The Dream Traveller: A Porta para Phantomile
10 Vision 9: The Four Orbs

As Ruínas do Vento era o antigo Reino do Vento. O meu avô contou que muitos séculos atrás houve uma Grande Guerra que assolou os reinos de Phantomile, o Reino da Lua resolveu purificar o planeta inteiro e alguns não viram isso com bons olhos. Então o Rei Veter, o rei regente do Reino do Vento, criou uma resistência contra a tirania do Reino da Lua e disso surgiu o Reino do Sol, que foi criado pelos rebeldes para ajuda-los na guerra. Ele me dizia que em uma guerra nunca há vitoriosos, somente sobreviventes, o Rei conseguiu defender a sua ideologia e proteger os outros reinos, mas pagou um preço mais alto do que gostaria.
Até hoje as Ruínas mostram esse preço. O que outrora fora um castelo majestoso agora era uma carcaça vazia e fria, até as naves do Reino da Lua que foram abatida durante as lutas estavam lá fincadas entre os tijolos como ervas daninhas. Serviam de alerta para qualquer um que achasse por bem levantar-se contra os reinos.
— Klonoa? Você está bem? — Huepow disse me tirando do devaneio.
— Olha! Finalmente você acordou! — Disse tentando esconder o meu nervosismo.
Huepow também parecia desconfortável.
— Eu disse que haveriam consequências... só vamos evitar ter que usar aquilo de novo. — Ele olhou em volta. — Que lugar é esse?
— São as Ruínas do Vento. Uma longa história, só quero sair daqui.
Apertei o passo. Quanto mais tempo permanecia ali, mais me sentia observado.
Quando cheguei nos limites de Breezegale pude ouvir o som estrondoso de aeronaves e foi aí que rezei para que as minhas pernas aguentassem o máximo que podia. Meu coração batia tão forte que pareciam socos no meu peito e todo o meu campo de visão ameaçavam ficar turva.
Eram duas naves, pude ver o Joka em uma delas, ele gritava algo que eu não entendia por estar longe demais, mas eles já estavam sobrevoando a minha casa, o vovô devia estar lá dentro sem entender o que estava acontecendo. Precisava ir mais rápido. — NÃO! VOVÔÔÔÔ!!! — Mais rápido Klonoa.
A primeira nave parecia abrir a parte do fundo e um feixe de luz desceu como um meteoro. Mais rápido! Por favor pernas! Mais rápido!
Por segundos um clarão preencheu o meu campo de visão.
Mais rápido.
— Nãonãonãonãonão.
A primeira coisa que vi foi um Moo erguendo o Pingente da Lua enquanto era alçado de volta para a segunda nave e os dois partiram como se nada houvesse acontecido.
A minha casa agora era só pedaços fumegantes de madeira, tijolos enegrecidos e palha queimada. Mas a visão piorou quando vi o vovô deitado no chão, estava coberto de sangue e cercado por ele.
— VOVÔ! — Corri para tentar socorre-lo.
Ele ainda estava vivo, mas sua respiração estava fraca demais.
— Klonoa, é você? — Ele fez um esforço para virar a cabeça. Sua expressão refletia a dor que estava sentindo.
— Sim, vovô. Sou eu. Não tente se mexer eu vou buscar ajuda!
— Não... Já é tarde...
— Por favor, não diga isso! Poupe suas energias!
Ele abriu um sorriso fraco e levantou a mão para tocar no meu rosto.
— Me perdoe, meu neto... eu não fui forte o suficiente... você... você conseguiu falar com a Granny?
Não consegui responder, havia uma pedra na minha garganta. Só conseguir balançar a cabeça.
— Você... é um garoto incrível... eu sou um gato velho de sorte... por ter criado você, mas devo dizer que... o destino não vai pegar leve... detenha o Ghadius... Meu pequeno... Viajante. Dos... Sonhos...
E ali a sua mão caiu. Ele já estava sem vida.
Meus olhos se encheram de lágrimas, não conseguia ver nada, era tudo distorcido e o abracei, na esperança de que pudesse trazer de volta à vida.
— Huepow faça uma magia. Qualquer coisa. Traga ele de volta. Vovô por favor não me deixe, vovô!
Eu gritei o mais alto que pude. O meu peito doía e a minha garganta também, todo que havia feito até ali parecia sem sentido agora.
Consegui achar uma pá em meio aos destroços e sem dizer uma palavra, fui até o quintal e comecei a cavar, e cavar, e cavar. Quando dei por mim já o tinha enterrado, agora o meu avô, meu único parente, a única pessoa que importava se fora.
— Eu sinto muito, Klonoa. Realmente queria ter de evitar isso. — Huepow disse. Por alguns segundos achei que tinha ouvido errado.
— O que você-
Mas antes de pudesse terminar a minha linha do raciocínio, algo me chamou a atenção. Algo se aproximava cortando os céus do crepúsculo.
— O que é aquilo? — Huepow perguntou tentando enxergar.
— É a Pamela?
E já um pouco mais perto pude distinguir pelo brilho que a luz do sol fazia quando reluzia em suas escamas, realmente era ela. Se não fosse pela minha perda eu juro que ficaria chocado por ver ela voando graciosamente como se estivesse na água.
— Klonoa! — O Rei Seadoph surgiu detrás da barbatana. E a Granny também logo em seguida.
— Seadoph, Granny, o que estão fazendo aqui?
— A Granny me contatou assim que saiu de Forlock. Tentamos chegar o mais rápido possível, mas pelo visto... não conseguimos.
Os dois pareciam triste. Principalmente a anciã, ela havia me dito que conhecia o meu avô a muito tempo. Acho que foi um choque e tanto pra ela.
— Klonoa, você precisa ir até o Reino do Sol. — Granny disse enquanto olhava para o pequeno tumulo improvisado.
— Mas como? Ninguém sabe aonde fica o Reino do Sol.
— Eu posso levar você até lá. — Pamela fez um gesto para que subíssemos nas suas costas.
— Vão. Cuidamos das coisas aqui. E lembre-se, os detenha pelo seu avô.
Eu assenti com a cabeça e subi na Pamela. Levantamos voo e fomos em direção ao pôr do sol, dali pude ver Breezegale se tornar cada vez menos até sumir em meios as nuvens.
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