O Tudo

Nada é como o fim...

O fim da linha, o fim do som, o fim da vida.

Das músicas que tocaram nas aventuras do coração,

Dos sorrisos que se escondem no véu da solidão,

Dos amores quentes e úmidos do verão.

Eis a vida, então...

Quando chega a última estrofe da canção.

Nada é como o vento...

Que passeia lento, constante e sereno,

Ou rápido como uma tempestade.

Talvez digam os falantes da verdade,

Que a vida é um vento que corre e corre...

Sob uma perspectiva triste, infeliz e pobre.

Eis o vento, então...

Que quando acaba, tudo a sua volta esgota-se.

Nada é como o rio...

Na beleza única que inunda o olhar,

E fazer a solidão passar.

Onde as águas sempre mudam de cor,

E as angústias seguem com a correnteza da dor,

O vazio do sentimento, do esplendor.

Que possui um rumo próprio, criado pelo Criador.

Eis o rio, então...

O abastecedor ignorante da seca do seco sertão.

Nada é como o fogo...

Que arde pelo clamor da emoção,

Que bate com o aperto do coração.

Em muitos há o acaso da negação,

Mas ninguém nega o calor que é bom:

O da paixão.

Que não queima, mas cura;

Há, talvez, de enfaixar as mãos em ataduras.

Eis o fogo, então...

Apagado pela arrogante decisão de brilhar.

Nada é como o concreto...

Que constrói cidades, muros e tetos.

E onde se estabelece toda uma sociedade,

Subdividida pela raça, cor, gênero, idade.

Ó, como é intrigante essa parte.

Afinal é característica da humanidade,

Mas não faz parte dela, não, não faz...

Porque ela cresceu ensinada por um tutor que estava errado.

Eis o concreto, então...

Forte para sustentar o peso de uma demente população.

Nada é como a morte...

Porque nela tudo acaba.

Já que ela é o fim do livro,

O ponto final.

Eis a morte, então...

Que nada é perto do fim.

~Gabriel.