The Fall of Dead Minds
3 Capítulo II
Notas iniciais
Pepper tinha e não tinha saudade da mansão em Malibu. Sempre havia apreciado a vista, o conforto e adorava sua beleza. Mas nada disso valia à pena quando Tony resolvia fingir que não existia mundo fora da sua oficina e a deixava sozinha no silêncio daquela casa imensa.
A Torre Stark era agora seu novo lar. A vista tinha mudado, porém ainda era magnífica. Ela havia relutado em se mudaram para lá. Estavam morando em seu antigo e apertado apartamento e a torre ainda estava marcada de lembranças ruins, não parecia uma boa ideia na cabeça dela. Mas Tony, às vezes, acordava de madrugada enlouquecido, chamando a armadura com as mãos e chorava em seu pescoço quando elas não respondiam ao seu chamado, lembrando-se que não existia mais nenhuma. Foi então que ela percebeu que, talvez, o certo seria ir para um lugar onde Tony pudesse refazer as armaduras — agora com cautela para que aquilo não se tornasse uma necessidade na sua vida — e pudesse se recuperar sem que ela tivesse vontade de matá-lo.
Até agora, Tony havia honrado todos os seus compromissos com ela: tomava todos os remédios (quando se lembrava), trabalhava nas armaduras no período de tempo que foi estipulado entre ela e o psiquiatra (o que fazia completamente desgostoso) e tinha dado um tempo na bebida (mas ela sabia que era só porque, da última vez que tinha misturado bebida com remédio, ele quase teve que ir ao hospital). Fora isso, permanecia o mesmo homem de sempre — o que ela não sabia se era bom ou ruim.
Ela saiu do elevador com o tablet contra o peito, falando ao telefone e carregando uma xícara de café.
— Não, não, Cat, não faça isso. Diga a eles que o senhor Stark não pode recebê-los, pois está de licença médica. — ela largou a xícara na escrivaninha de Tony, onde ele digitava alguma coisa. — O que? Não importa se ele trabalha ou não, ok? Só diga isso. Certo, até mais.
— Problemas no paraíso? — Tony perguntou quando a ligação foi encerrada.
— Não enche Tony. Estou resolvendo os seus problemas — frisou, deixando bem claro que a culpa do seu estresse era ele.
— Eu não tenho nada a ver com isso. Passo o dia inteiro aqui, não posso ter problemas — disse digitando, sem olhar para o teclado e muito menos para ela. Pepper detestava quando ele fazia isso.
— Aliás, já está na hora combinada.
— Aaaah, não quero! — exclamou ainda sem olha-la. A ruiva contornou a mesa, apertou no Esc do teclado e com dois dedos, tocou no teclado virtual e arrastou, e o mesmo desapareceu. — Pepper, eu estava traba-... — ela sentou onde o teclado estava antes e trouxe o rosto dele para mais perto do seu.
— Estava, é? — roçou os lábios nos dele e sentiu-o aproximando a cadeira da mesa. Tony colocou as mãos nas costas dela e aprofundou o beijo, com ela bagunçando seu cabelo. Pepper sabia que ele não resistiria.
— Senhor?
— Agora não J.A.R.V.I.S! — ele estava de pé e enfiou as mãos por baixo da camisa dela, apertando a cintura e beijando o pescoço.
— Doutor Banner está aqui — anunciou a voz robótica.
— Bruce? — desgrudou a boca da carne alva, completamente descabelado, parecendo parar para pensar. — Ah, ele pode esperar um pouco — concluiu, voltando à atenção ao pescoço.
— Tony!
Desvencilhou-se dele, ajeitando a roupa e o cabelo, levantando. Pepper não gostava quando ele agia dessa maneira, como se ele fosse sempre o dono da razão. Mas ele sempre agia assim, então já estava acostumada.
— O que foi?!
— Deve ser importante.
Ele revirou os olhos e arrumou o cabelo com as mãos, acompanhando com os olhos o movimento do quadril de Pepper até o sofá.
— Ok J.A.R.V.I.S, deixe Bruce subir — Tony pediu, tomando um gole da xícara de café.
Apenas alguns segundos passaram e logo, o elevador abriu, revelando um homem de estatura mediana, cabelos escuros começando a acinzentar, vestindo roupas discretas. Aquele com certeza era Bruce.
— Doutor! — abriu os braços e andou em direção ao elevador, para cumprimentar o amigo.
— Tony — saiu do elevador e respondeu o aperto de mãos, batendo nas costas do outro com afeto. Olhou adiante e acenou com a cabeça: — Pepper.
— Bruce! — ela retribuiu o gesto.
— Então, querido amigo, veio me trazer boas notícias?
Banner coçou a nuca e fez uma careta de desgosto. Pepper se levantou, ajeitando a saia, percebendo que era hora de deixá-los a sós.
— Eu vou trazer alguma coisa para beber — anunciou, recolhendo o tablet.
— Você vai me deixar sozinho com um médico maluco que vira um monstrão verde? — Tony indagou, com um toque de brincadeira.
— Quem deveria se preocupar é Bruce. Vou deixá-lo sozinho com você — respondeu zombeteira, entrando no elevador e mexendo no tablet.
— Venha, sente-se — Stark mostrou o sofá e seguiu até o bar, procurando algo na mini geladeira.
Banner sentou e largou uma pasta ao seu lado, que segurava o tempo todo.
— Pensei que não pudesse beber — ele disse.
Tony se virou, enfiando um canudo numa caixinha de suco de uva. Bruce riu enquanto ele revirava os olhos.
— Pelo menos, ninguém pode dizer que não estou tentando — argumentou. Sentou ao lado do amigo e seus olhos se focaram instantaneamente na pasta amarela. — O que é isso?
— É bem importante — o doutor disse.
— É a nova edição do Capitão América? — brincou.
— Cale a boca e leia.
Tony largou a caixinha de suco na mesinha de centro e abriu o envelope.
— Papel? Pensei que ninguém mais usasse isso.
— Talvez só resto do mundo ainda use — Bruce respondeu.
Ele voltou à atenção para o papel e Banner nada mais disse, esperando que terminasse a leitura. Sabia, desde o início, que ele ficaria irado. Ele havia quase sacrificado tudo na última vez que se reuniram em batalha. Às vezes, ele conversava com Pepper via e-mail, para saber como estavam as coisas, pois achava a companhia da namorada do Homem de Ferro agradável; ela lhe confessava sobre como o homem estava abatido, complexado e às vezes delirante ou por remédios ou pelas lembranças. Por muitas vezes, Bruce se viu quase com pena do Stark. Mas, agora que o via pessoalmente, percebia como a medicina tinha evoluído rapidamente ao longo dos anos porque ele parecia o mesmo de antes.
Tony virava as páginas e suas sobrancelhas estavam cada vez mais franzidas. Ele terminou e fechou, largando sobre a mesa. Ele tinha percebido toda aquela movimentação estranha e visto como a mídia tentava camuflar tudo. Mas acreditar? Isso ele não queria.
Acomodou-se melhor na cadeira, apoiando o cotovelo no apoio e coçava o queixo. Ele tentava não demonstrar seus sentimentos, mas Banner podia ver. Ira, agonia, raiva, angústia, ressentimento, choque. Medo.
— De novo não, não, não pode... — ele esfregou os olhos com a mão, jogando a cabeça para trás, e ela achou que ele iria ter uma crise de pânico.
— Tony...
Ele apoiou os cotovelos na mesa e escondeu o rosto com as mãos.
— EU NÃO CONSIGO OUTRA VEZ! — gritou e o outro engoliu em seco.
— Tony! — chamou e ele ergueu o rosto, quase descontrolado. — Acalma-se, ok?
Ele esfregou a mão no rosto enquanto assentia, parecendo mais conformado. Ele sabia que tinha chegado muito perto de colocar meses de terapia ralo abaixo. Sentia tontura e a camiseta começava a grudar pelo suor. Não gostava de admitir, mas tinha medo. Medo de que não tivesse sorte outra vez e não conseguisse fugir do buraco de minhoca. Medo de deixar Pepper sozinha novamente. Eu estava cansado de ser forte. “Não bastava o Afeganistão, não bastava Loki e a trupe alienígena? Não, claro que não. Nunca é o suficiente!”, pensou.
— Eu vou embora — ele anunciou já dando as costas ao homem.
— Não mesmo, doutor! Você não pode simplesmente chegar aqui, jogar toda essa merda na minha cara e ir embora sem qualquer tipo de justificativa! — levantou, batendo as mãos na mesa.
— O que você quer que eu diga? — Banner perguntou, sem perder a calma. — Que não existe problema nenhum e é tudo uma invenção maluca de um cara mais maluco ainda?
Tony suspirou e abaixou a cabeça.
— O caolho só pode estar brincando comigo.
— Quem dera isso fosse uma brincadeira, Tony.
Bruce esperou alguma outra reação da parte dele, mas o outro nada disse. Após alguns minutos, ele resolveu ir embora. Chamou pelo elevador, apertando o botão inúmeras vezes. Estava cansado e queria ir embora logo.
O elevador chegou e ele entrou, antes que as portas se fechassem, disse:
— Partiremos em missão na quinta-feira, às dez da manhã — e partiu, sem despedidas. Deixando-o sozinho e vermelho de raiva. Não sabia onde Fury estava com a cabeça para pedir que fizesse isso. Mais um cientista maluco? Já estava de saco cheio deles.
Pepper voltou com uma bandeira com café, suco e copos e parou quando viu apenas o homem no lugar.
— Aconteceu alguma coisa?
Tony sentou, suspirando e esfregando o rosto.
— Você nem faz ideia, meu amor.
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