Notas iniciais
Jon Snow, capítulo décimo segundo.

Era cedo em Winterfell, o Sol ainda não tinha aparecido, tudo que Jon via do lado de fora da janela do seu quarto era a sombra das árvores e a alvorada ameaçando aparecer. Robb dormia no outro canto do quarto coberto por peles. O pai havia dito que pela manhã queria os filhos em sua sala de conferência, o rei também estaria presente. Jon sabia qual seria o assunto da conversa, e provavelmente teria a chance de conversar com seu tio Benjen novamente, na noite passada ele e Benjen haviam falado da possibilidade de Jon servir a Patrulha da Noite.

Jon se dirigiu até a cama do irmão para acordá-lo, estava na hora do desjejum e eles tinham que estar na sala do pai. — Robb, acorde. — Jon balançou o irmão. — Acorde, vamos, temos que comer e ir ver o pai, lembra? — Robb abriu os olhos, e se levantou.

— Por que você acha que o pai quer ter uma conversa conosco e com o rei? — Robb perguntou a Jon, que já estava pronto.

— Acho que discutiremos sobre as notícias que o tio Benjen trouxe. — Jon tinha quase certeza daquilo. O rei precisava saber daquilo, o reino estava em perigo.

— O rei vai chacotear conosco, ele é do Sul e não conhece nossas histórias. — Disse Robb um pouco apreensivo.

— Ele terá que acreditar. — Jon sabia que o pai e o rei eram amigos quase irmãos, e achava que o pai era capaz de convencê-lo da verdade.

Quando chegaram a sala do pai, Benjen já estava sentado em uma cadeira no canto, o pai acenou para que eles se sentassem também. Percebendo que haviam mais duas cadeiras vagas, Jon se perguntou se mais alguém além do rei viria para a pequena reunião. Sua pergunta foi respondida quando o rei chegou, ladeado por Jaime Lannister, o Regicida, como era conhecido em todo o reino.

— Olha, vejam só, um corvo e dois mocinhos. — Disse o rei gargalhando e olhando para todos na sala. Jon achava o senso de humor do rei horrível, mas todos na sala riram, e ele achou que seria deselegante não sorrir também. — Vamos Ned, direto ao assunto. — E dizendo isto o rei se sentou, e Jaime arrastou sua cadeira para mais longe da cadeira do rei. Jon queria saber o que ele fazia ali, mas ele era da Guarda Real, então Jon presumiu que estava ali guardando o rei.

— Robert, temos um problema grande para enfrentarmos. — Ned começou sério. — Você se lembra quando vinha passar alguns dias aqui em Winterfell quando era mais novo?

— Claro que me lembro, eu, você, Lyanna e o Benjen aqui gostávamos de brincar no Bosque Sagrado. — Disse Robert dando uma risada. — Lyanna, ela era tão viva...

— Robert. — Ned disse sério. — Estamos aqui para tratar de nossos problemas em comum. — Vendo que Ned estava sério, Robert fechou a cara. — Você deve se lembrar das histórias que a Velha Ama nos contava, e espero que se lembre de uma em particular, a história sobre os Outros. — Robert estava com a cara mais debochada dos sete reinos, via-se que ele estava pronto para gargalhar alto. — Não estou brincando Robert, você precisa me levar a sério.

— Ned, espero que você não esteja tentando me convencer que os Outros existem de verdade, porque eu mandei metade dos sete reinos para os Outros, e era só brincadeira. — Jaime riu no fundo da sala, atraindo o olhar de Jon para ele. Jaime era gêmeo de Cersei e tinha a mesma expressão de nojo no rosto, era um homem bonito, mas desprezível.

— Benjen, traga. — Ned se dirigiu ao irmão. Benjen se levantou e procurou alguma cisa nos bolsos internos de seu casaco, quando achou, tirou um pacotinho de couro de dentro das vestes e depositou-as a frente de Robert. — Sabe o que é isso? — Ned perguntou se dirigindo a Robert.

— Não, é vidro negro? — Robert perguntou debochado.

— Obsidiana ou Vidro de Dragão, Robert. — Ned disse. Jon se virou para o rei que estava pasmo, mas parecia não acreditar muito em nada daquilo. — É uma das únicas coisas que podem matar um Caminhante Branco. — Robert olhou para Ned, como se perguntasse a ele inconscientemente como ele teria coragem de pronunciar aquele nome. — Você já viu isso alguma vez? — Ned perguntou ao rei, que balançou freneticamente a cabeça.

— Por que você está me mostrando isso, Ned? — Robert perguntou.

— Benjen matou um Outro para-lá-da-Muralha. — Ned olhou para o irmão. — Benjen. — E acenou positivamente para o irmão, para que ele tivesse a palavra.

— Eu estava em uma patrulha, a procura de um dos corvos de Atalaialeste que sumiu a alguns meses, Dick Imberbe e eu estávamos no meio da Floresta Assombrada, eu estava construindo uma fogueira quando achei uma coleção de caça toda feita em obsidiana, no meio da noite Dick me acordou e eu avistei aquela figura gelada e endurecida, tudo estava frio e cortante, parecia que a vida tinha se esvaído do mundo, eu o matei com este punhal. — Benjen apontou para a mesa, onde o punhal estava. — Dick não teve sorte, o Outro o matou com uma espada feita de cristal. — Jon ficou encarando aquele punhal, o silêncio tomava conta daquela sala. Um riso estérico cortou o silêncio, Jaime Lannister ria incontrolavelmente, Robert também começou a rir.

— Tudo bem Ned, esperaremos um Outro passar para este lado do reino, e então faremos alguma coisa. — Dizendo isso o rei se levantou e saiu da sala, com Jaime no seu encalço. Antes de sair da sala Jaime se virou e disse:

— Vocês do Norte tem histórias encantadores e engraçadíssimas. — E riu mais um pouco, e então se retirou.

— Eu já imaginava que ele não acreditaria. — Ned disse e se levantou. — Bom, faremos por nossa conta. — E saiu da sala. Jon sabia o que aquilo significava, seu pai protegeria o reino sozinho.

Quando já estava fora da sala de seu pai, caminhou sem rumo por algum tempo, visitando cada lugar de Winterfell, ele queria ir embora dali, mas sentiria falta das grandes muralhas, e dos salões, dos quartos, da biblioteca, do canil e dos garotos com quem ele treinava no pátio. Depois de um tempo de caminhada resolveu ir ao Bosque Sagrado pedir conselhos a grande Árvore Coração, ele havia adotado os deuses antigos. Abaixada perto da árvore estava Sansa, Jon não queria atrapalhá-la, e não queria que ela visse que ele estava ali também, então andou na ponta dos pés até o outro lado e se agachou, rezou e pediu proteção dos deuses.

— O que você faz aqui? — A voz da garota estava alta e furiosa.

— A mesma coisa que você. — Jon respondeu sem abrir os olhos.

— Você é um impertinente.

— Só você pode rezar aqui? — Jon disse abrindo os olhos, Sansa se levantou, mas muito rápido, ela ficou tonta, e quando Jon percebeu que ela estava caindo foi até ela e a segurou.

— Me solta. — Ela disse mais furiosa ainda.

— Tá. — Jon soltou-a e voltou ao seu lugar. Sansa saiu do Bosque fungando de raiva, Jon riu.