The Fairy and The Dragon
16 Pray it won't fade away
Notas iniciais
"It's like I've been awakened
Every rule I had you breaking
It's the risk that I'm taking
I ain't never gonna shut you out"
Halo — Beyoncé
—Gajeel, vão... vão acabar nos pegando aqui... – Levy ofegava enquanto sentia os lábios do moreno voltarem aos seus com pressa – E minha mãe vai me matar!
—Sshhh, todos estão ocupados tirando as coisas do ônibus, não vão sentir nossa falta – O moreno a beijou no alto da cabeça – Quero ficar com você.
—Eu também, mas tenho que ir... – Abaixou a cabeça triste – Minha mãe chega em cinco minutos e minhas amigas vão dormir lá em casa.
—Okay – Gajeel colocou Levy contra a parede e observou suas bochechas corando – Temos cinco minutos para aproveitar, mas antes, somos namorados?
—Q-quê?! – ‘Que história é essa de namorados? Tudo isso está indo rápido demais’ – C-como assim? Nós ficamos esse final de semana e só, não somos namorados.
—Mas você gosta de mim, eu gosto de você, é simples! Somos namorados.
—Nã- Levy não terminou de falar quando sentiu seu celular vibrando, rapidamente se desvencilhou de Gajeel e atendeu – Pai! Já chegou no Japão?
Em poucos segundos a face alegre de Levy se transformou numa máscara de tristeza, Gajeel se aproximou tocando seu rosto, mas ela se afastou enquanto um suspiro profundo saia de seus lábios.
—Certo... Trabalho de novo? Faz três meses que você promete vir me visitar pai, três meses! Eu sei que nos falamos todos os dias pelo celular, mas eu quero te ver! – Levy escutou o pai por mais alguns segundos tentando afastar as lágrimas que teimavam em vir – Eu não vou chorar... Mas quando você vem? Teremos férias em breve, posso ir te ver?
—Levy, escute — Ele parecia cansado do outro lado da linha – As coisas estão muito complicadas, ok? Muitos trabalhos na empresa, muitos contratos que tenho que entregar no prazo certo, você recebeu os livros que te mandei de programação?
—Sim – Levy fungou – Já estudei a maior parte deles.
—Sério? – Ele parecia emocionado – Nossa, eu fico feliz filha.
—O que você quer? Fui treinada pelo melhor na área: você. Isso desde os cinco anos de idade.
—Conseguiu resolver a última criptografia que mandei?
—Claro, foi fácil – Levy fungou mais uma vez – O que você quer pai? Me ensinando todas essas coisas?
—Nada só queria que você estivesse preparada se algo acontecer, quem você acha que vai cuidar da empresa? É nosso dever proteger os bens das pessoas.
—Para com isso! Do jeito que você fala parece que algo vai acontecer, não gosto quando fala assim – Por alguns segundos Levy ouviu um barulho do outro lado da linha – Pai?! O que aconteceu?
—N-nada, vou ter que desligar agora certo? Se cuida – fez uma pequena pausa – Eu amo você, Levy.
Levy ainda encarou o celular por algum tempo visualizando a mensagem ‘Chamada finalizada’, ela tentava entender o que estava acontecendo, cada vez ele parecia se afastar mais e mais e aquilo a assustava, e para piorar sua mãe parecia ainda mais paranoica em protege-la de tudo e todos e certo dia conseguiu ouvir em uma noite a mãe chorando enquanto falava no celular com alguém, ela parecia tão triste e soluçava sem parar, mas não teve coragem de perguntar o motivo.
—Levy? Oe – Gajeel estalou os dedos em frente ao seu rosto – Algum problema?
—Sim, meu pai não vai vir novamente – Tentou conter as lágrimas, não queria chorar igual uma criança na frente de Gajeel – Enfim, mais uma vez ele me deixou de lado.
—Não chora, por favor – o moreno a abraçou confortando-a em seu peito – Tenho certeza que seu pai tem um bom motivo, ele nunca deixaria de vir te ver se não fosse algo realente importante.
—Sinto saudades.
—Você pode visita-lo nas férias, estão próximas não é? Logo depois do festival que vai ter na Fairy Tail, hum?
—Ainda assim – Ela fungou encostando mais seu rosto em Gajeel – Estou preocupada, ele parece tão estranho ultimamente, como se escondesse algo.
Gajeel parou por alguns segundos e um relance de memória veio a sua mente, estava de novo em casa com Metalicana, pouco antes de ela morrer e lembra de tê-la achado estranha e distante nos últimos dias que passaram juntos e de como não o deixava sair de casa ou até mesmo ir para o colégio.
—Levy, seu pai, o que ele faz mesmo?
—Ah, ele tem uma empresa de segurança, criptografia, sabe? Acabou mudando para Londres.
—Certo... – balançou a cabeça tentando afastar as ideias absurdas que passavam em sua mente – Vamos indo, ouvi o barulho do ônibus partindo e sua mãe já deve ter chegado, além disso, tenho trabalho hoje à noite.
—Trabalho? – Levy parecia confusa – Você tem um trabalho?
—H-hã, s-sim – Gajeel gaguejou – Tenho, aos domingos, preciso ganhar dinheiro não é mesmo? Eu ainda não tenho idade para conseguir retirar o que minha mãe me deixou e meu responsável não confia o suficiente em mim, ele acha que vou acabar gastando todo o dinheiro em sei lá, piercings e tatuagens? – Sorriu — Está chateada?
—Onde exatamente você trabalha, Gajeel Redfox? – Levy estreitou os olhos.
—Um dia, prometo que te levo lá. Mas não é nada que você não possa confiar em mim – a beijou na testa – Aliás, acho que quando ver onde trabalho vai gostar muito, muito mesmo.
—Não estou gostando dessa história toda... Argh! Minha mãe chegou, tenho que ir – Levy se apressou, mas Gajeel a segurou pelo braço – O que foi?
—Mais um beijo – Ele se aproximou e tomou seus lábios com cuidado abraçando-a pela cintura enquanto lhe dava um beijo demorado e quente, após alguns segundos a soltou e ficou encarando aqueles olhos adoráveis que ela tinha – Agora pode ir fadinha.
—Argh! Quando vai parar de me chamar assim? – Ela socou de leve o braço do moreno – Okay, nos vemos na terça no colégio, lembre-se: por enquanto não podemos contar a ninguém sobre isso.
—Okay, nada de contar a ninguém que somos namorados – ele sorriu zombeteiro.
—Só vou dizer que sou sua namorada quando fizer um pedido apropriado – Ela disse enquanto corria em direção ao portão – Até Gajeel!
—Pedido apropriado, hum? – Gajeel levou às mãos aos bolsos do short – Pode deixar comigo, geheheh.
***
—Levy! – A mãe de Levy a abraçou apertado quando entrou no carro – Como foi o passeio?
—Foi ótimo. Apesar de todos os trabalhos, conseguimos nos divertir.
—Erza e Mira, vem conosco para casa. Elas ainda vão dormir lá não é?
—Sim – Levy viu as duas caminhando em direção ao carro – Ah, elas estão bem ali!
Erza e Mira acenaram e em poucos segundos já estavam abrindo a porta do carro.
—Olá, então, se divertiram meninas? – A mãe da azulada sorriu para as duas enquanto ligava o carro – Conversaram com seus pais, que iriam dormir lá em casa essa noite?
—Sim tia Mell, minha mãe já sabe – Mirajane parecia um pouco aérea – Mas tenho que ir vê-la antes.
—Vamos passar em casa só para deixar as mochilas e pegar o pijama, está bem? – Erza sorriu segurando a mão da amiga – Olha, sua mãe deixou, isso já é um passo bem grande não é mesmo? Quer que eu vá com você até sua casa?
—Sim – Mira sorriu de volta apertando a mão da ruiva – Vai ser divertido.
—Okay, coloquem o cinto – A mãe de Levy disse – Vamos sair agora.
Mell acelerou o carro, mas antes que pudesse andar muito freou bruscamente.
—Cana! – Mell exclamou – Está querendo nos matar?!
—Desculpa – Cana parecia assustada – Eu corri para tentar chegar até aqui antes que vocês saíssem e quando notei o carro já estava bem próximo.
—Ai Deus, o que houve? – Mell passou a mão no rosto – Aconteceu alguma coisa?
—P-posso ir dormir na sua casa também? Ouvi as meninas comentando ontem à noite, posso ir também?
Levy olhou para Cana, só agora a ficha tinha caído, ela não tinha sido convidada. Mas que raios! Como esqueceu de convidá-la? É que foi tudo tão rápido, a amiga parecia tão triste que ela sentiu um pesar no coração.
—Pode sim Cana – Levy respondeu de imediato – Entra, falou com seu pai?
—Hã... Não – Cana observou os olhos da mãe de Levy se fecharem – Eu falo agora se você esperarem um minutinho, por favor.
—Okay – Mell desligou o carro novamente – Temos todo tempo que precisar, fale com seu pai e em seguida nós vamos.
Ficaram observando do carro enquanto a morena se dirigia até o ruivo do outro lado da rua, após pouco tempo Gildarts acenou e Cana voltou para o carro.
—Está tudo bem, ele deixou – Disse animada enquanto fechava a porta – Podemos ir.
***
Já estavam na casa de Levy, após deixarem as mochilas no quarto foram em direção à varanda.
—Lucy vai vir! – A azulada exclamou animada – Nossa, não sei como Aquarius deixou, disse que chega daqui a cinco minutos no máximo.
—Então, o que vocês fizeram durante esses dois dias naquela praia? – Cana fechou os olhos quando sentou-se em uma das cadeiras – Quer dizer, ficamos a maior parte do tempo separadas não foi?
—Cana — Levy começou – Desculpa não ter te chamado antes, você ficou esse tempo na Irlanda, você não respondia nossas mensagens nos últimos meses... Ficamos preocupadas.
—Eu sei Levy – Cana sorriu – Jamais culparia vocês, eu que fui uma idiota depois de tudo, mas na verdade eu me ‘auto convidei’ pois queria contar uma coisa a vocês, na verdade uma conversa que ouvi recentemente e fiquei bastante preocupada.
—O quê? Está acontecendo algo com você? – Mirajane se inclinou – Precisa de ajuda com algo?
—Não, na verdade não sei – Cana escondeu o rosto entre as mãos – É só que ouvi isso e me fez pensar em algumas coisas, ou talvez eu esteja ficando louco de verdade.
—Você está assustando a gente Cana! – Erza se levantou – Conta o que você ouviu.
—Vamos esperar a Lucy chegar – Cana olhou para o lado – E ter a certeza que a mãe da Levy não vai ouvir nada.
—Trouxe suco e sanduiches – Mell colocou a bandeja em cima da mesa – Qualquer coisa estou na sala trabalhando, se precisarem podem chamar, está bem?
—Okay mãe, quando Lucy chegar pede para ela vir aqui.
Em frente à casa de Levy um carro acabará de estacionar.
—Aquarius, por que me deixou vir dormir aqui? Aliás, por que parece tão tensa hoje? Mais que o normal na verdade.
—Não é nada que você deva se preocupar, apenas fique aqui e divirta-se com suas amigas está bem? – Aquarius sorriu – Pirralha idiota.
—Você que é uma idiota – Lucy sorriu enquanto saia do carro e batia a porta – Dirija com cuidado, esse carro vale muito.
—Oh merda, acho que envelheci cinco anos só hoje – Pegou o celular na bolsa e discou os números – Gildarts? Chego no lugar do encontro em dez minutos.
Lucy ainda ficou um tempo parada em frente a porta sem tocar a companhia, por algum motivo sentia que algo estava acontecendo sem que ela soubesse e aquilo a deixava inquieta, o modo como Aquarius vinha agindo durante todo o dia, o cara estranho que ficou em sua casa, a maneira como ele a olhou e sorriu e principalmente como se pai parecia nervoso.
—Ah, deve ser coisa da minha cabeça tudo isso. Eu nunca vi aquele cara antes e Aquarius sempre foi estranha – Tocou a companhia enquanto esperava que abrissem a porta – Tudo está o mesmo que antes e vai continuar sendo a mesma coisa sempre.
—Lucy, entra – A mãe de Levy se afastou um pouco da porta para que ela passasse – As meninas estão na varanda lanchando, pode deixar sua mochila aqui na sala mesmo, depois você pega.
—Obrigada tia Mell – Agradeceu e foi em direção à varanda – Quer dizer que as mocinhas não me esperaram para começar a comer.
—Lu-chan! – Levy abraçou a amiga apertado – Nem acredito que você veio.
—Nem eu! Aquarius definitivamente está de bom humor, aliás, ela está mais estranha do que normalmente está.
—Engraçado, meu pai também – Levy disse entre um gole e outro de suco – Ele nunca foi estranho, mas nas últimas semanas...
—Viu! É sobre isso que quero falar – Cana abaixou o tom de voz – Tem algo errado acontecendo.
—O quê? – Lucy olhou para Cana com descrença – E se tivesse nós não poderíamos fazer absolutamente nada! Tirando você que vai fazer dezessete, todas nós temos quinze anos Cana, por mais que pensemos que somos ‘adultas’, não passamos de pirralhas, ok?
—Lucy, me deixa explicar está bem? Só me deixa explicar – Cana respirou – Onde está sua mãe, Levy?
—Ainda deve estar na sala trabalhando, mas se falarmos baixo não dá pra escutar.
—Certo, então vou falar baixo e quero que todas escutem – Cana esperou que as amigas se aproximassem – Ontem à noite depois daquele chilique com a Laki, Gildarts me chamou para conversar. Acontece que depois eu disse que iria para o quarto, mas na verdade fiquei perto da porta ouvindo ele falar com outra pessoa: Makarov.
—Você sabe que é feio ficar ouvindo escondido, não sabe? – Mirajane falou – E também é muito rude.
—Sei, eu sei Mirajane, agora me deixa terminar. Enfim, eles falaram algo sobre ‘Ele’ ter voltado, que era um corrupto, eu não ouvi tudo muito bem... Mas eu me lembro de terem falado algo sobre a Erza – Olhou para a prima – Sobre os pais da Mira, Gajeel, tio Igneel e sobre a mãe da Lucy....
Um silêncio enorme pairou no meio delas, Cana olhava para o rosto de cada uma para tentar distinguir os sentimentos, mas tudo que via era um imenso vazio, sentiu um arrependimento de ter contado tudo aquilo.
—M-minha mãe? – Lucy gaguejou – O que eles falaram?
—Foi tudo o que ouvi, me desculpa.
—E como pode saber que é verdade? – Mirajane estava com os olhos cheios de lágrimas – Meus pais morreram em um acidente de carro, Makarov nem Gildarts os conheciam, eles nem moravam em Magnólia na época!
—Mira, foi só o que ouvi – Ela suspirou – Mas fiquei preocupada quando falaram sobre o pai da Levy, algo sobre ele estar bem em Londres, ou algo assim. Eu sei que pode não ser nada, que pode ser coisa da minha cabeça, mas eu precisava contar a vocês, meu pai também está escondendo algo que não quer me contar!
—Meu pai, ele foi para Londres tão de repente – Levy sentou – Isso tudo é muito estranho, por mais que eu tente procurar uma conexão, nada disse faz sentido. Talvez você escutou pedaços de uma conversa que no final não faz o mínimo sentido.
—Mesmo que não faça sentindo, nem eu vejo sentindo em nada disso – Cana suspirou e sentou ao lado de Levy – Mas que tem algo muito estranho acontecendo, ah isso tem...
—Cana – Lucy parecia pensativa – Esse ‘Ele’ de quem eles falaram, tem um nome?
—Não disseram nenhum nome, infelizmente, por que?
—Tem um cara na minha casa – Lucy encarou todas – Um cara estranho, eu acho que já o vi em algum lugar, mas não me lembro onde. Aquarius praticamente me manteve presa no quarto depois que ele chegou e eu ouvi ela falando com alguém no celular, só consegui ouvir um nome: Zeref.
Erza estava em pé na varanda, mas quando ouviu aquele nome deixou que o copo que segurava caísse no chão, nunca nos últimos anos pensou que ouviria novamente aquele nome terrível e que só a fazia lembrar de dor e sofrimento, então todas aquelas memórias voltaram e por instinto levou a mão ao olho que fora machucado.
—Argh! Parem – a ruiva se ajoelhou no chão – Não falem...esse nome.
—Erza! – Mirajane foi ao seu socorro – O que aconteceu? Erza!
—Z-...Zeref? Ele está aqui? – Ela olhava para Mira – Está?
—Não! Quem é Zeref? – Mirajane a sacudia – Está tudo bem, estou com você.
—Mira... Não deixa ele chegar perto de mim de novo, não deixa... – Erza choramingou – Por favor.
—Não vou deixar, prometo.
—Se continuarmos com isso minha mãe aparece aqui em dois segundos – Levy sibilou – Agora eu estou ainda mais confusa, quem é esse Zeref? Que raios ele está fazendo na casa da Lucy e como diabos Erza o conhece?!
—T-talvez eu tenho ouvido errado – Lucy falou assustada – Eu não sei quem ele é, talvez mais um cliente do meu pai. Acho melhor esquecermos tudo isso!
—Zeref... – Erza conseguiu dizer após estabilizar sua respiração – Era ela quem mandava na ilha que fiquei presa, foi ele que me machucou! Mas isso seria impossível, ele morreu lá.
—Bem, pessoas com o mesmo nome existem – Cana falou – Mas o fato é que tudo está muito estranho, mas vamos fazer como Lucy disse: esquecer tudo isso. Acho que ouvimos demais e não temos idade para essas preocupações.
—É o que acho – Levy disse seria – Não temos idade para isso, não temos certeza de nada, olha como a Erza ficou? Temos que acalmá-la antes que minha mãe venha até aqui. Eu vou até a cozinha pegar um copo com água, vocês fiquem aqui.
Levy saiu a passos apressados, mas antes que pudesse chegar até a cozinha olhou se a mãe estava por perto e sem fazer barulho abriu o antigo escritório do pai. Se aproximou da mesa de carvalho e abriu a pequena gaveta que estava lá, de dentro tirou um diário com capa de couro, gasto e velho, sempre vira o pai carregando aquele diário, mas nunca sentiu curiosidade de saber para que servia, até o momento em que o encontrou perdido e começou a folheá-lo, dentro havia muitas anotações e informações que para Levy eram mágicas, mas naquele momento o que chamou sua atenção foi a lembrança de um nome rabiscado em uma das folhas.
Levy engoliu a saliva e abriu o diário, torcendo para que fosse só coisa da sua imaginação tudo aquilo, devia ser. Abriu o diário na parte em que se recordava e praguejou mentalmente quando viu no final com a caligrafia desajeitada do pai o maldito nome: Zeref.
—Mas que droga está acontecendo?! – Jogou o diário de volta na gaveta – Tudo isso só pode ser coincidência – Parou por alguns instantes – Um mundo de coincidências que parecem uma bola de neve gigantesca.
Saiu do escritório e voltou para a cozinha para pegar o copo com água, torcendo mentalmente para que o pai não estivesse envolvido em nenhuma loucura.
—Aqui a água – Entrou o copo para Erza – Está mais calma?
—Sim, me desculpe – Erza bebeu alguns goles e entregou o copo de volta – Estou bem agora.
—Certo, então que tal tomarmos banho? Hum? Tem o banheiro do meu quarto, aqui embaixo tem outro e no quarto de visitas outro, como vamos fazer? Não cabemos todas em um único banheiro.
—É uma pena – Cana sorriu – Seria no mínimo divertido – vendo que todas a encaravam ela disfarçou – Certo, não faço mais essas brincadeiras.
—Eu e Mira podemos tomar banho juntas, não me importo – Erza disse – Você se importa Mira?
—N-não – A albina corou levemente – Não me importo.
—Então as duas ficam no banheiro aqui embaixo, Lucy? – Levy apontou para a amiga.
—Posso tomar banho com você, acho que vai ser mais rápido assim, desse jeito terminamos logo e podemos conversar no quarto.
—Certo, então Cana fica no banheiro do quarto de visitas, está bem?
—Oh, certo, a única sozinha em um banheiro – Cana sorriu – Está bem, vou indo então.
~~Erza~~
Eu já estava tirando minha roupa quando Mirajane entrou no chuveiro, ela desviou o olhar do meu corpo e trancou a porta.
—Se quiser eu posso tomar banho antes e sair para que você possa tomar seu banho – Disse enquanto colocava minha camiseta em cima da pia do banheiro – Se não estiver confortável.
—Está tudo bem, acho que eu que deveria perguntar isso e não você.
—Mira – Suspirei – Acho que você não entendeu, eu não me importo se você gosta de garotas ou de garotos, só me importo se você está ou não feliz só isso.
—Certo – Mirajane já tinha começado a se despir – Você ainda lembra de tudo que aconteceu lá?
—Sim, de cada detalhe – disse.
—Desculpa, não queria fazer você se lembrar.
—Tudo bem, de verdade – Eu sorri tentando acalmá-la – Quando eu converso cobre isso com você, não me sinto mal, na verdade me faz sentir melhor – Corei.
Observei enquanto Mira tirava suas roupas, notei a pele alva e os cabelos prateados encaracolados que passeavam livremente por suas costas, eu só podia estar ficando louca! Aqueles pensamentos nunca fizeram parte de mim, mas confesso que depois dessa viagem comecei a sentir uma coisa estranha no meu peito cada vez que Mira sorria para mim, algo parecido com o que sentia quando reencontrei Jellal, mas...De alguma forma, melhor.
Observei quanto ela entrou no chuveiro e como a água quente caia em sua pele fazendo com que filetes de água escoasse por sua barriga e seios, engoli com dificuldade e tentei afastar aquilo da minha mente, eu devia estar confusa, toda aquela conversa com Jellal e depois descobrir que Mira gostava de garotas deve ter me abalado.
—Erza? Não vem? – Ela me chamou com aquele sorriso.
—S-sim – Eu disse enquanto caminhava na direção do box – Estou indo.
E quando entrei no chuveiro e fechei a porta do box fiquei frente a frente com ela, éramos praticamente da mesma altura o que nos permitia olhar nos olhos uma da outra. Eu estava sentindo meu corpo quente, talvez fosse só a água.
—Quer que passe sabão nas suas costas? – Mira mostrou o sabonete líquido em suas mãos.
Assenti enquanto me virava e deixava que ela ensaboasse minhas costas, sentir o taque de suas mãos pequenas e macias na minha pele quente me fazia sentir bem, mas ao mesmo tempo era um pouco constrangedor, após alguns segundos ela parou e eu confesso que senti falta do toque quente de suas mãos.
_Pode passar nas minhas? Esses dias com todo aquele sol, areia e quilos de protetor solar não foram fáceis.
—Claro, deve ser complicado para você, sua pele é tão clara – Coloquei o sabão nas mãos – Vire-se.
Quando Mira virou e afastou os longos cabelos das costas eu engoli em seco mais uma vez, levei minhas mãos até suas costas e massageei devagar, a pele dela era tão suave e macia... Dava vontade de tocá-la mais e mais. Balancei a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos.
—Pronto, terminei.
—Obrigada, Erza.
~~Erza finish~~
Após todos terminarem o banho e quando já tinham conversado durante horas acabaram dormindo largadas pelos futons espalhados no chão do quarto de Levy. A azulada olhou mais uma vez para o celular antes de jogá-lo em qualquer canto, suas pálpebras estavam pesadas e tudo que queria era dormir e saber que na manhã seguinte o despertador não tocaria era uma alivio imenso.
Já estava pegando no sono quando sentiu o celular vibrar ao seu lado, suspirou lembrando que tinha esquecido de coloca-lo no silencioso. Levou um susto quando viu a mensagem e de quem tinha vindo.
Gajeel: Hey, ainda está acordada?
Levy: Hum, estava quase dormindo >_>
Gajeel: Oh, me desculpe, quero ver você ♥
Levy: Agora? Já é tarde, estou em casa, não podemos nos ver.
Gajeel: Vá até a janela do seu quarto.
Levy: O quê?
Gajeel: Apenas vá até a janela.
Levy suspirou e foi em direção à janela tomando cuidado para não tropeçar em nenhuma das meninas, abriu a porta do quarto que dava para a varanda e olhei para a praça que em frente.
Levy: Estou aqui -.-‘’
Gajeel: Agora olhe bem na sua frente.
Levy estreitou os olhos e viu a longe no final da praça uma luz brilhando levemente, após alguns segundos uma sombra alta saiu de trás da imensa árvore no centro e agora estava visível: Gajeel!
Levy: Está maluco? Se os seguranças te pegam aqui nesse horário você está encrencado!
Gajeel: Não vão me pegar.
Levy: Como você sabe onde eu moro¿!
Gajeel: Já te vi aqui faz um tempo, mas isso não importa agora. Só queria te ver.
Levy: Estamos muito longe, quase não posso ver você
Gajeel: Eu te sinto perto, agora tenho que ir ou realmente vou ficar encrencado gehehe
Levy: Cuidado, já está muito tarde
Gajeel: Vou ter cuidado, durma bem fadinha... Mesmo de longe eu vou cuidar de você, te gosto muito ♥
Levy: Também... gosto de você ♥
Levy ficou na varanda até que viu o moreno sumir no final da rua, seu coração batia tão rápido que parecia que iria sair do peito. Voltou para o futon sem fazer barulho e deitou abraçando o celular. Gajeel fisicamente parecia ser um bruto, mas ela nunca conheceu alguém tão doce e delicado como ele, antes de dormir a única coisa que pediu foi que no dia seguindo aquilo tudo não tivesse sido apenas um sonho.
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