Notas iniciais
Boa tarde lindas! Postando rapidinho porque eu seu uma autora muito querida(mentira) e não queria deixar vocês esperando.

PS: Imaginem a Alexa como a linda da Laura Prepon em Orange Is The New Black.

*notas finais*

Mais um mês havia se passado desde que eu cheguei em Miami, o tempo parecia correr quando eu não queria que isso acontecesse. Claro que eu estava morrendo de saudades de minha família e dos meus amigos, mas eu estava amando estar aqui.

As coisas não haviam mudado muito entre mim e Santana, ela nunca era grossa comigo, nem quando estava em dia de ressaca. San nunca gritava comigo ou me fazia sentir mal, muito pelo contrário, eu adorava ficar com ela. Santana não estava mais se abrindo muito comigo, eu só havia descoberto que ninguém além de Judy sabia sobre como ela viu a mãe morrer. Ela às vezes também me contava uma coisa ou outra sobre sua mãe, mas sempre acabava chorando e vê-la chorar me dava um aperto enorme no coração. Mas fora isso, ela era com certeza a pessoa mais carinhosa do mundo. Só comigo e com Beth é claro, mas ela era.

Tinha semanas que ela ficava três ou quatro dias sem usar drogas, mas quando usava ela costumava ficar um dia todo fora e voltar totalmente destruída. Também tinham semanas que ela saía todas as noites, ela voltava fora de si, mas não tanto. Eu realmente não sabia qual era pior.

San e Quinn ainda discutiam, mas não era mais todo dia. As coisas estavam evoluindo, aos poucos, mas estavam.

A única coisa que eu ainda não entendia e sempre que eu perguntava, Santana dava uma desculpa qualquer era o porquê de ela não gostar do Sebastian. Sério, ela ficava toda séria e quieta quando ele estava perto. Até ele mesmo já tinha notado isso. Eu ficava meio desconfortável quando eles estavam juntos. Era muito estranho.

E hoje era um dia que eu sabia que a San iria ficar meio estranha comigo, porque eu iria sair com ele, não só com ele, nós íamos com um monte de gente a uma pizzaria, só que era o Sebastian que viria me pegar.

Estava no ‘meu’ apartamento sozinha já que Rach havia saído com Quinn. Resolvi ligar o Skype para falar com Marley. Eu não falava muito com as pessoas lá da Inglaterra porque primeiro, não dava tempo e segundo, batia uma saudade.

- Bi você é uma vaca sabia disso? Esqueceu que eu existo? – Marley gritou comigo assim que eu entrei.

- Eu também te amo. – Falei sorrindo enquanto ela revirava os olhos.

- Eu estou com saudades de você... Tipo muita! – Ela falou.

- Eu também estou... – Disse.

- Tá bom, mas eu não vou deixar você toda emocional... Me diz, como estão as coisas aí? Tão te tratando bem? Por que se não tiverem, eu vou aí bater neles. – Marley falou me fazendo sorrir, ela era muito protetora quando se tratava dos amigos.

- Não se preocupa não, eu estou bem... – A tranquilizei.

- É bom mesmo. E aí? Já conseguiu achar alguém pra você ai?

Meu pensamento foi direto para Santana e eu nem tentei impedir, faz umas duas semanas que eu já havia aceitado o fato de que eu estava mesmo apaixonada por aquela latina.

- Nem responda... – Marley disse divertida. – Quem é o sortudo, ou sortuda? – Perguntou.

Marley havia sido a única pessoa com que eu havia conversado sobre ser bi e ela aceitou numa boa.

- É a minha vizinha... – Falei meio tímida.

- E como ela é?

- Morena, com o corpo mais perfeito que eu já vi, os olhos castanhos... Ela é carinhosa e a pessoa mais fofa do mundo... – Falei meio boba. – Mas...

- Tinha que ter algum defeito né? – Marley reclamou.

Antes que eu pudesse responder Marley, Santana entrou pela porta com um pequeno sorriso no rosto.

- San, eu não sabia que você estava em casa... – Falei sorrindo.

- Eu estou, mas já vou sair. – Disse vindo até mim e sorrindo para a tela do computador ao ver que eu estava falando com alguém.

- San essa é Marley, minha melhor amiga lá da Inglaterra. Marley, essa é Santana minha vizinha e melhor amiga daqui de Miami. – Falei fazendo Santana sorrir por eu tê-la tratado como melhor amiga e Marley sorrir de forma maliciosa.

- Prazer Marley... – Santana disse antes de se voltar para mim. – Você precisa de mim pra alguma coisa?

- Não... – Neguei com a cabeça. – Daqui a pouco eu vou sair com as pessoas lá do colégio.

- Precisa de carona?

- Não, o Sebastian vem me pegar... – Disse meio sem graça e ela rapidamente diminuiu o sorriso e apenas assentiu antes de beijar minha testa de forma carinhosa.

- Eu volto mais tarde tá bem? – Santana falou.

Assenti meio triste por saber onde ela estava indo. Essa era uma daquelas semanas que ela saia todos os dias.

- Bi eu acho que eu acabei de virar gay... – Marley comentou depois que Santana saiu. Ri dela e revirei os olhos. – Sério tem homem assim aí também? Acho que eu vou te fazer uma visitinha viu... Mas voltando, me diz aí qual é o defeito que essa garota tem porque eu não achei.

- Sabe por que ela saiu agora? – Perguntei e ela negou. – Ela foi usar drogas...

Marley arregalou os olhos por um segundo e depois voltou a falar.

- Você está muito fodida sabia disso né?

Apenas assenti. Eu sabia que estava, mas era impossível não se apaixonar por Santana.

* * *

Passava das onze horas e eu ainda estava na pizzaria, era divertido sair com as pessoas do colégio, um bando de idiotas. Já havia dito aos pais de Rachel que talvez chegasse tarde então eu não estava preocupada. Não até meu telefone tocar e o nome ‘Santana’ brilhar na tela. Pedi licença e fui até um local mais silencioso para atender e assim que o fiz, minha preocupação só aumentou ao não reconhecer a voz do outro lado da linha.

“É a Brittany?” – Uma voz feminina me perguntou.

“É sim, quem fala?” – Perguntei um pouco exaltada.

“Alexa, eu sou uma amiga da Santana e ela caiu de moto...” – Fiquei ainda mais preocupada ao ouvir essa frase, mas deixei que ela terminasse de falar. – “Ela está bem, só com alguns arranhões e pediu pra eu te ligar... Pediu pra você vir até aqui.”.

“Eu... É... Sim, eu posso.” – Falei meio embolada. – “Qual o endereço?”.

Alexa me deu o endereço certo de onde elas estavam e eu saí do restaurante sem me despedir de ninguém. Liguei para Puck porque eu sabia que era o único que se disponibilizaria a sair de casa àquela hora por conta de Santana.

Em poucos minutos, eu e ele estávamos no meio de uma rua um pouco deserta. Apenas uma caminhonete parada de qualquer jeito, uma moto estirada no meio da rua e duas mulheres sentadas no meio fio. Santana tinha a cabeça no colo da outra morena que eu deduzi ser Alexa. Não vou mentir, fiquei com um pouco de ciúmes, mas deixei passar porque eu estava muito preocupada.

- Meu Deus San, você está mesmo bem? – Perguntei vendo que ela tinha cortes em tudo e sua cabeça sangrava.

- Sim, eu to bem... – Falou meio baixo sem sair do colo de Alexa.

- Ok, meu trabalho aqui já está feito, levanta aí vadia que eu tenho que voltar a trabalhar. – Alexa falou sorrindo.

- Nossa Lex, você me comove... – Santana falou se levantando com a minha ajuda.

- Fica bem quietinha aí que se eu não estivesse aqui você ainda estaria jogada aí. – A morena disse se levantando e sacudindo as roupas. – Vou ajudar seu amigo a colocar a sua moto na minha caminhonete e daqui uns três dias eu te devolvo ela novinha em folha...

- Obrigada Lex... – Santana falou ainda apoiada em mim. Ela parecia meio bêbada.

- Não tem de quê vadia, mas da próxima vez, faça o favor de me pedir pra te levar até em casa sua besta, você sabe que eu nunca nego. Na verdade eu ainda não entendi o porquê de você querer voltar sozinha hoje... A propósito, eu sou Alexa, amiga dessa imbecil aí. – Disse virada para mim.

- Brittany... – Falei.

- Ah, eu sei bem disso... Santana gosta muito de falar sobre você sabia? – Alexa falou antes de ir até Puck e começar a ajuda-lo a colocar a moto de Santana na caminhonete.

Me virei para encarar Santana que tinha o rosto um pouco corado por conta da última frase de Alexa. Apenas sorri em direção a ela e a guiei até o carro de Puck, a coloquei no banco de trás e sentei ao seu lado, fazendo com que ela deitasse a cabeça em meu ombro rapidamente.

- Não tá com dor? – Perguntei.

- Hm... Tá tudo meio dolorido, e eu acho que eu torci o pé, mas logo passa... – Respondeu baixinho e meio embolada. Sim, ela estava um pouco bêbada.

- Por que é que você foi voltar sozinha pra casa? – Perguntei ainda preocupada com ela.

- Hm... Eu não achei a Lex e achei que eu tinha condições de voltar...

- É ela quem sempre te leva em casa?

- Uhum...

Isso explica o porquê de Santana nunca ter se machucado tentando voltar drogada ou bêbada pra casa. Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa pra ela, Puck entrou no carro.

- Eu não quero ir pra casa... – Santana falou assim que ele ligou o carro. – A Quinn vai gritar comigo e eu não quero ouvir nada hoje...

Olhei para Puck e ele apenas assentiu.

- Tá bom, vocês dormem lá em casa hoje.

Santana assentiu contra o meu ombro e fechou os olhos.

Não demorou muito para chegarmos na casa de Puck. Achei que ia ter que levar Santana no colo, mas ela se levantou rapidinho e apenas me pediu apoio por estar com o pé torcido.

Em pouco tempo, nós duas estávamos na cama do quarto de hóspedes. Puck havia colocado um saco de gelo no tornozelo de Santana e agora eu estava improvisando um curativo no machucado que ela havia feito na cabeça.

San parecia uma daquelas crianças que se você encosta no macucado ela reclama. Era divertido a ver fechando os olhos com força e apertando a minha mão.

- Pronto criança, terminei. – Disse rindo da cara que ela fazia.

- Não ria! Isso dói! – Ela fingiu estar com raiva, mas logo abriu um sorriso cansado.

- Quer deitar?

Ela apenas assentiu e se arrumou na cama. Fui até o banheiro e escovei os dentes antes de apagar as luzes e deitar ao lado dela, que se virou rapidamente para mim com um pequeno sorriso nos lábios.

- Obrigada por ir até lá me ajudar... Eu não sabia pra quem mais ligar... – San disse.

- Eu acho que o pessoal está me procurando na pizzaria até agora, saí de lá sem avisar ninguém... – Falei e ela ficou com uma expressão culpada no rosto. – Mas tá tudo bem. – Completei acariciando seu rosto fazendo Santana fechar os olhos.

- Eu não gosto do seu amigo Sebastian. – Ela falou do nada.

Ah é, tinha esquecido que ela estava maio bêbada ainda.

- Eu já percebi isso... Vai me dizer por quê? – Perguntei, acho que se eu tenho chance de saber é agora porque sóbria ela nunca vai me contar.

- Eu só não gosto... Ele fica muito perto de você, e eu não gosto. – Ela respondeu. – Eu acho que... Eu tenho ciúmes? É... Eu tenho ciúmes... – Falou tudo meio devagar. Eu acho que o efeito do sono junto com a bebida estavam fazendo o cérebro dela funcionar mais lentamente.

Abri um sorriso bobo ao ouvir ela dizer que tinha ciúmes dele.

- E por que é que você tem ciúmes? – Eu estava gostando muito do rumo da conversa.

- Porque eu gosto de você... Gosto bem mais do que só ‘melhor amiga de Miami’. – Ela disse lembrando de como eu a apresentei pra Marley. – Eu não sou dessas pessoas que se apaixona, mas você me encantou... O jeito como você é comigo, sempre carinhosa e compreensiva, não é todo mundo que é assim comigo... Eu tenho ciúmes do seu amigo por que eu não quero que você fique com ele... – Santana disse meio tímida.

Eu fiquei alguns segundos processando as palavras dela antes falar com um sorriso idiota no rosto.

- Você não precisa se preocupar com isso... Primeiro porque o Sebastian é gay... – Disse fazendo-a arregalar os olhos. – E segundo, por que a minha melhor amiga de Miami é muito melhor do que ele... – Falei fazendo carinho em seu rosto.

San sorriu e fechou os olhos por um segundo antes de abri-los novamente e aproximar seu rosto do meu. Eu podia sentir sua respiração contra minha pele, seu hálito incrivelmente doce. Com uma força que eu não sei de onde eu tirei, me afastei dela, fazendo-a me olhar confusa.

- Você está bêbada... Eu não quero que você não se lembre do nosso primeiro beijo... – Falei com certa dificuldade.

Ignorando-me completamente, Santana se aproximou de mim e segurou minha nuca, me levando para mais perto dela e juntando nossos lábios e naquele momento eu esqueci até do meu nome. Santana foi extremamente carinhosa, acariciando minhas bochechas com suas mãos enquanto nossas línguas brincavam entre si calmamente.

Eu já havia beijando outras garotas e garotos, mas o que eu senti quando aquela mulher me beijou foi fora do comum. Aquelas famosas ‘borboletas no estômago’ foram finalmente sentidas e com uma intensidade enorme. Eu não me importaria de passar o resto da minha vida beijando Santana.

Quando o ar faltou, ela finalizou o beijo com vários selinhos. Meus olhos continuaram fechados, com um pouco de receio que aquilo fosse somente um sonho. San deu um beijo suave em minha testa antes de falar.

- Eu nunca seria capaz de esquecer o gosto dos seus lábios Britt... – Disse antes de vir mais para perto de mim e se acomodar em meus braços.

Santana não demorou a pegar no sono, mas eu fiquei boa parte da noite apenas observando-a com um sorriso bobo nos lábios. Naquele momento eu acabei esquecendo de todos os problemas dela e só me concentrei em saber que ela gostava de mim tanto quanto eu gostava dela.

Notas finais
Vocês comentaram pouco no último capítulo:( Então vamos fazer um combinado : Se vocês comentarem bastante eu prometo fazer de tudo pra postar até terça feira.