Já eram exatamente sete e trinta da manhã e eu já estava quase pronta, o ônibus ia chegar sete e quarenta, como sempre. Peguei meus livros, desci as escadas e fiquei esperando fora de casa o ônibus vir. Quando finalmente o ônibus parou em frente a minha casa, eu dei um suspiro longo e cansativo, e subi o degrau.
Sr. Harry, o motorista do ônibus, era um senhor que aparentava ter mais de 50 anos, cabelos desbotado pela tintura e um pouco grisalho, ele era um senhor bacana, cumprimentava todos e sempre perguntava o que tínhamos comido no café da manhã.

– Caitlyn! Minha rainha, como você está? – Perguntou.
– Uau! Sr. Harry, desde quando sou sua rainha?
– Desde ontem, quando me deu o seu sanduíche de atum. – Disse ele dando um sorriso bem alegre e espontâneo.
– Sinto muito, mas hoje não preparei o meu lanche. – Retribuí com um sorriso meio de lado e suspirei.
– Ah, que pena dona Caitlyn... Mas, por falar em comida, o que comeu hoje no café da manhã? – Eu não sei o motivo dele perguntar isso todos os dias, eu realmente não sei.
– Nada demais, apenas cereal.
– Entendi, isso é bom, agora sente-se.


O ônibus estava bem cheio, todos estavam lá, incluindo mais um. Um garoto novo. Esse garoto prendeu-me a atenção, não parecia ser normal, foi mais ou menos quando uma criança entra com sua mãe na mercearia e enquanto a mãe passa a compra, essa criança visualiza os doces nos potes do caixa, hipnotizado, devorando-o com os olhos.
Ele tinha uma beleza surpreendente admiradora, um jeito misterioso... O cabelo dele escuro, como os meus. Usava o capuz do moletom, e olhava para baixo o tempo todo... Ele nem chegou a me ver.
Eu fiquei em pé no ônibus, parada a um metro de distância o observando, até que o Sr. Harry exclamou:
–Ah, assim não da Caitlyn! Você poderia fazer o favor de se sentar, ou ficamos aqui até a diretora nos matar devido o atraso que você irá causar.
Olhei como se estivesse desesperada e assustada para o Sr. Harry, assim quando ele mencionou meu nome, pois eu estava realmente desesperada e assustada. Depois rapidamente virei para o novato, pra conferir se ele estava olhando pra mim, assim como todos do ônibus. Meu Deus! Ele tinha olhos perfeitos.