Notas iniciais
Como vocês são leitoras lindas, aqui está o capítulo que eu prometi ontem.

Boa leitura!

Santana’s POV

Eram duas horas da manhã, todas estavam dormindo, mas eu não conseguia fechar os olhos nem por um minuto. Minhas mãos tremiam e minha garganta queimava. Eu sabia exatamente o que fazer pra acabar com aquela sensação horrível, mas eu sabia que Beth ficaria triste se não me visse ali ao acordar e eu não aguento ver aquela boneca triste.

O problema era que eu também sabia que aquilo não iria passar. Resolvi tentar dar uma pequena enganada no meu organismo, pelo menos por hoje. Levantei com o maior cuidado do mundo e levei o cobertor comigo. Fui até o meu quarto e peguei a carteira de cigarros que ficava escondida em uma das minhas gavetas, eu não gostava muito de cigarros, mas era a única coisa que estava ao meu alcance no momento e que eu sabia que iria resolver meu problema por algum tempo. Desci novamente as escadas e depois de checar se ainda estava todo mundo dormindo, abri a porta da frente com cuidado e saí rapidamente do apartamento. Fui para o único lugar naquele prédio que me dava um pouquinho de calma.

Brittany’s POV

Acordei no meio da noite com um barulho. Abri os olhos lentamente apenas para enxergar Santana, saindo de fininho pela porta da frente.

Me levantei rapidamente e a segui sem me importar de colocar um casaco ou coisa parecida. Eu não queria que ela saísse bem hoje. Para minha surpresa, quando eu cheguei ao corredor, ao invés de ela descer de elevador, a vi subindo as escadas que davam ao telhado.

Fiquei parada em frente ao apartamento por algum tempo me decidindo se devia segui-la ou não. A curiosidade falou mais alto e eu fiz o mesmo caminho que ela. Abri a porta do telhado e a encontrei fumando, enrolada em um cobertor, e encarando as estrelas. Me aproximei dela em silêncio e parei em sua frente. Santana olhou para mim por um momento e abriu um pequeno sorriso antes de voltar a encarar o céu.

- O que é que você está fazendo aqui? – Perguntei.

Ela voltou a me olhar e tragou o cigarro antes de me respondeu.

- Vem cá. – Santana me puxou para sentar-se ao seu lado e me fez olhar para o céu. – Tá vendo aquela estrela ali? – Apontou para o céu.

- A mais brilhante?

- É... – Ela me mandou um sorriso. – Se chama Estrela Polar, ela compõe a constelação da Ursa Menor... – Por mais que eu estivesse gostando de todo essa explicação dela, não estava entendendo o porquê dela. – Eu quero que você fique olhando pra ela, pelo tempo que precisar... E me diga o que você vê. – Santana disse e deu mais uma tragada no cigarro.

Tirei meu olhar das estrelas e direcionei a ela.

- Eu faço, mas será que você podia jogar isso aí fora? – Pedi.

- Ah sim, desculpa... – Santana falou tragando mais uma vez o cigarro antes de jogá-lo pelo telhado.

- Obrigada. – Voltei a olhar as estrelas e fiz exatamente o que ela me pediu. Depois do que eu acho que foram mais de meia hora encarando a estrela que nem uma idiota, eu finalmente entendi o porquê de estar olhando. Sorri e voltei a olhar para Santana com os olhos brilhando. Ela sorria pra mim e parecia que o sorriso já estava ali antes de eu voltar a encará-la.

- As outras constelações... Se mexem... – Falei ainda perplexa. Ela assentiu ainda sorrindo. – Como?

- A estrela polar fica quase no pólo norte celeste, e seja lá o que isso significa, faz com que as outras constelações em volta dela pareçam se mexer. – Santana me explicou.

- E como você sabe dessas coisas? – Perguntei.

- Minha mãe... Ela amava essas coisas sabe? Estrelas e meteoros... Eu acabei aprendendo bastante... – Santana encolheu os ombros. — Ela costumava me contar histórias sobre as constelações quando eu não queria dormir... Eu decorei a história de cada uma delas. – Ela terminou com um sorriso meio triste nos lábios.

Meu coração se apertou, não era bom vê-la assim. Mas antes que eu pudesse falar alguma coisa, um vento forte bateu fazendo-me amaldiçoar a mim mesma por não ter pegado nem um casaco ao sair do apartamento. Puta merda, essa cidade é mais quente que o inferno e agora que eu não tenho blusa, resolve esfriar! Santana percebeu que eu estava temendo e abriu os braços.

- Vem cá... – Ela me chamou e, mesmo um pouco hesitante, fui. Santana me abraçou e eu estava quente rapidamente não só por causa do cobertor, mas a pele de Santana era extremamente quente.

Nós duas ficamos em silêncio, apenas observando o céu por um tempo até que decidi falar.

- Eu sempre quis saber qual é a história das constelações da Ursa Maior e Menor... Tipo, porque tem duas?

Senti ela sorrir antes de responder.

- A lenda grega diz que Zeus se apaixonou por uma ninfa dos bosques chamada Calisto que era amiga de Ártemis, e ele ficou fascinado pela beleza de Calisto, que um dia ele resolveu fingir ser Ártemis pra conseguir se aproximar da ninfa, e na minha opinião, ela era meio burra, porque ela acreditou nele... – Santana revirou os olhos e soltei uma leve gargalhada. – Mas, continuando... Quando ela percebeu que não era a Ártemis, já era tarde e ela tinha engravidado de Zeus. O nome do filho deles era Arcas se eu não me engano... A esposa de Zeus, Hera, não gostou muito da história de ser traída sabe? E transformou Calisto em uma ursa. Arcas se tornou um caçador e anos depois ele acabou por se encontrar com Calisto, mas como ela era uma ursa o rapaz apontou a arma para ela. Zeus, não querendo que o filho matasse a mãe, o transformou em um urso também e mandou os dois para o céu... A ursa maior representa Calisto. – Santana apontou para a constelação e depois abaixou seu dedo alguns centímetros – E a menor representa Arcas.

Voltei meu olhar para Santana não conseguindo conter o sorriso em meu rosto. Eu realmente gostava de ter esses momentos com ela.

- Conta mais? – Pedi parecendo uma criança de cinco anos e ela sorriu pra mim. Eu acho que o sorriso dela é um dos mais lindos que eu já vi. Isso porque quando ela sorri, sempre é verdadeiro.

- Escolhe uma constelação. – Ela me disse.

Olhei para o céu e apontei qualquer uma. Não me importava a constelação, eu só estava gostando de ouvi-la falar com um sorriso no rosto e de estar tão próxima dela.

- Cassiopéia. – Santana começou. – Essa é chata. Vou resumir pra você... A mulher era uma metida que queria se mostrar e acabou quase perdendo a filha. – Ela apontou para outra constelação e voltou a falar. – Aquela é Andrômeda, filha de Cassiopéia...

E assim nós passamos o resto da noite, com ela me contando histórias sobre todas as constelações visíveis no céu de Miami.

Santana’s POV

Já passavam das cinco da manhã quando nós resolvemos voltar pro apartamento. Tentamos entrar fazendo o mínimo de barulho possível, mas é claro que Quinn só fingia estar dormido. Ela devia estar acordada desde a hora em que eu e Brittany saímos, deve estar com medo que eu a leve pro mau caminho. Mal sabe ela é que aquela loira era a última que eu deixaria fazer as merdas que eu faço.

Nos deitamos de novo nos colchões da sala e ficamos de frente uma pra outra.

- Porque é que você saiu de madrugada pra ver estrelas? – Brittany me perguntou sussurrando depois de um tempo.

- Eu não saí pra ver estrelas... Eu saí pra fumar. – Confessei baixinho. Eu nem me importava mais com o fato de falar com ela. Era bom pra mim ter alguém pra conversar.

- Eu não sabia que você fumava... – Ela comentou.

- Eu não costumo fumar... Não cigarros, mas... – Coloquei minha mão em minha garganta. – Estava queimando, faz tempo que não fico três dias sem as drogas, eu não queria deixar a Beth triste... O cigarro dá uma segurada por um tempo. – Admiti.

Brittany apenas assentiu e veio pra mais perto de mim, me abraçando e começando a afagar meus cabelos.

Era incrível. Não importava o que eu falasse pra ela, Brittany não dizia nada, ela só me fazia sentir bem. Eu adorava tê-la ali.

Notas finais
E aí?? Mereço reviews?