The Escape
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Mas espero que gostem (:
– Deixe a menina conosco, cuidaremos bem dela –ela estava quase implorando- ela ficará melhor aqui do que se for embora com você.
Eu não podia fazer isso. Não podia deixá-la. Não havia ninguém nesse mundo em quem eu confiasse, pois a última vez que fiz isso fui traído. Mas eu não tinha o poder dessa decisão. Só ela poderia decidir que queria ir comigo ou continuar ali sendo bem tratada.
– Pergunte a ela, deixe-a escolher
– Mas ela não está em condições de escolher nada, responda você. TE DEI ABRIGO, COMIDA E TUDO NO MOMENTO QUE VOCÊ MAIS PRECISOU, AGORA NÃO PODE FAZER SÓ ISSO POR MIM?
– Mas eu n-não posso... – Admito. Ela estava me assustando.
– ACHA QUE ELE NÃO IRÁ ACHAR VOCÊS? É ISSO O QUE PENSA? ENTREGUE ELA LOGO E ACABE COM ISSO DE UMA VEZ POR TODAS!
Percebi que aquilo era uma cilada. Peguei a faca que estava próxima ao balcão e corri na direção da garota. Mas a velha foi mais rápida e correu para trás do sofá. Gritei para a menor sair correndo, mas com toda a força que ela tinha serviu pra no máximo cair do sofá. Tentei correr para pegá-la, mas o senhor tentou me impedir.Dei umas ou três facadas nele e sai correndo enquanto a velha vinha para ajudá-lo. Peguei-a no colo e fui o mais rápido que pude para fora daquele maldito lugar. Enquanto íamos embora correndo a velha começou a gritar.
– VOCÊS ACHAM QUE CONSEGUEM FUGIR POR MUITO TEMPO? ELE VAI TE ACHAR EM QUALQUER LUGAR!
Fiquei assustado com as palavras dela, mas não pararia de correr até que me sentisse à salvo. Não sei de onde estava vindo toda essa minha força, mas estava gostando disso. Ela já estava mais corada, isso quer dizer que estava melhorando. Eu tinha que achar algum lugar para nos escondermos, mas onde? Achei que aquela velha lanchonete seria segura, mas percebi que estava enganado. Os perigos vieram de onde eu menos imaginei. Aquele simpático casal de velhinhos eram perigosos e eram aliados a ELE? Será que ele já percebeu nossa falta e está nos caçando? Em todo esse tempo que passei no cativeiro aprendi que tudo o que ele desejar, ele conseguirá. Não importa de que maneira, mas sempre tem o que quer. Isso realmente me dava medo, pois sabia do que era capaz de fazer para nos ter de volta. Será que ele iria comê-la depois de morta, igual fez com a Luce? Tenho que parar de pensar nessas coisas.
Estávamos em um beco, onde resolvi parar. Não agüentava mais carregá-la. Sentei no chão e a deitei, colocando sua cabeça em minha perna. Não havia muito com o que eu poderia cobri-la, então arranquei minha camiseta velha e joguei por cima de seus braços. Encostei minha cabeça na parede, mas logo lembrei que eu teria que ficar acordado vigiando o local.
Tentei me levantar, mas acabei a acordando. Droga, eu tinha que ser tão barulhento enquanto levantava? Ela tentou se levantar sozinha, mas não conseguiu, então resolvi ajudá-la. Depois que estava sentada, bateu sua mão no chão ao seu lado, me chamando para sentar ao seu lado. E lá fui eu, me sentei e fiquei olhando para ela.
– Obrigada por me salvar –disse ela, sussurrando.
– Não tem nada, você faria isso por mim também.
– Apenas diga “de nada”
– De nada -achei aquilo engraçado e sorri para o nada
– Agora sim -e sorriu meio de canto
– Posso te perguntar uma coisa?
– Pode.
– Como é seu nome? –estava querendo saber aquilo desde o primeiro dia em que ela apareceu naquele cativeiro, mas não consegui. Ela chorou tanto naquele dia, que a única coisa que fiz foi ter pena dela.
– Juliet. Juliet Nicole Simms. Mas é só Juliet mesmo, não gosto do meu sobrenome. E o seu?
– Andy. Andrew Dennis Biersack. Mas me chamavam de Andy Six antigamente –tentei me lembrar a última vez que alguém havia me chamado daquele jeito, fazia muito tempo mesmo.
– E tem quantos anos Andy? –ela perguntou enquanto praticamente me encarava.
– Não sei direito, parei de contar o tempo quando fiz 15. E você? –agora me dei conta de quanto tempo havia passado preso naquele cativeiro. Já havia perdido a noção do tempo.
– Tenho 22. Mas como assim você não sabe sua idade? –perguntou confusa.
– Não sei mesmo. Fiquei tanto tempo naquele cativeiro, que chegou uma hora que eu já não sabia mais que dia era, nem o mês e depois me perdi nos anos também. Não faço idéia da data de hoje.
– Oh –ela fez uma careta, como se sentisse vergonha por ter me feito a pergunta anterior – Não sei exatamente a data, mas estamos no ano de 2013.
– 2013? Já? Caralho –já havia passado tanto tempo assim? Como era possível?
– É, qual é o último ano que você lembra?
– De 2009. Lembro até da festa que fui antes de ser seqüestrado. Haha, uma ótima festa –me perdi nas minhas lembranças.
– Deve ter sido ótima mesmo, você tá até sorrindo! –ela não pareceu muito feliz e devia estar imaginando a festa.
– Pra falar a verdade, nem foi tão legal assim. Se eu não tivesse ido pra lá, não teria sido seqüestrado.
– E não estaria aqui agora também.
– É...
– Mas vamos lá, se você tinha 15 anos em 2009, agora deve ter 18 ou 19 dependendo do dia em que nasceu –ela estava perdida em seus pensamentos enquanto contava.
– 26 de dezembro. Nasci nesse dia.
– Que maravilha! Você nasceu depois do natal!
– É, o dia mais chato do ano inteiro.
– Porque o dia mais chato? Como o natal pode ser chato? –pelo jeito, ela adorava o natal.
– Não é o natal em si que é chato, mas o que aconteceu nesse dia... –fiquei triste ao ter que relembrar aquilo.
– Me conte –e segurou minhas mãos, como se tentasse me acalmar.
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