Namjoon tentava manter a postura firme, mas a tensão era visível. A situação estava fugindo do controle, e cada minuto parecia arrastar o destino de Taehyung para mais perto do perigo.

Desesperado por uma saída, Namjoon tentou ligar para Victor, na esperança de negociar qualquer coisa. Uma troca, um acordo, até mesmo a fuga dele, contanto que Taehyung saísse com vida. Mas Victor não atendia. O silêncio do outro lado da linha aumentava o nervosismo de todos na tenda.

Enquanto isso, ele se reunia com Jungkook e outros oficiais, espalhados ao redor de uma planta do hotel. Discutiam rotas de infiltração, possíveis brechas, tentando montar um plano que permitisse entrar sem alertar os homens de Victor. Era como jogar xadrez com uma bomba-relógio.

Jungkook insistia que era a melhor opção para liderar a missão. Estava determinado a se infiltrar no hotel, lançar uma bomba de fumaça e neutralizar os sequestradores antes que algo pior acontecesse. Sua confiança era inabalável.

Namjoon sabia que Jungkook era um excelente policial. Ágil, perspicaz, estrategista, um talento raro. Mas também sabia que ele ainda era jovem, e nunca tinha enfrentado uma situação como aquela. E por mais habilidoso que fosse, ainda era inexperiente.

Não queria arriscar perder mais um.

Namjoon olhou para o rosto determinado de Jungkook e sentiu o peso da responsabilidade esmagando seu peito. Precisava encontrar uma saída, antes que fosse tarde demais.

Enquanto todos discutiam desesperadamente, tentando montar um plano de resgate e lutar contra o tempo para salvar Taehyung, Yoongi saiu da tenda em silêncio, escapando sem ser notado.

Caminhou determinado em direção à entrada principal do hotel. Alguns policiais tentaram impedi-lo, mas Yoongi ergueu o distintivo com firmeza e declarou com autoridade que era o Negociador Oficial da missão.

Mesmo desconfiados, os agentes cederam. A postura confiante de Yoongi, somada à sua habilidade persuasiva, foi o suficiente para convencê-los.

Agora sozinho diante da porta, sentiu o peso da decisão que estava prestes a tomar. O suor escorria por sua testa. O coração batia acelerado, e o medo era palpável, a qualquer momento poderia ser barrado... ou alvejado.

Fechou os olhos por um instante e respirou fundo. Não havia mais tempo para hesitar. Precisava salvar o pai dos seus filhos. Precisava confiar que ainda dava tempo e que Victor não tinha feito algo irreversível.

Com o peito inflado de coragem e as mãos trêmulas de tensão, Yoongi empurrou a porta e entrou.

Assim que Yoongi atravessou a porta do hotel, um arrepio percorreu sua espinha. Algo estava errado. O lugar estava vazio. Nenhum sinal dos capangas de Victor. Nenhuma voz. Nenhum passo. Apenas o silêncio, denso e sufocante, preenchendo o ar como uma névoa invisível.

As luzes estavam apagadas e o ambiente era iluminado apenas por pequenas frestas de luz que escapavam por entre as cortinas mal fechadas. O silêncio era tão absoluto que Yoongi passou a caminhar nas pontas dos pés, instintivamente, como se o menor ruído pudesse acionar uma armadilha.

"Por que está tão fácil?" — pensou.

Do lado de fora, os policiais ainda cercavam o prédio, certos de que estavam diante de uma fortaleza armada. Mas por dentro, a fortaleza havia sido abandonada. Os homens de Victor já haviam fugido pelos túneis do esgoto, muito antes de Yoongi decidir voltar. Haviam cumprido seu papel, segurar a operação o tempo suficiente para o plano final.

Mas por que tanta pressa? Por que evacuar o local tão cedo? Por que deixar Victor completamente sozinho?

Nada fazia sentido. O estômago de Yoongi revirava em um pressentimento inquietante. Não era medo. Era algo mais profundo. Era a sensação de que o verdadeiro perigo ainda estava por vir.

...

Victor se certificou de imobilizar Taehyung de forma cruelmente eficiente. As algemas cortavam seus pulsos à medida que ele se debatia, e as pernas, amarradas firmemente, o impediam de qualquer reação.

— Por que você tá fazendo isso? — Taehyung cuspiu as palavras com raiva, a voz trêmula — Eu cumpri o combinado! Isso não é justo!

Victor se aproximou lentamente, encarando o irmão com desprezo.

— Não. Você falhou no momento em que se apaixonou pelo meu assistente.

— Isso não tem nada a ver com você! É a minha vida, minhas escolhas!

— Sim, irmãozinho… mas você não só se apaixonou. Você abriu a boca. Falou mais do que devia pro delegado. Quebrou o acordo.

O olhar de Victor era gélido, carregado de nojo.

— Eles me descobriram! Não tive escolha! — Taehyung tentou argumentar, se contorcendo contra as amarras. — Eu só queria proteger Yoongi.

Victor deu um sorriso seco e balançou a cabeça.

— Seja como for... o que está feito, está feito. E agora, você vai pagar por isso.

— O que você quer de mim, Victor? — Taehyung perguntou, com a voz trêmula de raiva e medo.

— O que eu quero? — Victor sorriu, insano — A sua vida. É isso que eu quero.

— Como assim?! Você tá louco?

— Somos gêmeos, Tae. Viemos ao mundo juntos... e é juntos que vamos embora. Soa até poético.

Taehyung surtou. Começou a se debater com força, tentando romper as algemas enquanto gritava.

— VOCÊ É DOENTE! ME SOLTA, PORRA! EU NÃO TENHO NADA A VER COM A TUA VIDA MISERÁVEL!

— Shhh... — Victor se abaixou diante dele, com um olhar calmo e perturbador — Se acalma, irmãozinho. Logo isso tudo vai acabar. Você não vai mais sofrer. E eu também não.

— O Yoongi está grávido, Victor! — Taehyung gritou entre soluços — Falta pouco pra ele dar à luz... Eu não posso deixá-lo agora, pelo amor de Deus! Ele precisa de mim... os nossos filhos precisam de mim!

Victor respirou fundo, desviando o olhar por um segundo, como se fosse tocado pela dor do irmão. Mas logo voltou a sorrir.

— Yoongi é forte. Ele vai superar. Vai ficar triste, claro… mas ele tem a nossa mãe, tem amigos, vai seguir em frente. Não vai estar sozinho.

— Como você pode dizer que ama ele e ainda pensar em fazer isso? — Taehyung implorava, a voz embargada. — Victor, por favor...

Victor manteve o olhar fixo em Taehyung, mas não disse nada.

— Você ainda pode parar com isso. Se entrega pra polícia. Se você cooperar, ainda pode haver uma solução...

— Solução? — Victor riu sem humor. — E qual seria? Apodrecer numa cela? Minha vida já acabou, Taehyung. Não existe volta. Eu nem sei mais quem eu sou... perdi tudo. Até minha identidade.

— Não é verdade — Taehyung insistiu, as lágrimas escorrendo com força. — Você pode recomeçar. Pode tentar... do zero. Se tiver bom comportamento, pode sair mais cedo. Nós somos sua família, Victor. A gente não vai te abandonar. Ainda dá tempo. Só precisa fazer a escolha certa. Por favor...

Victor fechou os olhos por um momento. Parecia tocado, mas logo voltou a endurecer o semblante.

— Não, Tae... não tem mais jeito.

O silêncio que se seguiu foi devastador. Taehyung sentiu o peso da realidade cair sobre si como uma avalanche. O desespero tomou conta de seu peito. Ele suspirou, a respiração falhando de tanto chorar. Já não adiantava gritar. Já não adiantava argumentar. No fundo, ele sabia que Victor estava mesmo decidido a levar tudo até o fim.

— Só me diz que o Yoon está bem... por favor — suplicou Taehyung, com a voz embargada.

— Ele está — Victor respondeu com um suspiro, tentando soar calmo. — Eu o deixei com Namjoon. Eles vão cuidar dele. Agora se acalme, irmãozinho... isso vai ser rápido.

Victor se sentou diante de Taehyung, com uma maleta de couro nos braços. Colocou-a sobre o colo e a abriu cuidadosamente, digitando uma senha no fecho metálico. Taehyung o observava, o peito subindo e descendo em agonia, o olhar fixo em cada movimento do irmão.

Dentro da maleta, havia uma bomba. Um dispositivo forte o suficiente para destruir todo aquele andar do hotel.

O coração de Taehyung disparou. Um frio percorreu sua espinha, o suor brotou em sua testa e suas mãos começaram a tremer. Sentiu o gosto metálico do medo na boca. Ia morrer. Sabia disso.

— É aqui que tudo acaba... — murmurou Victor, enquanto digitava o código de ativação.

Bip. Bip. Bip.

O som do cronômetro preenchia o silêncio com um som apavorante. Cada segundo parecia durar uma eternidade. Taehyung chorava, o peito arfando de desespero. Mas não queria morrer assim, aterrorizado. Então fechou os olhos e se forçou a pensar em Yoongi e nos bebês. Pensou em como seria ver seus filhos darem os primeiros passos, ouvi-los dizer “papai”. Pensou em sua mãe, Hye Sung. Na vida que poderia ter tido. Aquilo o acalmou, ainda que apenas um pouco.

Foi quando o grito de Victor rasgou o quarto.

— MAS QUE MERDA! QUE GRANDE MERDA!

Taehyung abriu os olhos, surpreso. Pela primeira vez, viu Victor perder o controle. Nem diante da própria morte ele tinha se abalado daquele jeito.

Victor encarava um monitor. Os olhos arregalados, o maxilar trincado.

— Yoongi... — ele sussurrou, horrorizado. — Ele está aqui. Está no segundo andar...

— O quê?! — Taehyung se desesperou. — PELO AMOR DE DEUS, SALVE ELE!

— Eu... não posso desativar a bomba. Mesmo longe, a explosão pode atingi-lo.

Victor passou a mão pelo rosto, irritado, quase sufocado de frustração.

— Droga, Yoongi! Até no último minuto... você consegue interferir na minha vida! — Ele respirou fundo, os olhos fixos na contagem regressiva do dispositivo. — Mudança de planos! — rosnou, levantando-se com pressa.

Notas finais
E agora? Será que Victor desiste desse plano? Pois não só ele e Tae, mas agora Yoongi também corre perigo. Enquanto isso o tempo está acabando. Como terminará essa história? (Pareci dramática agora kkkkkk)