Notas iniciais
Jon Snow, capítulo segundo.

– Winterfell é o meu lar agora, Ned. — disse Catelyn.

– Cat, você precisa entender que o garoto é meu filho e eu sou Senhor de Winterfell, e ele só tem a mim, ele precisa ficar. — Eddard Stark respondeu em sua voz fria e decisiva.

– A mãe, onde está a mãe dessa criança? — ela perguntou.

– Morreu, dando a luz, ele morou tempo demais sozinho, merece ficar aqui, mesmo sendo bastardo. — Ned havia decidido que criaria o filho, mas sabia que era difícil fazer sua amada aceitar essa situação.

– Todos os homens de Winterfell saberam que ele é um bastardo seu, e que eu fui traída.

– Me perdoe Cat, errei, sei que errei, e me arrependo, mas ele é meu filho, minha semente, e sinto que devo criá-lo.

Jon estava sentado ao lado da porta do quarto de Ned e Cat, e ouvia cada palavra que o pai e a mulher diziam, aquilo o magoava, sabia que mesmo o pai tendo o trazido para Winterfell ele nunca seria realmente considerado um filho. Seria sempre o bastardo, o bastardo de Ned Stark, honroso Ned Stark. Saiu dali, antes que entrasse no quarto e acabasse com aquela discursão dizendo que iria embora. Não tenho pra onde ir. Pensou amargurado.

Winterfell era o mais norte que Jon já havia conhecido, as muralhas do castelo eram grandes, e suas torres e torrinhas eram coisas monstruosas. Em sua primeira noite ali, havia sentindo tanto frio, que precisou se cobrir com o forrado de peles de seu colchão. O norte era frio, e ali na casa dos Stark o lema era " O Inverno está chegando." , sim o inverno estava chegando, vinha com suas garras, se arrastando e levando o calor das pessoas. Até Jon que havia vivido sempre ao Sul, sentia o frio se aproximando e tomando conta do seu coração.

Chegou ao pátio do castelo, onde alguns criados haviam acendido uma fogueira e assavam pães, e carnes, e bebiam vinho temperado, o cheiro seduziu Jon, e ele se sentou perto de um homem muito velho, que cantava canções estranhas que Jon nunca havia escutado.

– Canções de selvagens para lá da Muralha. — explicou ele, quando Jon o perguntou qual nome das músicas.

– Você já esteve para lá da Muralha?

– Claro que sim, eu vim de lá, estive lá durante muitos anos.

– E por que agora vive aqui?

– Porque quando o inverno se aproxima, a Grande Noite trás consigo coisas assustadoras, não tenha medo dos vivos filho, tenha medo dos mortos quando o inverno chega. — dizendo isso, ele se levantou e foi para os estábulos.

Jon ficou com aquelas palavras na cabeça. Já tinha dezesseis anos, e não acreditava mais nas histórias de velhas Amas de leite, mas aquele velho, aquilo que ele disse fez os cabelos da nuca de Jon arrepiarem.

– Jon. — era Ned Stark, Jon se virou quando ouviu a voz do pai. Ele parecia cansado. — Vamos caminhar um pouco? — Jon se levantou e seguiu o pai pelo pátio, até o bosque sagrado. Fazia menos de um mês que estava em Winterfell, mas sabia que aquele lugar era o favorito do pai, quando ele sumia, poderia saber que estava ali, pensando, sentado debaixo do grande represeiro branco com folhas vermelhas, com um rosto talhado no meio, um rosto que tinha feição triste e antiga. A árvore coração, como chamavam todos os seus irmãos.

– Meus deuses, antigos deuses, — o pai disse. — você não os conhece, com certeza foi ensinado que os setes são os verdadeiros deuses.

– Não acredito nos sete, senhor.

– Pai. — Ned o corrigiu. — Você é meu filho! Então você acredita em que deuses?

– Nenhum, não fui ensinado a acreditar em deuses, fui ensinado a lutar com espadas, atirar flechas, carregas bestas, e forjar meus próprios artifícios de guerra. Não tive tempo para deuses.

– Sinto muito não ter te trazido antes. — Ned olhou-o profundamente com aqueles olhos profundamente azuis. — Cat nunca aceitaria, as pessoas no castelo falam sobre você ser meu bastardo.

– Eu não preciso ser chamado de Stark, nunca pedi pra seu chamado de Stark.

– Mas quero que você permaneça no castelo, e seja tratado como meu filho.

– Ficarei, mas não serei um Stark.

– Será, enquanto eu ser o Senhor de Winterfell e Protetor do Norte.