Notas iniciais
Oláá garelinha, como estaum? Talvez eu tenha demorado, porém minha vida tá um verdadeiro caos, mesmo. E é verdade, tá tudo mundo complicado pra mim. Enfim, a maneira como eu narrarei o procedimento na agência não seja assim, mas eu não ia mudar agora né AUEHAUHAEUH Boa leitura, gurizada!

Tudo estava uma completa desordem desde a queda da S.H.I.E.L.D. Seu apartamento, sua cabeça, sua vida. Era como se ela tentasse dar um jeito nas coisas e elas só se bagunçassem mais depois de um tempo, então, ela optava por desistir e deixar tudo do jeito que estava.

Não tinha o que fazer em casa além de treinar e se esconder e os meses passavam muito devagar. Resolveu viajar, tentar um novo disfarce, fugir dos pesadelos com o verdão e com o Soldado Invernal.

Resolveu ir para Paris e estava sendo muito bom até ali. Podia considerar até entediante e fora de rotina aquela falta de adrenalina, mas não tinha do que reclamar verdadeiramente. Estava sendo uma estadia incrível até a ligação de Nick. Ela tentava se embebedar todos os dias — sem sucesso, sem ter certeza se era porque era russa ou modificada. Os parisienses tentavam paquerá-la, mas ela fingia que não entendia francês e os deixava decepcionados. Para falar a verdade, não sentia vontade de ser acompanhada por nenhum francês metido. Ultimamente, sentia falta do patriota descongelado e de todo o seu cavalheirismo e das suas perguntas sobre as coisas que havia perdido nos últimos anos.

Mas sabia que não era hora para sentir saudade, era hora de se vestir de Viúva Negra novamente, física e psicologicamente. Não era convocada desde a agência caíra em desgraça e um chamado desses era, particularmente, estranho.

Recolocou as roupas na mala, separando uma calça jeans, uma camiseta cinza, jaqueta de couro preta e sua bota de camurça preta preferida. Desceu para a recepção, fechando a estadia e pagando a conta. Um carro preto a esperava na frente do hotel e o motorista usava óculos escuros e ternos. O mesmo abriu a porta traseira para que entrasse sem nenhum “bom dia” ou “foi mal tirá-la das suas merecidas férias”. Porém ela já estava acostumada com esse tipo de tratamento. Apenas agradeceu em francês e entrou.

Trocava o celular de mão, impaciente. A paisagem através do vidro escuro passava ligeira, mas Natasha não estava muito interessada na vista ou no excesso de velocidade. Sua mão coçava para mandar uma mensagem para Steve, mas Nick havia sido muito vago. Podia ser muito bem uma missão solo e Steve, se soubesse, importunaria até que lhe permitissem que fosse junto. E ela não estava muito certa se era isso que queria — não estava muito certa de nada, na verdade.

Sentiu o balanço diminuir e percebeu que já estavam no aeroporto. O motorista novamente abriu a porta para que saísse, tirou as malas do porta-malas e lhe entregou a passagem. Ela novamente apenas agradeceu e o homem partiu, sem nada dizer. Ela carregou as malas aeroporto adentro, desviando das pessoas, procurando pelo terminal certo. O voo era o das dez da manhã e faltava uma hora. O destino era Manhattan e, com certeza, não era uma boa lembrança para a Viúva. Todas as coisas ruins, aparentemente, tendem em acontecer em New York.

Partir da cidade luz foi fácil. Não havia nenhum adeus a ser dito, muito menos lágrimas para serem derramadas. Natasha apenas sentou na poltrona do avião e colocou fones de ouvido, esperando a decolagem.

O voo havia sido tranquilo e ela tinha dormido quase o tempo inteiro, mas ainda estava cansada. Torcia — de dedos cruzados — que fosse uma simples missão. Quando mais cedo acabasse, mais cedo ela poderia tentar colocar sua vida no lugar. Mas sabia que Nick não a teria chamado se fosse algo leviano depois de tudo isso, porque não era do seu gênero.

Outro homem de terno a esperava perto de um carro preto, esse bem mais conhecido. Certamente, era estranho vê-lo não morto.

— Phil — ela esticou a mão para cumprimenta-lo e ele a apertou com firmeza.

— Natasha. Como vai?

— Bem, na medida do possível, e você?

— Vivo — brincou. Abriu a porta do carona para ela e depois colocou as malas no porta-malas.

Phil dirigia tranquilamente e fazia perguntas o tempo todo, parecendo muito mais interessado na viagem dela. Ele apenas permitiu que ela perguntasse alguma coisa quando estacionava na frente de um prédio cinza, sem graça, sem qualquer luxo evidente. Natasha questionou como andavam as coisas desde que havia partido e uma única frase foi o suficiente.

— Um maldito caos.

Eles saíram do carro e outro homem, mais jovem e igualmente vestido, partiu com o carro, levando suas malas — ela só não sabia para onde. Os dois entraram no prédio e o porteiro era um senhorzinho de cabelos brancos e óculos de grau, de aparência amável.

— Boa tarde. O que desejam? — Natasha viu a mão dele se mover para debaixo do tampão do balcão e teve certeza que ouviu uma arma sendo destravada.

— Esquilos geralmente esquecem onde enterram as nozes — o agente revelou e a ruiva o encarou, achando que ele estava zombando da cara do senhor.

O porteiro sorriu docemente e recolheu a mão, juntando as duas na frente da barriga.

— Olá agente Phil! Quem é essa bela jovem?

Por dentro, Natasha se permitiu rir. Provavelmente, ela deveria até ser mais velha que o senhor.

— Agente Romanoff — ela respondeu. — Muito prazer, senhor...

— Agente Lewis. Igualmente, querida.

— Vamos subir — Phil anunciou.

— Certo, certo. Procedimento padrão. Tenham um bom resto de dia.

Ela acenou para o senhor e seguiu Coulson até o elevador. As portas se fecharam e um leitor de retina apareceu. O agente se aproximou, teve o olho escaneado e uma voz feminina disse seu nome e seu rosto apareceu. Apertou o botão do último andar e uma sirene foi ouvida.

— Individuo não identificado.

A ruiva o olhou e se aproximou do scanner. A mesma voz disse seu nome e o elevador começou a subir. Natasha estranhou a falta daquelas músicas horríveis de elevador, mas quase agradeceu sua ausência — as detestava, com toda a certeza.

— Hã, e como vai o Capitão?

— Steve? — ela colocou o cabelo atrás da orelha. — Acho que bem. A última vez que conversamos foi na missão do Soldado Invernal. Mas já faz quase um ano. Nos falamos pouco desde o final da missão — o que não era de todo mentira.

— Soube que ele... Desistiu de Barnes.

— Ouvi algo a respeito — e as portas se abriram direto para um corredor branco, sem janelas ou quadros, apenas com portas metálicas. Coulson a guiou até a porta do final do corredor e saiu, entrando em uma das portas. Ela respirou fundo e abriu a porta, revelando uma sala de paredes de vidro, parecida com a anterior. Nick estava sentado à sua mesa, lendo algo que parecia um relatório ou algo do tipo. Ele a olhou com o olho bom — ele havia voltado a usar aquele tapa-olho — e ela se aproximou.

— Natasha — ele se levantou e gesticulou para a cadeira a sua frente.

— Nick.

Ambos sentaram e ele deu um sorrisinho.

— Faz algum tempo que já não nos vemos.

— Isso é bom ou ruim?

Ele riu e apoiou os cotovelos na mesa, apertando as mãos. Parecia cansado e mais velho. Desde que havia sido fuzilado, sobrevivido e descoberto a desgraça sob seu nariz, ele nunca parecia bem — ele nunca aparentou estar bem, mas parecia pior do que antes. Talvez fosse culpa da própria morte e própria ressurreição; o último cara com que aconteceu a mesma coisa ganhou uma religião e até agora, Nick não havia ganhado nenhum tipo de bonificação.

— Como foram as férias?

— Você me tirou delas. Por favor, Nick, não me enrole.

O negro suspirou e lhe entregou a pasta que lia anteriormente. A frase na capa do documento acabou com todas as suas esperanças de retomar as suas férias. Abriu a pasta e folheou os papéis, sem expressão. Parecia que estava num pesadelo novamente.

Fechou a pasta e perguntou:

— Alguém mais já sabe disso?

— Eu, você e Hill. Barton e Bruce sabem alguma ou outra coisa.

— Isso é impossível.

Nick a olhou e sorriu, quase sádico.

— Um pouco.

Natasha achou o conteúdo da pasta uma brincadeira de extremo mau gosto.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Deixem reviews, nos falamos! Beijos