The Exchange - Brittana
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Boa leitura!
Fazia três semanas que eu estava em Miami e as coisas estavam ótimas. Eu acabei descobrindo que a família que estava me abrigando não era apenas formada por Rachel e seus pais, mas também pela família do apartamento da frente.
Quinn e Beth estavam sempre no apartamento de Rachel ou nós íamos até o apartamento da loira. A filha de Quinn era um anjo e eu havia conseguido me aproximar bastante dela. Eu gostava de brincar com Beth, me fazia lembrar de Hanna.
Havia conhecido a mãe de Quinn cinco dias depois de ter chegado. Judith era uma fofa, ela era a avó perfeita, a mãe perfeita e ela tinha muita paciência, porque eu não vi ela se exaltar com Santana nenhuma vez desde que eu cheguei, e pra não brigar com aquela morena só sendo santa mesmo.
Eu realmente achava que Santana tinha algum problema de bipolaridade, porque tinha momentos que ela me dava medo de tão mal humorada, sério, se eu tivesse que escolher entre ela e um urso, eu iria correndo abraçar o urso. Mas tinha outras horas que ela era um amor, que eu conseguia conversar com ela normalmente e arrancar até alguns sorrisos. Mas não era com todo mundo que isso acontecia. Com Quinn, por exemplo, Santana não dava nenhuma brecha pra ela se aproximar, bastava algumas palavras entre as duas e os gritos começavam.
Havia cuidado de Santana pelo menos umas cinco vezes e que Deus me perdoe por dizer isso, mas era até divertido, ela falava coisas bem sem sentido e ficava fácil falar com ela, fazer ela escutar você. Bem que ela podia ser daquele jeito sem o efeito das drogas.
Eu aprendi que Santana não gostava quando falavam sobre as drogas e sobre a vida pessoal dela. Talvez fosse por isso que as brigas entre ela e Quinn eram tão normais, a loira só falava com Santana sobre as drogas e sobre como ela tinha que parar de fazer merda. Eu até concordava com Quinn em alguns pontos, porque eu tinha certeza que Santana poderia se dar muito bem na vida se não fosse pelas drogas, eu só não achava que Quinn iria conseguir alguma coisa se ela continuasse gritando daquele jeito com Santana.
Consegui me aproximar um pouco de Santana, mas nunca tocando no assunto das drogas ou da vida dela, eu apenas a fazia sorrir quando ela me deixava fazer isso. E nós duas estávamos progredindo, agora ela pelo menos me chamava pelo nome o que era um bom sinal já que antes era só britânica pra lá, britânica pra cá.
Eram dez da noite e eu estava no apartamento de Quinn conversando com Judith. Hiram e Leroy haviam ido sei lá aonde e Rachel e Quinn tinham ido jantar fora, elas até tentaram me levar junto, mas eu não aceitei, não iria roubar a vida amorosa delas, elas mereciam um tempo sozinhas. E além do mais, ficar com Judy não era ruim, ela fazia eu me lembrar de minha mãe.
- Eu já fui umas cinco vezes pra Londres a trabalho, é uma cidade linda. – Judy falava enquanto eu a ajudava a guardar a louça. – Mas é uma cidade muito fria!
- É sim... Mas é bom. – Sorri. Eu até que gostava do tempo frio de Londres.
- É bom quando você tem alguém pra abraçar né! Ficar sozinha num quarto de hotel naquele frio não é muito bom... – Ela falou me fazendo rir. – Me diz quem é a pessoa que você fica abraçada. – Judy pediu me olhando.
Corei rapidamente. Não porque eu tinha alguém, mas era uma pergunta estranha.
- Humm... Minha irmã. – Falei pensando na única pessoa que vinha correndo pra minha cama no meio da noite.
Judith sorriu e voltou a guardar a louça, logo depois sendo interrompida por seu celular. Ela saiu da cozinha para atender e voltou minutos depois com uma expressão meio estressada.
- Britt, querida, você se importa de ficar um tempo aqui? Eu vou ter que ir até a empresa por causa de um pequeno problema... – Disse suspirando já arrumando sua bolsa.
- Claro que não. – Falei. – Eu vou voltar pro apartamento da Rach e ficar lá...
- Não precisa. A Santana está no quarto, eu vou chama-la pra ficar com você.
- Não precisa chamar a Santana... Eu vou pra casa. – Tentei. Não havia visto Santana hoje e tinha medo que ela não estivesse em um dia bom.
- Que isso, ela não vai se importar. – Judy falou sorrindo. – SANTANA! – Ela berrou.
Alguns segundos depois, Santana apareceu no topo da escada toda arrumada. Ela iria sair.
- Fala. – A latina disse calma. Pelo menos ela estava de bom humor.
- Eu vou precisar ir até a empresa... Não tem ninguém em casa, a Beth já está na cama e a Brittany é a única aqui... Será que você podia ficar com ela? – Judy preguntou.
Santana ficou quieta por alguns segundos, olhou para suas roupas e logo voltou seu olhar pra mim.
- Claro. – Disse depois de um tempo. Olha, ela escolheu ficar comigo do que sair pra beber. Abri um pequeno sorriso. – Só espera um pouco e eu já desço tá? – Ela me perguntou e eu apenas assenti olhando-a voltar para o quarto.
Judy sorriu e me abraçou antes de sair pela porta e me deixar completamente deslocada dentro do apartamento. Não havia vindo aqui sem a companhia de Rachel, era estranho ficar sozinha ali. Fiquei encostada na bancada sem fazer nada.
Santana desceu minutos depois com as roupas trocadas. Ela havia colocado um shorts um pouco pequeno e uma camiseta branca larga e com os cabelos soltos. Era difícil vê-la com os cabelos soltos.
- Eu vi que você ia sair... Não precisa ficar em casa por minha causa... Eu cuido da Beth até a Judy voltar... – Falei.
- Tá tudo bem, a festa nem era tão legal assim. – Ela falou dando de ombros com um pequeno sorriso. – Tá com fome?
- Um pouco... – Falei tímida. Eu ainda não tinha me acostumado com esses surtos de simpatia da Santana.
- Ok, vou pedir pizza... – Ela falou indo para o sofá e se jogando nele com o celular nas mãos.
Continuei parada na bancada enquanto ela pedia a pizza. Depois de finalizar a ligação ela se virou pra mim e sorriu.
- Você pode sentar aqui sabe... Eu não mordo. – Falou batendo a mão no lugar ao seu lado.
Fui até lá e me sentei um pouco tímida ao seu lado.
A pizza chegou um tempo depois e Santana colocou um filme para assistir enquanto comíamos. Já estava um pouco mais aberta com ela. Ela era legal quando não tinha ninguém por perto e quando estava de bom humor.
Passava da meia noite e ninguém havia chegado em casa ainda. Eu e Santana ainda estávamos conversando na sala, mas eu estava morrendo de sono e via que ela também estava.
- Quer ir pro meu quarto? – Ela perguntou me fazendo arregalar os olhos. – Não! Não desse jeito. Ir deitar. Tá tarde e pelo que eu vejo ninguém vai chegar tão cedo assim. – Ela explicou sorrindo.
- Eu posso ir pro outro apartamento. – Falei.
- Brittany, eu não vou te morder, eu prometo. É sério, dorme aqui pra não dormir sozinha. – Ela disse com uma voz calma.
E tinha como negar? Eu não podia falar não, ela estava sendo fofa comigo a noite toda.
- Tá bom...
Ela sorriu pra mim e me puxou para o seu quarto, que era muito diferente do que eu imaginava. Eu achei que ia ser tudo preto e sem graça com roupas jogadas por tudo, mas não, o quarto tinha uma pintura clara, era extremamente organizado e ela tinha até um violão.
- Surpresa? – Ela me perguntou sorrindo e indo até o armário.
- Eu só... É bem diferente do que eu imaginei...
Ela sorriu e me entregou um pijama.
- Eu acho que esse serve. Pode se trocar no banheiro. – Ela apontou para a porta fechada.
Santana’s POV
Assisti Brittany entrar no banheiro toda tímida e resolvi começar a arrumar a cama.
- Santana? – Ela me perguntou abrindo uma pequena fresta da porta e eu apenas a olhei esperando que continuasse. – Você se importa se eu tomar banho? Eu prometo que vai ser rápido.
Sério que ela pediu permissão pra isso? Apenas sorri pra ela.
- Pode tomar.
Ela abriu um sorriso tímido e voltou a fechar a porta.
Me joguei na cama já arrumada e fechei os olhos por um momento, deixando meus pensamentos me guiarem.
Eu estava gostava de falar com Brittany. Ela não era como todo o resto do pessoal aqui em casa que só abre a boca pra falar que eu estou me perdendo. Brittany me fazia sorrir, coisa que era difícil conseguir e nunca falava sobre as drogas. Ela era a única que parecia entender que eu odiava quando falavam disso.
Fui tirada de meus devaneios quando senti o peso aumentar do lado esquerdo da cama. Abri os olhos e Brittany sorria pra mim.
- Desculpa... Eu não queria te acordar. – Ela falou.
- Eu não estava dormindo. – Levantei para apagar a luz e logo me enfiei embaixo das cobertas de novo.
- Obrigada por me deixar ficar aqui... – Ela falou se virando de lado para me encarar.
Fiquei na mesma posição que a de Brittany e sorri em sua direção. Mas que merda eu não consigo parar de sorrir perto dela.
- Não precisa agradecer... – Falei já sentindo o sono me invadir. – Eu sei como é ruim ficar sozinha...
Brittany’s POV
Eu não sei por que, mas a última frase de Santana me fez sentir mal. Fiquei a encarando por um bom tempo. Era a única hora que dava pra ver tranquilidade em sua expressão, quando ela estava dormindo.
Seus lábios estavam entreabertos e a mão escondia parte do rosto, ela estava tão serena. Passei minha mão por sua face e sem pensar, depositei um pequeno beijo em sua testa.
- Eu não vou deixar você sozinha... – Sussurrei antes de deixar o cansaço me dominar.
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