The Feeler
20 1997
1997
Nasci das cinzas de um antigo livro escrito pelo tempo...
Cresci com os ressoantes tambores que cortavam o fino vento.
Andei sob um céu estrelado que me guiava através da Lupus.
Conheci alguns mistérios escondidos profundamente sob o oceano.
Acolhi as olheiras das noites sem sono e sem sonhos.
Perdoei os causadores de minhas próprias dores,
Mas vinguei aqueles que um dia trouxeram-me flores.
Sobrevivi em uma selva cinza de pó e concreto.
Cacei como um caçador sedento nos dias de fome.
Plantei meu futuro em uma terra árida,
E colhi seus frutos com força ávida.
Encontrei as pedras que atirei pelos caminhos,
E despejei-as no rio que ao meu lado corria vivo.
Eu almejei as cartas que em outro tempo foram minhas,
Mas que nesses pertenciam à minha concubina.
Atravessei desertos, savanas e florestas.
Deitei-me sob a árvore célebre, com os olhos sempre alertas,
E provei também a maçã proibida.
Viajei para o mais longe, esperando encontrar o que estava perto.
Errei meus erros de garoto incerto.
Aprendi com o tempo os diversos dialetos,
E esqueci-os quase todos, decerto.
Amei algumas garotas que me pareceram perfeitas,
Mas compreendi o quão tolo é tentar encontrar a perfeição,
Em uma raça tão estranha como a nossa.
Enxerguei a última fronteira entre a ignorância e a razão,
E então vi que um dos lados estava deserto.
No fim, eu vivi a tudo que era necessário viver...
Através de letras escritas em um papel,
Que alguns sábios chamaram livros.
E isso fora suficiente para entender,
O complexo plano por trás de sobreviver.
Talvez por isso eu queira viver...
Pois viver é a essência do meu conhecer,
É a primazia do meu saber,
A veemência do meu querer.
Para assim criar o meu verdadeiro mundo,
Onde vivo sob céus de um estranho azul profundo.
~Gabriel.
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