The Emperor Repents

1 Capítulo 1: A caça ao Imperador


Notas iniciais
Aqui vão as músicas de luta principais. Não que sejam necessárias, mas para quem quizer, e também quizer conhecer mais de alguns personagens...aqui estão. Yggdra: http://br.youtube.com/watch?v=Trf_PUkO2Ow Milanor: http://br.youtube.com/watch?v=3-iVgP7y0zw Gulcasa: http://br.youtube.com/watch?v=z4vBxM1kap8 Nessiah: http://br.youtube.com/watch?v=QkAI9Ds4dos

Faltava pouco para o abismo. Apenas mais um pouco, e Brongaa finalmente iria ressuscitar. Finalmente...finalmente seria a vez da linhagem deles governar absolutamente. Bronquia teria feito o seu papel...e mesmo assim não havia como comemorar. A princesa de Fantasinia, Yggdra, perseguia Gulcasa, imperador de Bronquia, tentando impedi-lo de se jogar no abismo, oferecendo-se como sacrifício para Brongaa. Mas ele queria ser esse sacrifício. Queria ser ele aquele que ressuscitou Brongaa, trazendo finalmente aquele lugar á justiça. Mas se a tola princesa não parasse de persegui-lo...

- Gulcasa, pela última vez, pare! – O grito desesperado da voz fina da princesa veio aos seus ouvidos. — Você não sabe o que está fazendo! Quer destruir o mundo inteiro!?

Ela corria atrás dele, seus cabelos longos e loiros esvoaçando com a corrida, e ela estava com sua famosa Espada Sagrada em mãos, preparada para atacar. Atrás dela, várias valquírias com espadas também em mãos seguiam no mesmo ritmo. Gulcasa tentou não dar atenção e comandou o dragão no qual estava montado á continuar. Seus aliados, também montados em dragões, voavam ao seu lado. A perseguição estava um pouco ganha para o lado inimigo: os dragões estavam cansados da exaustiva luta que tiveram no castelo.

- Droga! Não vamos chegar lá... – Disse Gulcasa para si mesmo. Por mais que agora sua presença estivesse aterradora agora, de tanto poder que fluía pelo seu corpo, se o Exército Real conseguisse segurá-lo o suficiente e matá-lo, estaria tudo acabado. Ele nunca subestimou a força de vontade daquele exército, como sabia que não devia.

Porém, enquanto lutava para chegar ao abismo, notou que um de seus aliados chegara mais perto e lhe oferecia a foice. Todos lá estavam usando foices, exceto o imperador, que havia deixado a sua para trás na pressa.

- Mas o quê... – Ele começou, mas o outro não lhe deixou continuar e forçou-o a tomar a foice nas mãos.

- Majestade, você precisa ir logo! – Disse o soldado que lhe oferecera a foice. – Deixe que nós seguramos o Exército Real aqui!

- Mas... – Ele não queria que eles morressem pelas mãos dos cretinos que agora estavam invadindo seu território. Todos iam morrer, mas por uma boa causa, e ele queria que esses soldados, que o acompanharam tanto, estivessem com ele até o fim. Mas não foi assim.

- Nada de “mas”! Majestade, confiamos em você! Siga em frente!

Dito isso, o soldado tirou uma espada da bainha e apontou para os outros soldados. Todos eles pararam e se viraram. Estavam face a face com o Exército Real.

- Saíam da frente, vocês! – Dizia Yggdra, enquanto se aproximava correndo. Um pouco mais atrás, vinha um grupo de ladrões, os soldados do Lobo Prateado Milanor, com o dito cujo liderando á frente deles.

Os soldados não se deixaram intimidar e prepararam as armas.

- Por Bronquia!! – Berraram eles, e avançaram contra o exército á frente deles, preparados para lutar até a morte.

Enquanto isso, Gulcasa se apressava. Não devia estar nem a mais de dois metros agora. Finalmente, quando achou que seu sonho se realizaria, algo inesperado aconteceu.

Um vento mais forte soprou, e um homem apareceu em sua frente, tão rápido quanto se ele tivesse se materializado ali. Esse homem estava usando uma capa roxa que impedia a visualização de seu corpo, que era um tanto suave e delicado para um homem. Estava vendado e sorria. Dava para ver alguns fios de cabelo loiro pelo que a capa não escondia. Além disso, ele segurava um livro enorme na sua frente. Ou melhor (segurando talvez não fosse a melhor palavra), estava fazendo o livro flutuar em sua frente.

- Nessiah... – Disse Gulcasa, lentamente, muito embora ele estivesse lutando contra si para não empurrá-lo da frente e se jogar no abismo.

- Ah, Majestade. Hmhmhm... – Ele ria de uma forma satisfeita e baixa. Gulcasa não gostou. Quase avançou nele quando falou:

- Saia da frente. Você sabe o que tenho que fazer.

- Ora, Majestade, naturalmente que sei. Mas...isso não está bem em meus planos.

- O quê você quer dizer com “seus” planos, Nessiah!?

- Hmhmhm...eu imagino que você não tenha notado. Mas não importa. Brongaa não vai ressuscitar. Você vai morrer aqui e agora, nas mãos da Espada Sagrada.

- Quê! Nessiah, você ousa me trair em uma hora tão crítica!? Seu desgraçado!!

Gulcasa agora havia ficado muito furioso. Brandiu a foice como uma lança para frente e entrou em posição de batalha. Ele não queria mais nem saber desse homem, que ele havia nomeado um de seus Dragon Generals. Todos os traidores devem morrer, e ainda mais alguém que faz isso em uma hora de tanta importância! Imperdoável!

Gulcasa avançou contra aquele homem, que, mesmo vendado, seguiu os movimentos do imperador com a cabeça. Bloqueou o ataque furioso do imperador movendo o livro como um escudo. Gulcasa não parou cedo: estava extremamente furioso, só queria passar por cima do maldito para acabar logo com toda essa história, e pela primeira vez seu poder não o ajudou a conseguir o que queria: Nessiah defendia tudo com uma maestria que superava ao do próprio imperador. Ele nunca ia conseguir passar de Nessiah se ele continuasse assim...

- Você...você não é humano! – Disse Gulcasa, exasperado com o fato de que não conseguia fazer nada contra ele: ele se movia tão rápido quanto alguém que se teleporta e defendia tão bem quanto Baldus, o Deus da Guerra, também um Dragon General.

- Hmhmhm...não importa. Já fiz minha parte, e lá vêm eles.

Gulcasa olhou para trás e ficou paralisado. Os corpos de seus colegas já estavam no chão, todos com feridas graves, queimaduras e muito sangue. O Exército Real realmente se aproximava. Seria esse o fim?

- Adeus, imperador... – Disse a voz de Nessiah, que agora parecia distante para Gulcasa.

Ao ouvir isso, Gulcasa se virou e Nessiah não estava mais lá. Tinha sumido de novo. Era sua chance de se jogar, de abraçar a morte e convidar Brongaa para aquele mundo...e, mesmo assim, se ele perdesse um segundo, não daria tempo, e lá estava ele pensando no que fazer...

No segundo seguinte, ele estava cercado pelo exército real, quase todos apontando as armas para ele. Yggdra se aproximou mais e apontou a espada para o pescoço dele.

- Gulcasa, Imperador da Carnagem, você está morto. Você vai pagar pelos pecados que cometeu pela justiça da Espada Sagrada! Prepare-se!

- Yggdra...espere.

Yggdra congelou. A voz do imperador, pela primeira vez, soou para ela aparecer com tom de súplica, de humildade. Isso surpreendeu á todos ali presentes: nunca antes o imperador havia feito tal coisa, e era mais fácil ele se matar do que renunciar áquela pose superior que tinha.

Yggdra se recompôs primeiro, mas a surpresa ainda lhe fez falhar na voz.

- G-Gulcasa?

- Nessiah...Nessiah...

Ele começou a falar consigo mesmo. Seus traços, anteriormente inumanos, agora voltavam ao que eram costumeiramente. Ele voltava a ter a pele branca clara, olhos amarelos penetrantes e um cabelo longo vermelho bem ajeitado. Sua armadura vermelha não tinha mudado, porém.

Yggdra chacoalhou a cabeça e voltou a ter uma pose autoritária e poderosa, apontando novamente a arma para Gulcasa.

- Não pense que vai ganhar tempo com isso, Imperador! Sua hora chegou! A hora de vingar meus pais...vingar todas as pessoas inocentes que morreram por sua causa...

- Yggdra! Não!

Agora não fora Gulcasa, mas sim Russell, o espadachim de cabelo roxo e olhos vermelhos que outrora fora parte do exército Bronquiano. Yggdra esperou, mas pareceu estar se contendo furiosamente para não avançar de novo, naquele instante, sobre Gulcasa.

- ...Não o mate. Não agora.

- Por que eu não deveria matá-lo agora, Russell!? – Perguntou ela, as mãos que seguravam a espada tremendo. – Ele matou meus pais, as pessoas queridas pra mim...isso não têm perdão!

- Por favor, princesa! – Disse Russell novamente, em um tom mais brando. – Têm algo muito errado aqui. Temos que chegar ao fundo disso.

- Não há nada de errado em administrar justiça! Eu estou fazendo o que é certo! A Espada Sagrada pede pelo sangue dele, e a justiça está nela! Por que eu não o mataria agora!?

- Yggdra... – Agora era outra voz, era uma voz mais suave, como a de Yggdra, só que mais grave. Era a bruxa Rosary. Tinha cabelos de uma cor marrom-claro longos, e os olhos eram estranhamente cor-de-rosa. Usava uma túnica branca e, por cima, um ricínio vermelho que cobria apenas a parte superior do tronco e que tinha o emblema do Exército da Rosa Branca do meio. – Se têm algo que eu aprendi enquanto estive aqui, principalmente com a Srta. Kylier, foi que quando você age como seus inimigos, você não é nem um pouco melhor que eles. Não mate-o. Pelo menos não por essa vontade de vingança pela qual você está possuída agora.

Quando ela disse isso, Yggdra tremeu mais e olhou para a própria espada. Irrefutavelmente, havia verdade no que ela tinha dito. Ela tinha deixado a vontade de vingança tomar conta dela: fora isso, primeiramente, que causara á Milanor e Durant tanta dificuldade...ela não iria cometer o mesmo erro de novo.

- Muito bem. – Disse ela, abaixando a espada.Gulcasa olhou para ela, ele mesmo estava surpreso. – Vamos levá-lo. Dominamos o castelo, então nós ficaremos por aqui por enquanto. Durant!

Ao seu comando, o jovem cavaleiro, líder da terceira cavalaria de Fantasinia, apareceu de pronto em sua frente.

- Sim, princesa? – Ele perguntou. Sua voz parecia a de alguém forte e determinado.

- Vá na frente e prepare o castelo para nós. Prepare também a masmorra para Gul...para o imperador. Quero falar com ele mais tarde.

- Certamente, princesa.

Ele fez sinal com sua lança para os outros cavaleiros ali presentes, e eles seguiram-no em direção ao castelo. Yggdra olhou para Gulcasa.

- Você terá muito o que fazer se quiser o perdão de mim, imperador.

Ele não respondeu. Ainda estava imerso em pensamentos. Nessiah...por quê? Ele não conseguia entender. Mas queria, mais que tudo, saber o que o havia levado á fazer isso.