The Fairy and The Dragon
17 Sempre ao seu lado
Notas iniciais
"All your friends think
Ride into the sunset
Fly into the sunset
And away we blow
All your friends think
Ride into the sunset
Ride into the sunset
And we're taken home"
All your friends — Codplay
~~Erza Flash Back ~~
—Mamãe? E aquilo ali? – Apontei para um animal ao longe – O que é?
—Hum, aquilo ali é um pônei. Erza, você sabe o que é um pônei! – Minha mãe sorria para mim enquanto bagunçava meus longos cabelos ruivos.
Meus pais estavam de férias e como todos os anos viajávamos para algum país e eles prestavam serviços médicos de graça nas comunidades mais pobres, era extremamente divertido, eu conhecia um monte te crianças diferentes que falavam línguas que eu não entendia na época, comia coisas diferentes, corria no meio das pessoas, era uma das melhores sensações que poderia ter, até aquele dia...
Estava brincando de pega-pega com as crianças no centro dessa vila enquanto meus pais conversavam com um dos moradores, estávamos bem próximos. De repente um carro apareceu levantando poeira e todos do lugar começaram a correr em direções opostas, eu não sabia o que estava acontecendo, só pensei em correr na direção dos meus pais.
—MÃE! – Eu corria enquanto sentia a areia entrar nos meus olhos – PAI!
—ERZA! – Minha mãe corria na minha direção enquanto alguns homens tentavam segurá-la – Corre filha! Seu pai, corre para ele!
—Mamãe... – Eu parei por alguns segundos, queria ajudar minha mãe, mas sei que não conseguiria, então obedeci e corri na direção do meu pai – Pai!
Eu iria conseguir, ele estava perto estendendo uma de suas mãos, mais alguns passos e eu estaria lá... Até que senti um puxão pelas minhas costas e meus pés já não tocavam o chão. Alguém havia me segurado e me levantado do chão como se tivesse uma boneca de pano no colo.
—Me larga! Pai! – Meu pai também estava imobilizado no chão – Papai...
—Escutem os dois – A voz rouca do homem soava como uma ameaça – Dissemos para que não viessem aqui, fomos educados, mas vocês insistiram. Agora a brincadeira vai realmente começar – Ele me sacudiu nos braços e a única coisa que eu podia fazer era chorar – Digam adeus a sua pequena ruivinha aqui.
—ERZA! – Minha mãe se debatia desesperada – Solte-a!
—Por favor, leve um de nós, mas deixe nosso filha – Meu pai estava ajoelhado enquanto uma arma era apontada para sua cabeça – Vamos ficar longe, por favor...
—Não acreditamos mais – O homem parecia ainda mais irritado – Ela vai ser nosso meio de garantir essa promessa, digam adeus – E então ele deu uma risada que me fez tremer ainda mais.
Me jogaram no banco de trás de um dos carros e um deles veio em minha direção com um lenço cobrindo meu nariz, eu me debati, gritei, mas ninguém veio ao meu socorro, antes de apagar eu lembro de ter ouvido os gritos dos meus pais chamando por mim, desesperados.
~~
Acordei sentindo o chão gelado contra a minha pele, todo o meu corpo doía, abri meus olhos, mas só a escuridão me cercava, comecei a me lembrar do acontecido e o desespero tomou conta de mim, foi quando senti duas pequenas mãos me segurando pelos ombros.
—Hey, está tudo bem – Uma voz infantil como a minha falou – Não vou machucar você.
—O-onde... – Eu gaguejei, as lágrimas formando um nó na minha garganta – Meus pais.
—Desculpa – Só então pude ver o garotinho magrelo na minha frente – Seu nome?
—E-erza... quero meus pais – Choraminguei – Estou com medo.
—Eu sei Erza, me chamo Jellal – Ele sorriu para mim – Não precisa ter medo está bem? Eu vou cuidar de você, olha, você não está sozinha.
Então quando meus olhos se acostumaram um pouco com a falta de luz pude ver que no pequeno cubículo em que estávamos tinham mais algumas crianças além do garoto com cabelo azul que falava comigo, eles me olhavam e traziam sorrisos acolhedores.
Estávamos em uma ilha, não tinha absolutamente nada por perto e eu tentava entender os motivos que tinham feito com que eu parasse ali, mas não tinha nenhum. Todos os dias éramos acordados por um sinal e alguns homens que nos empurravam para fora dos cubículos, passávamos o dia inteiro dentro de cavernas escuras e úmidas escavando e pegando um mineral esquisito que nunca consegui identificar qual era, era cansativo, era terrível e eu não podia chorar, cada soluço que dava era acompanhando de um tapa em minhas costas ou um empurrão que me fazia cair pesadamente no chão.
A única coisa que me fazia não desistir eram os amigos que fiz ali, Jellal e todos os que andavam com ele, éramos uma família e cuidávamos uns dos outros, em todas as vezes que estive doente ele segurou minha mão e me apoiava para que eu não fosse castigada por não conseguir fazer meu trabalho. Eu não fazia ideia de quanto tempo tinha passado, eu ainda era muito pequena para saber contar tão bem os dias, mas tinha sido muito tempo. Eu chorava todas as noites e pedia para que aquele pesadelo acabasse logo e eu pudesse encontrar meus pais novamente.
Um dia estávamos dentro do quarto que dormíamos, brincávamos com o que podíamos, foi quando a porta foi aberta com um grande estrondo e dois dos guardas entraram.
—Erza Scarlet! – Um deles avançou na minha direção – Venha conosco!
—N-não! — Eu me encolhi no canto – Não quero ir.
—Não toquem nela! – Jellal colocou seu pequeno corpo na minha frente – Saiam! – Então ele se aproximou e sussurrou em meu ouvido – Vamos sair daqui hoje está bem? Simon preparou tudo, todos os outros já sabem, apenas aguente firme!
—Sai pirralho, ou você também vai acabar indo com ela – Com um empurrão ele jogou Jellal longe – Agora venha sem resistir.
—Não! Não! Me larga! – Eu me debatia tentando me soltar.
O outro guarda entrou e me tirou do chão, eu ainda pude olhar para Jellal uma última vez antes de me tirarem dali, olhei para ele sorri enquanto relaxava meu corpo e deixava que me levassem, no fundo eu queria acreditar que ficaria tudo bem, mas eu sabia que algo acabaria mal.
Eles me levaram para uma sala e me imobilizaram em uma cama, então eu o vi sentado em um dos cantos sorrindo: Zeref.
—Olá, Erza – Ele se levantou e veio em minha direção – Realmente, você é idêntica à sua mãe – Ele aproximou seu rosto do meu – Mas eu espero que você seja mais esperta e obediente que ela, está bem? Então, eu prometo que não vai doer... quase nada – Ele riu e aquilo me amedrontou.
—Shsss, vou te ajudar só um pouco, certo?
—Mamãe... – Eu chorava, eu só queria sair daquele lugar – Me deixa ir.
—Eu queria muito fazer isso, eu não gosto de machucar as pessoas como todo mundo pensa, eu pedi, implorei aos seus pais que ficassem quietos, eles e todos aqueles ‘amiguinhos unidos contra o mal’ que se juntaram contra mim – Zeref foi até uma mesa próxima, eu conhecia as coisas que tinham ali, eram os mesmos instrumentos que meus pais usavam para trabalhar – Mas eu vou dar um jeito em cada um deles, não sei com quem está, mas tem algo que eu quero muito e você vai me ajudar a descobrir onde está escondido, está bem?
Ele pegou uma seringa com um líquido estranho dentro e segurou meu braço com força, então aplicou aquilo em mim, eu não sabia o que era, mas senti todo o meu braço queimando quando o fez, mas em pouco tempo senti meus músculos relaxarem, era como se eu estivesse dormindo, mas de alguma maneira conseguisse ouvir e ver tudo que acontecia ao meu redor.
—Muito bem, vamos mandar um presentinho para os seus papais e quero ver se eles vão continuar se metendo nos assuntos que não devem! – Ele caminhou novamente até a mesa e trouxe uma coisa que eu conhecia bem: um bisturi – Agora, você lembra de alguma coisa... Hum... Talvez seus pais tenham mandando você manter segredo sobre alguma anotação, livro, pesquisa...
—Não... – Eu consegui falar com dificuldade – Eles são médicos, só isso...
—Pensei que você fosse uma garota inteligente – Ele pegou o bisturi e tocou meu braço – Tente se lembrar.
Eu continuava repetindo que não sabia de nada e ele sem hesitar pressionou o bisturi em meu corpo, eu não sentia dor, mas ainda assim gritei, podia ver o sangue escorrendo por meu braço e gotejando no chão. Zeref continuava perguntando sobre provas e anotações, mas eu não sabia de absolutamente nada! O efeito do que ele havia injetado em mim estava perdendo o efeito e agora eu podia sentir quando a ponta do bisturi penetrava na minha pele, não eram cortes profundos ou grandes, mas doíam muito e o desespero tomava conta de mim quando eu via mais e mais sangue escorrendo por meus braços e pernas agora.
—Chega, preciso descansar um pouco – Ele disse após um tempo que pareceu uma eternidade para mim – Lembre-se de uma coisa Erza Scarlet, só pessoas fortes sobrevivem e você não é uma pessoa forte!. Limpem esse lugar e se quiserem podem continuar, eu acho que ela não sabe de nada, mas quero mostrar para aquele pessoal que se eles não estão brincando eu também não estou!
Eu podia gritar e lutar, podia fazer qualquer coisa, mas eu sabia que não adiantaria, então só fiquei parada e deixei que eles continuassem me machucando, eu só conseguia me lembrar de Jellal falando que tinha um plano e que colocaria em prática naquele momento e meu desejo era só que desse certo.
Eles trouxeram o bisturi novamente e eu esperei pela dor em alguma parte do meu corpo, mas ela não veio, então abri meus olhos quando duas mãos ásperas seguraram meu rosto e eu pude ver o brilho metálico em direção ao meu olho, eu movi eu rosto tentando me livrar daquilo, mas não consegui, gritei e tentei mordê-los, mas eles conseguiram imobilizar minha cabeça contra o ferro frio daquela maca e vagarosamente eles tocaram meu olho.
Eu gritei, eu tentei me mover, a dor era tão absurda que eu sentia que iria perder a consciência e era tudo que eu queria naquela hora, sentia o sangue quente escorrendo por minha bochecha e ouvia as vozes deles rindo de mim enquanto continuavam me segurando com força, mais uma vez eles levaram o bisturi ao meu olho e mais uma vez eu gritei, eu não conseguia pensar em nada, só pedia para acabar ou para que eles me matassem de uma vez e acabassem com tudo aquilo. Até que o chão estremeceu e ouvimos uma grande explosão, ‘Jellal’.
—O que foi isso?! – Um deles perguntou, enquanto deixava o bisturi cair no chão – Rápido, temos que procurar Zeref!
—Mas e a garota?
—Ela já está perdida mesmo, deixe-a aí!
Então eles saíram da sala e eu fiquei ali sozinha, eles tinham razão, eu estava perdida... Ouvi outras explosões e novamente o chão daquele lugar tremeu, iria desabar e eu ficaria ali sem que ninguém soubesse, uma fumaça escura começou a entrar pela porta, naquele momento eu lembrei dos meus pais, de tudo o que eles significavam para mim, lembrei dos meus tios e dos meus primos, de como brincávamos juntos, lembrei de todos os meus amigos que sentiriam minha falta e por alguns instantes visualizei os olhos de minha melhor amiga, Mirajane, tão azuis... Se eu pudesse me afogaria naquele azul e deixaria de existir.
—Erza está aqui! – Alguém gritou e eu senti pequenas mãos frenéticas tentando desatar as amarras que me prendiam – Ela está sangrando, o que fizeram?
—Não sei – Jellal, era a voz dele – Vamos leva-la para fora Simon.
—J.. Jella... – Eu tentei falar, mas o mundo parecia estar fora de foco, meu corpo não me obedecia – Casa...
—Vamos para casa sim, Erza – Eles conseguiram me desamarrar – Simon, me ajude a leva-la!
Eu não contive o grito quando eles me tiraram da maca, parecia que meu corpo estava em pedaços, ofegava e suava frio, mas tentei com toda as forças que ainda me restavam e fiquei de pé.
—Quem... conseguiu? – Eu dizia enquanto tentava fazer o ar chegar aos meus pulmões.
—Não sabemos, antes que colocássemos nosso plano em prática parece que invadiram a ilha, mas eles revidaram, por isso esta tudo desabando desse jeito – Jellal dizia apressado – Se conseguirmos chegar até a praia vamos sair daqui, vamos para casa!
De repente uma parte de uma das paredes caiu num grande estrondo, Simon nos empurrou para longe antes que nos acertasse.
—SIMON! – Jellal gritava – ONDE VOCÊ ESTÁ?
—Aqui... – Uma voz fraca dizia – Estou preso.
Quando a poeira sumiu um pouco conseguimos visualizar o pequeno corpo embaixo dos restos da parede, tinha sangue espalhado perto dele.
—Simon! – Jellal correu em sua direção – Temos que ir!
Ele tentava sem sucesso suspender o bloco de concreto de cima do nosso amigo, o puxava pelos ombros, mas Simon não se moveu.
—Jella, vá, tire Erza daqui – Ele disse sorrindo – Você não é tão forte, todos os outros já devem estar na praia agora, pode ir.
—Não... – Jellal chorava ainda puxando seus braços – Não posso, somos irmãos.
—Eu vou ficar bem, vá. – Simon o empurrou para longe – Anda logo, seu idiota!
Eu estava ajoelhada no chão, não queria deixa-lo ali, mas ele tinha razão, não tínhamos força para ajuda-lo, talvez se conseguíssemos chegar até a praia e pedir ajuda... Jellal correu em minha direção e colocou um dos meus braços ao seu redor. Cambaleamos até uma saída próxima, fazia tempo que eu não sentia toda aquela claridade e aquele calor em meu corpo, por alguns instantes eu esqueci o que tinha acontecido e só olhei para o que tinha a minha frente.
—Conseguimos... – Jellal suspirou – Conseguimos, Erza...
A luz forte do dia castigava meus olhos, só nesse momento notei que de um lado tudo era uma imensa escuridão, mas eu estava livre e isso me bastava.
—ERZA! – Alguém gritava meu nome, uma voz conhecida que fazia tempo que eu não ouvia – Filha, filha!
Então quando olhei, vi correndo em minha direção, se esgueirando em meio as pessoas que estavam chegando na ilha: minha mãe. Ela não parava, eu queria correr em direção a ela, queria gritar seu nome, queria dizer o quanto estava feliz em vê-la, mas não consegui, tudo começava a ficar escuro e o desespero tomava conta de mim, e se tudo aquilo não passou de uma sonho, se eu acordasse naquele chão frio de novo? Jellal não conseguia mais me segurar, ele também estava cansado e ferido, precisava de ajuda, eu senti quando escorreguei do seu apoio e fui de encontro ao chão, mas nunca cheguei a ele, mãos quente se firmes me seguravam.
—Erza, Erza... – Eu sentia o cheio da minha mãe bem perto – Fala comigo, por favor... – Ela apalpava meu corpo com cuidado – Filha, vai ficar tudo bem, só respondi a mamãe.
—M-mãe – Eu balbuciei.
—Isso, é a mamãe – Eu vi seu rosto embaçado perto de meu, ela chorava e parecia cansada – Vamos cuidar de você, está bem?
—Certo...
Eu senti o calor do seu corpo passando para o meu e me entreguei ao cansaço, deixei que ela me segurasse com cuidado no colo e beijasse meu rosto sujo de sangue enquanto suas lágrimas caiam no meu rosto, mas ainda assim eu pude ver que ela sorria para mim.
~~
Comecei a abrir meus olhos, o cheiro forte de álcool invadiu meu nariz, comecei a relembrar de tudo, as imagens vinham em clarão: Zeref, sangue, o bisturi, gritos, risos... Estava começando de novo.
—Erza – Minha mãe segurava minhas mãos – Está tudo bem meu amor – Ela passou as mãos em meus cabelos – Sou eu.
—Mamãe –Finalmente eu pude chorar sem medo – Tive tanto medo...
—Eu sei – Ela me abraçou – Olha para mim, eu nunca mais vou deixar que nada ruim aconteça com você, está bem? – Ela parecia que iria chorar – Nunca mais vou deixar você.
—Papai?
—Está na sala dele conversando com os cirurgiões – Ela tocou meu olho machucado – Sobre você.
—Meu olho – Eu senti o curativo no lugar
—Ainda não sabemos, ainda você dormiu por alguns dias, então precisamos de mais tempo. – Ela enxugou as lágrimas que escorriam por minha face – Não chora meu bebê, agora estamos juntas, vai dar tudo certo.
—Ainda tenho medo, a ilha, o que fizeram comigo...
—Shss, agora não, você acabou de acordar – Minha mãe alisou meus cabelos – Você precisa descansar um pouco, mas antes tem alguém que quer muito te ver e não saiu daqui desde que você chegou.
Então a porta abriu e eu pude ver a pequena criatura de cabelos prateados e olhos azuis entrando, ela parecia ainda mais bonita naquele momento.
—Mirajane! – Eu sorri – Mira!
—Erza-chan! – Ela correu e conseguiu subir na cama do hospital – Erza!
Ela me abraçou tão apertado que todo meu corpo doeu, mas eu não me importei, a sensação de ver minha melhor amiga de novo compensava tudo.
—Mira, cuidado ou você vai acabar machucando a Erza – Minha mãe sorriu bagunçando os cabelos dela – Você pode tomar conta dela enquanto eu pego algo para Erza comer?
—Sim, sim! – Mirajane fez um ar muito sério – Pode deixar, prometo manter Erza segura.
—Okay, se comportem – Minha mãe beijou o alto da minha cabeça e me abraçou, mas antes que ela saísse eu segurei sua mão – Não vai acontecer nada, mamãe não vai deixar que ninguém machuque você, além do mais você tem Mirajane não é mesmo? Mira prometeu para mim que sempre iria cuidar de você, ela passou esses últimos dias todos vindo aqui e lendo suas histórias favoritas.
—Senti tanta falta sua Mira – Eu disse quando minha mãe saiu – Falta da cor dos seus olhos.
Mirajane sorriu para mim e me abraçou com cuidado dessa vez, então ela deitou ao meu lado na cama e ficou olhando para o teto.
—Eu nunca vou deixar você, Erza.
—Prometa que vai sempre cuidar de mim e que vai sempre segurar minha mão quando eu estiver assustada, como estou agora.
—Prometo – Ela beijou meu rosto e sorriu – Para sempre.
~~ Flash Back finish ~~
Eu sentia tudo aquilo de novo e de novo, era um ciclo ter esse pesadelo ao menos uma vez por mês, mas em todas as vezes era desesperador. Eu tentava acordar, mas não conseguia. Me debatia tentando me livrar e sentia o ar me faltar aos pulmões, o suor frio descia por meu corpo, eu odiava aquela sensação, odiava me sentir fraca!
—Erza – Uma voz conhecida sussurrava em meu ouvido, parecia preocupada – Erza, acorda, você está sonhando.
Então mãos gentis seguraram meu rosto, eu abri os olhos lentamente e vi aquele anjo com cabelos prateados bem na minha frente: Mirajane. Ela parecia um tanto assustada e estava perto, muito perto de mim.
—Mira... – Eu consegui me mover e a abracei enquanto deixava uma torrente de lágrimas escorrerem por meu rosto – Foi horrível.
—Shsss, foi um pesadelo, você está bem – Ela afagava meus cabelos – Só isso.
—Por mais que eu tente, eles sempre voltam – Eu continuava chorando – Me sinto tão fraca, tão idiota por ainda ter medo.
—Você não é fraca – Ela se afastou um pouco para enxugar minhas lágrimas – Não existe pessoa mais forte que você, você é a pessoa mais forte que eu conheço e eu quero ser forte como você.
—Tenho medo, você pode dormir aqui perto de mim?
—Claro que sim, vamos ficar quietas para não acordar as outras meninas – Ela deitou ao meu lado – Está se sentindo mais segura?
—Sim – Abracei Mirajane e senti seu cheiro, que me fazia sentir extremamente calma – Agora estou. Nunca me deixe Mirajane.
Eu estava quase dormindo de novo, mas dessa vez embalada pela respiração ritmada de Mira, era como um compasso para a minha, foi quando senti levemente seus lábios tocando minha bochecha e sua voz doce sussurrando para mim ‘Nunca vou te deixar, Erza’, aquilo devia ser um sonho, mas mesmo assim sorri e cai em sono profundo, Mirajane sempre estaria ao meu lado.
~~Erza finish~~
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