The End Is Coming
47 Capítulo 47 - É isso que o amor faz
Notas iniciais
POV — Mari
– Acorda! – Alguém me chacoalhava. Não consegui distinguir quem era, meu sono me fazia ficar com os olhos pesados.
– Só mais cinco minutinhos. – Falei ainda sonolenta.
– Vai Mari, você disse que me ajudaria com os treinos. – Treinos? Só podia ser Carl.
– Quando eu disse isso?
– Na verdade... Você não disse... Mas você podia me ajudar, né?
– Poderia, mas não vou.
Eu consegui abrir meus olhos por inteiro e vi Carl fazendo aquela cara de pidonho.
– Não faz essa cara... Para!
– Por favor, me ajuda.
– Ok...
Ele sorriu.
– Agora levanta a pança daí e vá para o refeitório. Rápido, pois Carol está tirando o almoço.
Almoço? Quanto tempo eu dormi? Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei um casaco fino por cima da minha regata laranja. Eu usava um short preto e uma bota pequena. Assim que desci as escadas, dei de cara com Carol que carregava alguns pratos.
– Pera! – Gritei pra ela. Ela sorriu forçado.
– Acalme-se. A comida ainda está na cozinha.
Eu sorri aliviada. Fui até a cozinha e lá encontrei algumas batatas e umas folhas de alface.
– Daryl comeu todo o tomate. – Rick apareceu atrás de mim.
– Tudo bem. Eu não estou com tanta fome.
– Você sabe que ele é louco por você, né?
– O que?
– Você sabe sobre o que eu estou falando.
Eu fiquei meio confusa, mas depois percebi o que ele queria dizer.
– Ele está cada dia mais apaixonado. Eu sei o que é decepção, e não quero isso para meu filho.
– Você acha que eu faria mal ao Carl?
– Nunca se sabe. Pessoas mudam.
Eu o ignorei e levei minha bandeja até uma mesa.
– Eu sei que você sente o mesmo que ele sente por você. Eu vi o beijo de vocês.
Ai não... Mais alguém para me lembrar do beijo.
Eu comi um pouco e fiquei com enjoo. Talvez pelo motivo da conversa com Rick.
Terminei de comer e coloquei minha bandeja na cozinha. Ajeitei meu cabelo e fui ao pátio.
– Isso! Acertou em cheio. – Carl falava com as crianças, de braços cruzados.
As crianças estavam sentadas em uma roda e Carl era o único em pé. Eu me aproximei e ele sorriu de canto.
– Gente, essa é a Mari, minha amiga, nova professora de vocês. Ela me ajudará aqui e...
– Não é aquela que você beijou, tio Carl? – Um garotinho perguntou.
Eu e Carl abrimos a boca como se fosse falar algo, mais nada saiu. Estávamos perplexos.
– Foi ela sim! – Gritou uma garotinha.
– Voltando à aula... – Carl interrompeu as crianças. – Vamos nos separar em dois grupos. Meninas com Mari e meninos comigo.
Ai não. Aquelas meninas que babam pelo Carl viriam comigo.
Aquela mesma ruiva da calcinha jeans e as outras estavam perto. Elas pareciam ter todas a mesma idade. Fora elas tinham duas meninas e a Lucie. As duas meninas eram realmente parecidas. Olhos cinzentos e cabelos castanhos curtos. Tinha certeza de que elas eram gêmeas.
– Então... Eu sou a Mari.
– Carl já falou. – A menina da calcinha jeans não foi com minha cara.
– Hum... Que tal nos apresentar? Como nome e idade? Exemplo, sou a Mari e tenho 14 anos.
– Brenda, 13 anos. – Disse uma menina de cabelos negros e olhos de um tom verde perfeito. Que inveja.
– Miley, 14 anos. – Disse a atrevidinha ruiva. Miley... Hum...
– Keila, 13 e meio. – Disse uma menina que estava com um sorriso nos olhos. Ela parecia legal.
– Lira... 14 anos. – Disse uma garota que eu não tinha notado antes.
– Daisy e Denise. – Disse uma das garotinhas. – Somos gêmeas.
Eu sorri para todas e saquei minha arma.
– O que vocês acham de atirar um pouco em algumas latas? Vou arrumá-las.
Fui arrumar e do canto do olho, notei Miley mostrando o dedo do meio pra mim enquanto ela encurtava o short, ou calcinha, que seja.
–--------
Passou algum tempo e consegui bons resultados com as meninas. Era a hora de sair do pátio. Já era tarde e o Sol estava se pondo.
Carl se aproximou de mim.
– E então... Como foi?
– Bem... Todas atiram bem.
– Com essa professora...
Eu sorri para ele. Juro que senti uma vontade louca de agarrá-lo e beijá-lo sem parar. Como ele fazia isso comigo? Será que ele sentia o mesmo?
De repente, a conversa com Rick me veio à cabeça. Fiquei meio tonta com as palavras. Será que ele realmente achava que eu iria decepcionar Carl? Por que eu faria isso? Meu Deus, estou ficando louca por causa de um menino. Como ele mexe assim comigo? Ele entrou na minha vida e mudou tudo. Simplesmente isso. Isso que eu chamo de amor.
– Tá com fome? – Ele sorriu.
– Mais ou menos.
Ele tirou uma barra de chocolate do bolso. Eu o encarei com um sorriso cínico.
– Carl... Achei que você soubesse que eu odeio chocolate.
– Eu sei, só tava brincando. – Será?
Ele retirou do bolso o meu colar. Eu havia perdido ele novamente?
– Enquanto você dormia, eu o tirei, só pra ver se fazia falta.
– Carl! Nunca mais faça isso.
– Você nem percebeu. – Ele falou fazendo um sinal para eu me virar.
Assim que me virei, ele levantou meu cabelo e colocou o colar. Eu sentia as mãos dele passando pelo meu pescoço, me arrepiando inteira. Logo, ele soltou meu cabelo devagar e começou a mexer nele. Era um carinho bom, sentir Carl mexendo em meus cabelos me fazia bem. Me fazia querer agarrá-lo ainda mais.
– Mari? Tá com sono? – Ele me perguntou assim que percebeu que eu estava com os olhos fechados.
– Ahn... Sim. – Falei meio abobada.
Ele sorriu e se levantou esticando uma mão para que eu me levantasse também. Eu iria agarrá-lo, o destino não falha.
– Venha, você tem que dormir, amanhã é um dia cheio.
– Eu não quero treinar novamente. Aposto que elas me odeiam.
– Não te odeiam, é só impressão sua.
Meu Deus, me segure para não o agarrar. Eu estava com vontade de puxar o braço dele fazendo com que segurasse em minha cintura e prolongasse ainda mais aquele beijo que ele me dera com público há uns dias atrás.
Mas por surpresa, eu não precisei nem agarrá-lo que ele já fez o trabalho. Ele segurou minha cintura e me beijou. Nossos lábios estavam em sintonia novamente. Eu não queria o soltar. E ele não queria me soltar. O chapéu dele caiu enquanto me beijava. Ele não se importou com aquilo pela primeira vez. Era verdade o que Rick me disse, eu mexia com ele.
E como eu digo, é isso que o amor faz.
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