The Emperor Repents
2 Capítulo 2: Questões na prisão
Lá estava ele, o imperador de Bronquia, Gulcasa, preso em uma cela que outrora fez parte de seu próprio castelo. Era realmente...humilhante que não fosse em uma acomodação melhor. Ele olhou em volta. A cela suja e pequena para ele e o seu dragão não ficava tão confortável. Mas não era bem nisso que ele prestava atenção. Pensando bem, ele teve sorte de estar prestando atenção em alguma coisa. Ele quase tinha sido morto horas atrás. E até lá, ele não parou de pensar em Nessiah...o que raios deu naquele cara? Se não fosse por sua intromissão, tudo teria já acabado...
Gulcasa suspirou e olhou para fora da cela pelas grades. Durant e seus cavaleiros montavam guarda. Sua expressão era sólida e séria, parecia que estava muito concentrado. E mesmo assim, Gulcasa pensava no por que. O Exército Real exterminou toda a armada Bronquiana, fora o próprio imperador. Não havia mais necessidade de ficar tão sério. Meio que incomodava.
- Você é...Durant, certo? – Gulcasa começou, se aproximando mais das barras.
Durant olhou feio para ele, por pouco não apontara a lança quando Gulcasa se aproximou.
- Sim, sou, imperador Bronquiano. – Ele finalmente respondeu.
- Líder da terceira cavalaria Fantasiniana, um dos melhores cavaleiros do exército, apenas de ter “apenas” 24 anos, dedicado e leal...você têm uma bela ficha. – Conversou o imperador, como se estivesse admirado, mas não estava olhando para papel ou ficha nenhuma. Durant o olhou com certa surpresa.
- Como sabe tanto...sobre mim?
- Eudy deu um relatório de missão fracassada quando traçava os reminiscentes da armada Fantasiniana...você foi colocado como o responsável pelo fracasso. Bom trabalho.
Durant continuava com uma expressão de certa surpresa, mas depois se recompôs e desviou o olhar do imperador, voltando-se para sua frente, no momento vazia, fora a presença dos outros cavaleiros que vigiavam Gulcasa.
- Por que você elogia um inimigo? Não espere ganhar nenhuma chance a mais de sobreviver com isso...
- Não, eu não esperava por isso. – Disse Gulcasa, derrotado. Direcionou seu dragão para recuar mais para dentro da cela, se afastando de Durant.
Ficaram em silêncio por um tempo, que pareceu muito, mas na verdade foi pouco mais de 30 minutos. Depois Durant deu sinal de estar vendo alguém. Provavelmente quem iria falar com Gulcasa. Ele se postou á frente.
Yggdra se aproximou de Durant, e pediu solenemente que ele abrisse a cela. Durant fez como fora comandado, e deixou Yggdra entrar. E então Yggdra e Gulcasa se encararam.
Yggdra, claro, tinha ódio pelo imperador, aquele que invadira a terra de seus pais, matou os mesmos e sabem-se lá quantas outras pessoas lá, e que tentara ressuscitar Brongaa, o dragão do caos, conseqüentemente quase causando o apocalipse. Afinal, quem não o odiaria? Ele era um dos maiores vilões que a humanidade da havia visto, e merecia nada menos que a sentença de morte. E agora estava lá, triste e sem esperança na sua frente. A chance de matá-lo estava tão á mão...ela precisaria de um extraordinário motivo para não fazê-lo.
Gulcasa, por outro lado, olhava Yggdra como uma líder ingênua, mas dedicada, que se esforçava sempre para fazer a melhor decisão mas ainda tinha muito o que aprender se queria suceder os pais. Que ele matara, de fato. Ele invadira suas terras, fato também. Mas...não fora ele que escolheu fazer isso. Ele foi direcionado para esse caminho pelo mesmo que o impediu de completar tudo: Nessiah.
- Não vai dizer nada, imperador? – Perguntou Yggdra. O desprezo era onipresente em sua voz.
- Claro que irei. Estava apenas pensando como vou falar para amenizar sua fúria. – Gulcasa respondeu, cauteloso. Yggdra bufou.
- Boa sorte.
- Com licença...
Era outra voz. Yggdra olhou para trás e lá estava Milanor, o Lobo Prateado, e um dos maiores companheiros de Yggdra. Ele entrava também, passando a mão pelo próprio cabelo branco, como que para causar uma melhor impressão de chegada.
- Milanor? – Yggdra pareceu um tanto surpresa. O garoto riu.
- Claro, estou aqui por que eu acho que alguém precisa lhe conter de matá-lo antes que ele acabe de falar. Além do mais...eu estou curioso. Gulcasa não pareceu ser ele mesmo hoje.
Gulcasa tirou o capacete com chifres que ele usava, e o deixou no chão da cela. Agora que estava sem capacete e seu cabelo longo vermelho estava mais á mostra, ele parecia mais humano.
- OK, acho melhor começar. Primeiro...não fui eu que escolhi invadir este lugar. Foi meu estrategista, Nes...
Ele mal acabara de falar e Yggdra já brandira a Espada Sagrada tão perto do seu pescoço que fora pura sorte não ter lhe cortado a cabeça.
- MALDITO! ALÉM DE FAZER TUDO QUE FIZESTE, AINDA TENTA COLOCAR A CULPA TODA EM OUTRA PESSOA!?
- Yggdra! – Exclamou Milanor, segurando os braços da princesa por trás, impedindo-a de brandir a espada novamente.
- Eu nunca disse isso. Você que ouviu isso apenas por que quer uma desculpa para me matar. Agora escute.
Quase espumando de raiva, Yggdra forçou-se a baixar a espada. Milanor suspirou de alívio.
- Nessiah, meu estrategista de guerra, sugeriu um ataque aqui. Seria vantajoso para nossa facção, com certeza. Eu aceitei, mas agora que notei algo...ele escolheu o jeito que levaria a mais mortes...
- Hein? – Milanor pareceu confuso. Yggdra não disse nada.
- Em vez de atacarmos o castelo de Fantasinia de surpresa, uma guerra foi declarada antes. Houve muito mais luta do que deveria ter havido. E isso, somado com o que aconteceu recentemente, me fez pensar.
- O que aconteceu recentemente? – Perguntou Yggdra.
- Eu não consegui me sacrificar para Brongaa...apenas por que Nessiah me impediu.
- Isso não faz sentido. – Comentou Milanor, pensativo.
- Acredite, faz menos sentido ainda para mim do que para você. Mas não é só. Nessiah...ele falou algo sobre planos “dele”...planos que envolviam eu morrer ali e agora, pela lâmina dessa espada...
Gulcasa apontou para a espada que Yggdra tinha em mãos. Ela olhou para a Espada Sagrada, já em sua família por tantas gerações, e era por ela que toda a justiça era feita.
- Mas por que ele iria querer isso? – Indagou Milanor, ainda pensativo como antes. – Ele estaria do nosso lado? Ele também ajudou-me a achar Yggdra antes..
- O quê!? – Gulcasa havia ficado ainda mais surpreso. Se é que isso era possível.
- É verdade.
Quem havia falado agora era Durant, que estava ouvindo até agora, de fora da cela.
- Eu e Esq. Milanor nos beneficiamos muito da ajuda desse garoto, quando estávamos passando por Lost Aries...
- Não só lá... – Acrescentou Milanor. — ...como ele lutou comigo quando estávamos voltando depois de tentar resgatar Yggdra de você, imperador, e fracassamos...mas do nada, ele matou os próprios homens, e depois se matou!
Yggdra e Gulcasa estavam pasmos. Durant recebera essa última notícia com certa surpresa, mas foi menos que os outros.
- Por que você nunca me disse isso? – Perguntou Yggdra, exasperada, para Milanor. Ele hesitou.
- Err...bom...você nunca perguntou...
- Então é verdade... – Disse o imperador, após uma pausa constrangedora. – Nessiah não pode ser humano! Como ele pode ter se “matado” e ainda estar tão bem?
- Por que estamos falando tanto dele... – Perguntou Yggdra, ameaçadora, logo depois apontando para Gulcasa com a espada. — ...quando devíamos estar falando de você?
- “Ele” pode ter uma grande ligação com o caso. – Arriscou Milanor, procurando não ver o olhar ameaçador de Yggdra. – Digo, pode ser...eu não sei...mas...
- Você está do meu lado ou do dele, Milanor?
- Princesa... – Começou Durant. – Se esse “Nessiah” incentivou a guerra, a raiz do problema pode estar nele, e não no imperador...
- Mas ELE concordou em seguir o plano desse “Nessiah”! – Retrucou Yggdra, furiosa. Milanor, incentivado pela defesa de Durant, arriscou:
- Pode ser que sim, mas então quer dizer que Gulcasa não é a raiz imediata do problema, né? Se esse Nessiah conseguiu convencer Bronquia á nos atacar de alguma forma, certamente ele têm muito carisma. E, pelo que Gulcasa falou, ele está atrás de seus próprios objetivos. Quem garante que ele não esteja incentivando mais um exército a se mover contra nós? Isso com certeza seria desastroso!
Isso pegou Yggdra meio que de guarda baixa. Ela refletiu naquelas palavras por um tempo. Sua mão, segurando com firmeza a espada, dizia que ele deveria ser executado o quanto antes. Porém, seu coração, antes cheio de ódio, estava hesitante, mais indeciso...será que apenas executá-lo seria justiça? Por via das dúvidas, ela não queria fazer nada precipitado.
Com um último suspiro de derrota, ela disse:
- Está bem. Gulcasa. Nós vamos atrás de Nessiah. E depois que tivermos ele sob custódia, nós vamos julgar vocês dois...mas não pense por isso que você está livre, imperador!
- E-Espere! Me leve com você! – Bradou Gulcasa, quando Yggdra fez menção de se virar para ir embora. Todos se surpreenderam. Yggdra olhou para ele.
- Por que eu deveria? Como eu saberia que você não vai pegar sua foice, nos assassinar no nosso sono, ou mesmo se sacrificar para Bronquia em qualquer abismo por aí? Hein?
Gulcasa não respondeu. Não sabia de nada que pudesse fazer para ganhar uma confiança maior de Yggdra...por mais que ele quizesse encontrar Nessiah de novo no campo de batalha e perguntar umas coisas. Ele não conseguia pensar no que fazer.
Yggdra viu que ele não tinha mais nada a dizer e saiu da cela, de mãos dadas com Milanor. Durant trancou a cela e depois pediu para alguns cavaleiros ficarem de vigia e organizarem turnos. Logo depois ele se juntou á Milanor e Yggdra e os três foram embora, deixando o imperador preso e sozinho com mais ninguém além de seu dragão.
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