Hoseok havia organizado um acampamento no quintal. Estava montando barracas coloridas, preparou lanternas, almofadas e até uma fogueira improvisada. Fez questão de chamar Jimin, e quando o menino perguntou se poderia levar suas novas irmãs, Hoseok adorou a ideia, quanto mais gente, melhor seria a diversão.

A proposta era simples: assar marshmallows na fogueira, contar histórias de terror, brincar sob as estrelas e cantar músicas bobas até o sono chegar.

Jungkook deixou os três sob os cuidados de Jin, que estava ajudando com os preparativos. Rosé já conhecia Jin e Namjoon, então se sentiu imediatamente à vontade, rindo e correndo com uma lanterna nas mãos.

Jimin, por sua vez, correu direto para o quintal, radiante. Estava ansioso para contar todas as novidades ao seu melhor amigo.

— Hoseok! — gritou, ofegante de empolgação — Preciso te contar! A doutora Gen é incrível! Ela dá lápis de cor e papéis pro Jimin desenhar! O Jimin mostrou pra ela o desenho do Kookie, ficou incrível.

Hoseok ouvia tudo com um sorriso no rosto, os olhos brilhando. Ver Jimin tão animado, tão cheio de vida, era a maior recompensa de todas.

— Que bom te ver assim, Chim Chim — disse ele, puxando o amigo para um abraço apertado. — Você tá indo muito bem. E a doutora Gen parece ser especial mesmo.

Jimin assentiu com entusiasmo, os olhos cintilando à luz das lamparinas penduradas no varal.

A noite só estava começando.

— O que vamos fazer hoje, Hobi? — Jimin perguntou, animado.

— Um acampamento! — respondeu Hoseok com um sorriso largo.

— Um acampamento? Aqui no quintal?

— Sim! Meus pais não me deixam acampar de verdade na floresta... então, vai ser aqui mesmo. Temos barracas, lanterna e marshmallows. É tudo que precisamos!

— Vai ser divertido! — Jimin vibrou.

— Vai sim! E suas novas irmãs? Quero conhecê-las — Hoseok perguntou, curioso.

— Espera aí, o Jimin vai chamar elas! Devem estar conversando com o Jin.

Jimin correu para dentro da casa. Na sala, Rosé e Jisoo estavam sentadas no sofá. Rosé olhava tudo ao redor com os olhos brilhando, curiosa com cada detalhe. Já Jisoo, estava imersa em uma conversa com Namjoon, falavam sobre inflação, variação cambial e os impactos da alta do dólar.

Rosé apenas sorria, balançando as pernas no ar, sem entender uma única palavra, mas fingindo estar inteirada como toda boa irmã mais nova faria.

Na cozinha, Jin cantarolava alegremente enquanto preparava sanduíches e organizava os copos com suco. A casa toda exalava aquele clima gostoso de noite especial.

— Meninas! Vem! O acampamento já vai começar! — Jimin chamou, empolgado, batendo palmas.

Rosé se levantou num pulo, quase tropeçando nos próprios pés de tanta pressa.

— Graças a Deus! — murmurou baixinho, aliviada por fugir do papo sobre economia.

Jisoo sorriu e se despediu educadamente de Namjoon antes de seguir com a irmã e Jimin para o quintal, onde uma noite divertida os esperava sob as estrelas.

Hoseok tentava inutilmente montar a barraca no quintal, lutando com as varetas como se fossem monstros indomáveis. Nesse momento, Jimin surgiu correndo pelo jardim, eufórico, seguido pelas irmãs que vinham logo atrás.

— Hobi! Hobi! — Jimin o chamou animadamente. — Vem conhecer as irmãs do Jimin!

Hoseok largou as varetas por um segundo e se virou com um sorriso curioso.

— Meninas, esse é o Hobi! Ele é muito legal e é o melhor amigo do Jimin! — Jimin dizia com orgulho. — Hobi, essa é a Rosé. Ela tem dez anos, gosta de ler também… e agora ela é a nova dona do Senhor Coelho.

Hoseok se abaixou para cumprimentá-la, sorrindo com doçura.

— Prazer em te conhecer, Rosé. Você é muito fofinha — disse, fazendo um leve carinho nos cabelos dela.

Rosé sorriu tímida e escondeu metade do rosto atrás de Jimin, ainda segurando o coelhinho de pelúcia nos braços.

— E essa — Jimin continuou, empolgado — é a Jisoo. Ela tem dezesseis anos, mas age como se fosse a mãe do Jimin. A Jisoo é muito legal!

Hoseok parou. Por um instante, engoliu em seco. Nunca tinha visto uma menina tão bonita quanto Jisoo. Ela acenou com um leve movimento da cabeça, educada, e ele respondeu:

— O-oi... — disse, meio sem jeito, coçando a nuca.

Mas Jimin, como sempre, não deixaria o momento passar despercebido.

— Jisoo, o Hobi é virgem, mas entende tudo de sexo. Se você tiver alguma dúvida, pode perguntar pra ele!

— JIMIN! — Hoseok quase teve um troço, cobrindo o rosto com as mãos, horrorizado.

Jisoo não aguentou e soltou uma gargalhada. Uma daquelas risadas que saem do fundo do coração. Fazia muito tempo que ela não ria assim.

— O que foi? — Jimin perguntou, confuso, com a maior cara de inocente. — E não é verdade?

— É… é verdade… — Hoseok admitiu, derrotado. — Mas não precisava contar pra ela, Jimin!

— Por que não? — Jimin insistiu, genuinamente curioso.

Hoseok suspirou, enquanto Jisoo ainda ria, se divertindo. E ali, no meio do caos das barracas, das confissões constrangedoras e das risadas espontâneas, o acampamento já começava a ser uma lembrança inesquecível.

Hoseok estava vermelho como um tomate. Não sabia onde enfiar a cara. Uma menina linda daquela bem na sua frente, e Jimin já tinha estragado tudo com uma frase traumática.

"Droga, Jimin… eu tinha treinado tanto pra quando fosse falar com uma garota pela primeira vez..." — pensou, soltando um suspiro triste e resignado.

Jisoo, que ainda tentava controlar o riso da situação anterior, percebeu a expressão abatida do ruivo e resolveu amenizar o clima.

— Você tá montando uma barraca? — perguntou, se agachando ao lado dele.

— Estou... tentando — respondeu Hoseok, ainda sem conseguir encarar direito o próprio trabalho desastroso.

— Hm, acho que você tá fazendo isso aqui errado — ela disse, analisando com olhos críticos a bagunça de varetas e lonas. — Deixa que eu te ajudo… essa parte precisa passar por dentro da estrutura e não por fora. Ó, assim.

Jisoo assumiu o comando da montagem com uma segurança inesperada. Em poucos minutos, estava organizando tudo como se tivesse experiência com acampamentos improvisados. E Hoseok, encantado, só sabia obedecer e torcer para não errar de novo.

Os meninos prontamente seguiam suas orientações como se ela fosse a comandante-chefe do acampamento. Jimin corria pra buscar almofadas. Hoseok passava as cordas. E Jisoo montava tudo com agilidade e foco.

Enquanto isso, Rosé observava tudo sentada sobre uma almofada, tomando suco de caixinha com um canudinho torto e segurando firme o Senhor Coelho no colo. Seus olhos acompanhavam os movimentos da irmã com um certo orgulho silencioso e também alívio por não estar sendo puxada pra montar barraca nenhuma.

Era uma cena leve, quase mágica. Em meio às lanternas penduradas, às risadas e à luz alaranjada do fim de tarde, o quintal havia se transformado em um pequeno universo de tranquilidade, onde todos se sentiam seguros.

Jimin não conseguia parar de rir da forma como Hoseok ficava todo desajeitado perto de Jisoo. O ruivo tentava ser alguém que claramente não era — postura séria, frases ensaiadas, até tentou usar um tom mais grave na voz — mas Jimin, impiedoso, desmascarava tudo na frente de todos, fazendo questão de entregar seus segredos mais embaraçosos.

Jisoo, por sua vez, apenas ria. Não parecia se importar com o teatro de Hoseok. Na verdade, até achava engraçado. E, convenhamos, ele tinha um talento inegável: fazia ela rir como ninguém.

Depois de muito esforço e algumas gambiarras com fita adesiva, o acampamento finalmente ficou pronto. As barracas estavam de pé, as lanternas penduradas nos galhos e uma fogueira nascia sob as mãos habilidosas de Jisoo, que agora acendia as lenhas que Hoseok havia pego da lareira da casa.

Jimin, todo concentrado, espetava os marshmallows nos palitos de madeira, enquanto Hoseok chegava com um cooler cheio de refrigerantes geladinhos. Rosé continuava brincando com o Senhor Coelho, sentada sobre uma almofada, balançando os pezinhos no ar, completamente imersa no próprio mundo.

A noite estava perfeita, céu limpo, repleto de estrelas, e uma brisa morna e confortável que tornava tudo ainda mais mágico.

Quando tudo estava pronto, se reuniram em volta da fogueira. O calor era acolhedor, e os marshmallows começavam a dourar nas chamas, estalando suavemente.

Foi então que Hoseok, com um sorriso travesso, pegou uma lanterna, acendeu e posicionou a luz abaixo do queixo, fazendo sombras esquisitas em seu rosto.

— Está na hora dos contos de terror! — disse com uma voz rouca, soltando uma risada maléfica improvisada.

Rosé arregalou os olhos, imediatamente se levantando.

— Eu... eu vou ajudar o tio Jin com os lanches! — disse rápido, já dando passos apressados em direção à casa.

Jimin levantou a mão com empolgação.

— O Jimin começa!

— Tudo bem, Jimin — Hoseok cruzou os braços, teatral — Mas tem que fazer a gente morrer de medo!

— O Jimin tem uma história que dá muuuito medo — ele disse, pegando a lanterna e iluminando o próprio rosto com cara de suspense.

Hoseok e Jisoo o olharam, fingindo concentração, tentando não rir.

— Era uma vez... — começou Jimin com tom misterioso.

— Isso é uma história de terror, Jimin, não um conto de fadas — Hoseok o cortou, rindo.

— Cala a boca, Hobi! Escuta o Jimin! — Jimin o advertiu, sério.

— Tá bom, tá bom — Hoseok levantou as mãos em rendição.

Jimin pigarreou, tomou fôlego e recomeçou, tentando fazer a voz mais assustadora que conseguia.

— Então... era uma vez um menino que gostava muuuuuito de geleia de morango. Um dia, ele acordou no meio da noite com fome. Foi até a cozinha, abriu a geladeira e... A GELEIA DE MORANGO NÃO ESTAVA MAIS LÁ!

Jisoo levantou uma sobrancelha, contendo o riso. Hoseok fingia estar apavorado, com a mão na boca.

— Aí... o menino ouviu um barulho atrás dele. Quando olhou... A GELEIA TINHA VIRADO UM MONSTRO! Um monstro gosmento, todo vermelho e gelatinoso! Ele gritava "VOCÊ COMEU DEMAIS!" — Jimin rugiu, sacudindo os braços.

— Meu Deus! — Hoseok tapou os ouvidos, dramatizando — Não! Não! O monstro da... da... geleia!

— O menino saiu correndo! E desde esse dia... ele nunca mais comeu geleia de morango! — Jimin terminou com um olhar intenso e dramático.

Silêncio.

E então, Jisoo soltou uma gargalhada, seguida por Hoseok.

— Tá bom, ChimChim. Essa história foi... apavorante. Realmente, vou ter pesadelos com torradas e geleias — brincou Hoseok.

— Foi a história mais fofa de terror que já ouvi — disse Jisoo, limpando uma lágrima de tanto rir.

— Vocês não sabem apreciar um clássico — Jimin cruzou os braços, fingindo indignação.

— Jisoo, quer contar uma história agora? — Hoseok perguntou, recuperando o fôlego.

— Olha... a única história de terror que conheço é eu reprovando nas provas da faculdade. Ou pior, me formar e não conseguir um emprego.

Os dois a olharam com um misto de dó e riso.

— Isso realmente é aterrorizante — Hoseok disse, colocando a mão no peito.

— Ok, agora é minha vez — ele pegou a lanterna e fez sua melhor expressão sinistra. — Preparem-se para a história mais assustadora que já ouviram…

Jimin já se encolhia, enquanto Jisoo revirava os olhos, mas sorria.

— Uma linda família havia se mudado para uma grande mansão numa cidadezinha afastada — começou Hoseok, com a lanterna iluminando seu rosto por baixo, criando sombras assustadoras. — O pequeno menino albino, chamado Ruvik, brincava animadamente com sua irmã mais velha, Laura, em um celeiro abandonado cercado por um campo de girassóis. Mas toda a vizinhança odiava aquela família... achavam que aquelas terras não eram deles por direito.

Jimin e Jisoo o olhavam fixamente, atentos a cada palavra, a fogueira estalou suavemente atrás de Hoseok.

— Foi então que... — ele baixou a voz — resolveram atear fogo no celeiro com os dois irmãos dentro.

Hoseok fez uma pausa dramática e tomou um gole do refrigerante, como se não estivesse contando uma tragédia. Jimin sentiu suas pernas tremerem e Jisoo, com os olhos arregalados, nem piscava.

— Continua! — Jisoo exigiu, impaciente.

— A palha seca do celeiro pegou fogo em segundos — retomou Hoseok, agora em um tom mais sombrio — Laura e Ruvik correram desesperados para o segundo andar, tentando escapar pela pequena janela no alto. Laura ajudou Ruvik a passar pela abertura, mas... quando ela ia sair...

Ele parou por um segundo e olhou direto para os dois.

— O chão cedeu. E Laura caiu direto nas chamas. Ela morreu queimada, gritando pelo irmão. Ruvik sobreviveu, mas foi internado com queimaduras horríveis. Só que o que ninguém sabia é que a alma de Laura nunca foi embora.

A fogueira estalou alto nesse momento, fazendo Jimin dar um pulo.

— Dizem que, até hoje, o celeiro pega fogo sozinho à meia-noite e que de manhã, quando os moradores vão ver, está tudo intacto, como se nada tivesse acontecido. Mas se você passar por lá à noite pode ouvir os gritos dela ecoando, pedindo ajuda. E o pior...

Ele se inclinou pra frente, sussurrando.

— ... dizem que Laura aparece desfigurada sempre que você olha no espelho.

Jimin soltou um gritinho abafado e imediatamente se encolheu no colo de Jisoo.

— HOBI! — ele protestou, escondendo o rosto.

— Ah, que horror! — Jisoo disse com um sorriso nervoso. — Mas você é bom nisso. Meu Deus...

— Eu avisei que ia assustar — Hoseok deu uma risadinha vitoriosa.

— O Jimin não vai ao banheiro sozinho nunca mais! — ele resmungou, ainda agarrado na irmã como se fosse um filhote.

— Vem, Chim Chim — Jisoo o abraçou, rindo e tentando acalmá-lo — A gente coloca um espelho na bolsa do Hobi e devolve a Laura pra ele.

— Ei! Isso é bullying com quem conta boas histórias! — Hoseok protestou, jogando um marshmallow na direção dela.

— Chega, né? Vamos mudar de assunto... — disse Jimin, abraçando os próprios braços e fazendo um biquinho — O Jimin não vai conseguir dormir depois disso.

— Ué, você tem o Jungkook. E eu? Vou ter que dormir sozinho… a não ser que alguém resolva dormir comigo — Hoseok lançou um olhar sugestivo para Jisoo e piscou.

— Dorme com seus pais — ela respondeu rindo.

— Engraçadinha… — ele resmungou, mas não conseguiu conter o sorriso.

Hoseok se levantou e entrou na barraca, voltando logo em seguida com um violão nas mãos.

— Que tal a gente cantar um pouco?

— Ebaaaa! — Jimin comemorou, batendo palminhas, animado. Ele adorava quando Hoseok cantava.

— Eu não sei cantar — Jisoo disse, encolhendo os ombros.

— Todo mundo sabe — respondeu Hoseok — É só cantar com a voz do coração.

Ele se sentou com o violão no colo e começou a dedilhar os primeiros acordes. Tocava com uma leveza que chamou a atenção de Jisoo, que, até aquele momento, ainda o achava meio esquisito. Mas ali, sob a luz da fogueira, ele parecia diferente.

Começou a cantar Upside Down, de Jack Johnson, uma melodia suave e alegre, com uma vibe gostosa de fim de tarde. Sua voz era leve, cheia de entusiasmo e tão natural que contagiava.

Jisoo começou a bater palmas no ritmo, sorrindo sem perceber. Jimin pulava ao redor da fogueira, dançando todo desajeitado, como se o mundo fosse só deles.

Então Jisoo, meio tímida, resolveu se arriscar e cantar junto. Hoseok e Jimin se entreolharam, surpresos, pois a voz dela além de bonita, era doce e angelical.

Aquela noite seguiu leve, divertida e inesquecível. Cantaram, riram e dançaram ao redor da fogueira até cansarem. Rosé, por sua vez, já havia caído no sono há tempos, aninhada no colo de Jin, abraçada com o Senhor Coelho.

...

Os dias passaram com suavidade, e Jimin seguia firme em seu processo de recuperação. Toda semana, ele se encontrava com sua psicóloga, e aquelas sessões se tornaram uma de suas partes favoritas da rotina. Conversar, refletir e aprender sobre si mesmo era algo novo, mas que ele passou a amar. As aulas com Jisoo também ajudavam bastante; cada lição era uma descoberta, e ele se sentia mais confiante a cada dia.

Três meses se passaram, e uma nova vontade nasceu dentro dele: trabalhar. Estava cansado de ver Jungkook sair para a delegacia e as meninas irem para a escola enquanto ele permanecia em casa, se sentindo inútil. Queria fazer algo, ter sua própria rotina. Foi então que Jin, sempre atencioso, o indicou para uma vaga na livraria de um velho amigo. Jimin não tinha nenhuma experiência, mas adorava livros, e isso bastava.

Começou tímido, mas logo pegou o jeito do trabalho. Organizar as prateleiras, conhecer novos autores e mergulhar nas sinopses, era como viver num paraíso feito de palavras. Jungkook, claro, ficou receoso no início, o medo de deixar Jimin sozinho fora de casa ainda existia. Mas entendeu que aquela era uma etapa inevitável e necessária. O dono da livraria, amigo de longa data de Jin, prometeu que cuidaria bem dele, e cumpriu.

Jimin se transformou em um funcionário exemplar. Os clientes o adoravam, sua delicadeza e atenção encantava a todos. Ele ouvia, perguntava, e sempre sugeria o livro certo para cada pessoa. Era como se tivesse um dom. O dono da livraria observava, cada vez mais impressionado com a proatividade e dedicação daquele jovem de sorriso doce.

...

Jimin estava deitado no peito de Jungkook. A noite era calma, o céu estrelado cobria o mundo como um cobertor silencioso, e eles permaneciam ali, de mãos entrelaçadas, como se nada mais existisse. O clima era leve, acolhedor, envolto por uma ternura silenciosa.

— Jimin, eu te amo — disse Jungkook, com um sorriso doce nos lábios.

Jimin ergueu os olhos, seu rosto corado pela timidez.

— Kookie... o Jimin também te ama... quer dizer, eu... eu... eu também te amo — respondeu, com um pouco de dificuldade, tropeçando nas palavras.

— V-você disse o quê? — Jungkook arregalou os olhos, surpreso.

— Eu... te amo, Jungkook — repetiu, sentindo o coração disparar. Falar daquela forma, com segurança e em primeira pessoa, ainda era algo novo, mas ele queria tentar.

— Jimin, você falou em primeira pessoa! — exclamou, emocionado.

— Sim. É estranho... mas o Jimin quer falar certo. Digo... eu quero falar certo.

— Ei, não precisa ter pressa e nem se cobrar tanto — disse Jungkook, acariciando sua bochecha com carinho. — Pra falar a verdade, eu acho fofo o jeito que você fala.

— Acha mesmo?

— Muito, Jiminnie — murmurou antes de beijar seus lábios vermelhos com delicadeza.

— Então... o Jimin ama o Kookie — disse, voltando ao seu jeito carinhoso e espontâneo, antes de abraçá-lo apertado e o beijar de novo. Após uma breve pausa, sua voz saiu um pouco mais séria — Kookie… o Jimin... — limpou a garganta — Eu... quero fazer uma faculdade. Quero estudar.

Jungkook se afastou só o suficiente para olhar em seus olhos, um sorriso orgulhoso iluminando seu rosto.

— Isso é incrível, Jimin. Estou tão feliz por você. Já sabe o que quer estudar?

— Quero ser escritor... escrever livros que dêem esperança às pessoas. Que façam elas sonharem, se distraírem da realidade, mesmo que só por um instante.

— Você é incrível, Jimin. Vai ser um escritor maravilhoso. Eu já sou seu fã número um — disse, puxando-o para um abraço apertado.

Eles ficaram assim por um tempo, em silêncio, ouvindo os batimentos do outro, respirando juntos. Desejando que aquele momento fosse eterno.

— Kookie?

— Hum?

— O que você acha da gente ter um bebê?

Jungkook sorriu, com os olhos brilhando.

— Eu acho uma ideia perfeita — respondeu, antes de beijá-lo com todo o amor que cabia em seu coração.

...

Yoongi já estava com vinte e oito semanas de gestação, sete meses. A barriga redonda chamava atenção, mas o que mais encantava Taehyung era sentir seus filhos se mexendo ali dentro. Bastava encostar as mãos e falar algumas palavras, e os gêmeos pareciam dançar de alegria. Sempre que Yoongi falava, eles respondiam com pequenos chutes, mas era com Taehyung que faziam uma verdadeira festa.

Todas as noites, Taehyung dormia abraçado a Yoongi, de conchinha, com a mão repousando na barriga como se pudesse protegê-los enquanto dormiam. Ele conversava com os bebês, lia historinhas, beijava e abraçava a barriga com tanto carinho que Yoongi às vezes ficava enciumado, fazendo bico para lembrar ao namorado que ele também precisava de atenção. Nessas horas, Taehyung o pegava no colo e o cobria de beijos, como um pedido de desculpas encantado.

Com o avanço da gestação, as dores nas costas se tornaram constantes, e o peso da barriga, ainda maior por estar carregando gêmeos, exigia muito do corpo de Yoongi. Taehyung fazia questão de carregá-lo sempre que possível, mimando-o sem medida. E Yoongi, cada dia mais manhoso e sensível, adorava todo aquele cuidado.

Mas o pequeno gravidinho já estava cansado de ficar preso dentro de casa. Queria sair, ver gente, respirar novos ares. Nos raros momentos em que saíam, precisavam de escolta policial. Enquanto Victor continuasse foragido, aquela era a única forma segura de viver.

— Tae... quero ir ao mercado comprar frutas! — implorou Yoongi, quase choramingando.

— O quê? Podemos pedir para entregarem, amor. Você sabe que não podemos sair assim...

— Tae, por favor... se eu não sair, vou enlouquecer!

Taehyung suspirou, vencido pela carinha de Yoongi.

— Tudo bem, meu amor. Mas eu vou com você. E vamos levar dois policiais.

— Melhor que nada — resmungou Yoongi, resignado.

Taehyung avisou Namjoon e pediu a escolta. Ele mesmo teria que sair de máscara, já que seu rosto — ou melhor, o rosto de Victor — estava estampado em todos os jornais. Para evitar sustos ou confusões, ainda era melhor manter-se disfarçado.

Yoongi se vestia animado como quem se arruma para uma festa. Pegou uma camiseta larga de Taehyung, que mais parecia um vestido nele. Colocar os sapatos, no entanto, era missão impossível. Sua barriga já não permitia que se abaixasse. Taehyung, paciente, calçou os tênis em seus pés e até deu um lacinho no cadarço, sendo recompensado com um sorriso bobo.

— Meu novo escravo particular — brincou Yoongi.

— E você é meu reizinho mimado — respondeu Taehyung, dando um selinho em sua testa.

No mercado, Yoongi insistiu para que Taehyung pegasse um carrinho. Queria empurrá-lo também, fingir que aquela saída era normal. Foram direto para a sessão de doces, onde Yoongi queria se entupir de guloseimas, mas Taehyung tentava, com pouco sucesso, controlar os impulsos do namorado.

Na parte de frutas, Yoongi parecia uma criança feliz. Cheirava, apertava, analisava com cuidado as frutas. Taehyung estava sempre ao seu lado, ajudando a escolher, segurando a sacola e segurando a mão dele. O tempo todo com aquele sorriso bobo e apaixonado.

...

Victor se endireitou atrás da coluna, tentando manter a postura enquanto o capuz e a máscara sufocavam sua paciência. Estar sempre escondido o irritava profundamente, mas sabia que era necessário. Seus olhos não desgrudavam de Yoongi, que escolhia frutas com um sorriso calmo e distraído.

"Ele está cada dia mais lindo."

O pensamento surgiu como uma pontada no peito.

Victor sentia falta de Yoongi, do cheiro adocicado de sua pele, do som suave de sua voz, da forma como sorria até com os olhos. Queria beijá-lo de novo. Abraçá-lo. Sentir sua pele contra a sua, tocar a barriga e acompanhar, com a palma da mão, os movimentos dos bebês.

Mas aquele homem ao lado dele estragava tudo.

Franziu o cenho, observando Taehyung grudado a Yoongi como uma sombra protetora. Odiava ver todos aqueles beijos, toques e carinhos. Victor apertou os punhos, como se pudesse esmagar aquele cenário com a força do ódio.

"Ele roubou o que é meu."

Ao redor, os policiais se mantinham atentos. Victor percebeu cada um deles como peças de xadrez dispostas para impedir qualquer aproximação.

"Eles estão me afastando dele."

Ele fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

"Yoongi... eu preciso de você. Só mais uma vez."

Quando voltou a olhar para ele, seu olhar se tornou ainda mais frio.

"Parece que não vou conseguir recuperar o meu Yoongi desse jeito..."

Um leve sorriso torto surgiu por trás da máscara.

"Está na hora de dar início ao plano B."

Notas finais
Olha quem está de volta... Sim, Vic em pessoa 🤦🏼‍♀️ Jimin queimando o filme do Hobi na frente da Jisoo 😅 Alguém aí ficou com medo da tenebrosa história do Jimin? 🤣 A história que Hobi contou é sobre um jogo chamado "The Evil Within", meu jogo favorito :)