The Exchange - Brittana
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Brittany’s POV
Eu havia tido as duas semanas mais perfeitas da minha vida. Ficar sozinha com Santana em um lugar longe de tudo foi maravilhoso. Mas sabe aquele deitado que diz que tudo que é bom dura pouco? Pois é, dura mesmo.
Eu precisava voltar pra Miami por causa da escola e eu até tentei convencer San de que eu estava bem, que nós poderíamos ficar mais alguns dias e eu não perderia muita coisa, mas ela foi irredutível, dizendo que não me deixaria perder mais aulas e de que nós poderíamos ficar sem fazer nada lá também. Claro que não seria a mesma coisa, mas nós não poderíamos ficar ali pra sempre. Infelizmente.
Nós colocamos as malas no carro e eu implorei para que San me deixasse dirigir até que nós chegássemos na estrada.
Acontece que dirigir não é tão ruim como eu pensei que seria, eu até que gostei, e Santana era uma ótima professora.
Ela me encarou por alguns segundos e assentiu. Eu gostava de saber que tinha esse poder sobre ela. Santana nunca conseguia me negar nada.
Eu dirigia com toda a atenção, ainda tinha um pouco de receio, mesmo com San tendo deixado eu dirigir todos os dias quando estávamos ali. Parei o carro quando já estávamos perto da estrada e olhei para o banco do carona onde Santana tinha um sorriso cansado em seu rosto.
A última noite havia sido um pouco agitada, San estava bem agitada. Suas mãos estavam tremendo bastante e ela tinha fumado pelo menos uma dúzia de cigarros. Lembro que acordei de manhã e ela estava no andar de baixo, com as mãos tremendo e a caixa de cigarros estava ao seu lado.
– Eu vou dirigir até em casa ok? – Falei com certo receio. Eu não queria dirigir, mas eu sabia que San não estava bem.
– Não precisa Britt. Eu posso ir.
– Tá tudo bem San, eu vou devagar... Se eu ver que eu não consigo, nós trocamos de lugar. Você está cansada amor... – Falei passando os dedos por sua bochecha.
Santana sorriu e assentiu, voltando a se acomodar no banco do carona.
Liguei novamente o carro e comecei a dirigir devagar.
– Se a polícia nos pegar, nós estamos ferradas você sabe né? – San falou de olhos fechados, com sua cabeça encostada no vidro.
– Eu gosto de aventuras. – Disse fazendo-a rir.
Aquilo foi uma mentira. Eu estava com muito medo de acontecer alguma coisa, afinal eu não sabia dirigir direito, mas Santana parecia tão cansada, ia ser muita maldade deixá-la dirigir.
Eu dirigia com calma e eu não sei por que, o fato de Santana ter dormido em menos de dez minutos me fez ficar menos nervosa, pelo fato de que ela estava tão relaxada comigo dirigindo ao ponto de se deixar ser levada pelo cansaço. Não era uma viagem longa então em um pouco mais de quarenta minutos, eu estacionei o carro em frente ao nosso prédio. Alexa sabia que nós voltaríamos hoje e estava lá nos esperando. Ela me ajudou com as malas enquanto eu contava para ela o estado da San na última noite. Ela apenas suspirou, nós duas sabiam que Santana não estava curada, nós sabíamos que ela teria recaídas. Pedi que ela não contasse para San que ela sabia.
Acordei Santana com vários beijos e depois de nos despedirmos de Alexa, nós subimos em silêncio, com San descansando sua cabeça em meu ombro.
Eu meio que perdi Santana quando nós abrimos a porta do apartamento, Beth a carregou para o quarto dela e eu fiquei na cozinha, tendo que contar detalhe por detalhe sobre a nossa semana para Quinn e Rachel.
– Está muito silencioso lá em cima... – Quinn falou depois de um bom tempo. Eu e Rachel ficamos quietas e era verdade, tudo estava muito quieto.
Nós três fomos até o quarto de Beth e meu suspiro ao ver Santana dormindo sentada não foi despercebido por Quinn. Ela ergueu as sobrancelhas e me encarou. Apenas a ignorei e entrei no quarto, com certa dificuldade, peguei San em meus braços e a levei até o próprio quarto, sendo seguida por Quinn e Rachel. A arrumei na cama e tirei seus sapatos antes de cobri-la e sentar-me ao seu lado, fazendo com que ela abraçasse minhas pernas. Meus dedos brincavam com seus cabelos e eu não conseguia tirar os olhos de sua expressão relaxada. Apenas levantei o rosto quando Quinn pigarreou, ela e Rachel ainda estavam na porta do quarto, provavelmente confusas.
– A última noite não foi muito agradável... – Falei suspirando. – Ela não estava bem.
Quinn assentiu também suspirando e veio se sentar na ponta da cama, sendo seguida pela namorada.
– Eu achei que ela estava melhorando. – Sussurrou.
– Ela está melhorando... Mas não está curada.
– E quanto tempo você acha que vai demorar pra ela parar com esse vício? – Quinn perguntou.
– Esse é o problema Q... Assim, do jeito que ela está tentando, eu não acho que o vício vá embora... – Falei mais baixo que um sussurro. Tanto Rachel como Quinn me encararam, confusas e assustadas pelo que eu acabara de dizer. Suspirei. – Eu queria muito dizer que só a minha presença vai fazer ela melhorar, mas não vai.
– Mas ela está indo bem... – Quinn disse esperançosa. – Ela quer melhorar por você.
– E quando eu voltar pra Londres Q? – Perguntei com os olhos marejados.
– Então... O que ela precisa fazer pra se livrar do vício? Porque tá tudo tão bom, eu não quero que ela volte pro fundo do poço...
– Daqui menos de seis meses eu vou embora, e por mais que eu não queira deixar a San, eu vou ter que ir... Se eu tivesse mais tempo, talvez eu conseguisse fazê-la parar, mas seis meses pra quem ficou quatro anos nas drogas, é pouco tempo. Eu amo a Santana, demais e eu queria poder passar os seis meses que eu tenho aqui, perto dela. Mas pro bem dela, ela precisa ir pra uma clínica. E me dói saber que ela pode não voltar até eu ir embora, mas eu a quero bem, cem por cento bem.
– Mas... Porque ela não vai depois que você for embora? – Rachel perguntou.
Eu neguei com a cabeça e quando ia responder, Quinn falou.
– Santana não iria. Ela quer parar por causa da Brittany, que sentido tem ela se internar depois que a Britt não estiver mais aqui? Ela precisa ir antes.
Assenti. Somente pensar em ter Santana longe de mim nos últimos meses que nós poderíamos ter juntas, doía tanto, mas eu precisava saber que ela estava livre das drogas quando eu voltasse pra Inglaterra.
– O problema vai ser convencê-la a ir... – Quinn falou, encarando a mulher completamente inconsciente sobre minhas pernas.
Seria difícil convencê-la, mas não era impossível e por mais que doesse em mim, eu faria de tudo para que ela aceitasse.
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