The Evil Within

38 O primeiro salário



Yoongi andava ainda mais sonolento que o normal. Tirar cochilos à tarde havia se tornado um dos seus passatempos favoritos. Mas nada como despertar de manhã ao lado do homem que amava. Acordou sentindo carícias suaves em sua barriga, era Taehyung, como sempre, conversando baixinho com os bebês.

— Bom dia, meus amores — ele sussurrou com a voz mais suave possível, achando que Yoongi ainda dormia.

— Tae...? — murmurou Yoongi, ainda meio grogue.

— Amor? Te acordei? Me desculpa — Taehyung se apressou em dizer.

— Não, já tava na hora mesmo... — Yoongi disse, passando os dedos pelos fios castanhos de Taehyung com carinho. — Tae, eu adoro acordar com você aqui.

— Vamos acordar assim todos os dias — respondeu, antes de selar os lábios de Yoongi num beijo delicado.

Yoongi mordeu de leve o lábio, pensativo.

— Tae... posso te falar uma coisa?

— Eu sei... — Taehyung sorriu — Eu também te amo.

— Não era isso — Yoongi riu — Quer dizer, eu também te amo, mas... eu tô com fome.

Taehyung o encarou, fingindo uma expressão ferida.

— Poxa… eu aqui todo romântico, achando que ia ouvir uma declaração...

— Olha, no momento minha fome tá maior do que meu amor por você — Yoongi abriu os braços o máximo que conseguiu — então imagina o tamanho da fome? É gigantesca!

Taehyung riu, balançando a cabeça.

— Tá bom, tá bom... vou preparar algo delicioso pros meus três bebês famintos. O que você quer comer?

— Yakissoba! — respondeu animado.

— Considere feito! Vai ser o melhor yakissoba do mundo — prometeu.

Taehyung ajudou Yoongi a se levantar. Seus pés estavam inchados, o sétimo mês de gestação não estava sendo nada fácil. Felizmente, Taehyung e Hye Sung faziam questão de ajudá-lo em tudo.

Descer as escadas era um verdadeiro desafio, a cada dia, sua barriga parecia pesar mais.

— Eu te levo, meu amor — disse Taehyung, já se abaixando para pegá-lo no colo.

— Tae, eu estou pesado… vai te machucar. Eu consigo descer sozinho.

— Pesado? Yoon, até com dois bebês na barriga, você continua sendo uma pluminha.

Sem dificuldade alguma, Taehyung o ergueu nos braços, aninhando-o com cuidado. Yoongi passou os braços ao redor do pescoço dele e, como de costume, ficou observando o namorado com aquele olhar fixo e encantado.

— Assim você me deixa tímido — murmurou Taehyung, sorrindo sem jeito.

— É que você é tão bonito... não dá pra parar de olhar — disse Yoongi, com os olhos brilhando.

— Você é muito mais lindo — respondeu ele, encostando a ponta do nariz no dele e arrancando um sorriso doce de Yoongi.

— Sim, os dois são lindos — Hye Sung interrompeu — Mas agora vá alimentar seus três bebês — disse, entregando o avental para Taehyung. — Se deixar, vocês vivem de amor e esquecem que precisam comer.

— Sim, mamãe linda! — Taehyung brincou. — Vou alimentar meus piticos com o maior carinho.

Enquanto preparava o yakissoba, Yoongi o observava de longe, com o queixo apoiado nas mãos, completamente apaixonado. Estava tão encantado que chegou a suspirar.

"Devem ser os hormônios", pensou Taehyung ao notar o olhar sonhador do namorado.

O prato demorou mais que o normal para ficar pronto, afinal, Taehyung tinha que interromper o preparo a cada cinco minutos para encher Yoongi de beijinhos e atender aos seus dengos.

Depois de devorarem o delicioso yakissoba, os dois se aconchegaram sob o edredom na cama, prontos para um novo desafio: escolher os nomes dos bebês. Taehyung estava empolgado, mas suas sugestões beiravam o absurdo. Yoongi, pacientemente, tentava explicar com jeitinho que alguns nomes poderiam não soar muito bem.

...

Jimin estava radiante com seu novo emprego. Tinha acabado de receber seu primeiro salário semanal e mal conseguia conter a alegria. Sentia-se, pela primeira vez, verdadeiramente útil e independente, aquilo o enchia de orgulho.

Com o coração aquecido, decidiu que usaria parte do dinheiro para presentear Jungkook. Pediu ajuda de Jisoo para escolher algo especial e, depois de muita procura, encontrou o que queria: uma camisa social de seda preta. Jimin achava Jungkook irresistível quando se vestia desse jeito.

Pediu à vendedora que fizesse um embrulho bonito, caprichado, e comprou também um cartão para escrever algo simples, mas vindo do fundo do coração:

“Querido Jungkook,

Eu te amo muito. Muito mesmo. Te amo do tamanho do mundo… não, do universo todinho. Obrigado por me salvar. Obrigado por me ajudar a ser a melhor versão de mim mesmo. Eu sempre vou te amar. Sempre vou estar ao seu lado.

Com carinho:

Seu Jimin”.

Claro que Jungkook chorou ao ler o bilhete. Amava tanto Jimin, desejava tanto sua felicidade, que vê-lo feliz, empolgado e satisfeito, era tudo o que ele mais queria.

— Ainda tenho dinheiro — disse Jimin animado — O Jimin... quer dizer, EU vou comprar pizza pra todo mundo hoje!

As meninas comemoraram. Jimin encomendou pizza e refrigerante para todos, radiante por poder dividir com quem amava o que tinha conquistado com seu próprio esforço.

Depois de se esbaldarem com a pizza, Jisoo e Jungkook foram até a cozinha para lavar a louça.

— A pia entupiu de novo — reclamou Jisoo. — Parece que tem alguma coisa presa no cano…

— O Jimin… digo, eu vou ligar pra um encanador. Ele pode consertar! — disse Jimin, pegando o celular. Pesquisou, achou um número e fez a ligação. — Prontinho! O moço vai vir amanhã resolver isso.

Com a cozinha limpa e o problema resolvido, cada um foi para seu quarto. O dia havia sido cheio, mas estava cheio também de orgulho, carinho e conquistas, e isso fazia tudo valer a pena.

...

No fim da tarde do dia seguinte, Jungkook saiu para levar Jisoo e Rosé até a casa dos NamJin, onde passariam o fim de semana. Jin estava animado, finalmente teria a chance de viver seu sonho de "pai de meninas", levando-as ao salão de beleza e às compras. Diferente de Hoseok, que só se interessava por videogames, as garotas o acompanhariam em programas que ele sempre quis compartilhar.

Enquanto isso, Jimin ficou em casa. Estava animado, além de receber o encanador para consertar o problema na pia, preparava um jantar especial para Jungkook. Queria retribuir todo o cuidado que recebia, cozinhando algo com suas próprias mãos.

A campainha tocou. Jimin, com as mãos ainda sujas de tempero, correu até a pia para lavar rapidamente e foi atender. Ao abrir a porta, encontrou um homem de uniforme, usando boné e máscara. Jimin apenas acenou com a cabeça, deu um sorriso educado e o guiou até a cozinha, mostrando onde o conserto precisava ser feito. Não reparou muito no homem. Estava mais empolgado com o jantar do que atento aos detalhes.

De volta à bancada, Jimin se concentrou nos ingredientes. A cozinha estava silenciosa, até que um som cortou o ar, um assobio.

O homem começou a assobiar a canção "Twinkle, Twinkle Little Star".

Jimin congelou. Aquela melodia, tão familiar, soava como um pesadelo voltando à tona. Sua mão procurou instintivamente por algo, qualquer coisa, e encontrou uma faca. Sem pensar duas vezes, girou o corpo para trás, pronto para se defender.

Mas não teve tempo.

Sentiu uma picada rápida no pescoço. Um formigamento se espalhou por seu corpo, suas pernas falharam, e tudo ao redor girou. Caiu, sem forças, nos braços do homem.

— Jimin, Jimin, Jimin... quanto tempo — disse Victor, com um sorrisinho satisfeito nos lábios enquanto segurava o corpo mole de Jimin.

Ele se abaixou, falando próximo ao ouvido de Jimin, já inconsciente:

— Ia fazer o quê com essa faca, meu pequeno Jimin? Não se preocupe… você não é o que eu quero, é só uma isca.

Notas finais
Peguem suas armas, Victor chegou 😱 O que será que Victor quer com Jimin? 🤔