The Evil Within
44 O adeus
Notas iniciais

Do lado de fora do hotel, Namjoon e sua equipe discutiam intensamente dezenas de estratégias para invadir o prédio. Cada minuto que passava aumentava a tensão. O relógio parecia acelerar, e a pressão se acumulava como uma bomba prestes a explodir.
Jimin, mesmo exausto e com olheiras profundas, recusava-se a ir embora. Insistia, com firmeza, que só deixaria o local quando visse Taehyung e Yoongi a salvo. Por mais que tentassem convencê-lo a descansar, sua determinação era inabalável.
Enquanto isso, a confusão do lado de fora crescia. Repórteres disputavam espaço e manchetes, com microfones estendidos para qualquer um que parecesse minimamente informado. Câmeras ao vivo transmitiam para o país inteiro a história que já tomava proporções épicas: um policial grávido de oito meses que, em um ato de coragem desesperada, invadiu um hotel possivelmente repleto de bombas para salvar o grande amor da sua vida, um médico gentil, nascido em uma cidadezinha pacata do Texas.
Civis se aglomeravam atrás da barreira policial, ignorando o risco. Queriam testemunhar como aquele drama terminaria. A comoção era geral. Era uma história de amor e bravura, o tipo de enredo que todos torcem por um final feliz.
E naquele silêncio carregado de expectativas, o mundo inteiro parecia prender a respiração.
...
Victor corria desesperado pelos corredores. O tempo estava contra ele, a bomba já havia sido ativada e não tinha mais como desarmá-la. Quando avistou Yoongi andando perdido pelo segundo andar, seu coração quase parou.
— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?! — gritou, desesperado.
Yoongi o encarou, surpreso com o tom de voz. Seus olhos desceram até a maleta preta nas mãos de Victor, franzindo o cenho ao perceber o que era.
— Vim buscar meu namorado...
— YOONGI, VÁ EMBORA! AGORA! NÃO HÁ TEMPO!
— Como assim?
Victor respirou fundo, tentando conter o pânico que ameaçava transbordar. Nada daquilo estava nos planos. Nunca imaginou que Yoongi fosse entrar. Nunca imaginou que ele o amasse a esse ponto.
— Esse lugar vai explodir em minutos. Você precisa sair!
A primeira reação de Yoongi foi instintiva: correr e vasculhar o prédio em busca de Taehyung. Victor o segurou com força pelo braço.
— Me escuta! — disse com voz trêmula, tentando soar calmo — Você tem que sair. Agora!
— Eu não vou sair sem o Tae.
— Você... você está mesmo disposto a morrer por ele?
Yoongi o olhou nos olhos. A resposta veio simples, mas com uma firmeza assustadora.
— Sim. Se essa bomba explodir e eu não conseguir salvá-lo, quero estar ao lado dele. Até o fim.
Aquilo foi um choque para Victor. Pela primeira vez, compreendeu a diferença entre o que ele sentia por Yoongi e o que Yoongi sentia por Taehyung. Ele o desejava, talvez por ego, por obsessão, por ciúmes, mas nunca havia pensado no que Yoongi sentia. Nunca havia imaginado como seria viver com a dor de perder Taehyung.
Yoongi, por outro lado, estava ali. De corpo e alma. Pronto para enfrentar a morte, contanto que estivesse com quem amava.
Victor riu. Um riso fraco, derrotado, repleto de amargura.
— Você venceu… de novo. — Victor disse com um sorriso triste — Não quero que morra, nem que sofra. Vou te dar as chaves para libertar Taehyung.
— Obrigado. — os olhos de Yoongi marejaram — Mas… e você? Consegue desarmar a bomba?
— Eu? — Victor suspirou fundo — Minha história acaba aqui, Yoongi. Vou pagar pelos erros que cometi. Só fico grato por ter te conhecido. Obrigado.
— Como assim? Está se despedindo? — Yoongi parecia não entender.
— Sim. Vou levar a bomba para o último andar e tentar diminuir o impacto. Talvez vocês consigam sair ilesos… mas precisam correr.
— Mas… você não pode morrer. Eu ainda preciso te prender e te encher de porrada. — Yoongi começou a chorar.
Victor soltou uma risadinha cansada.
— Fico lisonjeado, mas se eu não fizer isso, todos nós morremos.
— Mas…
— Yoon. — Victor o interrompeu — Salve a si mesmo e salve o idiota do meu irmão. Só posso te pedir uma última coisa?
Yoongi arqueou as sobrancelhas.
— Calma… só quero um último abraço.
Yoongi chorou ainda mais, mas se aproximou e o abraçou. Victor o apertou com força, inspirando o seu cheiro. Pela primeira vez, sentiu vontade de viver.
— Vá, Yoon. Diga pra minha mãe e meu irmão que me perdoem.
— Eles vão te perdoar. Eles te amam apesar de tudo… Victor, por favor, tenta sair vivo dessa. Não esqueça que ainda vou te mandar para a cadeia, ok? — Yoongi sorriu entre lágrimas.
— Farei o possível.
Victor lhe entregou as chaves e explicou onde Taehyung estava. Quando Yoongi se virou para sair, Victor o chamou.
— Yoon… seja feliz. E… adeus.
Dizendo isso, Victor entrou no elevador. Yoongi o observou até as portas se fecharem. Não era hora de lamentar. Precisava correr e salvar a si mesmo e a Taehyung.
A corrida contra o tempo havia começado.
Yoongi sentia o peso da barriga dificultar cada passo. Suas pernas inchadas doíam, sua coluna latejava, e o fôlego já parecia lhe faltar. Cambaleou até uma parede, apoiando-se com uma das mãos enquanto a outra descansava sobre a barriga.
— Por favor... me ajudem. — sussurrou para seus bebês, os olhos marejados — Me deem forças... preciso salvar todos nós.
Engoliu o choro. Mesmo tonto, forçou o corpo a continuar.
O hotel estava escuro, o corredor deserto parecia girar ao seu redor, mas a lembrança de que vidas estavam em jogo o fez recuperar o fôlego. Precisava continuar. Precisava encontrar Taehyung.
Depois de alguns minutos de angústia e incerteza, chegou ao depósito que Victor havia mencionado. Avistou Taehyung ao longe, amarrado e com os olhos arregalados de pavor. Seu coração quase parou.
— YOON?! NÃO! VAI EMBORA AGORA! — Taehyung gritou, debatendo-se preso à cadeira.
— Não sem você! — Yoongi respondeu com firmeza, já correndo em sua direção.
— YOON, POR FAVOR! NÃO DÁ TEMPO! SALVE OS NOSSOS FILHOS!
Mas Yoongi ignorou os gritos. Com mãos trêmulas, forçou as chaves nas algemas, enquanto Taehyung berrava para que fosse embora. Yoongi tremia, suava, mas não parava. Estava focado. Determinado.
— VAMOS, VAMOS! — gritou, quando finalmente conseguiu soltá-lo.
Taehyung se levantou num salto, puxando Yoongi pela mão. O som do próprio coração parecia um tambor no peito dos dois. Cada segundo era precioso, mas Yoongi mal conseguia correr, a barriga pesava e as pernas falhavam.
— Vem, Yoon! — Taehyung gritou, o desespero engasgando sua voz.
Num gesto instintivo, ergueu Yoongi nos braços. Corria com ele como quem carrega o bem mais precioso. O corredor parecia não ter fim; cada passo ecoava como um aviso sombrio de que o tempo estava se esgotando.
E então, lá estava a porta. A saída. A liberdade.
Taehyung reuniu suas últimas forças para avançar, mas antes que conseguissem alcançar o lado de fora, o chão explodiu num estrondo ensurdecedor. A bomba havia detonado.
O impacto jogou os dois ao chão como bonecos. O prédio inteiro tremeu. Uma onda de calor e poeira invadiu a recepção, cegando-os. Tossiam, engasgavam, não conseguiam ver nada. O ar estava denso e sufocante.
Taehyung tentou se levantar para pegar Yoongi de novo, mas o som metálico de algo rompendo no teto fez seu sangue gelar. Olhou para cima, uma viga enorme de concreto despencou direto em direção a Yoongi.
— NÃO!
Num reflexo desesperado, Taehyung se atirou na frente, empurrando Yoongi para o lado. O impacto veio como um trovão. Tudo se tornou um borrão de dor e poeira.
Yoongi gritou o nome dele, mas não houve resposta. Taehyung estava imóvel, parcialmente coberto por destroços, o corpo mole como um boneco de pano. A poeira ainda caía. O prédio rangia como se fosse desmoronar. Yoongi tentava respirar, sentindo o gosto do pó e do medo na boca.
— Tae?! — chamou, a voz tremendo. Não houve resposta.
A cena congelou ali, entre o som distante da estrutura ruindo e a respiração ofegante de Yoongi.
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