The End Of The Summer
3 The girl, the boy, the children.
Notas iniciais
Todas as manhãs em Winterfell, pássaros vinham cantar empoleirados nas gárgulas de pedra que se prendiam nos muros. O quarto de Sansa e Arya ficava na Torre do Maester, tinha visão ao bosque sagrado, e todos os dias pelo manhã, Sansa Stark se sentava a janela e rezava aos antigos deuses dali mesmo.
Sansa tinha cabelos compridos e ruivos, olhos verdes e sardas por todo o rosto, era alta e esguia e linda, cantores vinham para a festa da colheita e faziam músicas para Sansa. Naquela manhã fazia muito frio, Sansa se vestiu com peles, e saiu do quarto até a sala de septã Mordane, que dava aulas de costura, história, leitura e música à ela e Arya todas as manhãs.
Aria já se encontrava na sala, vestida como um menino. Arya era a que menos puxava a família da mãe, se parecia muito com o pai, com os Stark, tinha os cabelos até o ombro pretos, olhos azuis idênticos aos do pai, ninguém se parecia mais com Ned Stark do que Arya, e o bastardo.
O bastardo. Pensou Sansa amargurada, havia estado do lado de sua mãe, desde quando o pai trouxera Jon Snow para Winterfell. Sansa achava o garoto indigno demais para se sentar no estrado principal nas refeições, e havia ajudado a mãe desde então. Catelyn nunca aceitaria o garoto, Sansa também não. Ele desonra o nosso nome.
– Sansa, preste atenção, está costurando os próprios dedos. — e estava mesmo, seu dedo indicador sangrava, e a agulha estava cravada em seu dedo mindinho. Mas logo Sansa percebeu que Arya também não estava sendo feliz com as agulhas, e tinha embolado todo o novelo de linha. — Chega, hoje as senhoritas acordaram de mal com as agulhas, estudaremos história, onde paramos? — septã Mordane se levantou e trouxe um livro grande, com capa em couro fervido, as páginas amareladas, para mostrar que aquele era um livro realmente muito velho.
– Queria ouvir as história de Aegon, o Conquistador. — disse Arya.
– Mas você já ouviu essas histórias inúmeras vezes, criança.
– Não me chame de criança, já tenho onze anos, e quero escolher o que vou estudar.
– Cale essa boca Arya, septã Mordane ensina o que devemos aprender, não o que você quer aprender. — disse Sansa rabugenta. Não aguentava mais ouvir as histórias de Aegon, e seus dragões, e suas irmãs-esposas, não aguentava mais ouvir a voz de septã Mordane, e não aguentava mais Arya. — Com licença.
Saiu da sala, e esbarrou em alguma coisa grande e forte, quando levantou a cabeça, olhos azuis profundos iguais aos do pai a observavam. Se desvencilhou dos braços de Jon o mais rápido que pode.
– O que faz aqui? — lhe perguntou com raiva.
– Eddard me mandou aqui para ter aulas com a septã. — respondeu Jon.
– Você vai ter aulas? Para quê? Seu trabalho é no pátio, com os outros garotos, filhos dos vassalos de meu pai.
– Sei bem, mas Eddard pediu para que eu pudesse aprender a ler.
– O Meistre Luwin é quem devia lhe ensinar a ler.
– Desculpe, mas Eddard é quem resolve com quem aprenderei a ler e escrever, e a história.
– Você é um insolente. — Sansa estava irritada com a forma que Jon havia falado com ela. Ela era uma senhora, e não merecia ser tratada daquela forma.
– Pedoe-me senhorita, não fui ensinado a falar com mulheres, agora se me dá licença.
E com isso Jon entrou na sala, e Sansa ficou ali parada, sem saber o que fazer. Resolveu que gostaria de ir ao pátio, onde os irmãos estariam. Sansa amava ver Robb lutando contra alguns dos meninos da Vila, achava que irmão sempre a protegeria de qualquer mal, ninguém tocaria nela, Robb sempre a protegeria.
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