Notas iniciais
Olá coisinhas gostosas, como vão? To mais faceirinha do que deveria, admito. Esse cap aparece outro gostoso, façam uma dança de reverência para mim. Olhem só, minha rotina de postagem é a seguinte: só atualizo a fanfic no nyah quando tiver o capítulo que estou escrevendo no word pronto. Estou adiantada na escrita e quero permanecer assim, obrigada pela atenção. Agora usem essa mesma atenção para ler, nos vemos lá embaixo!

Ultimamente, Clint estava com uma tendência a achar tudo uma merda. Estava fatigado e amargo. Física e psicologicamente cansado. Pulava de missão em missão atrás de um propósito em tudo aquilo. Algo que trouxesse algum sentido em todo aquele caos e aquele vazio que o afundava cada vez mais em si mesmo. Era como entender o que era de verdade. Achava tudo aquilo que sentia frustrante, mas não era do seu gênero bancar o “coitado”. Buscava apoio que precisava no sexo casual, na bebida e nas missões frequentes, mas depois de todo o êxtase e adrenalina, era só uma grande perda de tempo.

Fazia o que fazia não por amor a profissão, fazia porque era o que sabia fazer bem. Matava pessoas à esmo, sem piedade ou misericórdia e o único consolo que tinha eram que todos “caras maus”. Fazia a justiça da morte com as próprias mãos, como Deus. Mas ele não era Deus. Ele saberia se fosse.

Mas apesar de toda a merda que Loki e a profissão fizeram em sua cabeça, ele sabia o que estava o derrubando. Lembrava com extrema clareza. Tinham sido dias difíceis, Natasha e ele brigando sem parar. Até que ela foi embora. Não ligou ou retornou as ligações dele. Clint só foi ter notícias da ruiva ouvindo conversas dos agentes a respeito da missão de Steve e dela. Aquilo o machucava mais do que deveria.

Clint coçou a cabeça, nervoso, tentando esquecer. Era nove da manhã e mais tarde, começaria a nova “missão” dos Vingadores. A última vez que tinham se reunido enfrentaram um deus asgardiano maluco com um exército, mas dessa vez sabia que ia ser quase pior. Sabia que Nick ainda não havia jogado todas as cartas na mesa, sentia isso lá no fundo do estômago, porque era de seu costume brincar com as pessoas, como se elas fossem peões em um tabuleiro de xadrez.

Sentado no sofá da sala, virou um gole da garrafa de uísque que tinha nas mãos, se perguntando desde quando tinha virado sentimentalista. Usava calça jeans e camiseta escura com coturnos marrom escuros. Detestava o apartamento onde “morava”. Ficava no sexto andar e sem elevador. Não tinha calefação central, então no inverno, a sala quase se tornava um ringue de patinação. A vista era ruim e as janelas emperravam. As paredes não tinham quadros e o bairro era barulhento demais. Passava tão pouco tempo naquele lugar que mal havia comida na geladeira ou nos armários. Cogitava a ideia de se mudar para um bairro melhor, para um lugar com calefação. Talvez até adotar um cachorro. Sempre gostou de cachorros.

Clint percebeu que talvez estivesse bêbado. Olhou para a garrafa e como ela estava quase no fim, concluiu que estava bastante bêbado.

Esfregou as mãos no rosto e largou a garrafa na mesinha de centro. Levantou, meio zonzo e foi até o banheiro, deixando a porta aberta. Ajoelhou-se na frente do vaso e enfiou um dedo na garganta, colocando o jantar e o café da manhã para fora. Tossiu violentamente, sentindo arder tudo por dentro. Não podia ficar bêbado agora. “Talvez depois”, pensou.

Despido, cambaleou para o chuveiro. Tentou não pensar em Natasha e no seu corpo maravilhoso, ou da incrível massagem que ela fazia. Tentou.

Após o banho, foi até a cozinha onde praticamente engoliu um sanduíche de frango. Escovou os dentes, vestiu a jaqueta de couro preta jogada sobre o sofá e pegou a chave do carro. Desceu a escada pulando degraus após trancar o apartamento.

Estava no segundo andar quando quase se chocou com a senhora Adams, que segurava algumas sacolas — uma velhinha de cabelos brancos e óculos de armação engraçada. Ele vinha tão ligeiro que a senhora quase derrubou o que trazia consigo.

— Que coisa, menino! — exclamou, ajeitando os óculos.

— Olá senhora Adams! — a cumprimentou alegre. Gostava da velha. Era engraçada e agia como uma adolescente, não perguntava o porquê de ele estar sempre indo e vindo, mas nunca ficando. Por vezes, ela o convidava para jantar em seu apartamento cheio de tralheiras velhas e lhe servia conhaque. E ela fazia o melhor bolo de carne que ele já comera na vida. — Como vai?

— Vou bem, Clint. Faz tempo que eu não o vejo. Você está bem, querido?

— Foram só uns problemas no trabalho. Eu estou legal — falou pegando as compras dos braços da senhora. Ela o olhou e tocou em seu rosto com a mão enrugada e ossuda.

— Você está bem mesmo?

— Já estive pior — admitiu, dando de ombros e subindo por onde tinha vindo. Ela o seguiu escada acima, falando sobre a mudança de remédio para pressão alta que o médico havia feito.

Uma agente o guiou por um corredor estreito e cheio de portas. Vestia trajes de civil e tinha o cabelo castanho longo e cacheado. Ela lhe informou que Natasha, Rogers, Stark e o doutor já estavam presentes, mas não estranhou a ausência de Thor. Mal tinha ouvido falar do deus desde a vez que ele praticamente destruiu Londres e tal, ou salvou Londres, o arqueiro não tinha certeza.

Surpreendeu-se com a presença de Tony. Soube dos acontecimentos recentes da vida do bilionário e entendia que o cara tinha motivos para não tomar partido nisso tudo. Porém, se ele não participasse, não poderia ser o centro das atenções, como sempre está acostumado a ser.

A jovem o deixou perto da porta e se retirou, apenas dizendo para que entrasse. Clint abriu a porta e se sentiu entrando em um velório. Era uma sala pequena, sem janelas, as paredes cheias de recortes e fotografias e uma TV desligada. Estavam todos de pé, em uma roda de conversa, alguns avaliando o conteúdo dos papéis. Steve tinha uma expressão amargurada, como se tivessem colocado sal em suas feridas. Bruce lia um recorte de jornal, concentrado. Natasha tinha os braços cruzados e sua tradicional carranca. Fury o olhou, interrompendo o que estava dizendo. Tony ergueu os braços e exclamou:

— Chegou a nossa andorinha para podermos fazer verão!

O arqueiro fechou a porta e enfiou as mãos nos bolsos.

— Esse lugar é um lixo — disse a primeira coisa que veio a mente quando percebeu que todos tinham ficado em silêncio com a sua chegada.

— Já esteve em lugares piores — Nick argumentou e Clint não ficou ofendido porque era verdade. O negro pegou uma foto na parede e entregou para ele. Era de um homem de cabelos claros e barba cheia, com um olhar bem assustador, de um cara completamente psicopata. — Eu dizia que Alexander Nureyev é um oncologista e cientista russo. Ninguém sabia dele até que surgiu com a suposta “cura para o câncer cerebral”. Estava quase para ganhar o Nobel com o Ipsum, um remédio experimental. Tem a ficha limpa e nenhuma multa, nem por excesso de velocidade.

— Russo — Natasha murmurou e revirou os olhos. Tony deu uma risadinha, tentando disfarçar, sem sucesso, com uma tosse. Clint mordeu internamente a bochecha.

— Ele fazia os testes em pessoas que se voluntariavam, normalmente em estágio terminal e quando não se tinha mais nada a fazer. As pessoas se “curavam”, quase que por um milagre, e após semanas, se tornavam agressivas e agiam sem razão. E logo depois, morriam — Fury pegou um controle e ligou a TV, mostrando uma filmagem de uma câmera de segurança. — Isso foi em São Petersburgo, há um mês e foi a primeira cidade onde ele chamou voluntários.

O vídeo mostrava a fachada de uma loja, às duas e meia da manhã. De repente, aparece uma pessoa cambaleando se aproximando da vitrine do estabelecimento e se jogando contra as grades que protegem a entrada várias vezes. Logo, vão surgindo mais algumas pessoas com o mesmo comportamento. Rapidamente, eles colocam a proteção abaixo e simplesmente vão embora. Outro vídeo era de uma rua vazia, aparentemente de madrugada. Um homem andava de mãos nos bolsos quando algumas pessoas o cercam e o atacam, formando um monte sobre o rapaz. Segundos depois, eles o deixam jogado na calçada. A gravação é acelerada até quase já estar amanhecendo. De repente, ele se levanta como se nada tivesse acontecido e vai embora, andando de um jeito estranho.

— Isso meio que parece The Walking Dead — Steve comentou, sem tirar os olhos da tela.

— Referências atuais — Tony zombou. O outro apenas o olhou, revirando os olhos.

Natasha mal o olhava.

— A Rússia está se tornando um monte de destroços. Há arrastões, ataques e mortes desse mesmo estilo por toda a Europa, são casos isolados, mas estão aumentando. Recebemos denúncias que talvez já tivesse chegado a América. Mas por algum motivo, não está sendo noticiado como devido. Apenas na internet, existem fotos e especulações que sugerem um “apocalipse zumbi”.

— O que você está tentando dizer é que esse cara inventou... O vírus zumbi? — a pergunta de Clint era a mesma de todos.

— É. Inicialmente, achávamos que ele usava o tumor como um meio de se introduzir e se apossar do cérebro, com algum tipo de vírus — o negro tinha a expressão cansada, mas não se podia ter certeza. — Mas pela quantidade de pessoas infectadas com o vírus Ipsum, não havia como serem apenas pessoas doentes. A possibilidade é que ele aplica o vírus em uma determinada parte do cérebro e o controle do corpo fica pelo criador, mas é só uma teoria.

— Isso é... Impossível — o doutor tirou as palavras da boca de Clint.

— E o que quer que a gente faça? Saia por aí dando headshots em pessoas que pareçam mortas-vivas? — Tony perguntou, segurando um recorte de jornal.

— Não. Por mais mal que estejam fazendo, são só pessoas normais, não tem culpa se um maluco fez isso com elas — Natasha respondeu, com uma sobrancelha arqueada.

— O termo atual e correto numa situação dessas é zumbi e eles não são dignos de nenhum tipo de pena — falou Tony.

Natasha o olhou, sem entender.

— Precisamos achar um modo de reverter o vírus — Steve se manifestou.

— Talvez se encontrássemos o agente da composição, conseguiríamos criar um antídoto — Bruce pensou alto.

— Para isso, teríamos que encontrar o cara — Clint continuou.

— A última vez que ele foi visto foi em Voronej, há três meses — Fury informou. — Temos algumas pistas de onde ele pode estar, mas não é nada confirmado. Estamos trabalhando essas informações.

— O que vamos fazer? — Steve perguntou.

Houve uns segundos de silêncio entre eles, como se ninguém soubesse exatamente o que dizer.

— Acho que devemos...

Um telefone tocou e Tony anunciou que era o seu. Natasha revirou os olhos e cruzou os braços novamente. Seu cabelo estava mais claro e liso, batendo um pouco acima dos ombros. Clint achava que qualquer corte ou cor de cabelo sempre ficariam bons nela. Ela era tão bonita que não fazia diferença.

— Oi amor, não é uma boa hora... O que? Como assim, Pep? Calma, devagar, eu não consigo entender — as sobrancelhas de Tony se franziam cada vez mais. Era possível ouvir Pepper falando alto e desesperadamente do outro lado da linha. — Eu já estou indo.

Ele encerrou a chamada e olhou para Nick, aparentemente irado, as narinas abertas e as sobrancelhas franzidas. Apontou o dedo na direção dele e disse pausadamente:

— Você é um filho da puta.

Notas finais
Ai gente, que coisa gostosa, personagens novos não param de aparecer na fanfic, alguém segure a minha felicidade. Enfim, deixem seus reviews, miguxos. Beijos