The Eight

6 Minha primeira queda pelo príncipe


Notas iniciais
Hey, peoples! Devo avisar que o capítulo ficou grande demais, então resumi um pouco, mas acho que continua grande. Dedico este capítulo para Latoya Judite Malfoy por ter comentado no capítulo anterior e por indiretamente ter me dado uma nova ideia para a fic!

Eu realmente estava em um sonho maravilhoso, envolvia alguma coisa que me deixa feliz, mas agora eu não consigo lembrar, pois eu acordo rapidamente com as dedadas de Megan em meu ombro. Logo após eu abrir os olhos, ela me abraça com Alice e David atrás me observando.

– Hoje é seu grande dia, Selecionada! – dia Alice, me estendendo um enorme bolo em seguida.

Levanto-me de supetão, ver todos juntos para me parabenizar é o suficiente para me tirar um sorriso em plenas seis horas da manhã (eu acho) com o cabelo totalmente desarrumado e de pijama. Sim, hoje é o meu dia, o dia em que vou para o palácio e vou deixar minha segunda família. Talvez eu realmente não tenha sorte com famílias.

– Qual é o sabor do bolo? – pergunto.

– Alice disse que é chocolate – responde Megan, ansiosa. Levanto uma sobrancelha – Relaxa, ela disse que é bom!

– Espera, vou experimentar – coloco um dedo sobre o glacê e depois junto com a cobertura de chocolate do bolo e ponho na boca. – Delicioso! – Por sorte Alice não reclamou da minha falta de higiene, acho que é uma folga antes de ir para o palácio, lá sim é rigoroso.

Apesar de estar com uma vontade louca de comer o bolo por completo, peço para eles saírem, preciso me arrumar, tenho que estar na praça em menos de duas horas. Me visto de acordo com o procedimento padrão: calça preta, blusa branca, pendente sobre o peito um lírio, flor da casta, e o tênis que comprei com Alice, acho que ninguém vai perceber o calçado, é discreto e me deixa confortável.

Procuro por Megan, Alice e David na cozinha, mas estão todos na sala, Megan com outra tiara na cabeça e Alice e David conversando sobre algo que não consigo ouvir. Acho que vou sentir falta de normalidade no palácio.

Pego o bolo, três pratos e trago até eles, mas sento ao lado de David, tenho que ter pelo menos uma conversa com meu pai temporário antes de eu ir embora.

– David – ele se vira para mim, fico sem reação por um momento. Na minha mente teríamos uma conversa amigável, mas nem planejei o que falar. Retiro um pedaço do bolo – Quer?

Ele aceita e volta a conversar com Alice, mas por acaso me lembro de algo.

– David – o sorriso que dá para Alice se desmancha quando eu o chamo – Eu vou para a Seleção, Alice vai trabalhar durante a tarde, sendo você o único em casa... Então você é um Seis?

– Sim – responde – Algum problema?

A resposta está na ponta da língua, mas hesito por alguns instantes. Não o conheço, nunca tive sequer uma conversa normal com ele, eu confio em Alice, não posso dizer o mesmo sobre David. Tenho dúvidas, como Alice disse que David é médico se Seis normalmente são serviçais domésticos?

– Não, é que... – esqueço o que iria responder de propósito, Alice disse que ele é amigo dela. Se eu confio em Alice porque não nos amigos dela? – Esquece, não há problema algum.

Ele se volta novamente para amiga, vou para quarto terminar minha mala.

Abro o guarda-roupa que divido com Megan, tem pouca coisa, então coloco tudo com facilidade na mala. Minha irmã aparece pela fissura da porta.

– Quero que leve isto – estende um boné para mim – Caso não se lembre, foi o que você me deu em casa.

Ah, nossa casa verdadeira, me lembro, foi antes de toda essa confusão acontecer. Agacho-me na sua frente, encarando-a.

– Não preciso de nada para me lembrar de você, querida.

Levantei-me e dei um beijo em sua testa, assim, eu e ela continuamos arrumando a mala, colocando o boné na mesma. Conversamos por algum tempo antes de Alice bater na porta e entrar.

– Destiny, — ela me olha com um lindo sorriso – Chegou a hora.

***

Caminho em direção ao grande palco na praça, apesar de ninguém saber quem sou eu, todos fingem me conhecer, inclusive o prefeito. Subo um conjunto de degraus, o prefeito aperta minha mão e me abraça como se eu fosse parte da família dele. Fico do lado das outras Selecionadas, cerca de mais três (como eu havia previsto). Todas se mostram contentes, uma até chora de emoção, mas eu não consigo fazer sequer um esboço de riso. Sinto que todos me olham com expectativa, todos que eu digo é a casta inteira.

O prefeito pede para cada uma fazer um discurso, sendo eu a última. Ok, eu nem sabia que precisa fazer discurso, mas não começo a desesperar-me, já havia combinado com Megan caso acontecesse isso. Minha segunda família está bem ao lado do palco, para que não haja quaisquer problemas durante a despedida, mas que ajuda ainda mais, pois olho facilmente para Megan, que confirma minha iniciativa de discurso.

Quando Evellyn acaba o discurso dela, o prefeito faz um gesto para que eu me aproxime do microfone sobre o palanque. Ando tentando soar determinada e ponho a boca próxima ao microfone, mas levo um choque sem querer.

– Ai! – coro quando percebo que todos ouviram minha reclamação – É... Meu nome é Destiny Ta... Weston! Destiny Weston! – aceno para uma pessoa qualquer na plateia, de acordo com Megan isso me mostra que eu conheço alguém daqui e sou uma Cinco – É... Não sei mais o que mais falar – ninguém está mesmo prestando atenção – Alguma pergunta?

Minha voz sai nervosa e esquisita, como se eu estivesse tentando engolir algo que não passa pela garganta. Cincos pessoas levantam a mão.

– Você é a apaixonada pelo príncipe Willian? – uma menina da idade de Megan com cabelos claros pergunta suficientemente alto para eu ouvir.

Mas não faz diferença o tom, coro do mesmo jeito. Se eu respondesse ‘’sim’’ iria me tornar a pobre menina de Illéa apaixonada pelo homem da mais alta classe. Caso respondesse ‘’não’’, as pessoas achariam que eu sou uma falsa ou que sou só mais uma Selecionada qualquer.

Resolvo optar pelo mais idiota.

– Não sei – ouço suspiros longos que não sei o que significam – Próximo!

Uma senhora de idade levanto a mão, rapidamente a atendo.

– O beijo na carta foi de propósito, certo? Então você está apaixonada pelo príncipe!

Oficialmente declaro que odeio batons, e não, não me importo se vou usa-lo durante toda a Seleção, continuo o odiando.

– É... Não sei – rio, como essas pessoas podem acreditar fielmente nisso? – Próximo!

Algumas câmeras tiram fotos de eu sorrindo por um tempo, não consigo ver ninguém durante o mesmo, isso é tremendamente irritante, mas vou ter que atura-la por mais um tempo.

Vejo um rapaz forte, de olhar divertido e sorriso bonito e deixo-o perguntar. Por favor, ele é um menino, não pode fazer perguntas infames!

Mas eu acho que estou errada.

– Você nem parece dessa casta, mas aposto que já sonhou com o príncipe, não? – diz o cara.

Sinto um arrepio percorrer minha espinha. Eu sei que ele tentou disfarçar, mas deixou bem claro para mim. Ele sabe o meu segredo. Ele poderia ter contado, mas não contou, por quê?

Fico calada por um bom tempo, estou com vergonha demais pendente sobre mim, mas por sorte ouço uma buzina de carro.

Nunca fiquei tão feliz por partir.

– Ah, que pena – faço biquinho – não posso responder sua pergunta! – tento realmente fazer uma voz triste, acho que é por causa do nervosismo – Prefeito, por favor – ofereço o microfone e ele aceita.

Por mais que meu rosto queira olhar novamente para o rapaz que fez a última pergunta, não deixo, se eu conhecer seu rosto mais detalhadamente, é provável que eu fique pensando nele direto, e não é isso que eu quero no momento.

Desço do palco atrás das outras garotas, encontrando Megan primeiro.

– Você ouviu a última pergunta, não ouviu? – ela assente – Sabe que eu estou nervosa e que se eu não sair daqui a pouco tempo é possível que eu tenha um colapso, certo? – ela balança a cabeça positivamente – Então, só quero que saiba que te amo muito e que você será a dona da casa enquanto Alice estiver fora, está bem? – aproximo minha boca de seu ouvido – Não confie nesse David, ele pode ser seu pai temporário, mas eu não confio nele, entendeu? Tome muito cuidado, ouviu?

– Pode deixar, Des! Eu sei me virar, mamãe também me preveniu antes de nós sairmos de casa!

Beijo sua testa e a abraço com muito carinho. De repente penso se posso fazer a mesma coisa com a princesa Mary, ela se parece um pouco com Megan...

Dirijo-me para Alice, que derrama lágrimas.

– Alice, — seguro a mão dela – Eu ainda não te considero uma mãe, mas com certeza você é importante para mim, pois eu confio em você. Deixar Megan com você é melhor sinal que posso dar no momento, por favor, cuide dela como fosse sua filha – minhas palavras a fazem chorar ainda mais, minha intenção não é magoa-la, mas preciso que ela entenda isso.

– Entendi, você não irá se arrepender.

Também a abraço, mas não como abracei Megan, mas sim como se fosse só para dar lhe forças.

Olhei para David, ele sorri para mim, mas eu apenas o encaro, séria.

– Vou sentir sua falta! – minto e então o abraço, aproveitando e falando em seu ouvido com a voz mais dura que consigo – Se você fizer qualquer coisa com minha irmã, eu juro, eu mesmo mando um guarda lhe chicotear.

Afasto-me rapidamente, não quero ver sua reação, nem mesmo a minha. Pego as malas com Alice e dirijo-me para o carro, quase uma limusine, mas Megan me impede.

– Espera! – ela tira por detrás do vestido outra tiara, só que mais parecida com uma coroa, com muito mais pedras e maior – Quero que use isso pelo menos até chegar ao carro. É meu presente dessa vez. Somente por ser uma maravilhosa irmã mais velha!

Coloco a coroa na cabeça e me afasto, não posso mais dar o luxo das outras esperarem. Aceno para Megan, mas antes de entrar no carro, sou assediada por outra mini sessão de fotos, rejeito com rapidez e entro na limusine.

Mas, claro, sem antes ouvir um comentário de um fotografo.

– Definitivamente ela está apaixonada por esse príncipe, essa coroa comprova tudo.

Estou ferrada. De novo.

***

Apesar de minha pequena viagem no carro ter sido bem desconfortável (não houve qualquer tipo de conversa), ainda tenho esperanças que no avião será melhor, com ar condicionado e outras garotas de outras castas, tenho chances melhores.

Ou não, tanto faz, não fazer amigas de primeira não é novidade para mim.

É só eu entrar no avião que arranja um pequeno problema: a mala não entra no espaço designado. Empurro, bato, meto a cabeçada, mas nada, então uma garota loira, rosto recheado de maquiagem e roupa igual a minha, mas com uma flor diferente, aparece com um sorriso radiante.

– Querida, têm que colocar horizontalmente – apesar de sua voz ter soado carinhoso, de algum modo ele me insultou, mas ignorei quando ela me dá uma leve empurrada para trás – Tem. Que. Colocar. Assim. – ela dá intervalos curtos entre as palavras para fazer força no compartimento e fechar.

Quando finalmente consegue, suspira e ergue um sorriso para mim.

– Prazer, meu nome é Jennifer.

***

Jennifer é uma pessoa legal, apesar de ser uma três, estranho um pouco o sotaque dela, mas ela disse que é assim mesmo. Não tínhamos muito que conversar, então ela assume todos os assuntos que conversamos. Muitas das perguntas que ela faz para mim eu mal sabia responder.

– Qual é sua cantora favorita? – ela pergunta.

Paro de respirar por um momento, dependendo da minha resposta, pode mudar muita coisa.

– Aquela lá, — meu Deus, eu sou um desastre, não faço a mínima ideia de quem estou falando! – Espera, eu esqueci o nome! – bato com tanta força no apoio do assento que minha mão fica vermelha – Aquela mulher lá, Dois, que adora fazer barraco...

– Soffie? Sério? – ela fala com uma expressão visivelmente de nojo.

– Sim, essa mesmo... – paro para pensar — Eu a odeio!

Ela acredita e começa a tagarelar sobre a vida dela e o que ela faz. Enquanto ela fala, eu só fico assentindo, não faço a mínima ideia de quem seja essa Soffie e já estou ouvindo alguém falar mal dela. Sou uma pessoa horrível.

Passa algumas horas até eu descobrir que o avião já está com todos os passageiros (só mais duas além de mim e Jennifer), e então finalmente estamos indo ao palácio. Apesar de muito esforço, não consigo mais fazer mais nenhum tipo de amizade, acho que realmente não consigo me enturmar, mas, ainda consigo virar a carta com Jennifer.

– Você gostar de ler? – pergunto.

– Sabe, — responde – minha mãe diz que é idiotice, mas eu leio escondida.

Graças a uma pergunta inocente consigo me distrair até a chegada ao terminal.

Retiro minha mala do compartimento e ando do lado de Jennifer, mas quando eu piso no primeiro degrau da saída do avião, me faço uma pergunta:

Ok, mamãe pensou no início, de como eu ia entrar Seleção, entendi, mas como vai ser durante o concurso?

Pergunta simples, normal, mas que consegue revirar meu estômago momentaneamente, e então trás a tona o porquê daquele cara lá na praça da casta Cinco não ter contado meu segredo, assim, me lembrando de que sou Oito, que a qualquer momento o governo de Illéa podem perceber isso, eles podem estar querendo me prender agora! Iria deixar Jennifer encabulada, pois virou amiga de uma prisioneira.

Minha mente roda, o nervosismo toma conta de mim, mas Jennifer segura minha mão e permaneço firme por mais um tempo. Descemos do avião e vejo um tapete vermelho se estender pelo chão, como se nossa descida fosse a coisa mais importante de Illéa. Olho uma menina de coroa bem parecido com a coroa que Megan me deu antes de entrar no carro, com uma placa na mão escrita: Coroas dominam! Não sei se ela sabe que coroa também significa uma pessoa idosa, mas ignoro e dou um autografo para ela. Um homem pede para segurar minha mão e eu o atendo, depois um menino de uns dois anos pede um abraço meu e eu dou, assim, dei duas voltas pelo tapete, apenas para atender pessoas que, parecido comigo, gostam de receber atenção.

Sou a última a entrar no carro, Jennifer apenas me dá um sorriso simples, pois estou sendo encarada com puro ódio por uma garota loira, pálida, maquiagem em excesso, provavelmente, muito silicone no peito e uma bota branca de couro até o joelho.

– Qual é o seu problema? Você é uma Cinco, não chama atenção! Pare de se fazer de santa ou vai pagar muito caro – diz a loira.

Então volta a conversa com uma menina ao lado. Não creio que isso seja uma ameaça, pois só vale se eu sentir medo.

Eu acho que esta Seleção está me mudando mesmo sem ter começado, pois já estou pensando de maneira maléfica para irritar alguma Selecionada, eu acho que vai ser essa loira.

– Esta é Kendall, Dois – diz Jennifer, sussurrando no meu ouvido.

Parabéns Kendall, você vai ser a primeira a experimentar uma Destiny que até eu mesmo desconheço.

***

Eu pensei que só havia pessoas no terminal, mas, na verdade, é uma extensão de idosos, adultos, crianças até o castelo. Até aí, tudo bem, mas começo a me assustar quando jogam cartas com marcas de beijos nos vidros do carro, que por sorte, é preto com os vidros quase da mesma cor. Ainda assim tenho vontade de abri-los para acenar, gritar feita uma louca, fazer as coisas que se fazem em um livro. É uma pena saber que não posso abrir o vidro, pois há chance de um atentado. Não ligo muito, pois no Oito as pessoas morrem com facilidade, se conseguir viver uma vida boa e feliz ali, você é considerado um exemplo a seguir, um verdadeiro herói.

Não vejo muito através do vidro, qualquer coisa que estiver além dele perde a graça de se ver, perde o brilho natural, mas ainda assim consigo ver um muro alto de uma cor que beira do amarelo para a laranja. Entramos nele com o carro, passamos por fontes, inúmeros repórteres e fotógrafos até chegarmos a uma grande porta de mármore. Jennifer aperta minha mão com força ao sairmos do carro, transferindo o nervosismo dela para mim, e como se fosse uma praga, meu estômago revira novamente, mas com uma força maior, minha mente gira, minha testa lateja, apoio-me na parede com uma Jennifer assustada. A porta se abre revelando duas criadas que nos puxam com vontade, completando o serviço. Então minhas costas se encontram com a parede e escorregam até o chão, quando meus olhos finalmente se fecham, percebo que desmaiei.

***

Ai! – minha mão direita vai de encontra a testa, onde massageio com cuidado.

Evito abrir os olhos, pois a luz do Sol se encontra sobre eles. Tateio ao meu redor e percebo que estou deitada, mais precisamente em uma cama. Procuro por algo para por em cima de meus olhos para cobri-los e voltar a dormir, quando minhas mãos percorrem o criado-mudo ao meu lado, acho um tecido macio e sedoso, na qual coloco em meu rosto.

Passam-se uns cincos segundos quando (o que eu acho ser uma toalhinha) pula de meu rosto.

– Você baba enquanto dorme – reclama uma voz.

Assusto-me com incomodo inesperado e abro os olhos com maior lentidão possível. Para apenas encontrar o príncipe Willian em pessoa e na minha frente.

No primeiro segundo apenas o fito, pensando ser uma pegadinha, logo em seguida percebo que é o príncipe de verdade, assim, reajo da melhor maneira possível: solto um grito agudo e caio da cama.

Não, isso não foi engraçado, pelo menos para os meus braços não, pois, por pura sorte, caí por cima deles.

– Idiota! Qual é o seu problema? Não se pode mais dormir em paz? Menino... – levanto-me, totalmente revoltada, limpo os braços e a roupa para depois perceber que o príncipe continua aqui – Quero dizer, alteza.

Ele está sentando em um banco baixo, postura ereta, mas que se ergue o tempo todo; o braço pendente no criado-mudo (ele era minha toalhinha) mostra irrelevância sobre a minha ‘’queda’’; a outra mão está sobre a boca, na qual se mexia constantemente. Ele está se segurando para não rir. Faço uma reverência desajeitada; pego minha mala que está próxima à cama e apresso o passo para sair dali rapidamente.

Para logo depois o príncipe surgir na minha frente. Hoje só não pode ser meu dia de sorte.

– Vamos lá, linda – como ele tem a ousadia de me chamar de linda? – Eu sei que você pode ser melhor do que isso.

– Não precisa, tenho mais o que fazer... – ele sorri para mim – Alteza.

– Ninguém sabe que estou aqui, nem mesmo os meus pais, você já pode mostra seu lado apaixonado.

– Apaixonada? Sério? – tento passar pelo seu lado, mas ele me detém.

– Ok, — ele me fita – Então decida: ficar com o príncipe idiota ou aguentar as loucuras de Rachel, a assistente das Selecionadas. E eu acho que elas devem estar se arrumando até agora no Salão das Mulheres.

Estou numa armadilha, um círculo vicioso. Se eu continuar aturando ele aqui, ela vai saber que quero continuar na Seleção mesmo o achando um idiota, mas se eu escolher o Salão das Mulheres é bem capaz que ele me expulse por chama-lo de idiota.

É parece que só há uma resposta correta, mas não significa que é a melhor opção. Ele percebe que estou o observando, ainda decidindo, então convida:

– Ótimo! Agora sente aqui – ele indica uma das camas da ala e eu sento – Agora me diga, porque você me odeia pessoalmente e me ama na Tv.

– Eu não te amo, nem necessariamente te odeio.

Ouço uma voz contínua na minha cabeça dizendo para não julga-lo pelo o que ele faz.

Ele me lança um sorriso galanteador, exatamente como nos livros que li.

– Por favor, — rio enquanto faço caretas – não venha me cantar. Não sou essas garotas desesperadas. E esse negócio do beijo na carta e a coroa de plástico que usei quando sai do Cinco, foram acidentes!

– Sei – responde, sarcástico — Não, eu não estou lhe cantando, você deveria cantar, é uma Cinco!

O que era para ser uma piada, acabou me ofendendo. Que eu saiba, a rainha America era uma Cinco, como ela pode ter ensinado que Cincos são apenas cantores? Endireito a postura e levanto-me, sem olhar para ele.

– Aonde pensa que vai? – o príncipe Willian pergunta, mas deixa transparecer ânsia.

– Para meu quarto, lá eu sou bem tratada e não me cantam para ganhar minha atenção.

Antes que eu me esqueça, dou uma reverência desajeitada.

– Não pode me deixar aqui! Eu mereço um pouco de atenção, eu sou sua única visita! – diz ele.

– Se eu estivesse esperando alguém seu argumento valeria alguma coisa – repito a reverência – Alteza.

Ok, eu meio que esperava Jennifer ou qualquer criada, mas ninguém veio, então é normal.

E se ele quiser minha atenção, terá que merecer.

Ou isso, ou ele já me jogou para fora da Seleção.

Subo as escadas, por sorte, não encontro mais ninguém e sigo por meio do palácio. Não faço a mínima ideia para onde ir, então esbarro em qualquer pessoa, logo pedindo ajuda:

– Com licença, onde fica o quarto das Selecionadas? – percebo que é um guarda.

Ele se vira e meu corpo gela. É o mesmo cara, o mesmo cara que insinuou que sou de outra casta, é o mesmo cara que fez a última pergunta no meu discurso! Tenho certeza! Meu Deus, como ele veio tão rápido? E como ele entrou? Será que ele estar querendo revelar o que sabe sobre mim para o príncipe? Mas por que ele estar como um guarda?

Ele vê que estou com uma cara pensativa e responde:

– Subindo aquelas escadas – ele aponta para uma grande escadaria – Aí tente falar com alguma criada, quem sabe ela te responda qual seja seu quarto.

Solto um sorriso torto, espero que não tenha ficado tão óbvio que o reconheci.

Continuo com o riso até encontrar meu quarto. Ainda não entendo o motivo.

Notas finais
Devo avisar que a parte da limusine, as Selecionadas indo juntas, eu não tirei do livro para não ficar repetitivo... E não descrevi o quarto para o capítulo não ficar maior do que já está! Ah, e preciso de opiniões, a fic está boa, tá decaindo, tá uma droga...? Até logo, cupcakes! :D