The Evil Within
31 O Feijãozinho e a Sementinha

— E-eu vou... eu vou ser p-pai? — Taehyung gaguejou, com os olhos arregalados, como se a realidade demorasse a alcançar seu coração.
Yoongi sorriu com doçura diante da reação dele e, com um brilho nos olhos, aproximou-se e lhe deu um beijo leve nos lábios, carregado de ternura.
— Sim, amor… você vai ser papai.
Por um momento, Taehyung apenas o encarou, sem conseguir dizer nada. O mundo ao redor parecia ter desaparecido. E então, como se o coração finalmente tivesse entendido, seus olhos se encheram de lágrimas.
Ele puxou Yoongi para um abraço apertado, enterrando o rosto em seu pescoço.
— Y-Yoon… — falou entre soluços — Eu tô… eu tô tão feliz… Tão feliz! Nós vamos ser pais…
Yoongi o envolveu com carinho, acariciando seus cabelos.
— Sim, meu amor… nossa família cresceu — respondeu com a voz embargada e um sorriso emocionado.
Taehyung afastou-se apenas o suficiente para se ajoelhar diante dele. Seus olhos ainda estavam marejados e brilhavam como nunca.
Com mãos delicadas, levantou a blusa de Yoongi, revelando sua barriga ainda lisinha, onde o amor deles crescia.
— Tae… ainda não dá pra ver, eu só estou de quatro semanas — Yoongi murmurou, um pouco envergonhado.
— Mas eu quero ver... quero sentir... agora mesmo — Taehyung disse com a voz trêmula, enquanto lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto.
Com extrema delicadeza, ele encostou os lábios na barriga de Yoongi, depositando um beijo suave. Yoongi arfou ao sentir aquele toque carregado de emoção e amor.
Taehyung continuou a beijar cada pedacinho da barriga dele com carinho, como se já amasse aqueles bebês mais do que tudo no mundo. Depois, repousou o rosto ali, ouvindo o silêncio como se esperasse escutar dois coraçõezinhos batendo.
— Eu já amo vocês tanto… — sussurrou ele, com a voz embargada. — E vou cuidar de vocês. Vou cuidar de todos vocês.
Yoongi acariciou seus cabelos com os olhos cheios de lágrimas e amor.
— Filhinhos... — Taehyung continuou, com a voz suave e carinhosa enquanto acariciava a barriga de Yoongi. — Eu sou o papai de vocês. Vocês gostam de videogame? Futebol? Talvez andar de skate? Ou quem sabe brincar de boneca? A gente pode fazer chá da tarde, desenhar, pintar… o que vocês quiserem, o papai tá dentro.
Yoongi não conseguiu conter o riso.
— Tae, amor… ainda são fetos. Eles nem têm orelhinhas formadas ainda, não conseguem te ouvir.
Taehyung franziu o nariz e olhou sério para a barriga.
— Não liguem pra ele, tá? — disse em um sussurro. — Eu sei que vocês podem me ouvir sim. Meu coração me disse.
Ele levantou os olhos, empolgado.
— Yoon! Vamos escolher os nomes! Você acha que vão ser meninos? Meninas? Ou um de cada?
— Ainda é cedo pra saber o sexo, Tae… — respondeu Yoongi, encantado com o entusiasmo do namorado.
— Não importa! — declarou Taehyung, determinado. — Mas já vou avisando: se for menina, ela só vai namorar com trinta anos. E não é qualquer um que vai encostar na minha filha, não. Vou começar aulas de Muay Thai amanhã.
Yoongi caiu na gargalhada.
— Você não vai ser um sogro chato, né?
— Chato? — Taehyung ergueu as sobrancelhas. — Chato é elogio. Eu vou ser o pesadelo de qualquer “Zé droguinha” que ousar se aproximar dos meus bebês.
— Meu Deus, Tae… nem sabemos se vai ser menina. Pode ser dois meninos.
— Mesma regra. Ninguém encosta! Não quero saber. Vão ter que passar pelo meu interrogatório.
Yoongi balançou a cabeça, rindo, e então seu olhar se suavizou.
— Quer saber os apelidinhos que eu coloquei neles? — perguntou, empolgado como uma criança.
Taehyung limpou as bochechas ainda molhadas e assentiu com os olhos brilhando.
— Quero muito!
— Sementinha e Feijãozinho. — disse Yoongi, com um sorriso orgulhoso.
Taehyung o encarou por um segundo e desabou. As lágrimas voltaram a cair, agora sem controle, eram lágrimas doces, leves, carregadas de amor.
Ele abraçou Yoongi com cuidado, como se quisesse proteger os três ao mesmo tempo.
— Eu acho que o bebê aqui é você, e não eles — Yoongi provocou com uma risada leve, enxugando uma lágrima no canto do olho de Taehyung.
— Não ri de mim… — Taehyung resmungou com um sorrisinho manhoso, limpando as próprias lágrimas com as costas da mão. — É que eu tô muito feliz.
— Vem cá, meu bebê chorão. — Yoongi o puxou para mais um beijo, terno e quente. — Te amo, Tae. Vamos ser uma família linda e feliz.
— Eu também te amo, Yoon. — respondeu Taehyung, os olhos brilhando como se guardassem um céu inteiro dentro deles. — Ontem eu te pedi em namoro... você acha que é muito cedo pra te pedir em casamento?
Yoongi arregalou os olhos e soltou uma risada.
— Tae… a gente é o casal mais improvável do mundo. Primeiro engravidamos, depois começamos a namorar.
Os dois riram juntos, o tipo de riso leve que só quem se ama de verdade compartilha.
— É verdade... — Taehyung assentiu. — Mas mesmo que sejamos um casal fora de ordem, mesmo que tudo tenha acontecido rápido… eu sei exatamente o que quero. E o que eu quero... é você.
Ele se aproximou devagar, como se o momento merecesse ser vivido em câmera lenta. E então o beijou, com tanto amor, tanta entrega, que por um instante pareceram um só corpo, um só coração.
O amor transbordava só com aquele beijo.
…
… Um mês depois…
Yoongi se olhava no espelho do quarto com as sobrancelhas arqueadas, puxando levemente a blusa e analisando cada detalhe de si mesmo. Virava o rosto de um lado para o outro, franzia o nariz, suspirava.
Na cama, Taehyung o observava em silêncio, com os olhos cheios de admiração, como se estivesse diante da mais bela pintura.
— Tae… eu tô meio gordo, não tô? — Yoongi murmurou, sem tirar os olhos do espelho.
Taehyung engatinhou até a beira da cama e, com delicadeza, envolveu Yoongi pela cintura, puxando-o para dentro de seus braços.
— Você está lindo. E está carregando os nossos filhinhos. — murmurou antes de selar um beijo doce em seus lábios. — Eu te amo tanto, Yoon… Você me deu o melhor presente que eu poderia sonhar.
Yoongi mordeu o lábio, os olhos úmidos.
— Tá, mas eu tô… eu tô com o rosto inchado. Olha só pra mim, Tae… Você não vai mais gostar de mim desse jeito. — a voz falhou, e ele choramingou baixinho.
Taehyung segurou seu rosto com as duas mãos, como se fosse algo precioso demais para quebrar.
— Yoon, eu te amaria de qualquer jeito. Com olheiras, com barriguinha, com rostinho inchado — riu. — Porque você é você. E você está grávido, amor… de oito semanas. É normal o corpo mudar. E quer saber? Você está ainda mais bonito assim.
— Estou mesmo? — perguntou com um olhar tímido.
— Sim. Você está mais radiante. Sua pele tá mais macia, seu rosto mais corado… E eu? Eu tô cada vez mais apaixonado por você. — Taehyung suspirou, como se estivesse se declarando pela primeira vez.
Yoongi encostou a testa na dele, fechando os olhos.
— Você não vai me trocar, né?
— Nunca. Jamais. — respondeu sem hesitar, cobrindo-o de beijos carinhosos pelo rosto. — Eu te amo. Só você. Pra sempre.
Eles ficaram assim, colados, como se o tempo tivesse parado só para eles. E o silêncio que se seguiu foi cheio de amor, de promessas silenciosas, de tudo o que ainda viria.
...
Depois que Yoongi teve alta do hospital, foram viver na antiga casa de Victor, agora transformada em um verdadeiro bunker protegido. A residência estava sob vigilância constante, com policiais armados dia e noite, todos sob ordens diretas de Namjoon.
Era como viver em um aquário de luxo: seguro, mas completamente isolado.
Hye Sung também morava com eles. Ninguém podia sair, por motivo algum, principalmente Taehyung, cujo rosto estava estampado em todos os jornais. Apesar de Victor já ser conhecido por seus crimes, ele continuava foragido, e qualquer deslize poderia colocar todos em perigo.
Yoongi, por outro lado, parecia estar no paraíso. Tinha um médico e uma enfermeira dedicados exclusivamente a ele, o paparicando como um príncipe grávido.
Hye Sung estava encantada com o novo papel de avó, comprava roupinhas coloridas pela internet quase todos os dias e, claro, não resistiu: entre os itens do enxoval, haviam duas blusinhas com a estampa "Eu tenho a melhor vovó do mundo".
Yoongi passava horas no espelho, tirando selfies e fazendo bico. A barriga mal aparecia, mas ele a estufava com orgulho, só para garantir registros de "antes e depois".
Taehyung era, disparado, o mais bobo da casa. Conversava com a barriga como se os bebês já pudessem responder, contava piadas ruins, fazia vozes engraçadas e apelidava os filhos com nomes ridículos que deixavam Yoongi entre o riso e o desespero.
Mas claro, nem tudo eram flores.
Os hormônios de Yoongi estavam em festa, e qualquer palavra mal colocada podia virar um drama digno de novela. Certa vez, Taehyung o chamou de "bolinho gostoso" com a melhor das intenções, mas Yoongi se trancou no banheiro chorando como se o mundo tivesse acabado.
— Você vai me abandonar porque eu tô gordo! — ele gritou entre soluços.
Foram necessárias horas de "eu te amo", "você é perfeito" e “você é lindo” até que ele abrisse a porta. Quando finalmente saiu, ainda de olhos inchados, apenas murmurou:
— Tô com fome.
Yoongi estava mais sensível e manhoso do que nunca. E isso só fazia Taehyung amá-lo ainda mais.
O resumo do mês de Yoongi foi vomitar de manhã, comer como se estivesse alimentando um exército, dormir como um ursinho hibernando e chorar muito, por tudo. Taehyung tinha que medir cada palavra com o cuidado de um diplomata tentando evitar uma guerra mundial.
Mas apesar de tudo isso, a casa estava cheia de amor e expectativa. O casal mal podia esperar pela próxima consulta. Taehyung, principalmente, parecia que ia infartar de tanta ansiedade. Andava pela casa contando os minutos, praticando a respiração como se fosse ele o grávido.
No dia seguinte, eles ouviriam a melodia mais bonita de todas. O som dos batimentos dos coraçõezinhos que cresciam dentro de Yoongi. E nada no mundo poderia se comparar a isso.
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