The Game
14 Parte 1 - Capítulo 13 - Hélcias vs. Duo II
–Tem uma coisa que eu não consegui entender direito – Disse Hélcias, ainda pensativo a respeito de tudo o que ouvira – Se você diz que toda vez que puxarmos uma carta, estaremos comprando exatamente aquilo que precisamos... Isso não é uma boa sorte?
–Não... Exatamente – Respondeu Héber – Veja bem, Sorte sempre pressupõe probabilidades. Er... há, Yugioh. Digamos que você tenha uma carta no seu baralho que você quer na primeira mão. Bem, de um deck de 40 cartas, você puxará 6 para formar a primeira mão, então a sua chance de ter aquela carta no seu primeiro turno é de 6 em 40 – Fez uma pausa, deixando a ideia assentar – Porém, ao irmos àquele mundo, isso deixa de ser verdade. Se a carta é necessária, a relação draw/deck não existe. Você poderia ter um deck de 60 cartas e apenas uma desta que você deseja puxar, mas é total e completa certeza de que você a puxará, se realmente precisa dela.
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–Pelo efeito da minha Evo-Singularity, eu invoco do meu extra deck o meu Evolzar Soldda – O grito de Hélcias ecoava pelo espaço amplo. A sua frente, a invocação tinha início – E uma vez ele em campo, do meu cemitério eu posso transformar meu Evolsaur Elias e meu Evoltile Najasho em seus materiais XYZ.
A frente de Hélcias, uma nova criatura se levantou da luz intensa. Tinha a figura esguia, mas bastante alongada. A pele de um azul intenso parecia reluzir com o tremular da corrente de chamas que envolvia a criatura dos pés à cabeça. Possuía uma cabeça de formato draconiano e duas enormes asas nas costas, agora expandidas ao seu máximo. Uma vez evocado, do chão surgiram duas esferas de uma intensa luz branca, que foram pairar sobre a cabeça do novo monstro.
Junto da expressão de surpresa, a face de Duo mostrava um claro descontentamento. Com 2600 pontos de ataque, Soldda era agora o monstro mais forte em campo, superando mesmo os 2500 pontos de ataque do Volcasaurus. Para além disso, porém, Soldda não podia ser destruído por efeitos enquanto tivesse seus materiais, o que inutilizava a habilidade do dinossauro de Duo. Finalmente, o monstro de Hélcias possuía o efeito de, ao custo de um de seus materiais, destruir a qualquer monstro que fosse invocado por um efeito.
–Tsc. Eu paro meu ataque – Declarou Duo, visivelmente consternado – Eu seto uma carta e encerro meu turno – Com esta declaração, Duo observou Hélcias puxar sua próxima carta. Neste momento, um sorriso arrogante preencheu os seus lábios – Agora, eu ativo a minha carta armadilha: Compulsory Evacuation Device! Hélcias, diga adeus ao seu monstrinho!
–Hum... – Um sorriso confiante tomou conta da face de Hélcias – Em resposta á sua carta, Duo, eu ativo a minha: Dark Bribe! Com isso, sua compulsory está negada – Verdade, porém, que o efeito não vinha de graça. Ao negar a armadilha do oponente, Hélcias também lhe permitia comprar uma carta. Ainda assim, o descontento na face de Duo lhe indicava que havia feito o certo – Para além disso, eu ainda jogo esta carta: Dark Hole!
Logo após a ativação da carta, o ambiente foi se tornando progressivamente escuro. Olhando para o alto, Hélcias e Duo foram capaz de ver um estranho fenômeno. Uma espécie de névoa, de consistência extremamente fina, pairava sobre suas cabeças. A névoa, por sua vez, circundava uma enorme esfera negra maciça. No momento em que a avistaram, ambos os jovens já puderam sentir como se uma enorme força os puxasse para cima. E, embora eles não tenham saído do lugar, isto não foi uma verdade para os monstros de Duo: puxados na direção daquela enorme esfera negra, desapareceram por completo em seu interior.
Os olhos de Duo se arregalaram. Dark Hole era possivelmente uma das magias mais perigosas do jogo. Seu efeito consistia na sistemática eliminação de todos os monstros no campo. Sozinha, trata-se de uma carta relativamente equilibrada, uma vez que também limpa ao campo oponente. Contudo, no campo de Hélcias só havia um monstro... Cujo efeito consistia justamente em não poder ser destruído por efeitos. Quando a enorme esfera desapareceu, o campo de Duo estava completamente aberto, ao passo que Hélcias conservara a todas as suas cartas.
–Meus monstros... – Bradou Duo, raivoso.
–E seus pontos de vida – Gritou Hélcias, chamando para si a atenção – Soldda, ataque diretamente! – O enorme dragão azul esticou o braço. Com sua ordem, as chamas escarlates que o circundavam se dirigiram diretamente a Duo, que as viu atingir a parede invisível que o protegia. Seus pontos de vida, contudo, não saíram ilesos: estava agora com 5400 – Com isso eu encerro o meu turno!
–Hélcias... – Puxando sua carta, o olhar de Duo estava focado no seu oponente. O que ele pensara que seria uma partida simples já estava se arrastando para bem mais longe do que previra – Da minha mão, eu ativo a magia Cyber Repair Plant. Pelo seu efeito, eu adiciono um monstro de luz do meu deck e outro do meu cemitério para a minha mão. E com isso... Eu agora invoco meu Cyber Dragon especialmente!
O olhar de Hélcias contemplou o pilar de luz de invocação. Pelo seu efeito, Cyber Dragon podia ser invocado ao campo caso o oponente controlasse um monstro e você não controlasse nenhum. Contudo, aquele era um movimento estranho para o momento. Soldda ainda tinha dois materiais XYZ, o que significa que sua habilidade de destruir um monstro quando este era invocado de forma especial ainda poderia ser usada. Em suma: a jogada de Duo era praticamente um convite à Hélcias usar o efeito de seu monstro.
–Pois bem... – Disse Hélcias, sério – Eu não sei qual o ponto, Duo, mas o Cyber Dragon tem apenas 2100 pontos de ataque, contra os 2600 do meu Soldda. Eu não vou gastar os matéria do meu monstro por tão pouco – A sua frente, a conhecida criatura metálica, na forma de uma enorme serpente reluzente, surgiu daquele pilar de luz – Seu monstro fica em campo.
–Você... É mesmo um completo idiota – Respondeu Duo, exibindo um largo sorriso arrogante – Batalha! Cyber Dragon, ataque o Evolzar Soldda! – Os olhos de Hélcias se arregalaram em espanto, aparentemente compreendendo o que aconteceria. Infelizmente para ele, já era tarde demais – Agora, da minha mão, eu ativo o efeito do meu Honest! Diga adeus ao seu monstro, Hélcias!
Uma vez descartado, durante um combate entre um monstro de Luz e qualquer outro monstro, Honest adiciona os pontos de ataque do monstro oponente aos do monstro de Luz que batalha. Com isso, o raio de pura luz que saiu da boca do Cyber Dragon de Duo não encontrou qualquer dificuldade para perfurar completamente ao corpo de Soldda. Um estrondo, seguido de uma enorme explosão, denunciou o fim do monstro de Hélcias. Seus pontos de vida caindo agora para meros 2200.
–Soldda! – O grito de Hélcias foi quase instintivo.
–E agora, para minha invocação normal... – Seguiu Duo, ignorando ao grito do oponente – Eu invoco o meu Cyber Dragon Drei! – A criatura surgiu na frente de Duo. Novamente, era um monstro cuja aparência lembrava a uma serpente, contudo era bem menor e mais delgado do que o anterior – Pelo seu efeito, eu faço meus dois monstros se tornarem nível 5. E agora... Eu uso ambos os monstros como materiais para uma invocação XYZ! Apareça no campo, Cyber Dragon Nova!
O processo de invocação XYZ seguiu-se, com ambos os monstros se tornando esferas de luz. A criatura que surgiu, contudo, era bastante diferente das anteriores. Ainda era feita de um metal reluzente, embora agora com alguns traços de algum tipo de metal negro em algumas de suas partes. A parte de baixo ainda tinha o formato de serpente, mas o torso exibia um enorme par de asas metálicas. Da cabeça de formato draconiano, um rugido indicou a invocação com sucesso.
–Cyber Dragon Nova... – Hélcias repetiu, estupefato, olhando para a imensa criatura
–E uma vez em campo, eu posso ativar o seu efeito – Declarou Duo – Assim, ao custo de um de seus materiais, eu chamo ao campo, do meu cemitério, meu Cyber Dragon! – Com este grito, um dos materiais que flutuavam sobre a cabeça do dragão desceu até p nível do chão. Onde ele estava, um novo pilar de luz emergiu, e deste saiu o já conhecido Cyber Dragon – Com isso eu encerro meu turno.
–M... Meu turno...
Ao comprar sua carta, Hélcias estava claramente nervoso, certamente devido ao monstro que estava à sua frente. Sozinho, os 2100 pontos de ataque do Cyber Dragon Nova não seriam realmente intimidadores. Contudo, o monstro tinha um efeito bastante peculiar: No turno de qualquer jogador, ao custo de banir, do cemitério ou do campo, um monstro com “Cyber Dragon” no nome, Cyber Dragon Nova ganharia 2100 pontos de ataque. Um total de 4200 pontos que tornava destruí-lo por batalha quase impossível. A segunda opção, contudo, era ainda pior. Se fosse destruído por efeito, Cyber Dragon Nova permitia ao seu controlador invocar qualquer monstro de fusão do tipo máquina de seu extra deck. O mais provável, portanto, é que isso significasse a entrada de um Cyber End Dragon no campo... Com seus 4000 pontos de ataque.
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–Ta, eu acho que entendi... Mais ou menos – Hélcias coçava a cabeça conforme falava – Mas bem, tudo o que você me disse se baseia na ideia de que eu sempre terei como contra-atacar meu oponente. E se isso não for possível? E se não existir absolutamente nenhuma combinação de cartas no meu deck que possa fazer frente ao que o meu oponente colocar em campo? O que acontece?
–Bom, em primeiro lugar acontece que você deveria trocar seu deck – A resposta jocosa foi imediata, acompanhada de um sorriso sarcástico – Mas falando sério agora, isso é muito improvável. Normalmente a jogada existiria, mas você a desperdiçou de alguma forma, usando cartas erradas em momentos errados.
–Ta, mas supondo que seja como eu disse – Insistiu Hélcias, um pouco irritado com aquela resposta – O que aconteceria? Se aquele mundo se baseia em me dar exatamente a melhor jogada possível para o momento, o que acometeria se não existir uma melhor?
–Absolutamente nada – Respondeu Héber, com firmeza – Você simplesmente iria começar a puxar um monte de cartas inúteis. E provavelmente acabaria perdendo, claro – Acrescentou, dando um sorrisinho jocoso.
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Olhando para sua mão, a situação que Hélcias via não era animadora. Além de destruir um monstro por batalha ou efeito, havia outras três formas de se livrar dele: bani-lo, volta-lo à mão do oponente ou tomar o controle dele. A ultima opção já estava descartada, dado que nenhuma carta no deck de Hélcias podia tomar o controle do monstro oponente. Porém, não importa o quanto olhasse para a sua mão, definitivamente não havia qualquer meio de se atingir qualquer uma das outras duas vias.
–Da minha mão, eu ativo a minha segunda Pot of Dichotomy! – Declarou Hélcias, jogando a carta em campo – E do cemitério, eu retorno Najasho, Elias e Soldda para puxar duas cartas.
Pot of Dichotomy era certamente uma carta perigosa. Ela só poderia ser ativada no começo da Main Fase 1 e incluía, entre seus custos, a impossibilidade de declarar uma batalha, o que normalmente termina com os pontos de vida do oponente intactos. Fossem quais fossem as próximas duas cartas do topo de seu deck, Hélcias sabia que elas precisariam compensar uma perda assim. Contudo, ao comprar as duas cartas, seus olhos se arregalaram. A uma primeira vista, aquelas cartas pareciam completamente inúteis.
Por um momento, ele sentiu um frio lhe percorrer a espinha. Olhou novamente para as cartas em sua mão, e depois para as que acabara de puxar. Olhou para o campo, e de novo para a mão, e então o campo novamente. Não importa o quanto olhasse, contudo, não parecia haver qualquer resposta ali. Definitivamente, com as cartas que tinha era impossível tanto banir ao mostro oponente quanto volta-lo para a mão. Conseguia destruí-lo, isso ele percebeu que podia. Mas o único método viável implicaria em dar a Duo algo ainda pior. “Mas o que... Eu posso fazer?” Ele pensava. O desespero crescendo.
–Ei, vamos logo – Gritou Duo, impaciente – Eu não sei se você sabe, mas se você demorar demais eu ganho o direito de pular seu turno. Então faça logo alguma coisa ou desista de uma vez!
–Dá um tempo, Duo! – Gritou Hélcias, a frustração crescendo – Se quer que eu jogue, cale essa boca e me deixa pensar!
Entretanto, apesar de dizer isso, ele não podia dizer que sabia o que fazer. No final, não era como se olhar repetidamente para sua mão fosse, de alguma forma, fazer as cartas nela mudarem. O mais frustrante, contudo, era a dúvida que aquela mão trazia: havia ali alguma resposta para aquela situação, e ele apenas não a via, ou estava ele definitivamente encurralado, sem qualquer chance de seguir em frente? Rapidamente, a frustração ia se convertendo em raiva e, então, desespero.
Levando a mão livre ao pescoço, ele instintivamente acariciava às duas pedras restantes. A mente divagava. Sem qualquer proteção útil no campo, nem qualquer monstro que o pudesse proteger, era cada vez mais provável que o próximo turno de Duo encerrasse o jogo. Imagens de seu corpo em uma cama de hospital, mantido por aparelhos, cruzaram a mente de Hélcias. Cada vez mais o pânico ia crescendo.
“Mas que droga... Não tem nada... Que eu possa fazer?” Mas não importa o quanto olhasse sua mão, nenhuma resposta surgia. Cansado, apenas fechou os olhos, cerrando-os com força. Os dentes trincados. A mão livre cerrou-se em um punho. Sentiu os olhos se encherem de lágrimas. As pernas tremiam e ele pensou que fosse perder o equilíbrio.
–Hunf... Mas já? – A voz de Duo cortou o espaço homogêneo. O coração de Hélcias parecia que ia lhe saltar pela boca, imaginando que dera o tempo e que Duo pediria o fim de seu turno – Você quebra bem fácil, em?
–O... O que? – Hélcias arriscou abrir aos olhos, vermelhos de frustração e choro.
–Você quebra muito fácil – Repetiu Duo, com uma expressão neutra.
–E o que diabos isso deveria significa? – Perguntou Hélcias, irritado com aquele joguinho.
–Hélcias, até ainda há pouco, eu devo dizer que você me surpreendeu – As palavras de Duo arrancaram uma expressão de espanto de Hélcias – No começo, e especialmente depois do nosso primeiro jogo, eu imaginei que você fosse mais um noob que perderia em minutos. Mas parece que não foi esse o caso. Você jogou bem, e isso eu preciso admitir. Mas... Hélcias, ainda que você talvez seja um forte jogador... Você definitivamente é uma pessoa fraca! – A ultima frase ecoou como um grito naquele espaço.
–Eu sou... fraco...? – Hélcias repetiu as palavras de Duo, como se tentasse compreendê-las melhor – Eu sou... Ah, vá pro inferno! – Gritou, a raiva crescendo – Como se eu fosse aceitar um comentário desses vindo de um filho da puta que não se importa de sacrificar aos outros para atender aos próprios desejos egoístas!
–Desejos egoístas? – Dessa vez foi Duo quem pareceu não ter compreendido corretamente as palavras de Hélcias – Hunf, como se você me conhecesse bem o bastante para falar...
–Você me chamou pra porra de um jogo de morte com a intenção de me mandar pro hospital... Duas vezes, caralho! – Os gritos de Hélcias ecoavam pelo lugar. A frustração e raiva completamente direcionadas ao adversário – Que se foda o que quer que você queira desejar, se você está disposto a arriscar a vida de outros por isso o mínimo que você deveria esperar é que te julguem, seu retardado!
–Hunf... – Duo desviou o olhar. Fechando os olhos por um segundo, se permitiu um sorrisinho sarcástico – Que seja. Fale o que quiser, isso não muda o que eu disse. Você é fraco! – Gritou, olhando novamente para o oponente – Tanto no nosso primeiro jogo, há alguns dias, bem como agora. No primeiro sinal de dificuldade você simplesmente cai em choro! Não importa o quanto queira parecer valente, no final você é só um gato assustado!
–E qual o problema de estar assustado, droga! – Fechando os olhos com força, Hélcias bateu na mesa de mármore com o punho – Não é normal se assustar? Com a vida em risco, não é normal sentir medo?
–Ah sim, é perfeitamente normal... Se a sua intenção for parar a sete palmos da terra, imbecil – Ironizou Duo. Um sorriso arrogante no rosto – Você é mais patético do que eu pensava. Além de fraco ainda acha que está tudo bem ser assim? Por favor...
–Já chega! – Gritou Hélcias, ainda mais alto do que até então – Já chega, já chega, já chega! Eu não te perguntei nada, cacete! Se sou fraco ou forte, se quero mudar ou não, o que te interessa qualquer coisa da minha vida?!
–É, acho que você tem razão. Não é da minha conta – Respondeu Duo, dando de ombros, ainda com um sorriso arrogante no rosto – Mas bem... Obrigado pela vitória fácil. Eu peço o Fim do Turno! – Gritou Duo.
Hélcias arregalou os olhos. Uma expressão de clara surpresa surgiu em sua face. Antes que pudesse dizer o que fosse, um estranho objeto pareceu se materializar na sua frente, flutuando diretamente no seu campo de visão. Era pequeno e de aparência circular. Parecia feito de algum tipo de metal e o único adorno que continha era um estranho traço negro que lhe ia da borda de cima até o centro da circunferência. E, então, o traço começou a se mover.
–Mas o que...
–Um relógio – Comentou Duo, sorrindo – Uma vez pedido o fim do turno, este relógio aparece. A partir deste momento, você ainda tem três minutos para começar a sua jogada. Se não fizer nada, você passa seu turno. Então... É melhor se apressar, hehe.
–T-Três minutos? – Hélcias repetiu aquelas palavras em um quase sussurro conforme observava, impotente, o seguir daquele único ponteiro – I-impossível... – Ele olhou novamente para sua mão, como que buscando a resposta pela ultima vez – Mas que droga... Não tem nada aqui que eu possa fazer! – Ele gritou, enfim. As lágrimas começaram a lhe rolar pelo rosto mais uma vez.
Duo olhava àquela cena com um sorriso no rosto. Apesar de ter dito a verdade a respeito de uma considerável habilidade de Hélcias para o jogo, vencer aquele duelo seria bem mais fácil do que o esperado. Com o oponente experimentando um misto de pânico e frustração seu pensamento ficava evidentemente prejudicado. Ainda que Hélcias tivesse algum meio de escapar daquela situação, o medo que ele próprio deixou crescer levaria a sua própria derrota. No final, não apenas um jogo de habilidade, aquele também era um jogo de força mental. Manter-se calmo diante dos riscos era certamente importante. Neste quesito, poucos novatos tem qualquer chance. E, ao que parece, Hélcias não seria um destes poucos.
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