Notas iniciais
Olá rapaziada, apareci mais rápido do que pretendia pq alguns reviews maravilhosos surgiram e eu simplesmente não resisti. Fica a dica, ok. Eu tinha prometido a mim mesma que a fanfic só teria atualizações quando eu terminasse de escrever o capítulo em que a fanfic está "parada" no word (ou seja, quando eu tivesse o capítulo 8 pronto). Porém, não sei se não vou para praia essa semana e daí, eu só teria como escrever, mas não postar. Por isso, já adianto o trabalho. Sobre os capítulos anteriores, esse e os próximos: se perceberem algum erro muito grosseiro, seja de ortografia ou de completa falta de sentido, me avisem. Os capítulos foram MUITO reformulados, eu os alterei diversas vezes pra se encaixar com as novas ideias que eu tive e muitas dessas ideias apareceram após o capítulo já concluído e com isso, eu posso ter deixado alguns rastros da escrita anterior, e apesar de eu revisar, é quase sempre uma revisão superficial, e eu não percebo diversos errinhos. Então, se notarem, me avisem por MP ou no review mesmo que eu vou ficar muito agradecida pq não gosto de erros, principalmente em alguma coisa que eu fiz. Talvez esse capítulo seja um pouco mais sentimental do que os anteriores, mas fica a critério de vocês, pq eu não achei muito. Enfim, boa leitura!

Ver Steve. Para Natasha, essa era a parte mais complicada. Depois de tanto tempo, temia que parecessem estranhos um para o outro, mesmo com a presença cada vez mais constante dele em seus pensamentos mais promíscuos. Não sabia se ele tinha encontrado alguém; mesmo que algum tempo atrás, ela mesma tenha o convencido a sair com algumas mulheres de sua convivência — o que não deu muito certo, porque transar no primeiro encontro não era algo do século dele.

Ela estacionou na frente do endereço que lhe falaram e esperou até a hora que também lhe falaram. Logo ele apareceu, acompanhado de Sam. Ambos vestiam trajes leves e tênis de corrida e pela maneira que a camiseta de Sam estava molhada e o jeito que Steve agia, parecendo zombar do amigo, estavam correndo.

Despediram-se e o negro entrou no carro estacionado na frente do prédio. Steve esperou até que o carro dobrasse a esquina para entrar. “É hora de ir”, Natasha pensou.

Saiu do carro e atravessou a rua, com passos ligeiros. Entrou e passou pelo porteiro, que apenas a cumprimentou, sem se preocupar em perguntar seu nome ou qualquer coisa ao seu respeito. Subiu pelas escadas até o quarto andar. O apartamento era o 425, do lado esquerdo do corredor.

A porta estava entreaberta. Ele havia aprendido alguma coisa afinal.

Empurrou a porta com suavidade e entrou. O apartamento estava bagunçado, o que era muito estranho vindo do Capitão América. Mas por baixo de várias roupas, livros e papéis, o apartamento parecia um pouco mais novo e bonito que o anterior (não que ela tivesse visitado o antigo). Reparou nos detalhes. Na TV, passava a animação Megamente, o que era quase cômico. Na mesinha de centro, tinha livros com aparência escolar, várias folhas e canetas. Largou a pasta que trazia sobre a mesa de jantar.

— Na cozinha! — ele respondeu, sem nenhuma pergunta ter sido feita.

Ela seguiu até lá, a passos lentos e silenciosos. Era uma cozinha clara, pequena, mas prática. Steve estava passando café e parecia ainda maior naquele pequeno espaço. Ainda usava as mesmas roupas esportivas de antes.

— Nat — ele a olhou pelo canto do olho, segurando a xícara e a enchendo com o líquido escuro.

— Steve — ela disse, cruzando os braços. Sentiu o estomago se revirar e respirou fundo para evitar agir como uma adolescente, encantada com o corpo do homem. Já deveria ter se acostumado com quão gostoso e bonito era o Capitão América — mas sempre que o via, ainda mais dessa maneira tão descontraída, era impossível não olhar.

— Como vai? — ele perguntou, logo após de servir duas xícaras amarelas de café. Veio na direção dela e a entregou uma. — Espero que goste de café; não tenho vodka em casa. — brincou, parando na frente dela.

— Seu senso de humor é tão agradável, Stark ficaria orgulhoso — ela respondeu com uma carranca.

Ele riu e a beijou na bochecha. Seu rosto ficou um pouco vermelho e ele foi ligeiro para a sala de estar. Natasha gostava do jeito de Steve. Ele a fazia rir.

Ela o seguiu, vendo-o tentando arrumar um pouco lugar. Tomou um gole do café. Doce, do jeito que ela mais detestava. Tomou mais um gole.

— Desculpe a bagunça. Não venho tendo muito tempo ultimamente.

Enquanto ele arrumava parcialmente a sala, jogando as coisas dentro de armários e arrumando papéis em pilhas desajeitadas, Natasha dava uma olhada no lugar. Na mesa, havia mais livros e desenhos. Os livros eram escolares, de História, alguns especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial e ela não pode deixar de sorrir. Quando olhou os desenhos, ficou surpresa. Ela sabia que Steve gostava de desenhar e fazia isso bem, mas não sabia que ele era tão bom assim. Eram desenhos realistas, quase como fotografias. Alguns com cores e outros não. E ficou ainda mais surpresa em saber que estava em um monte deles, como Viúva Negra e também como Natasha. Conseguia reconhecer algumas cenas da última vez que os Vingadores se reuniram e de quando os dois formaram uma dupla. Até Tony aparecia nos desenhos segurando um copo de uísque, de armadura, mas sem máscara e sentado no Trono de Ferro — “alguém anda assistindo Game Of Thrones demais”, pensou.

Soltou uma risadinha, chamando a atenção do homem.

— O que você está fazendo aí, pequena russa? — o tom dele era mais brincalhão do que acusatório.

— Nada demais... — disse risonha.

— Ah é? — ele perguntou, terminando de colocar as almofadas no sofá no lugar. — Imagino o seu “nada demais”.

Ele se acomodou no sofá, voltando à atenção ao desenho. Levou a xícara à boca, tomando um longo gole. Ela andou até lá e sentou a uma almofada de distância.

— Eu adoro esse filme — confessou, sem desviar os olhos da tela. Natasha o olhou e ele tinha um pequeno sorriso dirigido à tela.

— Estou vendo.

Ele virou o rosto para ela e sorriu de lado. Por dentro, ela quase desfaleceu, mas jamais se permitiria demonstrar tamanho sentimentalismo por alguém, ainda mais dessa maneira; era tão errado. Então, contou até dez, respirou fundo, tomou café e fingiu que ele nunca tinha dado aquele sorriso.

Ela sentou mais na ponta do sofá, esticando o braço para pegar uma folha solta em cima da mesinha de centro, perdida entre os livros e lápis de cor.

— É apenas um desenho bobo — Steve retrucou, tentando tirar o papel de suas mãos, mas ela apenas se esquivou e ele nada fez para evitar.

Era um desenho quase pronto, faltando apenas alguns detalhes do fundo. Era escuro, sombrio e repleto de tonalidades avermelhadas. Era um desenho do Capitão América sendo fuzilado em frente a uma escadaria de marfim. O corpo estava inclinado, começando a cair e na direção dele, mais tiros vinham. O sangue manchava o ar e o chão e quase podia notar rostos em choque ao fundo.

— Isso é... — ela murmurou.

— Um desenho bobo, eu já disse — arrancou o papel das mãos da mulher. Ele levantou e caminhou até a mesa de jantar onde tinham mais desenhos. — São sonhos e lembranças que tenho, sejam boas ou ruins. É um modo que encontrei para não ficar maluco — explicou, juntando os desenhos que encontrou numa pilha e levou até o sofá, entregando para a ruiva. Ela olhava com atenção e dava risadinhas discretas. Ele tinha um talento admirável.

— Falta uma parte — mostrou um desenho do Gavião Arqueiro, onde faltava colorir um de seus braços.

— Eu não lembrava quantas tiras tem no braço — ele coçou a nuca, explicando.

— São quatro — disse, com um pequeno sorriso. Ele tirou o papel da mão dela, sorrindo, e buscou um lápis sobre a mesa, desenhando o antebraço e as tiras que faltavam. — Não sabia que desenhava tão bem.

— Nem eu sabia — brincou.

Enquanto ele desenhava, ela seguiu olhando os desenhos e o Hulk no papel parecia tão apavorante quanto na realidade. Parecia que ele saltaria do papel para esmagá-la quando ela menos esperasse. Deixou a pilha na mesinha e encostou as costas no sofá, olhando para o teto. Ouvia com atenção os barulhos constantes do lápis riscando a folha. Pegou a xícara novamente e a balançou, vendo o líquido rodopiar dentro do recipiente.

— E... Bucky?

Steve a olhou, mordendo a borracha na ponta do lápis. Havia um jeito decepcionado e abatida na maneira como ela a olhou.

— Sam e eu o procuramos por toda a Europa e é como se ele tivesse evaporado. Acabamos... — suspirou — desistindo.

Natasha se permitiu e tocou na mão dele sobre o papel, com compaixão e pena. Ambos se olharam e ela logo retirou a mão. Esperava que ele nada dissesse sobre aquele gesto.

— Hã, porque tantos livros de História? Virou professor? — tentou mudar o assunto.

— Bom... Sim.

Ela o olhou, com uma careta.

— Especializado em Segunda Guerra Mundial — confessou, rindo envergonhado.

— Você só pode estar brincando.

— O que é? Ser professor é tão empolgante quanto ser o Capitão América. Talvez até mais. Os adolescentes de hoje em dia não são fáceis de lidar.

— Se você está dizendo...

— É até mais assustador do que ser herói.

Ela levantou, aproveitando a deixa, e pegou a pasta na cadeira, jogando-a no sofá.

— Acho que vão precisar de um professor substituto para você.

Notas finais
Espero que tenham gostado e tenham lido as notas iniciais. Nos falamos! Beijos