The Fall of Dead Minds
12 Capítulo XI
Notas iniciais
Natasha adorava carros velozes. Gostava do ronronar do motor e o ponteiro subindo de zero a cem em segundos. Eram poucas as sensações que faziam a ruiva se regozijar e, com certeza, a de poder e de velocidade eram as que mais a satisfazia.
Só que Steve parecia meio apavorado no banco do carona quando ela ultrapassou um caminhão numa curva que mais parecia um cotovelo de tão fechada.
— Steve, você está destruindo um banco de couro de um carro caríssimo. Eu gostaria que você parasse agora — ela disse suavemente, o observando pelo canto dos olhos.
Ele a olhou e soltou o banco, sem jeito.
— Desculpe. Eu só queria estar preparado para quando voar pelo para-brisa.
Ela riu e tirou um pouco o pé do acelerador. Ele relaxou e trocou a estação de rádio.
Mas chegou um momento que o loiro não parava de encara-la de forma interrogativa e aquilo a estava irritando mais que um banco rasgado.
— O que foi? — ela disse.
— Por que eu?
— Porque você é o único que consigo aturar agora.
Steve esperou e assentiu quando percebeu que ela não diria mais nada em relação a isso no momento.
— E não vão sentir nossa falta lá na Torre?
Natasha inclinou a cabeça, ponderando. Não tinha pensado muito sobre isso, só sabia o que precisava fazer. Não se importava com as consequências, porque era a coisa certa a ser feita, mesmo que Nick discordasse com isso — se ele soubesse, iria xingá-la por muito tempo. E havia vezes que o certo era somente fazer.
— Talvez, não sei. Tony e Bruce estarão muito absortos com a autópsia. Thor tem Loki, o que é preocupação o suficiente. Talvez Clint, se ele não estiver ocupado resmungando pelos cantos e bebendo.
Steve a olhou de canto, resignado, mas se manteve em silêncio.
— O que foi agora? — ela perguntou quando percebeu a maneira como ele parecia incomodado.
— Você sabe... Ele precisa de ajuda — foi direto, Steve não gostava de rodeios.
Ela suspirou, apertando o volante. Tudo que menos queria agora era pensar em Clint.
— Todos precisam, Steve. Só que eu não posso resolver os problemas de todo mundo — Natasha justificou, evitando olhar para o homem.
— Mas ele é seu amigo. Até mais que isso.
Eram sempre as mesmas histórias, as mesmas perguntas e brigas. Isso a incomodava. Não queria pensar nele. Não sabia mais o que tinha com Clint, e nas situações atuais, era com que ela menos se preocupava.
— Clint cavou sua própria cova, ok? E se ele continuar assim, terá que se enterrar sozinho.
Steve finalmente a olhou e parecia aborrecido. Ela nada disse, mas tinha conhecimento que aquele assunto chateava a ambos, em diferentes níveis. Não sabia se Steve nutria algo por ela, porque, apesar de ser o que aparentava, Rogers conseguia ser tão complicado para consigo mesmo quanto para os outros.
E lembrar-se de Clint e da maneira de como brigaram da última vez estando em um espaço claustrofóbico, como aquele carro, com um homem tremendamente gostoso, como Steve, era idiotice. Lembrar-se das brigas anteriores, em que apontou uma arma para cabeça do arqueiro logo após ele berrar para a vizinhança inteira o quanto ela era uma doente mental, que tinha prazer em vê-lo sofrer, enquanto tinha um homem tremendamente gostoso com um tesão reprimido por mais de 60 anos, como Steve, e com quem ela estava doida para foder era, com certeza, uma idiotice das grandes.
Natasha inspirou e expirou. Clint ainda fodia com sua cabeça mais do que ela gostaria de admitir e isso era uma merda.
Desviou os olhos da rua para ver Steve e o mesmo digitava com rapidez, o que demonstrava que ele andava treinando. E ele estava com um sorriso bobo — o que era meio engraçado para um homem daquele tamanho.
Ela arqueou as sobrancelhas e sorriu maliciosamente.
— Quem é? — perguntou alternando o olhar entre a estrada e o loiro.
— O que? — foi o que disse quando percebeu que era com ele que ela falara.
— Com quem você está trocando mensagens de texto?
— Ninguém — Steve apertou o botão de bloquear no telefone e o enfiou no bolso da jaqueta de couro.
A ruiva sabia que podia descobrir facilmente do que se tratava. Ela fazia muito isso; era só pressionar do jeito certo. Mas teria que deixar aquilo para depois. Agora tinha problemas maiores para resolver.
Entraram num bairro calmo, com casas parecidas e sem cercas. Era um típico bairro de cidade pequena onde as crianças brincam na rua até tarde sem que isso preocupe os pais. Estacionou o esportivo na frente de uma casa branca com telhado vermelho, de dois andares e bastante florida.
— É aqui? — Steve perguntou com estranhamento.
— É.
O caminho até a porta era demarcado por pedras lisas e circulares, como grandes pingos de tinta cinza num fundo verde.
— Ainda não entendo porque não podemos pedir isso para o Stark... — comentou Steve.
— O governo está de olho em Stark: se ele mandar um email com spam, será preso. Aliás, você está disposto a pedir ”por favor,”, ajoelhar sobre o milho e implorar? — Natasha contrapôs, batendo na porta.
Quem atendeu foi uma mulher de cabelo castanho e olhos claros.
— Olá... Quem são vocês?
— Olá Sra. Willians, David está? — Natasha perguntou.
— Quem são vocês? — reforçou a pergunta.
— Somos da S.H.I.E.L.D e precisamos falar com David — retirou do bolso da jaqueta uma pequena carteira com um distintivo da S.H.I.E.L.D.
Ela fez uma cara de irritação.
— DAVID! O QUE VOCÊ FEZ AGORA? — deu espaço para que passassem. — Entrem, por favor.
— Porque eu não tenho um desses também? — Steve murmurou para Natasha, indignado que ela tivesse um distintivo e ele não.
A mulher apontou para o sofá da sala, sentando-se numa poltrona azul no canto oposto da sala.
— Agora eu me lembro de você. Não a reconheci por causa do cabelo — Natasha inconscientemente tocou as mechas curtas e avermelhadas. — Natalie, não é?
— Natasha. E esse é Steve.
A mulher o encarou por alguns segundos, tentando lembrar-se de onde o conhecia, porém nada disse a respeito.
— Prazer, Rebecca Willians.
Acomodaram-se no sofá da sala sob o olhar vigilante de Rebecca.
— David fez algo ruim de novo?
— Não, dessa vez, não. Na verdade, Steve — apontou para o amigo — e eu precisamos da ajuda dele.
A senhora arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— É estranho ouvir isso de um agente da S.H.I.E.L.D. Mas nos últimos tempos, posso esperar qualquer coisa relacionada ao David. Mês passado, o FBI revistou minha casa atrás de provas que foi ele que hackeou a Casa Branca. A Casa Branca!
Puderam ouvir o barulho de passos descendo a escada e Steve não conseguia manter os lábios juntos, descrente.
— O que foi agora, mãe? — notou a presença dos dois na sala e sua expressão foi de confusão. — Agente Romanoff?
— David — Natasha o cumprimentou com um aceno.
— Quando você falou Big, eu pensei em outra coisa... — o loiro falou, tentando ficar sério. Natasha o repreendeu com o olhar.
Big Dave era um garoto de 17 anos, lembrava muito a Steve antes da transformação. Muito magro, baixo e fraco — na mais baixa das comparações, seria facilmente levado por uma ventania; um franguinho. Tinha uma lista extensa de doenças respiratórias; nunca poderia servir (mas não é como se quisesse). O cabelo era bagunçado e as roupas eram grandes demais para seu corpo pequeno — como se usasse as roupas emprestadas do irmão mais velho. Entretanto, sua aparência frágil e quase que insignificante ofuscava sua verdadeira faceta, a de criminoso. Invadia computadores de qualquer governo que quisesse com a mesma facilidade de escovar os dentes, acessava bancos de dados confidenciais e corrompia documentos em segundos, era bastante conhecido por derrubar sinais de satélite por diversão. Com uma ficha criminal maior que o braço de Steve, colecionava mandados judiciais de prisão, busca e apreensão, e só se mantinha fora da cadeia em decorrência de todo o conhecimento e segredos que havia descoberto e que se chegasse ao público, seria o estopim para uma guerra.
— O que fazem aqui? — perguntou o garoto, enfiando as mãos nos bolsos. — Já digo a vocês que não tive nada a ver com aqueles hackers idiotas que tentaram invadir a Casa Branca e...
— Não estamos aqui por isso. Precisamos de sua ajuda — ambos se levantaram.
David arqueou a sobrancelha, ainda mais confuso, mas sorriu malicioso.
— Ouviu isso, mãe? Espero que seu Deus tenha ouvido também.
A mulher revirou os olhos, pegando o controle remoto na mesinha de centro.
— Vamos ao meu escritório — indicou a escada com as mãos ainda sorrindo, já seguindo pelo caminho.
— Alguém dê um sanduíche para esse garoto — Steve sussurrou no ouvido de Natasha e sem perceber, arrepiou todos os pelos da mulher.
Seguiram por um corredor claro com quadros de arte abstrata e três portas, um no final do corredor. O garoto entrou na da esquerda. Era um quarto escuro, apenas iluminado pelas luzes dos monitores e televisores.
Steve, incomodado com a falta de luminosidade, procurou o interruptor na parede e ligou a luz.
Dois garotos, um que parecia com David, mas de cabelo ruivo acobreado e outro com o peso de cinco Davids e barba castanha, ergueram-se da frente dos computadores e gritaram:
— É o fogo do inferno! Eu estou queimando! — contorcia o corpo, tapando os olhos.
— Desligue essa merda! — pediu o barbudo. Steve quase afundou o botão na parede para desligá-lo devido ao susto.
— Calem a boca, seus panacas! — gritou.
— Qual é a sua, cara?! — reclamaram, então notaram a presença dos agentes. — Uou... — os dois não conseguiam desviar os olhos do corpo de ruiva, obcecados por suas curvas — o que fez Natasha pigarrear.
— Vocês não tem casa, não? Vão embora! — ralhou, pegando objetos de cima da bancada para acertá-los.
— Ai cara! Isso dói!
— Não seja violento.
Ambos saíram escorraçados — como cachorros após terem feito xixi no tapete.
— É bom vocês serem rápidos; eles vão voltar logo — avisou, sentando-se numa cadeira de escritório alta. — Natasha, diga para o seu amigo Capitão parar de me encarar.
Natasha acertou o braço do loiro com as costas da mão.
— Desculpe, é que eu esperava por-...
— Por um cara grande chamado Dave? — o garoto interrompeu Steve. — Tudo bem, eu já estou acostumado. É um erro comum.
Retirou o celular do bolso e digitou rapidamente.
— Ok, o que vocês querem?
— Precisamos de duas coisas de você — Natasha começou.
— Contando que nenhuma delas seja um dos meus rins, tudo bem.
— A mídia não está deixando passar porque teme pelo que as massas podem fazer, mas você deve saber como está a situação na Rússia agora, não é?
— Sim, eu vi. Apocalipse zumbi veio mais cedo do que eu esperava — comentou, apoiando o rosto na mão.
— Não são zumbis. São infectados. Alguém está fazendo isso com eles — Cap falou.
Big Dave arqueou uma sobrancelha.
— Precisamos que você encontre uma pessoa.
Natasha esticou um pedaço de papel com um nome. Dave o pegou, leu e permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Isso vai me dar alguns créditos na S.H.I.E.L.D?
— Não conte com isso — a ruiva respondeu sorrindo.
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