. Ser notada por garotos veteranos era melhor do que passar de ano, isso baseado na própria opinião e a de Sophie.

Logo deixou o banheiro e voltou a rebolar pelos corredores vazios. "Incrível como os alunos se dispersavam tão rápido após o término das aulas" pensou a garota. Megan então virou o corredor, distraída enquanto checava as mensagens em seu celular. Mas algo chamou-lhe a atenção no caminho. Sophie puxava um garoto pelo colarinho para o outro lado do corredor, paralelo ao que ela passava. Arregalou os olhos e se escondeu, mantendo-se encostada na parede enquanto espiava a amiga aos beijos com o garoto, que surpreendentemente não era Tyler. Beijos que arrancariam o fôlego de qualquer apenas de se assistir. As mãos do garoto apalpavam as partes mais íntimas de Sophie e quando os beijos desceram para o pescoço da mesma, Megan pôde finalmente ver o rosto do garoto. Levando um grande susto ao perceber que se tratava de Brian, o pretendente da amiga Diana. Os dois ainda não estavam juntos, mas Diana já planejava diversas formas de encurralar o garoto um pouco mais velho. Ele não era mais estudante, mas estava sempre no colégio ajudando o treinador do time de futebol. Basicamente um auxiliar. E Sophie sabia daquilo, Diana passava horas falando sobre Brian e como suas vidas seriam perfeitas juntos. Mesmo assim lá estava ela, beijando o interesse amoroso de uma de suas melhores amigas. Megan não pensou duas vezes, pegando novamente seu celular para grava-los.

***

Megan sabia que aquilo não passava de uma grande mentira. Quer dizer, parcialmente uma grande mentira. Alex não estava beijando Sophie naquele dia porém não poderia contar toda a verdade. Além de não querer magoar Diana, queria que aquilo servisse para Lauren se afastar de Alex. Não custava nada tentar.

— Bem, isso foi um choque — Lauren murmurou pausadamente, ainda digerindo o que acabara de escutar — Não pelo Alex em si, eu entendo que mesmo gostando de mim ele não poderia ficar sem ninguém pra sempre...mas pela Sophie, ela passou o ultimo ano chorando por causa do Tyler...acham que ele sabe ?

— Pois é, isso é horrível — Completou Diana — Não, acho que não...que homem aceitaria uma traição ?

O celular de Megan vibrou no exato momento em que Diana falava, deixando-as atentas. Um toque ou uma vibração de celular nunca voltaria a ser a mesma coisa devido o momento delicado que passavam. A morena então desbloqueou a tela de início e leu a mensagem que acabara de receber, sentindo um pequeno aperto no coração. Não era uma mensagem do leão branco, mesmo assim Megan parecia ter ficado um pouco nervosa.

— Não, não, não é nada, apenas minha mãe...ela veio me buscar, até mais! — Megan gaguejou. Logo acenou e se retirou, tentando não parecer muito nervosa diante as amigas.

— Mãe ? Espera, ela não disse que tinha voltado pra cidade sem os pais ? — Diana interrogou, confusa.

— É, Alex tinha nos falado isso — Lauren cruzou os braços e virou o rosto, acompanhando Megan com o olhar pelo restante do corredor — Sei lá, eles devem ter chegado e ela não ter avisado — Lauren sorriu forçado e voltou a encarar a amiga — Sophie está me surpreendendo, sabe ? Quer dizer, eu tinha uma certa noção do que ela era mas isso já é demais pra mim.

— Eu sei, parece loucura — Diana não tinha muito à dizer sobre o assunto. Ela não gostava desse lance de falar "mal" das pessoas que já se foram — Vamos mudar de assunto ? Preciso de um favor! — Diana abriu o armário, ao lado do de Lauren, tirando uma carteira de couro de lá de dentro — Eu vou ficar até tarde no treino das cheerios hoje, o campeonato regional está chegando e a treinadora está disposta a não nos deixar descansar — Ambas riram. Diana assumira a liderança das torcidas após a morte de Sophie, antes não passava de uma vice-líder. Ou seja, apenas a sombra da amiga — Ontem eu sai com o Brian, fomos jantar e ele acabou me pedindo para guardar a carteira dele, acabou que ambos esquecemos e eu fiquei com ela. Ele realmente precisa dos documentos, poderia levá-la pra mim ? — Diana fechou seu armário no mesmo instante que Lauren. Entrelaçou o braço no da amiga e saiu caminhando pelo corredor que se esvaziava lentamente.

— Claro, eu faço isso por você — Lauren concordou com a cabeça — Apesar de morrer de medo de ir até o bairro do Brian...ótimo cenário para uma morte, não acha ? — Diana fez uma careta.

— Pare com isso! — Diana riu e entregou-lhe a carteira do namorado — Pode conversar um pouco com ele ? Estou sentindo o Brian meio estranho nos últimos dias, como se algo estivesse preocupando ele...

— Tudo bem, entregadora de carteiras e terapeuta — Lauren brincou e parou no meio do corredor, se virando para a loira — Te vejo em breve, bom treino! — Se abraçaram brevemente e então seguiram seus próprios caminhos sozinhas. Diana em direção ao campo e Lauren até a saída.

***

Tyler costumava chegar todos os dias em casa faminto após o treino. O futebol consumia-lhe todas as energias e tinha sempre que reabastece-las comendo uma grande quantidade de alimentos. Nada muito saudável, como frutas, Tyler gostava de sanduíches, batatas e muito refrigerante. Enquanto preparava um modesto lanche de dois andares no balcão da própria cozinha estreita ouviu o telefone tocar, frustando-se ao ser interrompido.

— Alô ? — Disse Tyler enquanto voltava até a cozinha após buscar o telefone móvel na sala.

— Alô Tyler, você se lembra de mim ? Tyler sentiu seu sangue ferver. Ele já estava familiarizado com a voz do "real" dono da máscara que alegava ter sido roubado por seu pai.

— O que você quer ? Não pode me deixar em paz nem na hora das refeições ? — O garoto revirou os olhos, abocando seu lanche ferozmente.

— Eu só queria te avisar que você não sabe com quem está se metendo...sua mãe é mesmo uma beleza e a sua irmãzinha, que coisa mais doce e inocente...eu odiaria ter que fazer algo contra elas — Disse o homem em um tom provocador.

— O que ? Se tocar na minha família eu juro por deus que acabo com a sua raça! — Tyler aumentou seu tom de voz, a idéia de perder sua família mexia com sua cabeça.

— Tudo bem, então quero que me encontre hoje de noite. Atrás do cinema. Vamos fazer alguns acordos já que você diz não estar com a minha máscara — A ligação se encerrou.

Tyler jogou o telefone violentamente sobre o balcão e empurrou o prato de sanduíche para o lado, fazendo-o deslizar e despencar no chão, se partindo ao meio em diversos pedaços. Bateu ambos os punhos sobre o balcão de mármore de tom preto, bufando alto. Ele estava exausto daquilo. De tudo aquilo. Leão Branco, máscara, mortes e até mesmo do pai que continuava a lhe mandar cartas. Tyler estava decidido em mudar pelo menos parte daquelas coisas. Puxou a maior faca do faqueiro e colocou-a rente ao cóccix. Passou pela sala, pegando sua jaqueta sobre o sofá. Tyler tinha um plano em mente antes de ir direto ao local marcado esta noite.

***

A mansão Gattuso era de longe a maior da cidade. Seus vários metros quadrados tomavam conta de pelo menos uns três quarteirões do melhor bairro de Houston. Sua estrutura de cores claras e amplas janelas de vidro na fachada permitiam apreciar sem esforço a vista interna. Além disso a jardinagem bem feita do jardim de entrada favorecia o estilo do lar, deixando todo o ambiente ainda mais aconchegante. A grande garagem acolhia mais de 10 veículos, de longe o lugar preferido de Sam. A piscina estendia-se no espaçoso quintal dos fundos, embutida em uma bela fogueira moderna e ótima para aquecer os dias gelados entre família. Entre a residência, um pequeno espaço aberto para descanso. Algumas poltronas confortáveis de fibra sintética e uma mesa para refeições, apesar de nunca terem usado. Vicky pensava em transformar o espaço em um jardim de inverno já que não tinha tanta utilidade. Os gêmeos Gattuso eram conhecidos principalmente por suas festas extravagantes e muito animadas na mansão. Todo ano davam um gigantesco baile de Halloween, acabando por se tornar sua marca registrada.

Especialmente hoje, Sam estava finalmente sozinho na vasta e "humilde" residência. Diana havia ficado presa no treino e por sorte os pais haviam sido convidados para um jantar beneficente, dispensando por hoje os funcionários da mansão para uma pequena folga já que não eram necessários. Sam adorava ficar sem camisa no sofá confortável, comer algumas bestarias e assistir filmes no grande televisor fixado na parede da sala.

A noite despontava em passos lentos do lado de fora, pintando os céus com seus tons acizentados que logo se transformariam em tons mais acentuados e escuros. Sam não demonstrava medo facilmente, na verdade nunca fora um sentimento comum para o garoto porém ser o alvo de um assassino à espreita sacudia suas estruturas emocionais. Por isso, antes de se ocupar com a Tv, decidiu trancar todas as portas possíveis da mansão. Uma tarefa complicada já que os acessos para o interior da residência pareciam infinitas.

Atravessando o espaço aberto entre a mansão, Sam aproximou-se da porta de vidro que dava passagem para a área da piscina, prendendo sua atenção em algo um pouco antes de fecha-lá. A fogueira embutida na larga piscina estava acessa e queimava ferozmente. As chamas alaranjadas dançavam de uma forma sensual e elegante, hipnotizando qualquer pessoa.

Mas quem poderia ter acendido ? Sam estava sozinho...pelo menos era o que ele achava. Tomado pelo frio na espinha o garoto finalmente girou as travas da porta, trancando-a. Afastou-se lentamente, ainda encarando as chamas que se tornavam cada vez menores à medida que se distanciava. O clima no lugar não era mais o mesmo de antes. Mudou-se em instantes para pesado e um pouco tenso.

Sam voltou a se sentar no sofá, friccionando a mão direita suada na mão esquerda, a mesma de dois dedos a menos. Pretendendo voltar à prestar atenção em seu filme e deixar aqueles pensamentos ruins de lado, logo se alarmou ao ouvir o telefone celular tocando. Esticou-se, alcançando o aparelho sobre a mesinha de centro. Era Megan.

— Ei, Megan! Você me assustou, sabia ? — Disse Sam, respirando aliviado — Alô ? — Entretanto calou-se para ouvir a respiração dificultada do outro lado da linha — Megan, está tudo bem ? — Sua reposta foi um "Uhum" abafado e ligeiro — Sabe, eu estou sozinho em casa e gostaria muito que você estivesse comigo... — Algo o interrompeu.

— E eu estou, Sam...

Sam sentiu as próprias pernas paralisarem. A resposta não havia partido do aparelho, pelo contrário, a resposta emanou-se de dentro da própria mansão. Conhecia aquela voz grave e chiada devido ao modificador usado através da máscara. A ligação acabou sendo finalizada e Sam ainda podia sentir o nó formado na garganta se apertando, tornando-se um grande emaranhado. Prontamente um som agudo propagou-se da cozinha. Objetos de vidro acabavam de ser arremessados ao chão.

— Desgraçado — Sam ergueu-se do sofá, disparando até a parede a frente que mantinha a Tv fixa. Pôs apenas uma parte do rosto para fora, observando o silencioso e escuro corredor extenso que levava até a cozinha. Encostou-se novamente na parede e deslocou o braço para dentro do mesmo, alcançando o interruptor para acender as luzes. Outra vez observou o corredor, aterrorizando-se ao avistar o vulto veloz atravessar para o outro lado.

O suor frio tomou conta de sua testa, arrastando-se cenho abaixo e pingando pela ponta de seu nariz. Em sua cabeça o assassino contornaria a sala e tentaria pega-lo pela esquerda. Rapidamente adentrou o corredor, apressando-se em passos silenciosos até a porta de vidro do espaço aberto entre a residência. As mãos trêmulas não o ajudavam, tornando o simples ato de destrancar a porta uma batalha. Sam notou que algo se aproximava pela retaguarda, decidindo então virar-se e enfrenta-lo. Ligeiramente o vulto escondeu-se novamente nas sombras, fugindo do alcance do garoto. Fazendo-o desistir da porta, Sam invadiu a cozinha, usando o balcão para se guiar na escuridão. Logo os pés descalços sentiram o chão permeado de cacos de vidro perfurar-lhe a pele. Atravessou o caminho de vidro aos gemidos baixinhos até o interruptor, acionando as luzes.

De súbito o Leão Branco o atacou, levando ambos para um combate corpo a corpo no chão. Sam arqueou-se, sentindo o vidro rasgando-lhe as costas nuas enquanto deslizavam pelo piso. Tomado pela dor, não teve tempo de revidar os socos do homicida direto em seu rosto. Tentando focalizar sua visão embaçada, Sam pôde impedir que a lâmina do Leão atingisse seu pescoço colocando a mão na frente. A dor intensa preencheu-lhe quando a lâmina atravessou sua palma, brotando do outro lado. O sangue escorreu pela faca, pingando sobre seu rosto. Um grito se ecoou de seus lábios quando o assassino puxou a arma para fora, deixando o local ardendo como fogo.

— Seu doente do caralho! — Esbravejou o garoto. Usando sua agilidade e um forte pontapé na altura do abdômen, Sam lançou-o para longe e se levantou cambaleando, fugindo em direção ao corredor.

De pé em apenas um salto, o leão branco disparou-se atrás do garoto. Alcançou-o facilmente na metade do caminho e então lançou-se sobre ele. Desequilibrado, o loiro foi de encontro a parede de vidro que cercava a área de descanso entre a mansão. A velocidade, a força do empurrão e o peso de Sam foram o bastante para que a parede se estilhaçasse em pedaços, fazendo-o atravessa-lá e cair aos pés das poltronas de fibra sintética. Sangue escorria-lhe dos pequenos ferimentos profundos espalhos pelo corpo e pela face.

— Sempre o mais esperto, ágil e forte do grupo. O completo fodão. Me parece vulnerável como uma criança agora, Sam! — Debochou o Leão. Logo se aproximou, ajoelhando-se ao lado do garoto desnorteado. Agarrou-lhe pela nuca e puxou sua cabeça de forma bruta para trás, encarando seu rosto ensangüentado e lotado de estilhaços — Últimas palavras ? — Perguntou a voz chiada.

— Eu não vou pro inferno sozinho... — Sam murmurou e acertou o Leão Branco com uma bela rasteira, fazendo-o cair deitado sobre os estilhaços. Novamente em pé, Sam mancou até a próxima porta e adentrou os últimos cômodos do primeiro andar afim de chegar na área da piscina. Virando-se rapidamente para garantir, percebeu que o assassino não estava mais estirado no chão. Desesperado, Sam continuou até a área da piscina.

A mão machucada e a dor que consumia-lhe fizeram com que Sam enfrentasse novos problemas para destravar a porta que dava direto à área da piscina. Vulnerável, não percebeu a proximidade do assassino que logo virou-o violentamente pelos ombros e apunhalou direto em seu abdômen. A faca foi introduzida velozmente, perfurando-lhe os órgãos internos. Instantaneamente retirada, a lâmina voltou a ser introduzida em uma velocidade frenética. Foram incontáveis facadas. Sam não segurou a grande dose de sangue que entupia-lhe a garganta, cuspindo-o na máscara do assassino.

— Hora de nadar! — Gargalhou o Leão, que de forma ágil acabava de acertar um chute potente contra o tórax de Sam, pressionando-o contra a porta de vidro. Repetiu o mesmo chute até que o corpo do garoto atravessasse a porta, fazendo-o despencar novamente sobre estilhaços — Ricos e suas residências frágeis, patético! — Disse o assassino, pulando os vidros e agarrando Sam pelos cabelos curtos.

Sam foi então arrastado grosseiramente até a beira da piscina. Sufocado pelo próprio sangue, seria impossível que o garoto resistisse por muito tempo. Entretanto ele não deixou de pensar em sua família em só instante naqueles minutos de tortura, principalmente sua irmã. Diana não merecia aquele sofrimento e muito menos uma morte semelhante. Desde que os ataques começaram Sam prometeu que a protegeria e agora não teria mais chance. Arrependido, Sam se agoniava apenas de pensar em diversas possibilidades que poderiam ter impedido-o de chegar à aquele ponto.

— Não precisa se preocupar, eu cuidarei bem da Diana — Disse o assassino enquanto ajudava Sam a se manter em pé ao pé da piscina iluminada.

Sam usou o que restava-lhe de suas forças e levou a mão até a máscara do assassino, tirando-a sem ser impedido. Espantado, Sam tentava balbuciar algo entre as tossidas repletas de sangue coagulado. Os olhos arregalados denunciavam o choque que sentira ao finalmente ver o verdadeiro rosto do Leão. Estava tão incrédulo quanto enojado.

— V-v-você...po-o-or qu...que ? — Gaguejou, descrente.

Sem cerimônias, o Leão levou a lâmina até seu pescoço e a deslizou ligeiramente, abrindo-lhe um extenso corte na jugular. Espirrando sangue por todos os lados, Sam foi solto e cambaleou fraco para trás até mergulhar de costas na piscina.

Sam encarou o agradável céu estrelado acima de si enquanto flutuava na água temperatura ambiente. Seus olhos arregalados ainda representavam o choque que fora descobrir a identidade do assassino. Os borrões escuros consumiam-lhe a visão, até o momento em que decidiu se entregar e fechou os olhos, adormecendo perpetuamente.

***

Tyler encontrava-se parado no beco escuro e calmo na parte posterior do cinema. O lugar costumava a lotar aos fins de semana porém vazio no restante, aparamente as pessoas não tinham tanto tempo para se divertir. Apoiava o pé direito na parede enquanto fumava tranqüilamente um cigarro. Seduzido pela chama queimando a ponta da cigarrilha entre os lábios, Tyler deixou de prestar atenção ao seu redor, surpreendendo-se com o homem que surgirá minutos depois a sua frente.

— Você...quem é você ? — Tyler alinhou-se, levando a mão até o cabo da faca que carregava nas costas.

— Ora Tyler, sou eu...Dustin, o dono da máscara! — Respondeu o homem, dando alguns passos para frente até que a iluminação da rua o atingisse.

Alto, aproximadamente um metro e oitenta e dois, o loiro de barba por fazer e cabelos curtos acabou surpreendendo Tyler.

— Você ? Isso deve ser piada, achei que fosse mais...mais assustador, digamos assim — Debochou aos risos, soltando em seguida a faca que tinha na parte de trás da calça.

O homem pareceu acompanha-lo nas risadas mas logo mudou seu semblante, atirando-se de surpresa sobre o garoto. Em um movimento rápido, tirou um canivete dos bolsos e pressionou a lâmina contra seu pescoço. A mão livre pegou o cigarro de seus lábios e o arremessou para longe. Rendido, Tyler apenas levantou lentamente as mãos, o encarando assustado.

— Assustador o bastante pra você ? — Perguntou o homem, mantendo um sorriso sádico nos lábios — Tente qualquer coisa e eu corto sua jugular, entendidos ? — Tyler balançou levemente a cabeça em positivo — Disse que não está com a minha máscara mas esses assassinatos adolescentes estão prestes a me tornar um procurado, imagina se descobrirem que a máscara é minha ? Me arrastariam de novo pro xadrez e eu estou disposto a não voltar para aquele inferno...na verdade ao lado do seu papaizinho! — Sua gargalha macabra ecoou pelo beco. Dustin parecia ser uma pessoa completamente perturbada, notava-se em seu olhar insano e profundo.

— Bem, o que eu poderia fazer ? Você não entendeu ? Eu sou uma das vítimas aqui — Tyler atreveu-se a falar.

— Ora, inicie uma caçada. Quero que você persiga quem está fazendo isso, mate-o e traga-me a minha máscara — Dustin balançou a cabeça freneticamente, empolgado com a idéia — Fará isso, ou terei que caçar sua mamãezinha e sua irmã caçula ? — Tyler sentiu o sangue ferver mas se controlou, estava na mira de um canivete pronto para rasgá-lo.

— Eu faço, pronto, eu faço! — Disse Tyler, incerto. Como faria algo assim ? Nem a polícia tinha pistas de quem era o assassino.

— Lembre-se, estarei sempre de olho em você! — Avisou Dustin, sorrindo de forma perversa. Abaixou o canivete e deu alguns passos para trás — Traga a máscara Tyler e eu te deixarei em paz, promessa de um assassino sádico — Deu-lhe uma piscadela e juntou as mãos nos bolsos, sumindo aos assobios pela escuridão do beco.

Apesar de querer, Tyler não podia respirar aliviado. Não tinha apenas um assassino em seu encalço e sim dois. Ele não sabia o que fazer, não pensava em nada naquele momento além de chegar em casa e se trancar em seu quarto.

Após alguns minutos pensando em uma solução, Tyler finalmente deixou o beco caminhando apreensivo pela rua deserta. O silêncio e a solidão tomavam conta daquela parte da cidade, não havia pessoas ou carros. Na verdade, apenas um carro. Um carro que acabava de virar a esquina e adentrava na mesma rua em que o garoto encontrava-se. Uma BMW branca um tanto quanto familiar. Era fácil reconhecer um dos carros de Sam devido a lataria sempre em perfeito estado, reluzente e bem polida. Tyler, Alex e muitos outros garotos tinham ciúmes da "pequena" coleção do Gattuso.

A buzina foi pressionada por um bom tempo e ecoou pelo quarteirão inteiro, assustando Tyler que se virou imediatamente em direção ao som. Reconhecendo o carro, parou de caminhar esperando que o automóvel estacionasse ao seu lado para conseguir uma carona do amigo. Mas para sua surpresa o carro não parou, avançando em alta velocidade em sua direção. Desesperado, Tyler atirou-se para o lado direito e rolou no asfalto até o meio da rua, escapando do atropelamento. Levantou lentamente a cabeça, sentindo um lado da face arder intensamente.

Um pouco mais a frente a BMW freou bruscamente e o volante foi girado, fazendo o veículo derrapar na pista e dar meia volta até parar em posição invertida. O pé do motorista manteve-se sobre o acelerador, levantando uma fumaça branca e espessa das rodas traseiras.

— Sam, o que você está fazendo ? — Gritou Tyler ao se levantar com dificuldade. Mancando após bater os joelhos violentamente contra o chão, Tyler começou a correr em um ritmo vagaroso pela rua.

Com o freio de mão inclinado, o veículo voltou a avançar em velocidade máxima de encontro a Tyler. Facilmente alcançado, o garoto foi pego de costas e bateu violentamente contra o para-brisas. A força do impacto estilhaçou todo o vidro e ruiu sobre o motorista, que por sua vez soltou o volante e colocou os braços a frente do rosto. O corpo do garoto rodopiou no ar e despencou de volta ao asfalto enquanto o automóvel afastava-se totalmente fora de controle. Tyler tentou levantar porém acabou sufocado pela dor. As costelas haviam sido quase todas fraturadas, perfurando-lhe os órgãos mais próximos. Um dos principais ossos do braço, rádio, partiu-se ao meio e se expôs, ficando visível para quem quisesse vê-lo. Sangue jorrava-lhe da boca, fazendo-o se asfixiar.

No mesmo instante o motorista realizava a manobra na pista, girando o veículo outra vez no sentido de Tyler. Pisou fundo e investiu-se contra o garoto, pronto para atingi-lo em cheio na cabeça. Seria uma morte instantânea.

— Por favor... — Berrou Tyler. Os olhos arregalados acompanhavam os pneus dianteiros que avançavam em sua direção.

Face a face com o pneu esquerdo, Tyler usou seu último impulso para erguer a própria cabeça. O carro então passou em alta velocidade, arrancando-lhe parte do couro cabeludo de raspão. Por sorte estava vivo mas a dor que sentia fazia-o se contorcer e gritar no meio da rua. O motorista olhou pelo retrovisor, socando o volante com raiva ao perceber que Tyler ainda estava vivo. Pensava em voltar mas desistiu ao notar que um pequeno grupo de pessoas da última sessão deixava o cinema naquele exato momento. Então virou a esquina mais próxima e desapareceu na escuridão.

— Socorro! — Tyler gritou ao ver as pessoas deixando o cinema local. Assustado, o pequeno grupo ficou em volta do garoto enquanto alguns puxavam seus celulares e discavam o número da emergência.

***

Esbanjando sensualidade não intencional, Lauren dobrou a esquina, descendo a exata rua em que Brian residia. Usava um sutiã tipo bralette da marca preferida, Victoria's Secret, uma jaqueta cropped de couro por cima e uma calça jeans apertada. O corpo esguio dava-lhe um ar requintado, além de muito charmoso e relativamente diferente. O cabelo preso em meio coque esvoaçava à medida que aproximava-se da residência em passos levemente saltitantes.

Lauren ainda não aprovava a decisão de Diana em reatar o namoro com Brian. Não porquê não gostava dele, pelo contrário, nunca teve problemas ou motivos contra o garoto. Mas achava estupidez da amiga em aceitar suas explicações incoerentes. Por que era tão complicado entender que ele não estava fazendo nada mais do que usar Diana para esquecer outra garota ? Seja lá quem ela fosse.

Subiu as escadas até a varanda estreita e bateu três vezes na porta, esperando com um sorriso forçado nos lábios até que fosse atendida. Não surtindo efeito, Lauren voltou a bater algumas vezes até perceber que não havia ninguém em casa.

— Puta falta de sorte — Murmurando, a garota aproximou-se da única janela da fachada e buscou uma visão do interior da residência. Puxou o celular do bolso e discou o número de Diana, levando-o até a orelha direita enquanto esperava alguém atender — Diana, não tem ninguém aqui...

— Sério ? Droga, eu vou ligar pro Brian...eu avisei que você viria, espere um pouco! — Diana desligou, apressando-se para ligar ao namorado.

Lauren deu de ombros e encarou a maçaneta, tocando-a de leve com a ponta dos dedos. Mordiscou o canto do lábio inferior, pensativa. Fechou os olhos e girou-a, animando-se ao perceber que estava destrancada. Adentrou o lar, acendendo as luzes de imediato. Não queria invadir a privacidade de Brian, por isso planejava apenas deixar a carteira e sair antes que ele voltasse e tivesse que servir de terapeuta para o namorado da amiga. "Diana que me perdoe" pensou Lauren enquanto aproximava-se da mesa de jantar. Deixou a carteira de couro falso sobre a mesma e logo ameaçou se afastar quando algo acabou chamando-lhe a atenção. Brian não era o sinônimo de organização, sua casa sempre fora uma completa bagunça e costumava deixar tudo espalhado pelos cantos, o que acontecia com todas suas correspondências, que naquele momento estavam estiradas pela mesa. O pequeno envelope com o nome do garoto estampado realmente deixou Lauren curiosa e não custava nada dar uma rápida conferida. A garota olhou para a porta e respirou fundo, pegando o envelope e puxando os papéis ali em anexo para fora. Assustando-se à medida que os folheava, Lauren ficou boquiaberta ao ver as fotos de Brian carregando um "procurado" na parte inferior.

***

Brian voltava da pequena mercearia que ficava há alguns quarteirões de sua casa com duas sacolas de papelão nos braços quando seu telefone tocou. Apressando-se para atende-lo, deixou as compras sobre a mureta da casa mais próxima.

— Diana, ei...aconteceu alguma coisa ? — Disse em tom de preocupação e com expressões faciais sérias. Mas logo suavizou-as ao ouvir Diana falar sobre Lauren estar à sua espera na porta para entregar-lhe a carteira — Tudo bem, estou chegando...ei, eu te amo — Brian não perdeu a oportunidade de dizer as belas palavras que mexiam com Diana antes de desligar.

Logo guardou novamente o celular no bolso e pegou suas sacolas, voltando a subir a ladeira em direção à sua residência.

***

Ler aquelas matérias falando sobre o assassinato da garota pelo qual Brian era culpado, levou Lauren à liga-lo aos assassinatos recentes da cidade. Quem poderia garantir que realmente não fosse ele ? Mas de quem e por que havia recebido aquele envelope ? Ali estavam as provas, Lauren só não tinha certeza se eram as que comprovassem que ele era mesmo o Leão Branco. De qualquer jeito, estava totalmente paralisada. Tomada por um sentimento de perplexidade. No momento não sabia o que fazer além de deixar a casa o mais rápido que pudesse antes de Brian chegar.

Lauren então soltou os papéis, espelhando-os sobre mesa, e apertou os passos até a porta, acabando por esbarrar em Brian que acabava de entrar com suas compras.

— Lauren, é...e-eu... — Brian coçou a nuca, sorrindo um pouco sem graça ao vê-la dentro de sua casa sem ter sido convidada.

O estado em que se encontrava e a expressão apavorada na face eram mesmo de se desconfiar.

— Já estou indo, sua carteira está na mesa! — Lauren espremeu-se entre Brian e o batente da porta, voando para fora da casa.

Antes que pudesse receber sequer um agradecimento, Lauren já corria ladeira acima. Brian então franziu as sobrancelhas e adentrou a sala ainda confuso, arregalando os olhos ao perceber que as ameaças do assassino estavam todas espalhadas pela mesa. De forma lógica, Brian deduziu que Lauren havia bisbilhotado suas correspondências e lido todas suas as acusações de assassinato. Cego pela raiva, o loiro soltou suas compras ali mesmo no chão e disparou até a porta. A garrafa de leite fresco de uma das sacolas acabou trincando com o impacto, molhando o piso enquanto Brian deixava a residência apressado.

Acreditando estar correndo um grande perigo após Brian descobrir que havia fuçado em suas correspondências, Lauren aumentou gradativamente a velocidade dos passos até que começou a correr. Só pensava em chegar em casa e ligar para amiga, Diana, e avisava-lá sobre o que havia descoberto. Não fazia questão de omitir a verdade, todos poderiam estar correndo perigo se Brian fosse realmente um assassino.

Já não tão longe de casa, Lauren pôde perceber que Brian estava em seu encalço com apenas uma rápida olhadela para trás. Agora aflita, encarava o garoto de segundo em segundo enquanto corria por sua vida. As cenas de perseguições dos filmes de terror nunca foram as preferidas da garota, havia muito sentimento de angústia e impotência envolvida. Brian estava próximo, basicamente pronto para alcançá-la quando a garota atravessou o jardim e entrou as pressas em sua casa, cerrando a porta em seguida.

— Mamãe ? Mamãe, por favor! — Lauren entrou aos berros, chamando pela mãe mas não obteve resposta alguma. Deveria ter ficado presa no trabalho ou saído com as amigas após o expediente.

Furioso, Brian aproveitou a velocidade que alcançara na corrida para jogar-se de encontro com a porta. O impacto fez com que o batente explodisse e a porta cedesse, trazendo ambos para o chão. Ainda mais assustada, Lauren passou pelo garoto parcialmente atordoado e subiu as escadas gritando por socorro. Parecia sem saída. Ela não tinha para onde ir ou se esconder, aquele parecia ser seu fim. Brian levantou-se rapidamente e voltou a persegui-lá escadaria acima, alcançado-a próxima da porta de seu quarto. Lauren então recebeu uma pancada direto na nuca, perdendo o controle e caindo de joelhos no chão.

— Por que está fazendo isso ? — Lauren virou-se, deitando de barriga para cima. Sentia as costas ainda doloridas após o forte golpe que recebera.

— Desculpa, eu tinha que te atrasar. Você precisa me ouvir antes de sair fazendo ou falando algum tipo de besteira — Brian se aproximou, estendendo a mão para ajudar a garota a se levantar porém foi ignorado, já que Lauren colocou-se novamente em pé com certa dificuldade e logo se afastou.

— Não há nada que eu tenha visto hoje que eu imagino ser besteira! — Retrucou a garota que continuava se afastando — Matou aquela garota e jogou seu corpo no mar, quem é você ? — Lauren engoliu o choro, pensar que poderia ser a próxima deixava-lhe angustiada.

— Eu não tive culpa, estávamos brigando como qualquer outro casal...não podem me culpar por um acidente, não podem e não vão! — Brian bateu o pé, estava disposto a fazer de tudo para que seu segredo obscuro não fosse revelado.

— Não teve culpa ? Tudo bem, pode ter sido um acidente mas ocultar a verdade e ainda tentar se livrar de uma pessoa jogando-a na água ? Estamos falando de uma pessoa, uma pessoa de verdade! — Apesar do medo, o tom de voz de Lauren era ríspido — Ela ainda estava viva, você é um completo monstro!

— Espera, o que ?! — Brian arregalou os olhos, surpreso com o que Lauren acabara de dizer — Como assim viva ? Do que você está falando ?

— Você nem leu aqueles artigos sobre o caso, leu ? — Brian balançou negativamente a cabeça, não tinha coragem de ler tal barbárie que ele mesmo havia cometido — A perícia afirmou que a garota ainda tinha chances de estar viva quando foi jogada no mar porém acabou morrendo afogada...você matou ela duas vezes.

Brian fitou o chão, completamente transtornado. As lágrimas escorreram-lhe pelo rosto. Aquelas novas informações mudavam tudo. Brian era considerado um assassino doloso, para a polícia ele tinha sim a intenção de matá-la. Não havia mais sentido fazer a linha bom moço, o sangue homicida corria-lhe pelas veias, querendo ou não.

— Na verdade, não me importa mais...já aconteceu, não aconteceu ? — Brian voltou a encara-lá, assumindo uma nova expressão facial apavoradora — Você e o Leão são os únicos à saberem disso. O leão gosta de jogar e não revelaria sem antes me tortura mas você está pronta para gritar ao mundo sobre o que descobriu... — Brian deu alguns passos até a garota.

— Não, não se aproxime! — Sem ter para onde correr, Lauren abriu as portas de correr da pequena varanda do quarto, continuando a se afastar enquanto Brian se aproximava. A garota teve que parar quando bateu o cóccix no guarda-corpos, o corrimão de metal que servia como grave de proteção. Estava sem saída.

— Talvez eu seja um psicopata, talvez seja até mesmo o seu leão branco...mas tenho que manter as aparências e não vou deixa que uma vadia fofoqueira como você acabe com tudo isso, acabe com o amor que há entre mim e a idiota da Diana — Brian sorriu de forma sádica — Eu a amo, fato...porém amo mais o seu dinheiro e não posso deixar que você me atrapalhe. Sinto muito Lauren, te vejo no inferno! — Habilidosamente, Brian passou o braço em volta de seu pescoço e usou o outro braço para agarrar-lhe as pernas. E então levantou Lauren o mais alto que conseguiu, que por sua vez se rebatia e pedia por socorro. Em um ato frio, o garoto arremessou-a com força para fora da sacada.

Lauren se debateu desesperadamente, despencando no vazio por alguns segundos até finalmente atingir o painel vertical de jardim usado para enfeitar o jardim e a lateral da residência. O painel, feito de madeira, partiu-se ao meio com o impacto e uma das estacas perfurou-lhe as costas, saindo pelo outro lado, em cheio no tórax. Engasgada pelo próprio sangue que subia por sua garganta, Lauren mantinha as mãos em volta do ferimento ainda em um completo estado de choque. Brian encarava-a da sacada, parecendo se divertir com seu sofrimento...até que se cansou e decidiu voltar para o interior do quarto. Lauren agonizou por mais algum tempo até que sentiu suas pálpebras pesarem e o sono lhe consumir. Não demorou até que já estivesse totalmente inconsciente.

Notas finais
Assim nossa primeira temporada termina, repleta de acontecimentos chocantes! Espero que esteja do agrado de todos e adoraria ler alguns palpites nos comentários para debatermos sobre. Preciso de um pouco de tempo para adiantar os proximos episodios então provavelmente a 2° temporada começará no fim de agosto/começo de setembro. Prometo não abandona-lá, abraços...