Notas iniciais
Menos de cinco capítulos e eu imagino que a fic acaba.... Eu já estou sentindo o quanto vocês vão me odiar no último capítulo. Mas né... Boa leitura!

Brittany’s POV

Você alguma vez na vida já sentiu alívio misturado com tristeza? Não? Bom, essa sensação anda me perseguindo desde que Santana aceitou ir para uma clínica e hoje, ela estava muito mais intensa, porque hoje era o dia em que San iria ser internada.

O alívio era por ela ter aceitado tratamento, por ela entender que eu infelizmente não era tudo o que ela precisava para se curar do vício. E a tristeza... Bom, é até de se imaginar o porquê dela. Eu iria perder meus últimos meses com ela. Mas se era para a minha San ficar boa, que fosse assim.

No dia em que ela falou que iria pra uma clínica, todo mundo estava apoiando-a, mas eu podia ver em seus olhos que ela não estava feliz com aquilo. Santana queria ter forças o suficiente pra lutar contra o vício sem precisar da ajuda de remédios. Eu lembro o quanto ela chorou à noite, me pedindo desculpas por não conseguir parar sozinha. E aquilo quebrou meu coração em mil pedaços, porque Santana era tão forte, e ela não conseguia enxergar isso.

Ainda não eram nem sete da manhã, e eu já estava acordada há um bom tempo, apenas observando Santana dormir com a cabeça em meu ombro. Minhas mãos brincavam tranquilamente com seus cabelos e vez ou outra eu depositava um beijo em sua testa, fazendo-a suspirar, e cada vez que isso acontecia, San se aconchegava ainda mais em meu corpo. Eu estava me controlando muito para não chorar naquele momento. Eu sentiria tanta falta dela.

***

Santana acordou por volta das dez da manhã, mas hoje ela não tinha seu sorriso sonolento habitual. Seus olhos estavam tristes e ela somente me encarou séria, passando as mãos pelo meu rosto. Meus olhos se fecharam assim que San se aproximou de mim, ela roçou nossos lábios e esperou que eu terminasse a pequena distância que faltava para que eles se chocassem, colei meus lábios aos seus e San me deixou conduzir o beijo, fazendo com que minha língua dançasse dentro de sua boca já tão conhecida. O ar não se fazia mais presente, mas eu não queria descolar nossos lábios. Santana se afastou ofegante e suas mãos novamente vieram acariciar meu rosto.

– Eu amo você. – Sussurrou com a voz rouca.

– Eu amo você princesa. – Respondi no mesmo tom.

– Que horas são?- Perguntou.

– Quase dez e meia...

Santana suspirou e continuou calada por um momento, somente me encarando.

– Eu preciso ir me trocar... – Falou sem animação alguma.

Judy havia dito que marcou no lugar as onze, o que dizer que nós já estávamos um pouco atrasadas.

Eu somente assenti e San continuou me encarando por vários segundos antes de bicar novamente meus lábios e só então levantar. Levantei atrás dela e nós começamos a nos arrumar, e pela primeira vez, o silêncio que se fez entre nós duas era desconfortável.

Nós descemos as escadas com os dedos entrelaçados e Judy já nos esperava, com Quinn e Beth no sofá. A criança fungava no colo de Quinn, que provavelmente havia contado a ela que Santana passaria um tempo fora de casa. Beth correu até San e abraçou suas pernas. Minha namorada respirou fundo e apertou minha mão antes de largá-la e se abaixar na altura de Beth.

– Porque você vai embora Sanny? – A pequena perguntou com toda a sua inocência.

– Porque eu preciso boneca.

– Você não ama mais a gente?

– Mas é claro que eu amo minha linda. Mas eu preciso resolver algumas coisas fora daqui. Eu prometo que eu volto boneca. – San falou com a voz embargada. Beth jogou seus braços em volta do pescoço de Santana e a abraçou.

Elas ficaram algum tempo naquele abraçou até Quinn dizer que ia deixar a filha com a namorada.

Nós íamos no carro de Alexa, já que ela queria ir junto. Judy sentou no banco do carona, ao lado da melhor amiga de San. Sentei no meio no banco de trás, com Quinn de um lado e San do outro. O caminho até a clínica não poderia ter sido mais desconfortável, era um silêncio horrível dentro daquele carro. Santana ficou com a cabeça deitada em meu ombro o caminho todo e não ousou desentrelaçar nossas mãos.

A medida em que o carro de Alexa ia parando, meu coração parecia ser esmagado com mais força. Ela estacionou em frente à grande clínica e ela e Judy olharam para trás, encarando Santana, que parecia ter seu pensamento longe, ainda com a cabeça descansando em meu ombro.

– Amor? – Chamei baixinho e San pareceu voltar a realidade. Ela me encarou por alguns segundos antes de suspirar e sair do carro. Assim que eu a segui, Santana entrelaçou novamente nossas mãos.

Nós entramos em silêncio e Judy foi falar com o homem que nos esperava quase na porta. Passei meus braços pela cintura de minha namorada e deixei que ela voltasse a encostar a cabeça em meu ombro.

– Santana? – A voz masculina soou. Encarei o dono da voz e San fez a mesma coisa, ainda encostada em meu corpo. – Eu sou Finn, você já pode vir comigo.

Santana suspirou e assentiu, se soltando de mim e indo abraçar Judy. Aquilo havia se tornado um mar de lágrimas, porque todas nós chorávamos.

– Cuida da minha boneca tá? – San sussurrou no ouvido de Quinn enquanto a abraçava apertado. A loira sorriu entre lágrimas e assentiu antes de deixar que Santana fosse abraçar Alexa.

Quando chegou na minha vez, Santana pediu um pouco de privacidade para que nós pudéssemos nos despedir em paz.

Ela passou os dedos por minhas bochechas, afastando algumas lágrimas e respirou fundo.

– Você foi a melhor coisa que já me aconteceu na vida sabia? –Perguntou baixinho, brincando com nossos dedos entrelaçados. – Você chegou de repente e me fez repensar tudo. Você acreditou em mim, quando nem eu mesma acreditava... Você me fez te amar, e me fez feliz de novo. E eu ainda não entendo o que foi que um anjo como você viu em mim, uma garota completamente problemática viciada em drogas, mas seja lá o que for, muito obrigada Britt, por abrir meus olhos, por chegar na minha vida e me fazer querer mudar. – Santana tinha os olhos molhados e os meus não estavam diferentes. – Eu queria poder ficar com você... Não só até você ir embora, eu queria poder passar o resto da minha vida ao seu lado. Mas infelizmente não é assim que a banda toca. Desculpa B... Desculpa não ser forte o suficiente pra poder passar os últimos três meses perto de você, sem pensar nas drogas... Desculpa amor. – As mãos dela tremiam enquanto ela falava e a cada palavra que saía de sua boca, seu choro se intensificava. – Eu não sei se eu ainda vou te ver depois de hoje... Então eu vou te pedir uma coisa. Você foi meu anjo, e não importa quanto tempo passe, eu vou sempre lembrar de você, não importa se algum dia nós vamos ou não nos ver de novo, eu vou sempre amar você da mesma forma que eu amo agora. Eu não vou pedir pra você continuar me amando, eu só quero que você se lembre de mim. Você pode prometer que não vai me esquecer Britt? – San tinha os ombros encolhidos e me encarava com os olhos banhados em lágrimas. Tão frágil.

– Eu nunca poderia te esquecer Santana. Eu te amo mais do que tudo princesa, e você também foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida San... Eu vim pra cá, pensando em um intercâmbio calmo e você virou tudo de cabeça pra baixo... Mas você fez melhor do que um intercâmbio comum. Eu vi em você alguém que precisava de ajuda de alguém, e quando você me deixou ser essa pessoa, esse meu um ano aqui passou a ser a melhor coisa que me aconteceu. Você é forte Santana, mesmo que você não ache, você é, e eu estou tão orgulhosa por você ter vindo pra essa clínica. – Os meus olhos não saiam dos dela um minuto sequer, eu precisava que ela soubesse que eu falava sério. – Você pode não saber se vai ou não me ver de novo, mas eu sei. Eu me recuso a aceitar que essa vai ser a última vez que nós vamos nos ver. Se eu já tiver isso embora quando você sair daqui, eu vou fazer o possível e o impossível pra te achar de novo San. Você não faz ideia do quanto eu te amo princesa.

Antes que eu pudesse pensar em dizer mais alguma coisa, os lábios de Santana se chocaram contra os meus. O beijo era tranquilo e carinhoso, salgado por conta de nossas lágrimas, mas eu não me importava, beijar Santana era sempre bom. Nenhuma de nós queria que aquele momento acabasse, mas nossos pulmões imploravam por ar e aos poucos, eu me afastei dela.

Finn voltou para perto de nós com um sorriso sem graça no rosto, dizendo que Santana tinha que ir com ele agora. Ela me encarou desesperada.

– Vai amor. Eu prometo que isso aqui não vai ser o final.

Santana se jogou em meus braços, me abraçando apertado por vários minutos antes de selar novamente nossos lábios.

– Eu amo você. – Falou.

– E eu amo você. – Respondi.

Nossas mãos se soltaram lentamente e eu a vi entrando pela porta de vidro preto que separava a recepção do resto da clínica. E meu coração? Foi com ela.

Notas finais
Comentaram pouco no último. Eu sei que vocês querer me matar, mas dá pra me matar depois de comentar? Porque sério, eu amo comentários*-*