The Eight

7 Segunda Chance


Notas iniciais
Eu sei, fiquei mais um mês sem postar, mas aviso: não foi minha culpa. Meu pc quebrou, o capítulo que eu tinha começado foi deletado e começaram as minhas aulas, ou seja, tempo é o que falta. A fic não entrou em hiatus, mas o próximo capítulo vai demorar um pouco, mas não tanto quanto esse. Os comentários serão respondidos em breve. Sétimo capítulo da fic, espero que gostem ou sei lá, não joguem pedras sem motivo.

De vários modos diferentes eu odeio a Seleção.

Um dos primeiros motivos é o próprio nome em si: '' A Seleção'', quem ouvir ou ler pela primeira vez já é capaz de descobrir seus fundamentos principais: escolher. Mas isso acaba de vez com o concurso em si, eu sou um exemplo: sinto-me inferiorizada, é como se uma criança (como Willian é) tivesse que escolher entre brinquedos, mas para isso ele tem que brincar conosco, caso não goste, dispensa sem qualquer discurso.

Mas também existe o fato de que no fundo da sua mente algo sussurrasse: ''Qualquer erro, a porta de saída te espera. '' Essa frase, por menor que seja, acaba com o resto de nossos valores, pois o medo se sobressai, qualquer coisa que façamos acaba sendo algo muito questionada por nós mesmo. Aqui não existem muitas ''amigas'', eu sei que não completei nem meu primeiro dia no castelo, mas as coisas fluem dessa maneira. Várias que estão presentes aqui só querem saber de eliminar as outras, por isso fazem de tudo para as outras descumprirem as regras ou que se saiam mal diante do príncipe. Ouvir dizer que Kendall está planejando algo contra uma Cinco, espero que não seja comigo.

Ah, e também tem o príncipe.

Nossa primeira ''conversa'' já deu pra mostrar o quanto ele acha que as Selecionadas estão na palma de sua mão. E que é convencido o suficiente para querer atenção total de das garotas durante alguma conversa. Por mais que eu odeie, vou ter que aguentar mais um pouco, só para não ser dispensada logo de cara.

Posso ser um brinquedo, mas não vou ser manipulada o tempo todo.

Apesar de tudo, ainda há motivos a favor da Seleção, como meu quarto. Extremamente espaçoso; uma cama de casal um pouco mais a frente da porta de entrada; uma estante cheia de livros mais para o canto; um sofá vermelho ao lado da estante; uma mesa redonda e de vidro no outro canto do quarto com quatro cadeiras ao redor; duas portas (na esquerda o banheiro e na direita o closet) de mármores separadas por uma grande lareira; um pouco mais para o lado da estante há alguns instrumentos musicais como piano, violino, violão; uma varanda com uma vista deslumbrante do jardim, mas ainda assim é todo trancafiado, o que parece ser uma cela me prendendo.

Ainda estava com um ataque de pânico quando conheci minhas criadas. Susan, pelo que entendi, é uma espécie de chefe entra as outras duas criadas; ela é loira, carinhosa e com um sorriso simpático sempre no rosto, veste uma farda cinza com um pano da mesma cor nos cabelos; Samantha e Clementine vestem roupas iguais a da superior, mas uma é morena com dedos elétricos (quando a conheci ela mexia com urgência o bolso frontal da farda) e outra é ruiva tímida (sempre que pode olha para baixo), respectivamente. Em principio eu não posso falar que esse é mais uns dos fatos agradáveis da Seleção, por mais que durante minha vida inteira eu desejasse um descanso, não gosto de ver outras pessoas trabalhando, de algum modo eu sinto náusea em vê-las limpando o cômodo, ajeitando meu banho; além de que é uma chance a menos de ter privacidade.

Depois das variadas surpresas pós-desmaio, não pude fazer aproveitar o que tinha ao meu redor, meu quarto foi invadido por várias pessoas com tesouras, esmaltes, maquilagens em mãos. Rapidamente fui posta em uma cadeira e um cara baixo e elegante começou a fazer perguntas e mais perguntas sem nenhuma finalidade aparente; as criadas pareciam tranquilas: Samantha ajudava a equipe, Susan continuava limpando o closet e Clementine servia as pessoas com pãezinhos e café.

– Como vai querer, bela? Vai querer continuar como mocinha apaixonada ou quer ser um pouco mais chamativa? – perguntou o homem.

Assustei-me, ainda não consigo assimilar a garota apaixonada comigo. Meus olhos arregalados deram a resposta de uma maneira que não entendi. No final meu cabelo ficou cacheado nas pontas; minhas unhas foram limpas, hidratadas com base e um fino esmalte vermelho por cima; as espinhas e alguns cravos desapareceram magicamente do meu rosto e meu corpo está cheirando puramente à mel devido ao hidratante. O que era para ser uma tarefa simples acabou durando horas, tempo suficiente para Rachel bater na porta.

– Creio que a senhorita já está recuperada de seu ‘’escândalo’’, – bufo – então deverá apresentar-se no Salão das Mulheres para a projeção especial do Jornal Oficial de Illéa. Somente próxima semana vocês deverão se apresentar ao vivo e hoje o príncipe vai conhecer junto com toda Illéa quem são as Selecionadas.

Rapidamente ela fecha a porta e eu suspiro, só queria um pouco de descanso antes de sentir o descaso do príncipe sobre mim. Mamãe falou com voracidade sobre este assunto, disse que hoje o príncipe conhecerá cada um de nós com maiores detalhes e apresentarão nosso dia-a-dia antes do concurso e sobe as circunstâncias do palácio. Admito que está horrível, dos muitos closes que fizeram em mim, a maioria saiu sem nexo algum.

A multidão que adentrava na casa de Alice todos os dias me deixava ansiosa e constantemente aborrecida. Quando assistia televisão sempre sentia o olhar dos guardas sobre o conteúdo, além de que Alice sempre pirava quando eu experimentava algum vestido. Megan fez o que podia: tentou posar de irmã simpática e que admira muita a irmã mais velha, mas nunca fez efeito algum, pois eu sempre olhava para as câmeras ao meu redor com indiferença.

No início eu tentava acenar, mostrar algum sorriso por menor que seja, mas os flashes irritavam minha visão e normalmente os repórteres faziam perguntas sem resposta aparente ou que eu não fazia a mínima ideia de como começar a responder. Com o passar de algumas horas eu tentava colaborar com tudo, queria entreter as famílias ou qualquer pessoa que estivesse na frente da televisão; sentia-me honrada em saber que alguma pessoa procurava o maldito controle de TV que tanto desaparece apenas para me assistir. Apesar de minha paciência ser curta, aguentei o máximo que pude até começar com perguntas relacionadas ao príncipe novamente.

Sempre as mesmas: ‘’Como começou essa ‘paixonite’ de você pelo príncipe?’’; ‘’Você acha que seu amor será correspondido?’’. Eu sempre focalizava mentalmente que tinha duas opções: ou eu seria sincera ou seria uma inocente apaixonada; ou seria considerada mentirosa pelas pessoas ou a mais famosa entre as Selecionadas; de um lado a razão e do outro a emoção.

Covenhamos, minha vida como Cinco é uma droga.

No final, nunca respondi nenhuma dessas perguntas. Se alguma das alternativas tivesse algum benefício eu nunca percebi, pois passei a ignora-las. Uma das piores escolhas que fiz no mês (já fiz coisas mais absurdas), pois, atualmente, estou praticamente amassando meu vestido azul feito por Samantha especialmente para a ocasião.

O Salão das Mulheres está em total silêncio, à janta servida em meu quarto arrastou consigo a minha voz e das outras Selecionadas. A televisão de 50 polegadas fica no centro e nós colocamos cadeiras ao redor dela para assistir o tão esperado episódio enquanto observamos atentamente o olhar do príncipe sobre o telão do palco. Apesar do nervosismo, sinto algo feliz em mim, pois essa edição especial é uma maneira a mais de comunicar-me com Megan e minha família no Oito (se alguém estiver assistindo, claro).

Estou sentada no fundo, não quero que me vejam acabando com meu vestido e com meu sapato que está pinicando pra caramba. De alguma maneira o ar condicionado não funciona para mim, estou suando, acabando com a maquilagem e me estressando com o peso dos brincos enormes. As outras garotas, embora estejam ansiosas, parecem tranquilas, todas têm alguma qualidade para mostrar e estão adeptas a serem as preferidas da população. Por enquanto ganhar fama em meio as castas é o principal objetivo, quando se exerce um cargo maior, você não irá sair logo na primeira semana a não ser que Willian queira causar alguma revolta.

O fato de muita coisa depender de Willian me dá agonia, pois nós estamos aqui, principalmente, para agrada-lo e chegarmos à Elite ou ser a Escolhida; não importa se o público adora alguma Selecionada, a última palavra é sempre do príncipe, nem o rei a rainha podem interferir; os vídeos são um motivo a mais para dispensar alguém, se ele não gostar, adeus. É como se você estivesse à beira de um abismo e Willian é o vento forte que pode chegar e te empurrar ou te salvar.

Um nervosismo causado pelo príncipe não é algo legal, já o conheci, por menor que foi nossa conversa, já tirei minhas conclusões, e pode acreditar, ele é exatamente como se mostra nas televisões. Do segundo vídeo em diante paro de assistir, pois são mais trinta e três ao todo, não gosto de ser humilhada indiretamente trinta e quatro vezes, a primeira filmagem já mostrou que não vou chamar nem um pouco de atenção. As Selecionadas brincam com crianças no vídeo; adoram comentar com os repórteres, se emocionam quase o tempo todo (Kendall chora pela maquilagem, por exemplo). O significado do meu nome adora brincar comigo, pois sou a última a ser apresentada e a maioria da plateia já está praticamente dormindo e o príncipe já apoia o rosto nas mãos em sinal de cansaço.

O silêncio no Salão das Mulheres se quebra, todas comentando sobre a tão especial apresentação, achando-se máximas, pois o príncipe sempre soltava um sorriso a cada vídeo. Mal sabem elas que isso é o normal dele. Tento roer as unhas, mas as criadas disseram especificamente para não fazer nada contra elas. Jennifer pega a cadeira dela e se aproxima da minha, apenas pega minha mão e aperta com força, sem qualquer palavra, pois elas não são necessárias no momento.

Sinto-me idiota por não ter conversado com ela pelo menos uma vez depois do voo, mas ignoro quando meu rosto aparece na TV. Aparecem rapidamente minhas informações e começa com uma filmagem minha e de Megan juntas. Coloco a mão no rosto por vergonha e Jennifer solta um risinho e me junto a ela. Aparecem mais imagens, mas não olho.

Por um lado, parece mais um vídeo caseiro, que ganha destaque entre os outros, pois parece algo monótono, ‘’sem magia’’ comparada ao restante; pelo outro lado mostra que sou simples, como uma verdadeira Cinco. Meu rosto enrubesce e olho para meus saltos de três centímetros. Com um último resquício de vontade ainda assisto a feição do príncipe no fundo da tela, mas é inexpressível, misterioso.

Jennifer entende quando eu me levanto sem um pingo de vontade da cadeira e me acompanha sem hesitar. Não sei se é algo adequado de se fazer, não tínhamos obrigação de assistir todas as Selecionadas, apenas de ver o próprio vídeo senão já poderia sair. Para mim não importa se o meu está na metade, apenas aperto o passo para a porta do enorme espaço rosa. Ouço Kendall gargalhar atrás de mim:

– Ah, a pobrezinha não aguenta assistir a própria derrota na plateia e no rosto do príncipe? – apesar de ninguém se juntar aos risos, ela anda em minha direção e sussurra baixo o suficiente apenas para eu ouvir – Cresce garota, aqui não é tua casa para se fazer de menininha.

Ela contorce de rir, aponta diversas vezes em minha direção como se estivesse falando: ‘’Acredita nessa maluca?’’. As outras Selecionadas continuavam caladas, Jennifer está com a postura firme, mas não se opõem à Kendall, talvez por John ter dito que não poderia ter de forma alguma agressões físicas. Coisa que se eu fizesse não iria surtir efeito algum, pois eu seria expulsa e Kendall sairia ganhando. Ela tem mais coisas a falar, problemas ao meu respeito não tem fim.

Mas as palmas vindas da TV são mais do que suficiente para cala-la.

***

Já é alta hora da noite.

O pijama de seda é confortante, mas não consigo relaxar; a cama é de casal, mas sinto-me muito grande nela; a porta da varanda está aberta, mas não posso sentir o cheiro das flores no jardim; os sonhos maravilhosos que tanto anseio não vem; de alguma maneira o ar também contribuía para minha primeira noite não ser gratificante.

As criadas saíram com o meu pedido e só voltam ao amanhecer. O quarto fica silencioso por demasiado, pois o único som existente é a minha respiração, nem os grilos dão para ouvir. Já tentei diversas posições diferentes na cama: sem cobertor; lençóis cobrindo meu corpo por inteiro; do lado contrário; esparramada, mas nada adianta. Insônia é algo que irrita tanto que tira ainda mais o sono. Embora meus olhos estejam pesados é impossível fazer minha mente descansar.

Quando ouvi as palmas vindas do Jornal Oficial de Illéa tratei de ignorar, mas não pude deixar de sorrir com a boca aberta de Kendall. Dirigi-me para o quarto, pensando principalmente em dormir e acabar logo com meu primeiro dia que considerei bem ruim, mas meus pensamentos voam longe e não me deixam fechar os olhos em nenhum momento.

Viro-me de um lado para o outro, mas é irrelevante e levanto-me sem disposição alguma da cama. Caminho para o banheiro, abro a torneira e lavo meu rosto; a maquilagem e hidratante caem pelo ralo dando uma cor colorida. Não suporto usar maquilagem para ‘’proteger a pele contra olheiras’’. Quem se importa se tenho olheiras ou não? O príncipe? Se ele soubesse pelo menos um pouco sobre mulheres eu até concordaria, mas não é o caso.

Calço as pantufas rosa e abro a porta, o ar gélido atinge meu rosto então abraço a mim mesma, pois o pijama não ajuda em nada. Olho ao redor e aguço a audição, qualquer erro é uma catástrofe. Talvez fosse uma ideia ruim, talvez fosse um tiro no escuro, mas que acerta na placa: ‘’saída’’; talvez fosse uma decisão tomada no desespero e que vai dar errado, mas já não importava mais, pois as luzes laranja das paredes já me guiavam pelo o corredor do piso.

Decisões de última hora nunca têm finalidades, embora algo em minha mente estivesse dizendo para procurar a cozinha. Sempre trazia para Finn um copo de leite morno quando as trovoadas apareciam e só ele não conseguia dormir. Sentia que iria encontra-lo a qualquer momento, que seu sorriso de criança iria vim da escuridão do corredor em minha direção e que ele iria contar as notícias boas. Os assobios que trocava com meus irmãos levavam informações, até agora tento ouvir algo diferente de pássaros e de guardas treinando.

Mas a realidade é como um soco, mas o fato de se acostumar com ele diminuem a pancada, pois apenas sento apoiada na parede. Uma luz fraca brilha por cima deixando o lugar não muito escuro; as pantufas ganham um aspecto mais brilhoso embora ainda sejam horrorosos. Deixo as pernas soltas e relaxo ao som de qualquer ruído.

– É uma carta da Seleção!

– Meu Deus, Destiny, você acredita em qualquer coisa.

–Poxa, Destiny, não sabia que era tão egoísta.

Ouço um suspiro ao lado, me confundo se é o meu ou de outra pessoa.

– Você não tem jeito mesmo – diz uma voz.

Olho para o lado e não me surpreendo com o que vejo: Willian. Primeiro dia foi cheio de surpresas e só vai acabar quando eu dormir.

– Por favor, me deixe sozinha, já não estou infringindo uma regra? Se quiser já pode me dispensar, não me importo, apenas me deixe curtir o momento – minha voz sai doce e calma, como se eu estivesse zen.

Eu realmente estou cansada, caminhar cinco minutos me desgastou o suficiente para eu finalmente conseguir dormir. Já não me importo em inibir-me diante do príncipe, além de que não sou dessas, meus braços estão pesados demais para fazer qualquer coisa. Ele veste pijama também, embora parecesse um terno simples e de linho, mas acho que é a luz; os cabelos estão desarrumados e boceja quase o tempo inteiro.

– O que faz aqui? – tento olha-lo com tédio, mas solto a língua. Não presto com sono.

– Qual parte de ‘’curtir o momento’’ você não entendeu? – suspiro – Mas respondendo a pergunta: insônia.

– Hum.

Silêncio. Mas irrita quando se passa os primeiros cinco minutos. Silêncio só é bom quando se está sozinho.

– Soube que você me chamou de louca – Kendall ficou cinco minutos gritando isso na minha porta, acredito não ser verdade, mas os assuntos não existem nesta conversação.

– Eu não chamei, eu sussurrei – ele entrelaça os dedos – Mas você me chamou de idiota então estamos quites.

– Ofender uma dama não é educado.

– Ofender o príncipe também não.

– Idiota!

– Louca!

Parecemos duas crianças disputando por atenção. O fato de estarmos sussurrando alto é estranhável, mas quando o vento frio ganha espaço entre nós, eu faço questão de esquecer-me tudo. Esfrego as pernas como uma tentativa inútil de ficar quente; tento prender minha atenção na parede da frente, talvez se não houver contato visual ele vá embora. Ele tamborila os dedos no chão, olha fixamente para os pés. De algum modo ele quer transparecer que aceita uma conversa normal.

– Olha, — falo de súbito – Só quero tranquilidade por enquanto, ok? Nossa primeira conversa não foi a melhor e a mais longa, mas vamos fingir esquecê-la por um minuto, certo? – respiro fundo, bocejo e abro um sorriso entre as barreiras do sono – Olá, meu nome é Destiny Weston – ergo uma mão para cumprimenta-lo.

Ele me olha estranho, sinto que seu ego irá inflar novamente.

– Ok... Meu nome é Willian Schreave.

Apresentação inútil, ele já sabe meu nome e eu sei o dele, não somos tão desconhecidos a esse ponto. Não sei quais são as regras para iniciar uma conversação, muito menos o assunto a discutir. As mais belas imagens adentravam minha mente, mas só conseguiria continua-las se eu estivesse dormindo.

– Você gosta, não sei, de queijo? – ele pergunta.

– Ahn? Queijo, certo, essa não foi boa. – solto um riso sem querer – Não sabia que o galanteador não soubesse conversar normalmente.

– Dá um tempo!

Encolho-me um pouco, as únicas gírias que aprendi foram as de décadas atrás.

– Não sabe o que significa? – levanta uma sobrancelha – Também não sei explicar, mas acho que não é o que você está pensando.

– E como você sabe o que estou pensando?

– Não sei, mas deve ser algo sólido.

– Não.

– Então desisto.

Rio e abraço as pernas. Não vale dizer que não estava pensando em absolutamente nada.

– Amigos? – diz Willian

– Como?

Pergunta surpresa. Aquele tipo de pergunta que te deixa errada, as palavras desaparecem e que você tem a sensação que dependendo da resposta mudanças ocorrem. Não sei se há problema em responder não, talvez ele me odeie, talvez ele não aguente conviver com uma pessoa que não está nenhuma vontade de conhecê-lo. Agora, se eu responder sim, as coisas já vai ficar bem previsível. Sim, não reconhece? As velhas histórias de romance, o fictício amor, sempre quis viver uma assim, de uma amizade inesperada para algo maior, mas inspiração faltava quando via meus pais.

Talvez tentar não fosse uma ideia tão ruim.

– Amizade não nasce assim – ele levanta uma sobrancelha. Eu estou completamente perdida, não sei ao certo o que estou fazendo, nunca tive um amigo concreto – Principalmente em um lugar onde o que importa é conquistar você – eu coro, ele coça a nuca – Não sei ao certo o que fazer, mas pode acreditar que eu sabia com meus amigos no Cinco – minto.

Segundos depois sinto a estupidez que fiz.

– Ah, não sei.

E aqui estamos nós. Conversando sobre algo que poderia acontecer normalmente (ainda duvido um pouco), interagindo sem quaisquer câmeras ou placas ao alto com nossos nomes, esquecendo completamente que no final da tarde eu estava odiando cada minuto que passava nesse palácio. Parece estupidez decidir isso em apenas uma noite, poderia haver mais meses de Seleção, mas o tempo não espera.

Mesmo quando passei pouco mais que uma semana na casa de Alice, nunca me senti bem-vinda, por mais que ela desse um carinho que todo filho deveria ter, ainda sentia-me estranha perto dela. Minha vida no Oito parece um pesadelo que passou, os ratos, lixo, fome, com certeza não tenho saudades, de vez em quando isso volta para me assolar, em sonhos. Tenho minhas defesas, mas não uma barreira. Talvez tudo estivesse nessa resposta: um amigo. Nunca tive experiência, meus irmãos, dois eu não consigo falar e o outro só liga para si mesmo; mamãe adoeceu faz alguns anos, desde então não é comum compartilhar algo com ela; papai, enfim, ouvia-me sempre que podia, mas todos os dias eu olhava para aquele par de olhos tão preocupados e a vontade de falar passava.

Talvez eu devesse começar algo, não cair em um poço sem fim. Talvez eu só precisasse começar uma vida nova sem esquecer-se da velha. Talvez eu precisasse parar de pensar tanto e agir, o mundo girava e eu ficava parada; o sol subia, mas a tristeza permanecia. A resposta também poderia ser mudança.

– De qualquer forma, eu aceito – falo.

Eu estou curiosa. Por que ele está acordado? Por que ele não posou de cara chato (que eu tanto pensava que ele era) me dando uma bronca? E como ele conseguiu sair do quarto se é tão vigiado por guardas?

Perguntas a parte, respostas que não preciso no momento.

Notas finais
Destiny, mais uma não crente no amor. Digamos que não concordo. E, foi mal pelos erros, confundo um pouco. Agradeço aos leitores que estão acompanhando e principalmente comentando. Emoção a parte. Até depois.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.