The Fall of Dead Minds
8 Capítulo VII
Notas iniciais
Muitas coisas estranhas aconteceram na vida de Steve. Se tornar um super soldado era a primeira delas. Ser descongelado era a segunda. Combater um deus nórdico e um exército alienígena estava nessa lista. Ter sonhos eróticos com uma espiã russa assassina provavelmente também estava. Ele não tinha total certeza, mas, para ele, isso parecia ser uma coisa bem estranha.
Era complicado e difícil admitir que algo tivesse se criado durante o tempo que passaram juntos. E mesmo com todo o tempo que passou, mal se falando, ainda parecia tão forte em seu peito, como se não fizesse diferença. Steve notava um cabelo ruivo na multidão e suas mãos suavam — não que ele procurasse, não mesmo.
Ela o olhava de uma forma tão macia e doce, como um travesseiro sob uma cabeça cansada, de um modo extremamente reconfortante, e um segundo depois, sacava uma arma. E, em vezes de pensar o quão terrível e insana pessoa ela é, ele apenas a admirava e a adorava como um símbolo religioso — e sexual. Ele sabia o quanto aquilo parecia e era errado, mas o que podia fazer? “A carne é fraca”. Tinha uma queda por garotas determinadas e violentas. Peggy era um rochedo que ele não teve oportunidade de escalar.
Estavam na “enfermaria” da nave (o que era apenas um modo de dizer que tinham se amontoado num canto específico). Ela estava adiante, tentando ajudar o doutor a retirar uma estaca de ferro da perna de Barton, enquanto ele sangrava e reclamava de dor e da falta de primeiros socorros apropriados. O respingo de sangue na pele pálida tinha a mesma cor que seu cabelo; a expressão séria e concentrada em seu rosto eram seu jeito russo.
Ainda sentia a adrenalina passeando pelo seu corpo e as pernas meio que tremiam. Nunca imaginou que todos aqueles seriados e filmes sobre zumbis que assistiu depois que descongelou, um dia, se tornariam verdade. Era assustador e, ao mesmo tempo, quase comum. Eles andavam com um cara que fica verde e um deus de outro planeta. Steve quase não se impressionava mais.
Clint gritou e agarrou a bancada quando Natasha moveu a barra um centímetro para cima. Stark fechou os olhos e se encolheu, enjoado. Thor estava mais concentrado em manter o sangue da cabeça de Loki dentro do corpo, num canto mais distante. E Steve já tinha visto coisas piores enquanto esteve na guerra para se importar em ir embora.
— Quero manter o café no estomago — Tony reclamou, saindo dali em seguida. Steve estava com ainda mais nojo dele depois do que ele lhe disse na Torre. Queria que fosse ele que tivesse uma estaca de ferro na perna. Queria que ele se ferrasse um pouco para parar de encher o saco alheio.
— Isso mesmo, vá embora — o arqueiro grunhiu.
— Pare de agir como uma criança, Clint — Natasha resmungou, tentando terminar de retirar o objeto da perna do amigo.
Ele tentou responde-la, porém quando fez menção de abrir a boca, a estaca foi retirada com violência e seu lábio sangrou com tamanha força que ele mordeu, para segurar o grito.
A estaca que se encontrava na mão de Natasha era fina e tinha, pelo menos, meio metro de comprimento e do meio até uma ponta, manchada de sangue. Clint soltou as mãos da maca lentamente, quase que as descolando dali.
— Espero que esteja com as vacinas em dia, arqueiro — brincou a ruiva.
Talvez Barton quisesse responder o deboche, mas o mesmo não estava fisicamente pronto para tal.
— Sua vez, Bruce — ela disse. Largou a barra ao lado e com um pano úmido, limpou as mãos.
Ela caminhou na direção de Steve, passando o pano já vermelho entre os dedos. Ficaram frente a frente e ela sussurrou:
— Preciso falar com você, sugar.
Steve apenas assentiu e seguiu atrás dela, ouvindo os resmungos incompreensíveis de Clint. Ela o guiou até um canto afastado, onde havia diversos tipos de armas expostas. Achava engraçada a forma como ela costumava chamá-lo. Tão doce, tão sarcástico. Mas nunca teve coragem de perguntar por que ela o chamava assim.
— Nós não vamos conseguir sozinhos.
Ele ergueu a sobrancelha. Também começava a achar isso.
— Sei que já enfrentamos tantas coisas, mas isso... Nós não vamos conseguir — repetiu convicta do que dizia.
— E o que você sugere?
— Precisamos de ajuda.
Retornaram em “segurança” para a Torre Stark. Barton mancava e se apoiava em Bruce para andar, Loki tinha a cabeça enfaixada, mas parecia um pouco melhor (dentro do possível). Todos estavam cansados e, mesmo que sem querer admitir, um pouco abatidos. Quase tinham levado uma surra e o ego de todos estava um pouco ferido.
— O que faremos agora? — Clint resmungou, sentando com um pouco de dificuldade. Natasha o olhou discretamente, rapidamente desviando o olhar.
— Por ora, não devemos atacar. Precisamos estudar o que é esse vírus, o que faz com as pessoas e achar uma maneira de salvá-las — Loki se pronunciou, tirando uma mecha do cabelo do rosto.
— Me digam que não sou apenas eu que acha esquisito esse cara falando as palavras “salvar” e “pessoas” numa mesma frase? — Tony perguntou olhando para o lado contrário de Loki e apontando com o polegar para trás. O deus apenas revirou os olhos e alisou os pulsos roxos.
— Eu acho que é a melhor opção que temos no momento — Natasha se pronunciou.
— De nada adianta atacar, se não podemos detê-los — Thor tinha as mãos em punhos sobre a mesa, aparentando desgosto.
— Então... Vamos esperar? — Rogers estranhou.
Todos se olharam, porque vendo por aquele ponto de vista, eles estavam de “vagabundagem”.
— É, vamos — Stark respondeu.
— Certo. Tony e eu iremos estudar o corpo enquanto vocês pesquisam mais a respeito do cara. — Bruce disse.
Os vingadores se olharam e levantaram, saindo um a um. Tony liberou alguns andares para servirem de moradia enquanto estivessem ali. Steve sempre preferiu estar em casa, na própria cama, mas já estava acostumado a ficar mais fora de casa do que dentro dela.
Foram Thor, Loki, Natasha e ele no mesmo elevador. A cena era realmente engraçada. Estavam todos vestidos com suas roupas de combate e muito desconfortáveis com aquele excesso de contato pela falta de espaço. Natasha fazia o máximo possível para não encostar um milímetro que fosse em Loki o que, consequentemente, a deixava praticamente colada no peitoral do Capitão. Steve prendia a respiração, pois uma ereção era tudo que ele não precisava agora.
Ela era tão pequena, batendo abaixo do ombro de todos ali, parecendo um anãozinho de jardim. Mas um anão de jardim muito mal.
Steve tentava lembrar o nome de todos os atores do elenco Harry Potter para que “nada” acontecesse. O elevador parou e os dois deuses saíram, mas apenas Thor se despediu. Rogers não gostava da ideia de ter um deus maluco que quase destruiu a Terra do lado deles, ainda mais no mesmo teto, mas as circunstâncias não eram normais — pra variar. Toda a ajuda era bem vinda, se não fosse acompanhada de uma facada nas costas.
Ficaram apenas os dois no elevador e ele pode finalmente respirar enquanto ela se afastava.
— Quando for quatro da tarde, venha ao meu andar.
Ele arqueou as sobrancelhas e a olhou, pelo canto dos olhos.
— É um encontro? — Steve perguntou, colocando as mãos atrás do corpo. Tinha um tom brincalhão, apesar de ainda estar usando o traje de Capitão América.
— O que te leva a achar que é um? — contrapôs sorrindo sem mostrar os dentes.
— Nada, apenas gostaria de saber se deveria me vestir adequadamente, caso fosse um.
A porta do elevador abriu e ela passou por ele, e o encarou:
— Se fosse um encontro, você poderia usar apenas sua tag dog que estaria vestido adequadamente.
E a porta fechou, deixando Steve sozinho com seu choque e excitação.
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