The End of Gospel
1 O início do fim - Capítulo 01
Abri meus olhos vagarosamente fitando com dificuldade ao meu redor, o meu foco estava embaçado e minha cabeça doía muito, depois de alguns minutos minha visão voltou a clareza e ai que eu notei, não era apenas um problema de visão que me atrapalhava, eu me localizava em um calabouço ou prisão muito mal iluminado, meus braços e pernas estavam presas por correntes que se fixavam ao chão e em volta havia vários arcos de pedras que davam acesso para várias escadarias.
De um desses arcos mal iluminado surgiu um homem caucasiano de meia idade, com longos cabelos loiros e olhos azuis que refletiam as chamas da tocha em sua frente, pisquei várias vezes para tentar diferenciar se as chamas em seus olhos eram mesmo das tochas, ele alisava um crânio humano em sua mão e me fitava em silêncio.
– Esperei muito tempo por isso, finalmente chegou a sua hora. – Disse ele com uma voz rouca, ele se aproximava, deixando o crânio humano em cima de uma das mesas, sem tirar seus olhos flamejantes azuis de mim. – A história do mundo e sua vida irão mudar a partir de agora, Marshall...
– Q-Quem é você? – Falei com certo receio em minha voz, acreditando erroneamente que consegui disfarçar o medo que percorria pelo meu corpo. – Como me conhece e o que você quer de mim?
– Eu sou seu pai. – Ele manteve a expressão seria durante todo o discurso, enquanto se aproximava cada vez mais de meu corpo preso ao chão. – E irei de mostrar a origem do mundo, a verdadeira origem do mundo.
Esticando seu dedo indicador tocava em minha testa, senti meu corpo todo entrar em combustão e meus olhos saltarem para fora das orbes. Quando finalmente a sensação passou, eu estava em um tipo de campo ou jardim, não havia luzes mas estava totalmente iluminado, as correntes haviam sumido e eu conseguia finalmente andar, olhei para o céu confuso e apenas consegui ver estrelas.
– Você não está mesmo pensando nisso, está Miguel? – Disse um homem ao meu lado, seus cabelos eram negros e suas vestes eram brancas que podia jurar que estavam emitindo luz, em suas costas havia duas asas.
– Estou sim meu caro irmão... – Falou outro homem que estava do lado de uma árvore grande, aparentava ser uma macieira com belos e chamativos frutos em seus galhos. – Gabriel, você não vê o que está acontecendo? Chegou nossa hora de reinar.
– Isso é loucura, é insanida...
– Se você acha isso tudo tão ruim assim, porque não está junto a Lúcifer e seu pequeno e tolo exercito para me deter? – Interrompeu seu irmão, ele tinha raiva em seu tom, mas não deixava ela se expressar, Gabriel aparentava assustado com a revelação do irmão, eu estava invisível aos olhos de ambos e mesmo assim não ousei me mexer. – Sim meu caro irmão, eu sei de tudo que ele trama contra mim, mas amanhã a essa hora, eu terei o poder de nosso pai e irei comandar essa raça de humanos como um Deus soberano e severo.
– S-Sim senhor, creio que eu não tenha mais serventia agora, irei aos meus aposentos. – Disse Gabriel recuando e ao ver a confirmação do irmão com um simples aceno de cabeça, ele abriu suas asas e levantou voo.
Minha visão ficou embaçada novamente e tudo começou mudar de forma, uma mistura de cor se fazia em frente a uma tela branca, como se elas quisessem tomar uma forma, quando finalmente aconteceu, eu me encontrava dentro de um salão enorme com chão, teto e paredes brancas, tão brancas que era possível usá-las como espelhos.
– PARE! – Gritava o homem loiro de meia idade que dizia ser meu pai, ele estava vestindo uma armadura e tinha um tipo de estaca em sua mão, na sua costa havia vários outros homens e mulheres de armadura, todos tinham asas. – O que você fez?
– Chegou tarde de mais, irmão. – Consegui identificar Miguel de costas ao meu pai, em sua cabeça havia uma coroa e suas asas estavam tampadas por uma gigante capa branca que também parecia emitir luz, ele se virou e a forma de sua face era indecisa, as vezes aparentava ser um homem velho e sábio e as vezes ele voltava ao normal, em sua mão havia um cetro e também estava vestindo uma armadura. – Junte-se e prometa-me toda sua lealdade e eu pouparei sua vida.
– Não lhe devo nenhuma lealdade, irmão.
– Lúcifer... Aquele que leva a luz, leva a clareza aos outros e para os romanos leva o ensinamento, porém, meu caro irmão, você levou todos esses anjos a morte. – Ele levantou o cetro que mudou a forma e virou uma espada.
Nesse exato momento Lúcifer soltou um grito de guerra e todo seu exercito incluindo ele foi para cima de Miguel que ao gritar revelou que também havia um exercito com ele, porém, o seu era mil vezes maior que de Lúcifer; Eles batalharam até ficarem fracos, haviam anjos no chão que estavam fracos de mais para sustentar seu próprio peso.
– Vocês não podem me vencer... EU SOU DEUS! – Miguel abriu um sorriso maléfico que ecoou pelo grande salão, ficando sua espada no chão do local, o mesmo começou a se desfazer e cair aos pedaços no escuro que aparentava ser o espaço. – Agora irmão, eu irei reescrever a história e os humanos me conheceram como o seu único Deus.
Pode ver vários anjos caindo e meu corpo caia junto deles, vários deles tinham suas asas em combustão e eles gritavam como se tivessem sendo torturados, achei estranho afinal sempre pensei que anjos não sentissem dor, mas ai que me dei conta, eles estavam sendo expulsos do céu e se tornando humanos, após alguns minutos de queda pude finalmente ver o chão e alguns dos anjos deitado sobre ele.
Acordei em minha cama com um impulso, havia suor em minha testa e meus olhos doíam com a claridade que batia neles, olhei para a parede do meu quarto e fitei uma réplica do quadro A criação de Adão em minha parede.
– Que sonho estranho...
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