The Fall of Dead Minds

9 Capítulo VIII


Notas iniciais
Oi gente! Pode atirar quantas pedras quiser porque concordo; fui uma desgraçada por não postar durante todo esse tempo. Passei por um bloqueio criativo horrível e não vou dizer que já estou 100%, porém já tenho os próximos capítulos meio que no "esquema" e espero que assim seja mais fácil de escrevê-los. De qualquer forma, uma reza básica não cairia mal UEHUAHE Queria dedicar esse capítulo pra Drica Banner Odinson, sei que não é bem o capítulo que ela tava esperando, mas é o começo. Obrigada pelo estímulo e ajuda! Sem mais delongas, boa leitura!

Ele tragou bem fundo e soltou a fumaça devagar, sentindo aquela sensação que só tinha quando fumava. Houve um que evitava qualquer tipo de droga ou bebida, mas agora, não se importava mais.

Bateu com o polegar no cigarro entre os dedos, derrubando as cinzas no chão. A única luz era fornecida pela chama de uma vela, que logo se apagaria. Estava numa cabana fria, com frestas entre as madeiras da parede. Tinha uma cadeira e uma mesa num canto, ambas quase se desmanchando. A cama onde deitava era pequena e seus pés ficavam para fora, sem contar o colchão duro como uma rocha e os travesseiros parecendo jornais sob sua cabeça, mas não via sentido em procurar conforto enquanto se está tentando não congelar.

Estava tão cansado, sua mente e corpo estavam prestes a um colapso. Podia contar as costelas e ver as veias no braço com muita facilidade.

Deixando o cigarro pendurado na boca, buscou pelo laptop embaixo da cama. Puxou o ar pela última vez, sentindo a nicotina bem forte nos pulmões, e o apagou contra o metal da perna da cama.

Enquanto esperava o aparelho ligar, procurou por algo para beber. Tinha a boca seca. Encontrou um velho cantil quase vazio e o líquido restante fazia um barulho satisfatório para sua sede. O entornou com facilidade, sentindo o uísque descer ardendo.

Jogou o recipiente no chão logo após fechá-lo e voltou a atenção para o laptop. Era um modelo antigo, totalmente reconstruído. O colocou em seu colo e rapidamente. Diversos ícones apareceram na tela. Usando o touchpad, apertou no ícone que mostrava uma pilha com a carga completa. Sorriu.

Soube da intervenção do grupo de heróis problemáticos americanos, Os Vingadores, e não gostou nenhum pouco daquilo. Menos ainda quando teve um dos seus experimentos roubado.

— Teper' oni vidyat, kem oni imeyut delo s . “Agora, eles verão com quem estão lidando” — confirmou um comando denominado “estágio dois” com uma senha numérica longa.

Suspirou, sorrindo. Fechou o laptop e o recolocou no lugar de origem.

Encarou a perna esquerda — ou sua ausência. Agora, no lugar, uma prótese metálica. Mas podia sentir, podia até flexionar os dedos desaparecidos. Doía a cada maldito passo, porém nada, nada no mundo, se comparava com a falta que Galina fazia. Daria mais que uma perna para tê-la de volta.

Levantou com dificuldade e pegou o casaco repousado na cadeira, o vestindo. Pegou o isqueiro e carteira de cigarros e enfiou no bolso. Recolheu uma bolsa térmica e colocou no braço, mancando até a saída. Tinha que fazer essa caminhada.

Tomando coragem, deu o primeiro passo em direção a pequena subida a sua frente. Enfiou as mãos nos bolsos, tentando não ter os dedos congelados. Andar sob aquela superfície irregular era pior e cada passo doía mais que o anterior. Porém, respirava fundo e prosseguia, paciente e determinado. Não seria vencido por sua dor. Não de novo.

Absorto em recordações ruins, lembrou-se de Lou. Aquela doce e pequena garota... Normalmente, não se importava mais com que tinha de fazer, mas quando foi obrigado a apagá-la, sentiu seus olhos arderem. Algo nela tinha trazido à tona toda a mágoa e desespero de anos atrás. Talvez fosse aquele brilho no olhar, tão juvenil e característico, que deixou seu coração ainda mais quebrado. Toda vez que conseguia pegar no sono, o sonho era sempre o mesmo: a pequena Lou gritando de dor e pavor até ser silenciada com a morte. Aquela pele de marfim repleta de manchas acinzentadas, aqueles olhos tão bonitos...

Ele não era culpado por ela não ter conseguido completar o ciclo. Ela já deveria ter morrido. Não entendia o porquê de aquilo ter acontecido.

Ele não tinha culpa. Não tinha.

Foi obrigado a parar no meio do caminho, quase ofegante. Sua respiração saia em baforadas brancas e seu nariz estava congelado. Queria fumar. A carteira inteira. Queria encher os pulmões de fumaça tóxica e não com o ar gelado do inverno alasquiano. Mas tinha que continuar. Precisava continuar.

Engoliu em seco e seguiu andando. A paisagem era branca.

Expirou pela boca e balançou a cabeça, impedindo-se de pensar. Chegava de martírio.

Arrastou-se até que, enfim, chegou ao topo. Ofegava, tentando recuperar o fôlego. Procurou por algum lugar para sentar, não aguentava mais a perna. Sentou em um tronco caído. Respirava pela boca, mas já se sentia um pouco melhor.

Quando não fazia mais barulho para respirar, levantou. Andou e parou na beirada do penhasco, sentindo o vento o empurrar para trás. O que seria um passo para o nada quando já não se tinha nada?

Suspirou e andou até onde estava uma diminuta casa de madeira podre, sem janelas e apenas uma porta, camuflada pela neve. Na porta, uma tranca eletrônica com números. Digitou a combinação que sabia de cor e a porta foi destrancada. Ali dentro era mais quente do que aparentava.

Entrou e fechou a porta. A garota estava encolhida num canto, apertando as pernas contra o peito. Vestia as mesmas roupas de frio sujas e esfarrapadas. Era uma garota tão bonita. A pele acobreada, o cabelo crespo e armado, as maçãs do rosto altas, os olhos quase dourados e os lábios cheios. Era uma pessoa de presença marcante.

— Trouxe comida — anunciou em inglês num forte sotaque russo, largando a sacola na mesa vazia.

Ela abriu os olhos e o encarou com ódio.

— Não tenho fome — disse com a voz rouca pela falta de uso.

— Eu não ligo. Só coma.

Ela se levantou lentamente, contrariada e pegou um pedaço de pão e uma garrafa de água de dentro da sacola. Mastigava aborrecida entre os goles de água.

Ele a olhava, sentado em uma cadeira. Porém, estava sem paciência. Não esperou que ela terminasse como de costume.

Digitou o mesmo código de antes e antes de sair, disse:

— Volto à noite.

— Como se eu soubesse quando é noite ou dia — pode ouvir o resmungo dela enquanto trancava a porta.

Respirou fundo, enfiando as mãos nos bolsos. Pegou a carteira e puxou um cigarro, mas desistiu de acendê-lo no meio do caminho. Andou floresta adentro, seguindo pela trilha já conhecida.

No meio de uma clareira congelada, havia duas lápides de mármore branco, quase camufladas.

Ele ajoelhou na frente delas. Lembrou-se de Galina, com seu cabelo loiro e macio e seus olhos tão bonitos e intensos, tão verdes. Lembrou-se do pequeno Alexander e do seu sorriso espontâneo e feliz.

Antes, chorava como uma criança toda vez que tinha coragem para subir até lá. Hoje, não conseguia derramar uma lágrima sequer. A dor tinha o secado de dentro para fora. Ele era apenas uma casca seca, o que sobrou de um amor dilacerado.

Mas ele sobrevivia, dia após dia.

E tinha um plano. Sua vingança agora era tão grande quanto sua dor.

Ergueu-se e observou a neve, aquela imensidão branca, fria e indiferente. Ela não ligava para suas dores ou com as lembranças que lhe trazia. Não representava nada para a neve toda aquela mágoa que cada vez mais se fundia em seu coração.

Pra ela, não fazia diferença. Ela só se importava em cair.

E era isso que o mundo faria aos pés dele.

Cair.

Notas finais
Realmente, acho estranho escrever o modo como uma pessoa fuma porque em todas as minhas fanfics, todos tem hábitos de vida mais saudáveis, então espero que não tenha ficado muito tosco UAHEAUHEUHAUH Juro que tentarei postar o mais rápido possível, ok? Beijos