The Feeler
18 Doce
Doce
Havia um tempo que o mel era doce...
E vinha das inúmeras colmeias que se via à vista.
De abelhas que ao charme da rainha seguiam.
Inspecionando o pólen das flores antigas,
O sabor gostoso do vento que suscitava num ciclo.
Nessas velhas fazendas esquecidas do campo,
De peões, malnascidos, de bandos;
O ardor dos ferrões dos zangões era brando.
Aí então o gosto do mel mudou...
Moscado com cheiros de desagradáveis perfumes.
Oriundos das fábricas insalubres.
Redistribuídos nos mercados que compunham o pilar urbano.
Horas passaram-se através desses anos,
Umedecendo os secos solos dos campos...
Mais abelhas seguiam os açúcares e o pólen,
Ainda ziguezagueando em busca de sua rainha capturada.
Não havia mais o íntimo e inocente trabalho ingênuo,
Ora, havia agora trabalhos calculados por “gênios”.
Pois os dias passam como nuvens brancas sobre colinas verdes,
Enchendo o céu de um antigo pranto.
Louco e incandescente, desejo puro e santo,
Outrora seguido como o ditado pelo Ditador.
As nuvens agora secaram como as colinas...
Mas de marrom se constrói a base das usinas.
Afinal, o olhar não descola a retina,
Realocada pelo petróleo e as resinas,
Gastos pelo fervor do calor das caldeiras...
Onde o fogo queima amargo pelo doce,
Roncando motores alimentados pelo que quer que fosse.
Um dia o mel fora verdadeiro...
Racionado pela própria natureza,
Batizado pelas regras da rainha abelha.
Agora não é mais assim,
Não, não é.
Ora, talvez seja por isso que o mel não adocicou o meu café.
~Gabriel.
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