Doce

Havia um tempo que o mel era doce...

E vinha das inúmeras colmeias que se via à vista.

De abelhas que ao charme da rainha seguiam.

Inspecionando o pólen das flores antigas,

O sabor gostoso do vento que suscitava num ciclo.

Nessas velhas fazendas esquecidas do campo,

De peões, malnascidos, de bandos;

O ardor dos ferrões dos zangões era brando.

Aí então o gosto do mel mudou...

Moscado com cheiros de desagradáveis perfumes.

Oriundos das fábricas insalubres.

Redistribuídos nos mercados que compunham o pilar urbano.

Horas passaram-se através desses anos,

Umedecendo os secos solos dos campos...

Mais abelhas seguiam os açúcares e o pólen,

Ainda ziguezagueando em busca de sua rainha capturada.

Não havia mais o íntimo e inocente trabalho ingênuo,

Ora, havia agora trabalhos calculados por “gênios”.

Pois os dias passam como nuvens brancas sobre colinas verdes,

Enchendo o céu de um antigo pranto.

Louco e incandescente, desejo puro e santo,

Outrora seguido como o ditado pelo Ditador.

As nuvens agora secaram como as colinas...

Mas de marrom se constrói a base das usinas.

Afinal, o olhar não descola a retina,

Realocada pelo petróleo e as resinas,

Gastos pelo fervor do calor das caldeiras...

Onde o fogo queima amargo pelo doce,

Roncando motores alimentados pelo que quer que fosse.

Um dia o mel fora verdadeiro...

Racionado pela própria natureza,

Batizado pelas regras da rainha abelha.

Agora não é mais assim,

Não, não é.

Ora, talvez seja por isso que o mel não adocicou o meu café.

~Gabriel.