The Exchange - Brittana
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Boa leitura!
Brittany’s POV
No outro dia, as coisas ficaram um pouco mais estranhas, apesar de Santana tentar parecer estar normal eu podia ver o quanto ela estava tensa, ficava batendo os pés o tempo todo, sua expressão... Bom, sua expressão eu não conseguia ler, os olhos dela estavam ainda mais negros do que normalmente são. A parte boa era que ela e Quinn conseguiram conversar civilizadamente no almoço.
Eram três horas da tarde e Quinn e Rachel haviam saído com Beth, elas perguntaram se nós não queríamos ir junto, mas Santana negou rapidamente e eu sabia que deixar ela sozinha não era uma boa opção.
Eu estava na cozinha tomando água e Santana estava no sofá tentando prestar atenção no que passava na televisão. Fui para perto dela. Seus pés batiam contra o chão e ela arranhava seu braço com as unhas numa tentativa falha de se conter. Sentei ao seu lado e segurei sua mão para fazê-la parar de arranhar a si mesma. Ela olhou confusa pra mim.
- Você vai se machucar desse jeito. – Falei.
Ela forçou um sorriso e assentiu.
Não era uma sensação boa ver ela daquele jeito. Quase não tendo comando sobre suas ações.
- A última vez que eu tentei parar de me drogar foi há muito tempo, não deu certo... Eu não consegui me conter, a queimação na garganta, e vontade interminável de voltar a fazer aquilo... É demais, eu desisti depois de dois dias sem... E eu estou quase desistindo de novo... – Ela confessou olhando pra baixo.
A verdade é que eu já sabia disso. Era muito óbvio.
- A Q diz que eu sou drogada e eu sempre nego, mas eu sei o que eu sou... É só... Difícil de admitir, não é como se eu não quisesse parar. Eu sei que não parece, mas eu amo a Quinn, demais, ela é minha irmãzinha, e eu sinto falta dela, mas eu não consigo parar. – Ela continuava a olhar pra baixo, agora com algumas lágrimas nos olhos.
Eu gostava de saber que ela confiava em mim pra se abrir, pra me deixar entrar.
Suspirei e levantei o rosto dela, fazendo-a me encarar. Limpei as lágrimas que ainda escorriam por seu rosto e a abracei forte.
- Eu sei que é difícil, e eu prometo que eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance pra te ajudar... Se você quiser a minha ajuda.
Ela se soltou dos meus braços e me encarou por alguns segundos antes de assentir fraco e abrir um pequeno sorriso.
- Você devia sorrir mais sabia? – Falei. – Seu sorriso é lindo.
Porque mesmo eu falei isso? Pois é, nem eu sei. Mas até que foi bom, por que ela abriu um sorriso ainda maior e comprovou o que eu falei. Ela tinha, com certeza, o sorriso mais lindo que eu já tinha visto.
- Obrigada... – Ela falou e eu não entendi se foi por causa do elogio ou por antes. Mas deixei por isso mesmo.
Santana veio pra mais perto de mim e deitou a cabeça em meu ombro, isso estava se tornando normal e eu gostava. Era uma sensação estranha e ao mesmo tempo boa, ter ela perto.
Eu sabia que isso estava se tornando mais do que só querer ajuda-la, e isso me assustava um pouco pelo fato de eu nunca ter gostado de alguém, mas era tão bom ter Santana perto e eu acabava me esquecendo do medo.
Fiquei no apartamento de Quinn até anoitecer quando Rachel resolveu me arrastar pro nosso apartamento.
- Britt, nós precisamos sair amanhã pra comprar o material escolar. A aula começa na segunda e amanhã já é sábado...
Merda! Eu tinha esquecido desse detalhe. Eu teria que fazer o terceiro ano aqui. Esqueci completamente disso. Claro né! Na maior parte do tempo, meu pensamento está numa certa latina que mora aqui na frente.
- Tá bem Rach... A gente sai amanhã. – Falei tentando ir pro meu quarto, mas Rachel me puxou novamente pro sofá.
- Vai me contar o que está acontecendo entre você e a Santana? – Ela perguntou.
- Nada, eu só quero ajuda-la... – Falei. Se eu tivesse dito isso alguns dias atrás seria totalmente verdade, agora, é só uma parte dela.
- Aham, eu vou fingir que acredito. Por favor, Britt, ela não é carinhosa daquele jeito com ninguém tirando a Beth faz tempo... Não tenta me enganar.
Preciso escrever isso em algum lugar, nunca tentar esconder nada da Rachel.
Suspirei e fechei os olhos por um momento antes de voltar a encará-la.
- Eu não sei ok? Ela só me faz sentir algo que eu não sabia que existia... – Confessei.
Rachel sorriu fraco.
- Conheço bem essa sensação... Só, toma cuidado ok? A Santana é uma ótima pessoa, mas ela é meio instável se é que você me entende. – Rachel falou.
Assenti, entendo o que ela quis dizer.
- Agora eu vou deitar, boa noite Britt... – Ela falou se levantando e beijando minha bochecha antes de subir as escadas.
Fiquei mais um tempo na sala, assistindo um programa qualquer na TV antes de ir para o quarto.
Dormir não foi tão fácil quanto eu pensei que seria. Santana não saia da minha cabeça nem por um segundo.
* * *
Por ter ido dormir só depois das duas da manhã, quando eu acordei já passava das onze e meia. Me levantei sem pressa, fiz minha higiene pessoal e me troquei antes de descer e encontrar o apartamento vazio. Isso acontecia bastante, queria dizer que Rachel estava no apartamento de Quinn. Fiz meu caminho até lá e bati na porta. Alguns segundos depois, Beth abriu e pulou em cima de mim.
- Britt! – Disse enquanto eu a pegava no colo.
- Bom dia pequena! – Olhei para dentro e só vi Quinn e Rachel conversando no sofá. – Cadê a Santana? – Perguntei e a loira se virou para me encarar.
- Não faço ideia, ela saiu de madrugada... – A voz de Quinn estava triste.
Assenti já sabendo que isso aconteceria cedo ou tarde. Ela não estava curada e eu sabia disso.
Eram duas da tarde quando Santana adentrou o apartamento. Os olhos meio avermelhados, o andar um pouco vacilante e as olheiras enormes abaixo dos olhos. Quinn parou o que estava fazendo e a olhou por um instante, já podia prever a gritaria, mas nada aconteceu, a loira apenas revirou os olhos e voltou a lavar a louça. Santana subiu as escadas sem dizer nada.
Eu estava com um pouco de receio de ir até o quarto dela saber como ela estava, mesmo que nós estivéssemos nos dando bem, eu não sabia como ela iria me tratar nessa situação. Mesmo assim, eu fiz meu caminho até o quarto dela e me sentei na cama ao ver que ela estava tomando banho.
Santana’s POV
Eu tentei, eu juro que tentei me segurar o máximo que eu pude. Mas não deu certo. Eram cinco da manhã e eu já tinha fumado uns sete cigarros, mas não adiantava, minha garganta continuava queimando e eu não aguentava mais.
Me vesti rapidamente e fui para o lugar que eu geralmente ia quando queria drogas. O fornecedor gostava de mim e não me fazia pagar tão caro. Eu devo ter apagado por que quando me dei conta já eram uma e meia da tarde.
Eu não estava mais tão fora de mim quando cheguei em casa, só meio tonta. Entrei já esperando o sermão de Quinn, mas esse não veio, ela só me olhou e depois desviou o olhar. Eu não conseguia olhar pra Brittany. Eu estava com vergonha.
Subi rapidamente e resolvi entrar no banho pra tentar voltar totalmente ao normal. Tomei o banho e sequei os cabelos. Ainda me sentia cansada mas estava melhor do que antes.
Saí do banheiro e me surpreendi ao encontrar Brittany sentada na minha cama com as costas da cabeceira, assistindo televisão. Ela se virou pra mim e sorriu. E como com ela eu não consigo me controlar, sorri também.
- Você tá bem? – Ela perguntou carinhosa.
Como é que alguém consegue ser tão fofo? Eu acabei de voltar drogada e ela me pergunta isso? Eu adoro o jeito como ela se importa.
- Aham... – Falei enquanto ia para a cama. – Só cansada.
Ela bateu as mãos em seu colo e eu sorri sabendo o que aquilo significava. Rapidamente, deitei a cabeça nas pernas dela.
- Você pode fazer um favor pra mim depois? – Ela perguntou. Me virei pra encará-la e esperei que ela continuasse. – Segunda começa as aulas, me leva pra sair pra comprar o material depois? A Quinn saiu com a Rach agora, mas eu queria saber como você estava...
Sorri na direção dela e resolvi brincar.
- Eu esqueci que você era bebê ainda... – Falei divertida enquanto apertava suas bochechas.
- E você é idiota! – Brittany falou sorrindo.
- Eu levo você depois... – Falei voltando a me deitar nas pernas dela, que começou a afagar meus cabelos.
Fechei os olhos apreciando o gesto dela. Um sorriso meio imbecil brotou nos meus lábios. Saber que ela estava mesmo ali pra mim, que o que ela disse ontem não foi só da boca pra fora me fazia bem. Eu gostava de saber que teria a ajuda dela, gostava de como ela nunca me julgava. Eu gostava dela no geral.
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