The End of Gospel
2 Ataque ao Drive-Thru - Capítulo 02
Notas iniciais
Desculpa se eu te decepcionar, mas essa história não fala de um professor de simbologia e iconografia religiosa de uma faculdade burguesa e muito menos de dois irmãos que sai pelas ruas americanas a fora matando demônios e afins, muito diferente disso, eu sou apenas um jovem de vinte anos, normal que depois de uma péssima noite de sono teve que acordar às sete horas da manhã para ir trabalhar meio período no drive-thru do McDonalds que paga míseros R$ 9,00 a hora, sei o que você deve estar pensando, porque um homem de vinte anos e já independente trabalha meio período em um lugar assim? A resposta é mais simples do que vocês imaginam, estou tentando garantir fundos para uma boa faculdade, que aliás só não comecei por esse motivo.
Enfim, ao chegar ao trabalho fui até os vestuários que ficam na parte de trás da cozinha, vestir esse maldito uniforme e esse bonezinho apertado, caminhei até o microfone onde eu passava a maior parte do meu dia vendendo gordura saturada para basicamente três americanos a cada vinte minutos e quando eu tenho um tempo livre, fico conversando com alguns amigos que fiz ali.
– E ai Marshall, vamos pra uma festa hoje cara? – Disse Teddy, meu melhor amigo, ele tinha o cabelo loiro ou castanho sou péssimo nisso e dizia ter dezessete anos, aparentava mesmo. – Ou está ocupado novamente?
– Hoje? – Respondi com um tom pensativo, realmente não estava ocupado nos dias anteriores, mas sempre evitei me apegar muito com essas pessoas, porém, decidi ir para tentar esquecer o maldito sonho que não saia da minha mente. – Estou de boa cara, tudo bem.
Após mais ou menos vinte minutos, um homem passou pela porta, estava usando um terno, em sua face ele demonstrava um semblante frio enquanto fitava todos que estavam no local sem parar, desviei meu olhar por alguns minutos para atender um cliente que havia chegado, quando voltei a fitá-lo ele estava conversando com Teddy ambos sentados na mesma mesa, pensei que talvez Teddy tivesse ido pedir para apagar o cigarro porque é proibido fumar em locais públicos fechados.
Voltei ao meu trabalho, mas não parava de observar que Teddy e aquele homem estavam conversando ali fazia mais de meia hora e começava a ficar preocupado, até que uma hora eles começaram a discutir e sem pensar duas vezes, me aproximei da confusão atento ao senhor que gritava com Teddy no meio do estabelecimento vazio por dentro.
– Senhor, receio que tenho que pedir para o senhor se retirar. – Falei em um tom amigável, fitando o homem que ainda tava com o cigarro no canto da boca.
– Senhor Phillip, certo? – Assustei ao ouvi-lo citar meu sobrenome, recuando um passo para trás, porém, ele não estava me olhando e sim à paisagem lá fora que estava congestionada de carros porque não havia ninguém no microfone para atender aos pedidos. – Eu sou James Levy e receio que tenho que pedir para o senhor me acompanhar.
– Q-Quem é você? Eu nem te conh...
Fui interrompido por um carro que atravessava a parede atrás do homem, recuei o máximo que consegui ao ver a parede caindo em cima do capô do carro, porém, senti uma mão em minha nuca, me jogando para baixo da mesa, percebi pelas suas horríveis calças de uniforme que o foi Teddy quem me jogara.
Ao tentar sair de baixo da mesa, ouvi a porta do carro abrindo e duas silhuetas saírem de dentro dele com escopetas em suas mãos, Teddy pulou para trás de um dos bancos enquanto Levy foi para trás do caixa na tentativa de se proteger das balas, preciso confessar que estava com muito medo e um tanto confuso, elas começaram a atirar e toda vez que iam recarregar usavam a porta do carro como escudo e essa era a deixa para Teddy e Levy atirar com suas pistolas, uma “luta” meio injusta.
As balas de ambos acabaram simultaneamente, porém, as duas silhuetas pegaram duas desert eagle cada e se aproximaram da gente com toda atenção do mundo, ao fundo podiam-se ouvir sirenes da polícia que se aproximavam por causa do tiroteio, devem ter sido chamados por alguns dos funcionários dali que tivesse fugido de medo, como eu deveria ter feito.
– Nos encontramos novamente, Sr. Levy. – Disse uma voz feminina de uma das pessoas que estava usando vestes negras e ambas retiravam as máscaras de suas faces, revelando-as. – Vocês dois e o garoto irão conosco.
Para a minha surpresa eram duas mulheres, pensamento meio machista eu sei, porém, me surpreendeu muito no começo, elas nos escoltaram para perto do carro enquanto uma abria o porta-malas a outra me jogava no banco de trás, devo dizer que mesmo sendo sequestrado o lugar que eu ocupava era muito confortável, diferente de James e Teddy que estavam presos lá atrás.
– Vamos rápido, Lilith. – Gritou a garota mais nova que aparentava ter mais ou menos minha idade, enquanto pegava o celular do porta-luvas e digitava uma mensagem de texto. – Temos mais ou menos três minutos para a polícia chegar.
– Estava pegando a fita de segurança... – Ela disse entrando no carro desesperadamente, dando ré no mesmo, jogando a fita de segurança no meu colo.
Quanto mais ela acelerava mais alto era o barulho de sirenes e quando eu finalmente achei que íamos bater de frente com a polícia e acabar com essa história toda, ela virou o carro bruscamente e entrou em uma garagem que por coincidência ou não, estava aberta.
Ao parar o carro, fiz o que muitos achariam uma burrice ou um ato muito corajoso de um homem morto, abri a porta do carro e me joguei para fora, levantando o mais rápido possível e indo até a saída, infelizmente não rápido o suficiente, pois, a porta da garagem se fechou quando eu ia sair.
– Porque tentar fugir garoto? – Disse um homem perto de uma alavanca, com um sorriso cínico em sua face, enquanto me fitava com os olhos semicerrados. — Você não acha que conseguiria, não é mesmo?
– Eu não sei quem são vocês, mas eu não tenho dinheir...
– Não queremos seu dinheiro, Sr. Phillip. – Disse a mulher mais velha que saia do carro com uma expressão normal na face, como se nada tivesse acontecido. – Na verdade, minha missão aqui é protegê-lo.
– M-Me proteger? – Gaguejei ao falar, meio confuso e amedrontado com tudo isso.
– Tem certeza que esse idiota é meu irmão? – Disse a outra menina que saia do carro com duas pistolas em suas mãos, jogando uma delas para a mulher mais velha. – Aliás, se não for... Posso matá-lo?
– Vamos com calma Summer, temos problemas maiores a resolver agora. – Disse Lilith se aproximando do carro e abrindo o bagageiro, apontando a pistola para James enquanto Summer apontava para Teddy que estavam lá dentro, quase havia me esquecido da presença dos dois, acho que o medo estava impedindo-me de pensar em qualquer coisa que não fosse minha morte.
– Finalmente, Lilith meu amor. – Disse Levy com um tom cínico ao sair do porta-malas com as mãos levantadas para cima. – Estava começando a ter torcicolo.
– O que está fazendo aqui Levy? Pensei que havia morrido desde a última vez que nos vimos.
– Uma aventura e tanto, não é? – Ele ajudou Teddy a sair do porta-malas. – Porém, para sua infelicidade, estou vivo e você está atrapalhando na minha missão.
– E qual seria essa sua missão?
– Proteger o senhor Phillip. – Ele apontou seu dedo indicador para meu tórax, eu estava com medo de mais para expressar alguma reação ou expressão. – Com ordens do seu patrão.
– Christopher, leve Marshall para conhecer seus aposentos e Summer tranque Levy e o outro garoto no calabouço, até segunda ordem. – Disse Lilith, que após a fala de James aparentou meio aflita.
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