The Evil Within
30 O Reencontro

— YOON?
O grito de Taehyung preencheu a sala enquanto ele saltava do sofá, o celular trêmulo em sua mão. Namjoon, já em alerta, rapidamente ativou o equipamento de rastreamento, os olhos focados nas coordenadas.
— Y-Yoon… — Taehyung tentou falar, mas a voz falhou, afogada em um choro desesperado que ele já não conseguia controlar.
— Calma, Tae… eu tô bem — a voz de Yoongi do outro lado soava fraca.
— Onde você está? — Taehyung perguntou, tentando conter as lágrimas que escorriam pelo rosto exausto e marcado pela angústia.
— Eu não sei ao certo… mas ainda não estamos seguros. Preciso que venham nos buscar, e rápido.
— Fica calmo, amor, já estamos indo. Namjoon já conseguiu te localizar. Fica firme, por favor… nós estamos chegando.
— Tae… vem logo...
O silêncio preencheu o ambiente quando a ligação caiu abruptamente.
— Não, não, não… — Taehyung sussurrou, encarando o celular como se pudesse trazê-lo de volta. A bateria ou os créditos haviam acabado. Seu desespero transbordou. Ele quase jogou o aparelho contra a parede novamente, uma pilha de nervos à beira do colapso.
— Taehyung, se acalma! — Namjoon ordenou, tentando segurá-lo.
Mas Taehyung parecia não ouvir, tomado pelo pânico. Num impulso, Namjoon o agarrou pelo braço e lhe deu um tapa firme no rosto, forçando-o a parar. Taehyung ficou imóvel por um segundo, surpreso, com a mão no rosto e os olhos arregalados. Finalmente, a respiração começou a desacelerar.
— Mantenha a calma — Namjoon repetiu, agora em um tom mais suave, porém firme. — Já sabemos onde ele está. Vou enviar os homens para cercar a área e capturar Victor.
Namjoon respirou fundo e completou:
— Você vem comigo no helicóptero. Chegaremos lá em menos de meia hora.
...
Yoongi e os outros reféns aguardavam na sala, agora mais calmos, tomando chá oferecido pela senhorinha dona da casa. O clima ainda era tenso, mas por alguns minutos puderam respirar em paz, como se aquilo fosse real, como se estivessem, de fato, a salvo.
De repente, o som das hélices de um helicóptero começou a ecoar do lado de fora, fazendo todos se sobressaltarem.
Namjoon precisou segurar Taehyung pelo braço quando o helicóptero começou a pousar. O desespero do mais novo em pular dali e correr ao encontro de Yoongi era tão grande que, se Namjoon não o segurasse, ele certamente se jogaria antes mesmo da aeronave tocar o solo.
Lá fora, todos, menos Yoongi, saíram para ver o helicóptero da polícia pousando no campo aberto ao lado da casa.
Yoongi estava prestes a ir junto, o coração acelerado pela ansiedade de finalmente ver Taehyung, mas sua bexiga resolveu traí-lo mais uma vez. Desde que engravidou, as vontades surgiam nas horas mais inconvenientes, e ele odiava aquilo com todas as forças.
Enquanto lutava contra a frustração, o helicóptero pousou.
Assim que as portas se abriram, Taehyung foi o primeiro a pular, jogando os abafadores de ouvido no chão e disparando em direção à casa como se o mundo ao redor não existisse.
Quando viu sua mãe vindo ao seu encontro, as lágrimas transbordaram.
— Mamãe! — ele gritou, alcançando Hye Sung e a abraçando forte, erguendo-a do chão como se fosse uma criança.
Hye Sung riu, apertando as mãos nas costas do filho.
— Tae, você vai me esmagar! — brincou, sem conseguir conter a emoção.
— Desculpa, mamãe — ele a soltou um pouco, mas logo voltou a abraçá-la.
— Deixa eu ver esse rostinho — Hye Sung segurou o rosto dele entre as mãos, examinando cada traço. — Você não está se alimentando direito, né? Está tão magro…
Taehyung ignorou o comentário e se agarrou a ela novamente, escondendo o rosto em seu ombro, sentindo o cheiro de mãe que tanto havia sonhado em reencontrar.
— Calma, meu bebê… a mamãe está aqui agora. Vou te encher de abraços, meu Tae — ela disse, dando leves tapinhas carinhosos em suas costas. Taehyung a abraçava com tanta força que os pés dela quase saíam do chão.
Quando ele finalmente pareceu se acalmar um pouco, ela sorriu com ternura e completou:
— Tae… tem alguém que você precisa conhecer. Ele me ajudou a sair de lá…
Antes que Hye Sung pudesse dizer qualquer outra coisa, Taehyung paralisou, seus olhos se fixaram na porta da casa como se o mundo tivesse parado de girar. Hye Sung se virou, curiosa para ver o que havia tirado o ar do filho. E então ela o viu. Yoongi estava parado na soleira da porta, imóvel, com os olhos marejados e o peito subindo e descendo em um ritmo descompassado.
Os dois se encararam por longos segundos, como se estivessem tentando acreditar que aquilo era real. Como se, a qualquer momento, tudo pudesse sumir feito um sonho.
Taehyung deu um passo, depois outro, parando no meio do caminho. Seu coração parecia prestes a explodir no peito, a respiração presa na garganta. Yoongi levou a mão à boca, tentando conter o choro que já escapava em lágrimas silenciosas, escorrendo pelo rosto pálido. Ele também deu alguns passos hesitantes, parando outra vez, como se tivesse medo de que, ao se aproximar, aquilo desaparecesse.
Ambos tremiam, tomados por uma saudade tão grande que doía fisicamente. Então, sem conseguir resistir nem por mais um segundo, correram um para o outro.
O impacto do abraço foi tão forte que parecia que seus corpos haviam sido feitos para se encontrar ali. Taehyung apertou Yoongi com toda a força, como se nunca mais fosse soltá-lo, como se precisasse sentir que ele realmente estava ali, vivo, em seus braços.
Em um único movimento, ergueu Yoongi do chão, que imediatamente enlaçou as pernas ao redor da cintura dele, escondendo o rosto em seu pescoço, chorando baixinho. Eles não se importavam com quem estava ao redor, com os olhares ou com o tempo que havia passado. Naquele momento, só existiam eles dois.
Sem pensar, Taehyung segurou o rosto de Yoongi entre as mãos e o beijou com a mesma intensidade que sentia no peito, um beijo desesperado, cheio de amor, dor e alívio.
E pela primeira vez, depois de tanto sofrimento, os dois finalmente puderam respirar. Juntos.
— Tae… eu te amo — Yoongi sussurrou entre os beijos, a voz embargada, como se precisasse repetir aquilo mil vezes para acreditar que estava ali, nos braços dele.
— Yoon, eu também te amo — Taehyung respondeu, ainda o beijando com devoção, como se cada segundo longe precisasse ser compensado naquele momento.
Taehyung fez uma breve pausa, afastou os rostos apenas o suficiente para olhar profundamente nos olhos de Yoongi, o sorriso largo e as lágrimas ainda brilhando em seu rosto.
— Acho que… esqueci de me apresentar — ele brincou, com a voz trêmula de emoção. — Prazer em conhecê-lo, meu nome é Kim Taehyung.
Yoongi riu baixinho, com os olhos cheios de amor, sentindo o coração aquecer.
— O prazer é todo meu, Sr. Kim Taehyung — respondeu no mesmo tom, apertando o rosto de Taehyung entre as mãos.
Sem conseguirem se conter, se beijaram novamente, afoitos, como se o mundo inteiro não passasse de um borrão ao redor deles.
Hye Sung, ainda observando a cena de longe, levou a mão à boca, completamente perplexa. Foi naquele instante que a ficha caiu de vez. Seus olhos desceram para a barriga de Yoongi, e ela enfim se deu conta…
Ela ia ser avó.
...
Depois de garantir que Yoongi, Hye Sung, as crianças e os demais estivessem em segurança sob proteção da polícia, Namjoon iniciou pessoalmente uma caçada implacável a Victor.
Com dezenas de viaturas, helicópteros e uma tropa de elite armada até os dentes, cercaram o bunker e invadiram o local em uma operação cirúrgica e precisa. Vasculharam cada cômodo, cada corredor, cada esconderijo. Mas Victor já havia desaparecido. Não havia nem sinal dele. Tudo indicava que fugira às pressas.
Ainda assim, o que deixou para trás foi o suficiente para destruir tudo o que havia construído. Documentos, registros, contatos e provas detalhadas de cada crime cometido. Tráfico, cárcere privado, sequestros, manipulação de identidades… tudo estava ali, jogado como lixo. A partir dali, Victor não seria mais o intocável, o empresário de fachada ou o homem admirado por alguns. Seria apenas um nome riscado da sociedade. Um foragido.
Namjoon sabia que a imprensa devoraria aquela história como urubus em carniça, por isso, ordenou sigilo absoluto. A caçada seria feita longe das câmeras, em silêncio, até que Victor estivesse nas mãos da justiça.
Enquanto supervisionava os agentes recolhendo provas, um detalhe chamou sua atenção.
Em cima da escrivaninha do quarto de Victor havia um papel dobrado, como se tivesse sido deixado de propósito. Na parte de fora, escrito em letras elegantes, estava:
"A/C Namjoon".
Com a mandíbula tensa, Namjoon desdobrou o papel e leu a mensagem simples, escrita com letras cursivas:
"Prenda-me se for capaz."
Namjoon bufou e balançou a cabeça, rindo com desprezo.
— Desgraçado… — murmurou, amassando o papel na mão.
Era uma guerra declarada agora. E ele não descansaria até vencer.
...
Todos os reféns foram levados diretamente para o hospital, cada um acomodado em quartos separados, sob vigilância constante de policiais armados. A segurança era rigorosa. Ninguém queria correr riscos depois de tudo que haviam enfrentado.
Depois de se despedir de sua mãe com um abraço apertado e um beijo na testa, Taehyung foi direto para o quarto de Yoongi. A princípio, os policiais barraram sua entrada, dizendo que ele não podia passar a noite lá. Mas Namjoon sabia muito bem que, se tentassem impedir Taehyung, ele seria capaz de derrubar o hospital inteiro. Com um suspiro resignado, usou sua autoridade para convencê-los a liberar a entrada.
Taehyung entrou no quarto de Yoongi com um sorriso tão grande que parecia iluminar o ambiente. Yoongi estava sentado na cama, olhando pela janela, perdido em pensamentos. O medo ainda pesava em seu peito. Ele sabia que Victor estava foragido, e o simples pensamento de que ele poderia aparecer novamente o deixava inquieto. Mas assim que virou o rosto e viu Taehyung ali, parado na porta, sorrindo como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo, todo aquele medo se dissipou por um instante.
Yoongi estava usando um pijama de hospital folgado, que o deixava ainda mais adorável aos olhos de Taehyung.
— Você está tão lindo — Taehyung murmurou ao se aproximar, abraçando Yoongi por trás.
— Tae, você me acha lindo de qualquer jeito — Yoongi sorriu, fechando os olhos ao sentir o calor do abraço.
— Descobriu minha fraqueza — Taehyung sussurrou, deixando um beijo suave em seu pescoço. — Yoon… me perdoa.
— Pelo quê, Tae?
Taehyung hesitou por um segundo, apertando o abraço.
— Por ter mentido pra você sobre meu irmão.
Yoongi soltou um suspiro leve e se virou devagar para encará-lo.
— Sobre isso… eu também menti pra você.
Taehyung arregalou os olhos, surpreso.
— Você também tem um irmão gêmeo?
Yoongi riu.
— Não, bobo. Eu menti sobre o motivo de ter ido até aquela casa.
— Como assim, meu amor? — Taehyung perguntou, confuso.
Yoongi respirou fundo e soltou de uma vez:
— Eu sou policial, Tae. Estava trabalhando disfarçado… investigando o Victor.
Taehyung ficou em choque, piscando várias vezes até processar.
— Policial?! — Ele se lembrou de algo e arregalou ainda mais os olhos. — As algemas!
— De todas as coisas, você vai lembrar logo disso? — Yoongi riu, cobrindo o rosto.
— Isso foi marcante — Taehyung sorriu, puxando-o para um beijo calmo e demorado. — Mas não importa, amor. Vamos recomeçar do zero, sem segredos.
— Você… não está chateado?
— Claro que não. Eu te amo, Yoon. A gente vai ser sincero daqui pra frente, certo?
Yoongi mordeu o lábio e soltou baixinho:
— Sincero? Bom, eu beijei o seu irmão.
Taehyung congelou, os olhos enchendo de lágrimas na mesma hora.
— O quê?
— Eu achei que fosse você — explicou Yoongi, tentando amenizar.
— Tudo bem — Taehyung respirou fundo, tentando não desabar.
— Eu beijei ele duas vezes.
Taehyung suspirou mais alto, cruzando os braços.
— Aí também complica, né?
— Está com ciúmes? — Yoongi provocou.
— Não! — respondeu Taehyung rápido demais, mas seu corpo inteiro tremia.
— Então por que você tá tremendo?
— É de felicidade — tentou disfarçar, fazendo um bico. — Mas… nas duas vezes você achou que fosse eu?
— A primeira sim… mas na segunda eu sabia que era ele.
— Yoon! — Taehyung choramingou, batendo de leve em seu peito.
— Calma, amor. Eu precisei distraí-lo pra pegar o cartão e tirar todo mundo de lá. Se não fosse por isso, você nunca teria me visto de novo.
Taehyung suspirou e encostou o rosto em seu pescoço, mordendo de leve.
— Realmente… você é uma boa distração.
Yoongi sorriu e o empurrou de leve.
— Não se anima muito, estamos no hospital e tem um monte de policiais lá fora.
— Yoon, mas eu tô morrendo de saudade.
— Calma, Tae. Logo vamos ter uma noite linda, só nossa. Sóbrios, dessa vez.
Taehyung o apertou ainda mais no abraço.
— Eu não quero te perder nunca mais.
— E não vai… Eu tô aqui.
— Yoon? — chamou manhoso.
— Hum?
— Você ainda tem… aquelas algemas?
— Tae! — Yoongi riu alto, batendo no ombro dele.
Os dois se perderam em gargalhadas, aconchegando-se na cama, assistindo as estrelas pela janela do quarto. Depois de um tempo em silêncio, Taehyung segurou as mãos de Yoongi com carinho.
— Falando sério agora… Yoon, eu te amo. E eu quero ficar com você. Pra valer. Pra sempre. Então, você quer namorar comigo? Eu prometo cuidar de você.
Yoongi sorriu emocionado, os olhos brilhando.
— Claro que aceito, eu também te amo. Mas acho que não é só de mim que você vai ter que cuidar.
— Sim, você e minha mãe são minhas prioridades, minha família.
— Creio que você terá que cuidar de mais pessoas, digamos que sua família esteja maior agora.
— Como assim, Yoon?
Yoongi colocou a mão de Taehyung em sua barriga.
— Tae, você vai ser papai de gêmeos.
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