The Escape
4 Capítulo 4
Notas iniciais
- Érr... ah, é difícil ficar relembrando dessas coisas... – estava tentando conter as lágrimas, aquilo parecia algo impossível, mas eu conseguiria.
- Se quiser, não precisa falar.
- É que minha mãe morreu nesse dia. – finalmente consegui dizer isso, sem chorar.
- Ahn... me desculpe.
Eu coloquei meus braços ao redor dos ombros dela e passei a encarar o céu, para ter certeza de que não iria chorar. Minha mãe foi tudo o que eu tive na vida. Tudo de bom, né? Porque de ruim tive várias coisas.
Decidi que era hora de buscar alguma coisa, pois não demoraria muito para o pôr do sol. Acho que ela não aguentaria andar muito, então iria deixá-la. Mas e se algo acontecesse nesse meio tempo? E se ela gritar e eu estiver longe? Não me perdoaria se algo acontecesse com ela por minha culpa. Não posso deixar esses medos rondarem minha mente. Tenho que buscar algo útil para nos protegermos ou achar comida, pelo menos.
- Aonde você vai?
- Procurar alimento ou algo para fazermos uma fogueira, sei lá.
- Não precisa, fique aqui.
- Você sabe que eu não posso, qualquer coisa é só gritar que eu venho correndo – dei um sorriso de canto pra ela e comecei a andar.
Sai do beco e decidi ir pra direita. As ruas eram meio desertas e as únicas pessoas que ali passavam eram estranhas, não gostava muito disso. Comecei a andar rápido, pois estava escurecendo. Ouvi um grito da Juliet. Corri o mais rápido que podia. Qualquer um que tentasse pegá-la iria se ver comigo.
- O que foi? O que aconteceu? – estava ofegante por ter corrido demais.
- Nada, era só pra ver se você voltaria mesmo – ela começou a rir e eu fiquei puto com isso.
- Af, quando for de verdade, não irei acreditar em você – dei as costas para ela e sai andando para o lugar onde eu estava até ela gritar – Ela só me atrasou, sabe que não podemos ficar sem uma fogueira e ainda fica gritando – resmunguei para mim mesmo.
Fui andando e cheguei rapidamente ao local em que estava anteriormente, achei melhor continuar a andar. Tive uma impressão de que estava sendo seguido, mas devia ser apenas ilusão minha, pois estava assustado ainda do grito e das coisas horríveis que poderiam ter supostamente acontecido com a Ju. Passei perto do que parecia ser um ferro velho e parei. Cheguei mais perto e aparentava estar abandonado, então decidi entrar. Fui andando devagar e tentando não encostar em nada, pois não sabia o que encontraria naquele lugar. Estava escuro lá dentro e podia escutar o barulho dos ratos que corriam ao redor do local. Mais a frente tinha uma sala, devia ser o escritório. Caminhei até lá e tentei abrir a porta. Legal, estava emperrada. Adorava ter que bater meu corpo contra uma porta pra ela abrir, muito legal mesmo. Ok, vou parar de ser irônico. Bati três vezes contra a porta e ela abriu. Ainda bem, pois meu braço estava doendo e eu não estava tão forte assim. Na verdade, estava muito fraco, mas não sou capaz de admitir isso pra Juliet. Adentrei a sala com muito cuidado, pois não sabia o que ali encontraria. Ótimo, tinha várias revistas, daria uma fogueira maravilhosa. Cheguei à mesa que estava no canto direito do fundo da sala. Várias gavetas para ver, não sabia nem por qual começar. Resolvi começar pela última do canto esquerdo. Droga, estava trancada. Por que as pessoas trancam as gavetas mesmo? Ah claro, para pessoas como eu não mexerem, óbvio. A chave deveria estar em algum lugar por ali, aquele lugar era velho mesmo e a pessoa que é dona daquela sala não parece ser muito organizada. Tapetes, sim tapetes. Caminhei até o tapete, me inclinei e lá estava a chave. Quase todo mundo esconde debaixo de objetos, achando que são lugares seguros, mas é aí mesmo que se enganam. Abri os dois lados da mesa e comecei pela gaveta que havia escolhido antes. Havia pedaços de papel rasgados, sujeira, elásticos, clips, uma borracha e um isqueiro. Peguei os quatro últimos itens, poderiam ajudar em algo. Abri as gavetas seguintes e achei coisas normais de escritório, mas peguei uma tesoura e um estilete que achei, esses sim seriam úteis. Resolvi levar um pouco das revistas e os itens que já havia guardado dentro do bolso. Ah, não poderia esquecer o casaco que estava em cima de uma poltrona velha. O casaco era meio velho, mas serviria para nos aquecer durante a noite. Principalmente a Juliet, que quando dormia sentia muito frio e ficava tentando se esconder debaixo do meu braço. É, acho que a raiva que estava sentindo dela já tinha passado. Aliás, porque eu senti tanta raiva? Aquilo nem foi um grande motivo. Podia ter acontecido tanta coisa com ela. Melhor voltar, não me perdoaria se algo acontecesse. Vesti o casaco, empilhei as revistas, coloquei-as debaixo do braço e fui em direção à porta. Agora tinha que tomar bastante cuidado, pois não sabia se realmente aquele local estava vazio. Saí pela porta e me juntei a parede, para que minha sombra não se projetasse no chão. Passei por algumas peças no chão tomando o maior cuidado para não fazer barulho algum. Não estava nem na metade do terreno ainda, tinha que ir mais rápido. Ouvi um barulho vindo de trás de algumas carcaças de carro, congelei onde estava. Não sabia onde me esconder, a meu ver, não havia algum lugar grande o suficiente para mim. Abaixei-me e procurei de onde vinha aquele barulho. Havia uma sombra atrás dos carros. Será que era o dono desse local? Ou pior ainda, será que era Ele?
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