The Feeler

3 O Cavaleiro da Chuva


O Cavaleiro da Chuva

Quando as gotas secaram da derradeira encosta,

Quando o sangue da colina não pôde mais sangrar.

De lá desceu o cavaleiro, suave e sutil em seu cavalgar.

O cavalo negro estava pintado de vermelho,

A armadura que brilhava, jazia ofuscada,

Pela chuva que chorava e lágrimas derramava.

A vitória era uma dádiva,

A vida seu prêmio.

Mas a batalha não lhe parecia mais bela,

Ou seus feitos menos violentos.

Ainda assim era uma conquista, abençoada pelos ventos.

Mas o ser que montava ao cavalo tinha,

Em suas lembranças, devaneios sangrentos.

Esquecidos eram os corpos dos caídos.

Alguém havia lhe dito que na guerra não havia inimigos,

E sim homens, com seus medos, desejos e vícios.

Mas isso não tranquilizaria uma mente perturbada como aquela.

No brasão do peito, uma águia era esculpida em fundo negro.

Esse era seu símbolo, o cavaleiro dos ventos.

E houve em si um resquício de vontade,

Em se entregar e voar para longe do alarde.

Só que agora seu símbolo era outro, tão terreno e tão mais parecido.

Aquele, na chuva que agora caía era um novo cavaleiro.

Honrei-te! Ó Cavaleiro da Chuva!

Que trazia ao brasão a angustia de vivenciar uma guerra...

Que trazia as lágrimas das mulheres viúvas e das mães desconsoladas...

Ora, aquele em pé ali jamais saberia o que guerra significava,

Somente depois talvez daquela primeira batalha.

Não era sua jovem idade, tampouco o desejo que aclamava glórias...

Era só um cavaleiro quando entrou na colina...

E saiu mais abençoado do que destinava sua própria sina.

Era agora parte da natureza, que reclamava seu novo nome...

O Cavaleiro da Chuva cavalga, com lágrimas em sua espada brandida,

Como o prêmio daquela pequena batalha vencida.

~Gabriel.