Notas iniciais
Boa tarde minhas lindas!

Criatividade veio me visitar então... Aqui está um pouquinho do porque da Santana ter entrado no mundo das drogas.

Boa leitura!

Acordei no meio da noite com o barulho forte de um trovão. Estava chovendo forte lá fora. Abri os olhos e estranhei ao ver Santana sentada na cama, olhando pela janela e tremendo um pouco.

Me sentei na cama devagar e encostei de leve em seu ombro, fazendo-a virar assustada pra mim. Seus olhos estavam levemente vermelhos e deu pra perceber que ela estava com medo.

- Tá tudo bem com você? – Perguntei baixinho.

Ela fechou os olhos e assentiu.

- Tá sim, é só bobagem minha. – Ela disse com a voz rouca.

Era óbvio que ela estava chorando e ver pessoas chorarem não era o meu forte. Puxei ela de volta para debaixo das cobertas e a puxei pra perto de mim por instinto. Ela pareceu estranhar, mas depois de um tempo senti que ela relaxou.

Santana’s POV

Era muito estranho ficar abraçada com alguém, com alguém que estava com roupas e estava me abraçando apenas por sentir que eu precisava disso. Mas ao mesmo tempo era bom. Fazia tanto tempo que eu não era abraçada. Me fazia sentir bem.

- Você tem medo de tempestades... – Não era uma pergunta, ela apenas afirmou.

Eu odiava não conseguir controlar essa droga de medo, mas era difícil. Toda vez que eu escutava um trovão, ou que um raio iluminava o céu, as imagens horríveis que eu lutava pra esquecer voltavam com força total.

- Não é exatamente medo... Eu só não gosto. – Disse suspirando.

Brittany abraçava minha cintura com força tentando me dar algum conforto.

- E você quer me dizer por quê?

Suspirei novamente. Eu sabia que se começasse a falar, eu iria começar a chorar e eu não gostava de chorar. Mas ao mesmo tempo, eu queria tento me abrir com alguém e ela estava ali, deixando uma porta para que eu fizesse isso, e Brittany parecia a melhor pessoa para que eu fizesse isso, desde que ela chegou aqui, ela sempre me tratou tão bem, mesmo que eu não fosse assim com ela o tempo todo.

- Eu... Eu não tenho lembranças boas sobre tempestades. – Comecei e apenas de pensar meus olhos já começavam a arder. Isso era uma das únicas coisas que me faziam chorar. Brittany não falou nada. – Eu tinha quinze anos quando a minha mãe morreu... E foi horrível, estava chovendo muito e nós duas tínhamos vindo aqui ajudar a Judy com a mudança, eu não moro com a Quinn aqui desde sempre. – Expliquei e parei um pouco tentando evitar o nó que se formava em minha garganta. – Nós estávamos indo pra casa. Eu morava em uma cidade perto daqui, nós pegamos estrada e eu não lembro direito o que aconteceu, eu só sei que o carro saiu da estrada e capotou. – Parei de tentar segurar as lágrimas e senti as mãos de Brittany acariciarem minhas costas. – Foi horrível, eu acordei com a meu corpo todo doendo... Quando eu olhei pro lado minha mãe não estava no banco do motorista... Mesmo inteira machucada eu saí e fui procurar por ela... Ela estava inteira machucada e tinha um sangue escorrendo da cabeça, muito sangue... Ela me pediu pra ficar longe, mas eu não podia deixar ela sozinha, eu fiquei lá com ela e ela morreu. Morreu abraçada comigo. – Terminei de falar tentando suavizar os soluços.

Brittany me apertou mais contra seus braços e começou a afagar meus cabelos. Era uma sensação boa. Eu me sentia bem com ela.

- Me desculpa... Se eu soubesse eu não iria pedir pra você falar disso. Desculpa. – Ela falou.

- Tá... Tá tudo bem. – Respondi ainda tentando me acalmar.

Ela continuou a brincar com meus cabelos enquanto eu me acalmava. Nós ficamos em silêncio por um bom tempo.

- Tá melhor? – Perguntou.

- Aham... – Respondi. – É... Obrigada. – Disse tímida.

- Pelo que exatamente?

- Por ficar aqui comigo, por me abraçar... Eu sinto falta de abraços, de alguém que fique perto de mim sem gritar... É bom. – Confessei olhando nos olhos dela.

Ela sorriu pra mim.

- Você não precisa agradecer... Todo mundo precisa de abraços de vez enquanto, e eu não acho que ficar gritando vai adiantar alguma coisa...

Abri um pequeno sorriso e voltei a deitar em cima dela.

- É difícil sabe... – Falei.

- O que que é difícil?

- Aguentar... Minha mãe morreu, mas o mundo não parou por causa disso, eu precisei achar conforto de algum jeito... As drogas foram o único remédio que funcionou...

Ela voltou a afagar meus cabelos sem falar nada e eu apenas sorri fraco.

Falar com Brittany era fácil, ela fazia com que você quisesse contar as coisas pra ela. Ela te ouvia sem te julgar.

- Não são nem três horas ainda... Tenta dormir mais um pouco. – Brittany falou.

Fechei os olhos e tentei ignorar os fortes trovões do lado de fora. Demorei um pouco pra conseguir relaxar, mas pareceu mais fácil do que nas outras vezes. Porque hoje eu não estava sozinha. Ainda podia sentir os dedos de Brittany em meus cabelos quando eu finalmente peguei no sono.

Brittany’s POV

E novamente ouvir as palavras de Santana cortaram meu coração. Ela era apenas uma garota frágil que queria carinho, que conseguiu um pouquinho de paz ao usar drogas.

Foi meio estranho ouvir ela falar tudo aquilo pra mim, nós nem nos conhecíamos direito, mas eu gostei de ter escutado. Gostei de saber que ela confiava em mim o suficiente pra me contar aquilo.

Me doía o coração saber o que ela havia passado e apesar de nunca, nem por um segundo, apoiar o uso de drogas, eu entendia os motivos dela. Só de pensar em perder a minha mãe me dá um arrepio horrível, imagina então ela morrer nos meus braços.

A única coisa que eu ainda não entendia era, onde estava o pai de Santana? E porque ela parecia ter muito mais motivos para estar no mundo das drogas do que o fato da mãe ter morrido?

Santana ainda era uma pessoa misteriosa, mas do jeito que estava indo, eu esperava conseguir arrancar tudo dela e ajuda-la com tudo o que ela precisava. Eu não ia deixar ela do jeito que estava, não quando ela silenciosamente implorava por ajuda.

Notas finais
E aí? Aprovado?