The Fairy and The Dragon

15 Quando tudo começou


Notas iniciais
Hey, ainda se lembram de mim? Oh, espero que sim. Eu esqueci de avisar, mas essa história possui 3 arcos, esqueci de avisar sobre esse longo hiatus também, estava trabalhando no meu TCC x.x Bem, o hiatus foi por conta do tcc e nesse capítulo começa o 2º arco da fic, espero que vocês tenham prestado atenção em cada capítulo, o que aconteceu anteriormente faz muita diferença nessa parte :3 Bem, aproveitem a leitura e não esqueçam de comentar ♥

"Settle down, it'll all be clear

Don't pay no mind to the demons

They fill you with fear

The trouble it might drag you down

If you get lost, you can always be found"

Home — Phillip Phillips

Levy continuava encarando Lucy com o cenho franzido. Por mais que tentasse não conseguia processar tudo aquilo, dessa vez as coisas tinham ultrapassado os limites e as consequências seriam graves.

—Lucy, isso é verdade? – Levy relaxou os braços tentando parecer mais calma – Você e Natsu...

—Sim... – Lucy desviou o olhar – Não fique brava comigo, você mais do que ninguém sabe que eu amo o Natsu, desde sempre!

—Não é isso, vocês dois vão acabar se dando muito mal, eu me preocupo com você Lucy! Você está namorando o Loki não é? Quer dizer, já pensou se seu pai descobre isso?! Me desculpa mesmo, eu só fiquei assustada, não estou te julgando.

—Ele não vai descobrir! Você vai contar ou algo assim?

—Não, eu jamais faria isso – Levy segurou as mãos da amiga – Só quero que entenda que isso não foi certo, você nunca mede as consequências das suas ações, sempre tão impulsiva.

—Somos o oposto Levy e você sabe disso, eu só não quero que fique chateada comigo – Lucy se aproximou e abraçou a azulada – Me desculpa, só me deseja felicidades, por algum tempo eu consegui esquecer tudo o que estava acontecendo na minha vida e só existia eu e o Natsu, entende?

—Entendo, e acho que sei como você está se sentindo – Levy sentiu suas bochechas corarem – Eu acabei ficando com Gajeel, mesmo sabendo que se minha mãe descobrir vai me mandar para uma outra escola bem longe, talvez até em outro país.

—E você aí chamando a minha atenção. Okay, então faremos uma promessa: não vamos contar nada disso a ninguém, só quando tudo estiver resolvido e eu tenho certeza que vai se resolver de alguma forma, está bem?

—Certo – Levy a olhou desconfiada.

—Promessa Levy, aqui, promessa de mindinho. – Segurou o mindinho de Levy com o seu enquanto sorria – Ainda está chateada comigo?

—Não, eu só fiquei um pouco assustada, você tem exatos dois minutos para tomar banho e se trocar antes que Laki descubra que não estamos no quarto e aí sim, eu e você estaremos extremamente encrencadas.

Em poucos minutos Lucy já havia tomado banho e se trocado, agora estava deitada em seu futon ao lado de Levy. As lembranças dos momentos que passou com Natsu a faziam se sentir leve, feliz, completa.

—Lucy... – Levy sussurrou – Já está dormindo?

—Não, estou pensando.

—Algo bom ou ruim?

—Algo ótimo – Sorriu enquanto corava – Quer que eu conte? Aliás, quero saber tudo sobre você e o seu amigo rebelde sem causa.

—Lucy! Conversamos amanhã quando chegarmos em casa, será que Aquarius deixa você ficar lá? Na segunda não temos aula mesmo.

—Não sei Levy – Lucy suspirou – Meu pai mandou Aquarius me vigiar, eu não posso nem respirar direito, isso me deixa irritada ao extremo. Mas vou tentar, não custa nada, acho que na sua casa com sua mãe ela não vai me proibir não. Desde que antes eu passe em casa para meu pai ter certeza que estou inteira e não fiz nenhuma besteira.

—Okay, agora vamos dormir, estou ouvindo os passos de alguém e com certeza é a Laki.

—Vocês poderiam fazer silêncio? Alguém aqui está morrendo de dor de cabeça e precisa dormir – Cana resmungou. – Não quero ficar ouvindo conversa de ninguém.

—Meninas? – Laki abriu a porta do quarto – Estão todas aqui, ótimo. Vamos apagar as luzes para que vocês possam dormir.

—Conseguiríamos dormir se a cada cinco minutos você não abrisse a droga dessa porta! – Cana se sentou irritada – Agora que já viu que nenhuma de nós está por aí, pode se retirar.

—Cana... – Laki ficou sem palavras – O que... Qual o seu problema?

—Você!

—Certo, eu não queria que fosse assim, mas você me obriga a isso

Laki saiu enquanto batia a porta atrás de si, as outras garotas olhavam para Cana sem entender muita coisa, mas ninguém se atreveu a dizer nada.

—Droga... Não devia ter feito isso – a morena suspirou enquanto puxava o cobertor até sua cabeça – Estou realmente encrencada por uma coisa tão estúpida.

—Cana – A voz seca de Gildarts soava atrás da porta – Venha até aqui por favor, precisamos conversar.

—Ai caramba, ai caramba! – Cana se encolheu.

—Cana, se não sair em 2 segundos eu vou entrar aí e te trazer aqui para fora – a voz autoritária soou mais uma vez – Um... Do-

Gildarts não terminou de falar e Cana abriu a porta de supetão, apesar de ter a pele morena estava extremamente vermelha.

—O que foi?! Você quer me deixar constrangida na frente de todos?

—Sim, vamos sair daqui, nossa conversa é particular e eu sei que suas amigas podem ouvir de onde estamos.

Gildarts guiou Cana até a varanda da casa e fez com que ela sentasse a sua frente, ficou em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para o céu, após isso passou a observar a filha enquanto esta encarava o mar.

—Você é idêntica a ela – Gildarts sorriu – Cada dia que passa eu me assusto com a semelhança entre as duas.

—Minha mãe?

—Sim, você e Cornelia. Isso me deixa um pouco frustrado, queria que em algum aspecto físico fossemos parecidos, mas para sua sorte você tem a beleza da sua mãe.

—Por isso me deixou? – Cana encarou o pai com ódio – Por isso foi embora da Irlanda e nos deixou?! Pois não me pareço com você?

—Não! Cana, escute! – Gildarts respirou fundo tentando se acalmar – Não foi por nada disso, eu errei e admito, mas meus irmãos estavam aqui, precisavam da minha ajuda.

—Isso não justifica o fato que me deixou lá, que por sua culpa agora minha mãe... ela...

—Cana... – Gildarts tentou se aproximar para consolar a filha – Por favor, não chore, isso parte meu coração.

—Não me toca! – Levantou – Não quero que me toque, já disse. Você passou anos sem ser meu pai, agora quer reatar um relacionamento que tínhamos quando eu era criança? Isso não vai acontecer. Principalmente depois que escolheu ficar com aquela professora idiota. Você veio ajudar meus tios, mas poderia ter voltado não é mesmo? Mas conforme o tempo passava a única coisa que você fez foi se afastar mais e mais.

—Você sabe que naquela época Erza sumiu, sofreu aquele acidente horrível e Igneel morreu, queria que eu os deixasse aqui? Minha irmã estava frágil... E outras coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo, eu fiz o máximo que pude.

—Não foi o suficiente – Cana virou as costas enquanto caminhava para dentro do casarão – Agora não adianta tentar ser o pai que nunca foi, não temos mais tempo para isso.

—Eu não vou desistir de você, nunca. É minha filha e eu te amo, mas você terá que aprender a respeitar Laki, ela não tem absolutamente nada com toda essa história, escuta – Gildarts forçou a filha a encará-lo – Um dia eu prometo que vou contar tudo que aconteceu está bem? Eu só quero proteger você...

—Não preciso da sua proteção – A morena afastou as mãos do pai para longe e caminhou em direção à porta – Vou me deitar, amanhã ainda temos um trabalho antes de voltar para casa, boa noite Gildarts.

—Boa noite... filha – Quando percebeu que os passos de Cana já não podiam ser escutados sentou-se na varanda – Faz quanto tempo que está aí?

—O suficiente – um velhote saiu de trás das sombras – Poderia ter contado a ela o real motivo de tudo isso, de ter se afastado, de ter ficado aqui no Japão e principalmente que a deixou lá para que ficasse segura.

—Poderia, mas isso significaria que ela correria mais perigo ainda. Makarov?

—Hum.

—Será que dessa vez vamos conseguir? Quer dizer, Mavis fundou a escola Fairy Tail para isso não é mesmo? Fazer o bem, ajudar as pessoas, que os alunos aprendessem ali dentro como deveriam agir em sociedade.

—É o que fazemos, às vezes perdemos Gildarts, da última vez foi assim, mas não estávamos preparados para isso, dessa vez tenho a sensação que nossos alunos serão um trunfo contra Ele.

—São só crianças...

—Que tiveram suas vidas completamente mudadas por um canalha corrupto e eu não vou deixar que nada mais aconteça com eles, devo isso ao meu neto e todos os alunos da Fairy Tail, somos uma família Gildarts, e você sabe que nunca devem mexer com nossa família. – Makarov suspirou – Se quiser sair não tem problema, acho que posso resolver tudo sozinho.

—Não, vou continuar de onde meu irmão parou... Igneel se sacrificou para que esse inferno tivesse um fim. Não quero que a vida dele seja em vão – Olhou para o mar a sua frente – Não quero que o sofrimento de Erza naquele lugar seja em vão, eu vi tudo que minha irmã sofreu e sei que ela teve todos os motivos do mundo de se afastar dessa briga.

—Sim, também não podemos deixar que a vida dos pais de Laxus, de Mirajane, da mãe de Gajeel, de Lucy e principalmente: que a vida do pai de Levy seja tirada, você sabe que Ele está por perto não sabe?

—Sim, mas conversei com Takeo, ele está bem em Londres, num local seguro fazendo exatamente o que mandamos, Levy e sua mãe ficarão bem até que tudo se resolva. Mas ao menos esse final de semana vamos aproveitar, você também merece. Agora vou me deitar, o dia foi realmente cansativo.

—Certo, boa noite Gildarts – Com um aceno de mão esperou até que Gildarts sair da varanda – E à partir de agora a única coisa que podemos fazer é esperar que tudo termine da melhor forma possível.

E enquanto encarava as ondas que se formavam no mar mais a frente deixou sua mente vagar para o dia em que conheceu o homem que mais odiava, Makarov sempre foi calmo e justo em tudo que decidia, até o dia em que aquele homem entrou em sua vida e destruiu tudo que ele mais amava, a única coisa que ele queria naquele momento era que esse ser diabólico pagasse por todas as atrocidades que havia cometido no passado e que continuava comentendo.

***

—Whaaaaaa – Levy bocejou enquanto se dirigia para a sala em que tomariam café – Estou tão cansada, conseguiu dormir Lu-chan?

—Hum? Um pouco, mas todo meu corpo está dolorido – Fez uma careta de dor – Sério, tudo dói.

—C-certo, não precisamos falar sobre isso nessa hora da manhã. Hey, Mira, Erza, acordaram cedo.

—Argh, Erza não me deixou dormir – Mirajane coçou os olhos – Passou a noite inteira colada em mim e não me deixou nem respirar direito.

—Desculpa, eu estava com frio e ficar perto de você me mantinha aquecida.

—Quer dizer que as duas dormiram coladinhas essa noite? Hummm... Muito bom – Cana apareceu enquanto soltava um sorriso pervertido para Mirajane – Mas acho que isso não deve ser feito em uma viagem escolar, sabem.

—Cana! Erza estava com medo de dormir sozinha – Mirajane não pôde disfarçar a cor vermelha que seu rosto ficou – E-então, o que aconteceu ontem? Você parecia bem chateada, se encrencou com o seu pai?

—Hum, um pouco – A morena deu de ombros enquanto colocava um pouco de suco no seu copo – Ele quer ‘recuperar o tempo perdido’ e ser meu pai, mas acho que já passamos do tempo de resolver essa situação.

—Talvez esteja na hora de vocês dois se darem uma chance – Levy disse entre uma mordida e outra no seu pão – Se você se desse essa chance, de conversar com ele, escutar... talvez ele tenha uma razão para tudo isso.

—Eu sei disso Levy – Cana olhou para o chão – Mas eu ainda estou muito magoada, e-eu nem consigo olhar para ele, toda vez que faço o meu ódio fala mais alto e eu acabo falando tudo que está entalado, eu não posso negar que o culpo e não sei se um dia vou perdoá-lo pela morte da minha mãe...

—Você devia começar observando Laki, ela é uma ótima professora e uma ótima pessoa também – Lucy disse.

—Argh, okay, perdi a fome – Cana se levantou – Ela é uma criança perto dele e principalmente: ninguém vai tomar o lugar da minha mãe, não enquanto eu morar embaixo do mesmo teto que Gildarts.

—Cana é tão cabeça dura e tonta – Erza suspirou – Ela não consegue enxergar o que está na frente do seu nariz.

—Talvez seja mal de família – Mirajane encarou a ruiva por alguns segundos, mas notando a face confusa da amiga mudou de assunto – Então, como foram de festa ontem?

—Hum, ah... – Levy corou – Muito bem, quer dizer, não tinha como ser ruim, dançamos, comemos e essas coisas todas que se fazem em festas.

—Isso, coisas que fazemos em festas – Lucy sorriu.

—Só isso? Certeza? Vocês voltaram bem tarde ontem... Ou talvez não queiram contar o que realmente aconteceu – Mirajane cutucou a ruiva do seu lado – Erza, o que você acha?

—Eu acho que a noite foi bem interessante para as duas, ou então não teriam chegado tão tarde no quarto.

—Vocês duas que parecem não ter curtido muito a festa, sei lá, sumiram de repente. Eu vi a Mira saindo com Cana e não voltou mais, onde vocês estavam? – Lucy perguntou – E Erza saiu com Jellal e poucos minutos depois já estava indo para dentro do quarto, vocês brigaram?

—Não, só conversamos, aliás, eu sinto que depois de tudo tirei um peso das minhas costas. Mas acho melhor conversamos sobre isso quando voltarmos para casa, hum?

—Poderíamos dormir todas em minha casa, amanhã não temos aula, eu chamei a Lu-chan, querem ir também? – Levy disse entusiasmada.

—Se meus pais permitirem eu quero sim, mas acho meio difícil, depois de tudo eles ainda não querem me deixar dormir sozinha na casa de alguém. Vou tentar ligar para mais tarde.

—Espero que você possa, vai ser muito divertido – Lucy disse, mas antes de continuar sentiu seu celular tocar – Ah, Aquarius? Mas o que ela quer agora? Alô?! Eu dis- O rosto da loira empalideceu enquanto ela ouvia Aquarius do outro lado da linha, tentava balbuciar uma resposta, mas nada saia de sua boca – Eu não vou voltar agora! Pode falar para o meu pai que ficarei aqui até o final do dia, esse foi o nosso combinado não foi?

—O carro já deve ter chegado aí, pegue suas coisas agora, entre no carro e volte para casa Lucy! Não conteste, não faça perguntas, apenas venha. – Aquarius parecia impaciente.

—Eu nã-

—Agora! – Após dizer isso desligou o celular.

—O que foi? Aconteceu algo? – Levy parecia preocupada.

—Não sei, é Aquarius como sempre mandando em mim, quer que eu volte agora para casa agora e bem, vocês sabem, não posso tomar nenhuma decisão, só obedeço. Vou indo.

—Lucy...

Sem olhar para trás Lucy deixou a sala, não queria que as amigas a vissem chorando, sabia que provavelmente nada tinha acontecido, o pai só queria prendê-la naquela casa, a única coisa que passava em sua mente era o desejo que sua mãe estivesse viva, que pudesse deitar em seu colo e contar tudo o que tinha acontecido, sentir a textura da sua pele e ouvir sua voz quando ela a chamava de ‘Meu anjinho’. Jogou todas as suas coisas na mochila e caminhou em direção a saída do casarão, como Aquarius havia dito o carro já estava esperando.

—Senhorita – O motorista abriu a porta – Deseja algo antes de irmos?

—Não. Apenas me leve para casa.

***

—Pobre Lucy – Levy suspirou – O pai dela não dá uma folga não é mesmo? E ainda tem toda essa história de noivado, quer dizer, ela só tem quinze anos. Quem quer casar aos quinze?

—Mas isso deve ser depois que ela terminar o colégio, o pai dela parece ser louco, mas nem tanto. Até lá Lucy dá um jeito e vira prima da Erza, afinal eu realmente acho que ela e Natsu vão acabar juntos – Mirajane sorriu e olhou para a ruiva – Erza? Alô? Está viajando?

—N-não, só estava pensando em algumas coisas. Aliás, Laki está chegando, aposto que já temos que ir fazer o restante da tarefa, a folga acabou.

—Certo, vocês têm vinte minutos para terminarem o café da manhã e em seguida todos reunidos em frente à casa, vamos dar o material para que terminem a atividade, certo? – Laki olhou para Gildarts – Algo a acrescentar?

—Só uma coisa – Gildarts deu um passo à frente – Continuaremos com duplas, mas dessa vez vocês escolhem: continuam com a mesma de antes ou podem trocar os pares, pensem nisso e me digam quando estivermos do lado de fora.

—Professor – Erza levantou a mão – Quero trocar minha dupla.

—Eu disse que vocês teriam tempo para pensar, mas já que quer. Com quem você quer ficar?

—Mirajane, quero ela como minha dupla.

—Mirajane concorda? Quer trocar a Ur pela Erza?

—S-sim – Mira sentia seu coração palpitar – Concordo.

—Certo – Gildarts anotou em seu caderno – O restante pode pensar com mais calma, nos vemos em vinte minutos.

—Erza! – Mira encarou a amiga – Por que trocou? Podia ter ficado com Jellal!

—Não, não quero ficar, nem falar, nem olhar para a cara dele. Ele gosta da Ur e eu não quero ficar entre os dois, essa coisa toda é só criação da minha cabeça, o Jellal que eu conhecia era uma criança doce e amorosa, esse não tem absolutamente nada disso. Quero você, entendeu? Agora vou indo, acabei esquecendo de ligar para os meus pais ontem à noite, encontro vocês na praia.

—E você Levy? Vai trocar? Ou prefere continuar com Gajeel?

—Hãm ... – Levy vacilou – P-prefiro ficar com Gajeel, ele não é uma má pessoa, é um cara legal. Tenho certeza que quando vocês começarem a conversar vão se entender e assim como eu perdoar o Gajeel. Agora eu vou andando, tenho que escovar os dentes antes de irmos.

—E aqui estou, sozinha de novo – Mira suspirou – Vai ser um longo dia.

—Um dia longo e bonito, com tons prateados e carmesim – A voz de Cana soou no ouvido de Mirajane, mas ela não se mexeu – Okay, estou só brincando, mas fala a verdade você ficou bem animada quando Erza disse que queria você e não Jellal. Seu coração deve ter acelerado quando ela disse: ‘Quero você, entendeu?’ – Sorriu.

—Meu coração quase não parava no peito, mas isso não muda o fato que nunca vou ter coragem de falar sobre o que sinto, isso é tão frustrante! – A albina escondeu o rosto entre as mãos – Vai chegar um dia que eu vou acabar explodindo!

—Olha, sobre isso eu não sei o que posso falar para tentar ajudar – Cana franziu o cenho – Só você e Natsu sabem que eu gosto de garotas, quer dizer, além das garotas que eu já fiquei, mas Gildarts não sabe e eu prefiro que continue assim. A maioria das pessoas só finge que entende, que aceita, mas no fundo vão falar que é uma fase, que vai passar, é ‘coisa de adolescente’. Conte quando estiver segura disso.

—Minha mãe vai me matar – a albina choramingou – Ela vai dizer que eu estou buscando algo para tomar o lugar da Lis na minha vida, que é errado, que eu tenho que ir para mais consultas e tomar mais remédios. Não posso conversar com ela sobre isso. E eu sinto que Erza vai me odiar também.

—Você não vai saber se não tentar, agora levanta que temos um dia longo pela frente, aproveite para sondar o terreno e ver se Erza gosta de experimentar outras coisas, eu realmente acho que sim, afinal somos primas e a conheço antes de você. Se tentar com cuidado e jeito, aposto que consegue conquistar aquela ruivinha cabeça dura – A morena piscou o olho – E se por acaso, quiser conhecer outras meninas, sair, sei lá, me chama. Eu posso te ensinar muitas coisas.

—N-não, obrigada – Mira se afastou – Prefiro ir com calma, agora vamos, não quero me atrasar.

***

—Okay, peguem suas coisas e vão para a tarefa – Gildarts sorriu para os alunos – Nos encontramos aqui às 14h para os últimos avisos e em seguida retornaremos para Magnólia, entenderam? Certo, podem ir.

As duplas se dispersaram para o término das atividades. A ruiva e a albina caminhavam juntas, o silêncio era constrangedor entre as duas, mas Mirajane não tinha coragem de iniciar uma conversa, Erza parecia mais e distante e pensativa. Talvez depois de tudo ela precisasse de um tempo para assimilar, ou talvez não quisesse mais ser amiga de Mira. A albina estava enlouquecendo com todas essas perguntas, até que foi interrompida pela voz da amiga.

~~Erza~~

—Mira?

—Hum.

—Como você sabe que gosta dessa garota? – Eu evitava o olhar de Mirajane – Quer dizer, como você descobriu isso?

E nesse momento Mirajane me lançou um olhar tão doce e compreensivo, parecia que eu podia enxergar através daquele mar azul claríssimo que eram seus olhos. Ela sorriu para mim e disse:

—Apenas sei, essas coisas você não sabe explicar, apenas sente.

—Certo – Me sentei na grama e comecei a brincar com algumas flores que estavam próximas, observei quando Mira sentou ao meu lado – E como você se sente?

—Hum, essas coisas clichês que todos sentem: frio na barriga, meu coração acelera... – parou por alguns minutos pensativa – Quando estou ao lado dela me sinto segura, gosta de ouvir sua voz, gosto de como ela fica mexendo no cabelo quando está com vergonha... Ela tem o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida!

Eu a observava enquanto ela falava, de uma forma tão apaixonada sobre essa desconhecida e por alguns breves segundos eu fiquei com ciúmes. Por alguma outra garota poder roubar Mirajane de mim, fiquei com ciúmes da forma como ela a descrevia e tive medo se ela saísse magoada de tudo isso.

—Eu conheço essa garota?

—T-talvez – Mira gaguejou e eu voltei a juntar mais flores enquanto as ajeitava numa coroa – Talvez você conheça...

—Como ela é?

—Ela é linda, tão linda que eu meio que prendo a respiração quando a vejo – E novamente Mira começou a falar com aquela voz apaixonada – E ela é forte, nos momentos em que eu não sei o que fazer, quando quero desistir lembro do quão forte ela é e penso que tenho que ser forte também para merecer ficar ao seu lado.

—Fisicamente, como ela é? – Eu engoli a saliva, se Mira conseguisse se aproximar daquela garota eu poderia perder a minha melhor amiga? – E-ela é bonita?

—Linda... Sempre foi linda – Eu franzi o cenho para Mirajane – Principalmente quando parece meio pensativa.

—Hum, você pode me mostrar ela? Algum dia, seria legal. Acho que eu tenho que dar minha nota nessa garota, afinal sou sua melhor amiga e tenho que aprovar seus relacionamentos, não é mesmo?

—Não dona Erza, você não tem que aprovar nada – Mira deu aquele sorriso angelical para mim – E Jellal? Acha que não vai para frente?

Eu suspirei, na verdade eu nunca achei nada sobre Jellal, ele apareceu em Magnólia pouco mais de um ano atrás, eu confesso que fiquei extremamente feliz de vê-lo novamente, mas ele estava estranho e parecia esconder algo e nunca me contou o que havia acontecido depois que conseguimos escapar daquela ilha. No início eu não me importei, só de tê-lo por perto já fazia meu coração se aquecer, ele cuidou de mim durante aqueles piores meses que eu já passei, mas quanto mais o tempo passava eu percebia que os sentimentos que tinham por ele não eram os que eu imaginava, começava a pensar que o que sentia era gratidão por tudo o que vivemos e por ele ter me protegido nos dias difíceis, nada mais.

—Não, o que eu sinto por ele é gratidão, nada mais. Acho que confundi isso com amor, eu não sei o que é isso, amar outra pessoa entende? – Olhei para Mira e percebi que assim como eu ela fazia uma coroa com as flores que estavam próximas – Eu me preocupo e quero que ele seja feliz, com Ur, com qualquer pessoa... Ele merece isso depois de tudo.

—Você também...

—Será? Será que um dia vou sentir que não posso viver sem alguém? Ou que essa pessoa é parte da minha vida, vou olhar para ela e prender a respiração quando ela chegar perto, contar cada segundo esperando o momento de abraça-la... – finalizei a coroa e olhei para ela com orgulho do meu trabalho – Eu realmente não me importo muito, sabe o motivo?

—Não, qual é? – Mirajane também havia finalizado a coroa dela e me encarou sorrindo – Pode me contar?

—Eu tenho você. – Coloquei a coroa de flores na cabeça de Mira e vi seus olhos muito abertos enquanto ela me encarava – Eu sinto que se você estiver comigo não importa o que aconteça, nunca vou me sentir sozinha.

—Erza... – Ela sorriu ainda mais e colocou a coroa que ela havia feito em minha cabeça – Me sinto da mesma forma.

—Então me prometa uma coisa.

—O quê?

—Quando estiver com alguém, mesmo que você ame essa pessoa com a mesma intensidade que ama sua vida, você não vai me deixar sozinha, nunca. Sabe o quanto tenho medo de ficar sozinha...

—Jamais, eu nunca te deixarei sozinha – Mira me abraçou apertado e eu senti o cheiro bom que vinha de sua pele – Vamos ficar juntas, para sempre.

—Somos duas idiotas, não é mesmo?

—Pessoas idiotas são as mais felizes, você me salvou Erza e eu nunca vou esquecer isso.

—Você sempre repete isso e eu fico envergonhada todas às vezes – Ajeitei a franja dela que havia caído em cima dos olhos – Vou te salvar quantas vezes for necessário, mesmo que tenha que fazer o impossível.

Mira não falou nada, fechou os olhos e apenas olhou para o horizonte enquanto o sol estava se pondo e eu fiquei olhando para ela, a forma como seu cabelo prateado brilhava refletindo os tons dourados que o sol lançava em nós duas, sua pele tão clara e seus cílios longos... Tudo nela era tão adorável, como um anjo, eu não sabia ao certo o que estava sentindo, ou o que era aquela coisa estranha que fazia meu coração se aquecer nesses últimos dias. Não entendia por que todas aquelas coisas que Jellal me disse não me fizeram sentir tão mal, eu só queria estar perto de Mirajane e olhá-la, só isso já me deixava extremamente feliz e mais uma vez naquele dia senti ciúmes dessa garota que ela estava apaixonada e a xinguei mentalmente por não tê-la notado ainda, se um dia eu descobrir de quem se trata vou falar que ela perdeu tempo em não ter notado a garota mais linda, inteligente e meiga que existia no mundo.

—Por que está me olhando assim? – Mira abriu os olhos e me encarou.

—Você é tão linda... — Observei Mirajane corar, o que a deixou ainda mais linda e adorável.

—Idiota.

Ela disse isso enquanto sorria e eu não pude negar que por alguns segundos o meu coração errou o passo no peito e foi uma das melhores sensações que eu já senti na vida.

~~Erza finish~~

—Estou em casa – Lucy disse ao jogar a mochila no sofá da imensa sala – Oh, que novidade, não tem ninguém aqui.

—Lucy?! – Aquarius apareceu e correu na direção da loira – Como foi a viagem? Está bem?

—O que você quer agora? – Lucy a afastou – Depois dessa coisa toda ainda quer dizer que está preocupada comigo?

—Eu precisava te ver, precisava saber que vocês estava bem.

—Aquarius, o que houve? Você parece assustada.

Foram interrompidas por uma voz masculina vinda do final da sala, Lucy estreitou os olhos, no fundo da sua memória ela reconhecia aquela voz, mas não lembrava de onde.

—Meu pai tem visita? – Perguntou curiosa – Loki está aqui?!

—Não, não! Escuta, vá para o seu quarto, não saia de lá está bem? Até que eu diga que você pode sair, agora.

—O que droga está acontecendo? Primeiro você me manda voltar para casa e agora está agindo dessa forma, só vou depois que me contar.

—Não seja teimosa Lucy!

Lucy estava prestes a responder quando viu uma figura desconhecida vindo na direção das duas, seu pai vinha logo atrás.

—Quem é ele?

Lucy deixou que Aquarius a empurrasse escada acima enquanto ainda olhava para o homem em pé na sala, a única coisa que se lembra foi do sorriso que ele lançou para ela por alguns breves segundos.

—Levy já voltou para casa? – Aquarius perguntou, quanto já estavam no quarto.

—Claro que não, só voltam no final do dia, ela até me convidou para dormir na casa dela.

—Ótimo, arrume suas coisas, quando Levy chegar você vai dormir na casa dela, certo? Agora fique aqui até eu voltar, vou trazer algo para você comer.

—Espe... ra – Lucy disse, mas Aquarius já estava saindo do quarto – Ótimo, presa no quarto o resto do dia.

Lucy se aproximou da porta para fechá-la totalmente e a única coisa que conseguiu ouvir foi a voz de Aquarius sussurrando.

—Sim, Zeref voltou...

Notas finais
Então, espero que vocês tenham curtido... Não teve GaLe nesse cap, ams terá no próximo, sim, sim. Zeref finalmente apareceu, então o que vocês acharam? Tem algum palpite sobre o futuro dessa história? :3