The Feeler

13 O Vento de Setembro


O Vento de Setembro

À data que me recordo foi no equinócio...

Com as brisas que levavam o frio e traziam flores.

A leve carga de angústia, perda e dores,

Era substituída pelo lindo fardo de teus amores.

O fim do sádico conto, imundo...

Inerte às maravilhas do inseguro.

Tu vieste em um desses ventos ao oeste como chuva;

Inundando minha alma em água profunda.

Em suma, foste salvação...

Carregando, ainda assim, espinhos em seu coração.

Tentei ao longo de Setembro reparar-lhe os pesos que vieram contigo;

Eu cantava, recitava, escrevia; mas nada parecia dar sentido...

Ao que chamavas de infundada vida, perda, injusto.

E com os dias, eu sinto, mas não minto ao dizer que existo!

Iris, aos olhos da perfeição és íris.

Enxergaste o que realmente deveria ser visto?

Na lenda, no poema, ver é fácil o difícil é enxergar,

Que como as estações passam, o tempo passa, a chuva vem.

O mundo gira, em recíproca agonia, percebes meu bem?

Tua dor não é única, ela é sentida, abrangida, inimiga.

Porém não te esqueças, és a flor mais especial do jardim...

Cuidarei para que sempre seja alecrim!

Pois foi teu amor, que disse a mim,

Que és, do meu campo, a flor geratriz...

~Gabriel.